Mar Báltico
O mar Báltico é um mar interior do norte da Europa, circundado pela península Escandinava, pela Europa continental, e pelas ilhas dinamarquesas da Zelândia, Funen e Lolland.
O Mar Báltico é alimentado por um grande número de rios que lá despejam água doce. Entre os grandes rios que desaguam no Mar Báltico estão o Neva, o Vístula e o Oder, para além do Daugava, Neman, Dalälven, Torne, Kemijoki, Oulujoki e Narva. Destes, o Neva é o mais caudaloso, responsável por cerca de 20% do abastecimento de água doce. A água acumulada sucessivamente no Mar Báltico vaza depois através dos estreitos de Öresund, Pequeno Belt e Grande Belt, fluindo em seguida para o Mar do Norte através da corrente báltica e da corrente costeira norueguesa. Em contrapartida, é reduzido o fluxo de água proveniente do Mar do Norte. É este processo, com uma grande entrada de água doce e uma pequena entrada de água salgada, que torna salobra a água do Báltico.
Salinidade
A salinidade do mar Báltico é muito menor do que a da água dos oceanos. Isso ocorre devido ao abundante escoamento de água doce da terra circundante, que contribui com cerca de um quadragésimo do seu volume total por ano: o volume da bacia é de cerca de 21 000 km³ e o escoamento anual é de cerca de 500 km³. As taxas de precipitação e descarga de água doce superam a evaporação, causando uma diluição da água do mar. Em contrapartida, recebe pouca água salgada do oceano Atlântico devido a esta só poder entrar pelos estreitos do Öresund e dos Belt. Suas águas têm salinidade de 10 a 15 g/kg, enquanto a do mar Vermelho é de cerca de 40 g/kg.
Poluição
O mar Báltico é um dos mares mais poluídos do planeta. Está cercado por zonas com grande população e produção agrícola e industrial, ao mesmo tempo que tem uma entrada mínima para água fresca do Atlântico. É constantemente cruzado por inúmeros navios de carga e de passageiros. Enormes ferryboats transportam milhares de turistas entre Estocolmo na Suécia e Helsínquia e Turku na Finlândia. Na Dinamarca, criadores de porcos vêm despejando milhares de toneladas de esterco suíno no mar Báltico, alterando seu equilíbrio e tornando-o um dos mares mais poluídos do mundo.
O mar Báltico é composto por várias partes. Em termos genéricos, este mar vai do Golfo de Bótnia, no norte, até à Escânia sueca e às ilhas dinamarquesas da Zelândia, Fyn e Lolland, no sudeste. Num sentido mais estrito, o mar Báltico vai da região das ilhas Åland até à região da Escânia e das ilhas dinamarquesas.
Estima-se que mais de 85 milhões de pessoas habitem a costa do mar Báltico. As maiores cidades costeiras são:
Chamado por Públio Cornélio Tácito de Mare Suebicum, por analogia ao povo germânico dos suevos [nota 1], o primeiro a denominá-lo Mare Balticum foi o escritor germânico do século XI Adão de Bremen. A origem do nome é controversa, e pode estar ligada à palavra alemã belt ("faixa"), utilizada para designar os dois estreitos dinamarqueses que o conectam ao mar do Norte. Outros acreditam que a origem seja a palavra latina balteus, com o mesmo significado. Mas deve-se notar que os nomes dos belts podem estar ligados à palavra dinamarquesa bælte, que também significa faixa. Além disso, o próprio Adão de Bremen comparou o mar com uma faixa, afirmando que o mar é assim denominado porque ele estica ao longo da terra como uma faixa.[nota 2] Ele também pode ter sido influenciado pelo nome de uma ilha lendária mencionada em A História Natural, de Plínio, o Velho. Plínio menciona uma ilha chamada Baltia (ou Balcia) com referência a notas de Píteas e Xenofonte. É possível que Plínio se referisse a uma ilha chamada Basilia ("reino" ou "real") em Sobre o Oceano (Περι του Ωκεανου), de Píteas. Baltia também pode ser derivada de "faixa" e significar "perto da faixa do mar (estreito)".
O Báltico surgiu com o aumento do nível do mar, após o fim da última glaciação, no último período glacial, ocorrida há cerca de 12 000 anos. Originário de um lago pré-glacial de água doce — o lago Glacial Báltico, portanto sem ligação com o oceano da época, o mar Báltico tornou-se um mar após o derretimento de geleiras que o cercavam, seguido de uma elevação da terra ao redor. Neste fenômeno, conhecido como isostasia, a pressão adicionada pela água em uma região gerou uma tensão de elevação da superfície em seu redor, como em uma alavanca. O derretimento do gelo, por sua vez, reduzia o peso sobre o relevo circundante, facilitando sua elevação.


