Sepultura (banda)
Sepultura é uma banda brasileira de thrash metal criada em 1984 pelos irmãos Max e Igor Cavalera em Belo Horizonte, Minas Gerais. Com uma sonoridade que combina death metal e thrash metal com elementos de música tribal, indígena, africana, japonesa e outros estilos,[carece de fontes?] o Sepultura ganhou respeito e fama na década de 1990 com discos como Arise e Chaos A.D., e tornou-se forte influência para inúmeras bandas de death metal, groove metal e nu metal.
O nome Sepultura surgiu quando Max traduzia uma canção do Motörhead chamada "Dancing on Your Grave", pois "grave" traduzido para o português, significa "sepultura".
Originalmente, era formada por Igor Cavalera (bateria), Max Cavalera (só na guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Wagner Lamounier (guitarra e voz). Em 1985, Wagner deixa o grupo para formar o Sarcófago, Max assume os vocais e Jairo Guedez entra como segundo guitarrista. Em 1987, Jairo sai e Andreas Kisser assume seu lugar, resultando na formação clássica que duraria dez anos. O vocal, atualmente, é feito pelo americano Derrick Green e a bateria, pelo também americano Greyson Nekrutman, ficando Andreas como guitarrista único.
Igor, Paulo e Andreas passaram a escrever de uma nova forma. Agora o baixo ganhou uma importância ainda maior, como base das músicas. Andreas assumiu os vocais, mas nunca havia cantado antes e não se sentiu à vontade no posto. Decidiram encontrar um novo vocalista para o Sepultura. As fitas de demonstração chegaram em grande quantidade aos escritórios da Roadrunner, e fizeram assim um processo de seleção. Um pequeno grupo de finalistas foi selecionado, e os candidatos receberam uma fita com músicas nas quais deveriam trabalhar, inclusive escrevendo letras, antes de encontrarem a banda para os testes. Em uma entrevista dada em 2014 ao site DeadRhetoric.com, Andreas Kisser contou um pouco sobre como foram essas audições: Os testes finais aconteceram no Brasil, também foi levado em conta a integração e a afeição entre o grupo. Desde o começo da procura, a voz e a aparência de Derrick Green impressionaram. Quando ele esteve no Brasil para os testes sentiu-se em casa, virou palmeirense, e se entendeu extremamente bem com a banda. A maior parte das músicas já estava pronta, esperando a gravação dos vocais, e a banda estava sob pressão para lançar o disco.
Começo de carreira (1984-1986)
Foi em Belo Horizonte, no ano de 1984, que a história do Sepultura começou. Os irmãos fundadores Max e Igor Cavalera, inicialmente, tinham como influência bandas de heavy metal como Black Sabbath, Van Halen, Iron Maiden, Motörhead, AC/DC, Judas Priest. Após viajar para São Paulo, conheceram várias outras bandas em uma loja de fitas, a Woodstock Discos e mudaram drasticamente de gosto após ouvir Venom pela primeira vez: a partir daí, começaram a ouvir Hellhammer/Celtic Frost, Kreator, Sodom, Megadeth, Exodus e Exciter. E com influências de bandas nacionais como Stress, Sagrado Inferno e Dorsal Atlântica. O novo direcionamento seria a base do futuro som do Sepultura.
Schizophrenia e Beneath the Remains (1987-1990)
No início de 1987, Jairo Guedez deixa a banda, sendo substituído pelo guitarrista paulista Andreas Kisser, que já havia feito algumas jams com o grupo, e assim, lançaram o álbum Schizophrenia no mesmo ano, o último com a produção da gravadora Cogumelo. O álbum refletiu uma mudança estilística: era mais orientado ao thrash metal, mas elementos de death metal do Morbid Visions permaneceram. Notou-se uma nítida melhora na produção e na performance dos músicos, o que ajudou Schizophrenia se tornar uma sensação da crítica por toda a Europa e América do Norte, onde o disco passou a ser muito requisitado para importação. A gravadora New Renaissance o lançou nos Estados Unidos. O furor provocado pelo Schizophrenia fez com que houvesse um lançamento pirata por uma gravadora europeia, que chegou à marca de 30 mil cópias vendidas, porém, sem render direitos autorais à banda.
Arise (1991-1992)
Em janeiro de 1991, eles tocaram no Rock in Rio II para um público de mais de 100 mil pessoas. A banda, que havia se mudado do Brasil para Phoenix, Arizona (EUA) em 1990, contratou um novo empresário e gravou o álbum Arise nos estúdios Morrisound em Tampa, Flórida. Ao lançá-lo em 1991, o Sepultura tornou-se uma das bandas de thrash/death metal mais elogiadas pela crítica especializada. Arise vendeu cerca de 160 mil cópias já nas 8 primeiras semanas. Ao final da turnê de divulgação, o álbum já tinha vendido mais de 1.000.000 de cópias, e ficou na posição 119 no top 200 da Billboard. Como seu antecessor, também foi produzido por Scott Burns. É considerado pela maioria dos fãs de longa data o melhor trabalho do grupo.
Chaos A.D. e a repercussão no exterior (1993-1995)
A essa altura, o Sepultura já era considerado uma das melhores bandas de thrash metal do mundo. Em 1993, o Sepultura lança o disco Chaos A.D., que já possuía influências tribais, além de elementos de música industrial e hardcore punk. Ainda assim, percebia-se que a banda ainda se preocupava com a situação geopolítica mundial, pois pérolas como "Refuse/Resist" e "Territory" estão incrustadas neste álbum, além de "Manifest", que denunciava o massacre da penitenciária do Carandiru, onde 111 detentos foram mortos. Mesmo sendo mais cadenciado e diversificado que os antecessores, Chaos A.D. foi um enorme sucesso e até hoje já vendeu mais de 1 milhão de cópias mundo afora, além de levar o Sepultura a um patamar nunca antes alcançado por uma banda brasileira. O êxito comercial e crítico rendeu vários elogios ao LP, com o AllMusic dando ao álbum uma nota 4.5 de 5 estrelas, considerando que "Chaos A.D. figura entre os maiores álbuns de heavy metal de todos os tempos".
O álbum Roots (1996)
Em 1996, o compacto Roots Bloody Roots é lançado, contendo quatro faixas, "Roots Bloody Roots", "Procreation of the Wicked" (um cover da banda black metal Celtic Frost), "Refuse/Resist" e "Territory" (ambas gravadas ao vivo em Minneapolis, Estados Unidos). Outros singles foram lançados, "Ratamahatta" e "Attitude". Mais tarde, no mesmo ano, sai Roots, um dos álbuns mais aguardados do ano. O disco mostrou um lado mais experimental da banda, com uma participação de Carlinhos Brown na canção Ratamahatta, e presença ao longo do disco de percussão, berimbau e várias batidas tribais. O disco contém ainda duas músicas gravadas conjuntamente com os índios xavantes, Jasco e Itsari, no Mato Grosso. A música "Itsari" foi gravada na Aldeia Pimentel Barbosa no ano de 1995, às margens do Rio das Mortes no estado de Mato Grosso. Já o restante do álbum foram feitas em Malibu no estúdio Índigo Ranch, dotado de instrumentos de idade avançada, e fazendo da gravação a mais crua possível. Os clipes/singles foram "Roots Bloody Roots" gravado na cidade de Salvador, "Attitude" que teve fotos de tatuagens de fanáticos pelo Sepultura como capa, e contou com a participação especial da família Gracie no videoclipe. "Ratamahatta" foi um clipe diferente de todos os anteriores do Sepultura, feito todo em animação gráfica computadorizada.
Saída de Max Cavalera
Em dezembro de 1996, chega a notícia que mudaria completamente o rumo da banda: Max Cavalera deixaria a banda. Aconteceu quando os outros três integrantes, em reunião, decidem demitir Gloria Cavalera do posto de empresária, alegando que esta dava apenas espaço para seu marido, Max. Ao contrário de antigamente: quando o Sepultura aparecia, todos os quatro integrantes estavam na foto, e não apenas Max. Com a saída de Gloria, Max se sente traído e resolve buscar outro rumo em sua carreira. A discussão é imensa. Andreas, Igor e Paulo tinham a convicção de que a empresária já não os estava mais representando e comunicaram sua decisão de não renovar seu contrato de trabalho. Havia a opção de ela continuar a cuidar dos interesses de Max. Ele não aceitou a decisão dos companheiros e abandonou o Sepultura, sentindo-se injustiçado. A partir de então, as incertezas caíram sobre o Sepultura e o futuro era incerto.
Os álbuns do Sepultura exerceram grande influência em vários grupos posteriores, especialmente com os discos Chaos A.D. e Roots, que sintetizavam o thrash metal com ritmos tribais e que serviram de referência para bandas de metal alternativo como Slipknot, Godsmack e System of a Down. Além disso, dentre os conjuntos que já regravaram algumas de suas canções encontram-se Napalm Death, Aborted, God Forbid, Apocalyptica, Kalmah, Children of Bodom, Trivium, Havok, Dimension Zero, Ratos de Porão, Krisiun, Hatebreed, e entre outros. Por sua vez, os integrantes do Radiohead declararam estar influenciados pelo som do grupo: "Vimos o Sepultura há alguns anos em um festival holandês e nos encantaram com sua música sombria brasileira com um pouco de voodoo. Tocavam com instrumentos das florestas tropicais a base de palmeiras e plantas. Era bastante perturbador". De acordo com a RIAA, o Sepultura já conseguiu dois discos de ouro nos Estados Unidos, e outros dois no Reino Unido segundo a BPI. No decorrer de sua carreira, já venderam mais de vinte milhões de cópias de álbuns mundialmente. Abaixo seguem algumas listas em que os discos do Sepultura já apareceram:


