Bala expansiva
A bala expansiva, também conhecida como bala 'dum-dum', é um tipo de projétil de arma de fogo projetado para se expandir ao impactar um alvo. Essa expansão aumenta o diâmetro da bala, prevenindo a penetração excessiva e criando um ferimento maior, o que resulta na incapacitação mais rápida de alvos vivos. Por essa razão, são amplamente utilizadas na caça e por forças policiais. No entanto, seu uso em conflitos armados é geralmente proibido por convenções internacionais. Os designs mais comuns incluem ponta oca e ponta macia.
Pontos-chave
- Balas expansivas aumentam de diâmetro no impacto para causar ferimentos maiores e incapacitar alvos mais rapidamente.
- São usadas na caça para mortes rápidas e por departamentos de polícia para maximizar o poder de parada e reduzir riscos de transfixação.
- O termo 'dum-dum' surgiu de um arsenal britânico na Índia, mas é considerado gíria para a maioria dos projéteis expansivos.
- A expansão da bala é um efeito desejado, em contraste com as primeiras balas de chumbo que achatavam acidentalmente.
- A Convenção da Haia de 1899 proíbe o uso de balas expansivas em guerras internacionais, e seu uso em conflitos não internacionais pode ser considerado crime de guerra.
As balas expansivas são projetadas para expandir no impacto, podendo até dobrar seu diâmetro original. Isso desacelera o projétil e transfere mais energia cinética para o alvo, criando um canal de ferimento maior. Essa característica as torna ideais para a caça, pois aumentam a chance de uma morte rápida. Existem designs específicos para diferentes portes de animais e velocidades de armas, com balas para caça de médio e grande porte exigindo maior integridade e menor expansão para garantir penetração adequada. A velocidade de impacto influencia diretamente a expansão e penetração. Para forças de segurança, as balas expansivas são preferidas por seu poder de parada e menor risco de transfixar o alvo, reduzindo o perigo para terceiros. Contudo, alguma penetração é necessária para superar barreiras como para-brisas ou roupas pesadas, embora não sejam eficazes contra coletes à prova de balas ou equipamentos robustos.
O termo 'Dum-dum' para balas expansivas é uma homenagem a um dos primeiros protótipos britânicos, fabricado no Arsenal de Dum Dum, próximo a Calcutá, Índia, pelo Capitão Neville Bertie-Clay. Este arsenal produziu várias balas expansivas para o cartucho .303 British, incluindo modelos de ponta macia e ponta oca. É importante notar que essas não foram as primeiras balas expansivas; projéteis de ponta oca já eram usados em rifles express para caça de animais de pele fina desde meados da década de 1870. A maioria das fontes de munição e balística considera o uso do termo 'Dum-dum' para outros projéteis expansivos como gíria. Os fabricantes utilizam diversas nomenclaturas para descrever as construções específicas de balas expansivas, que geralmente se enquadram nas categorias de ponta macia ou ponta oca. O efeito de expansão, que faz a bala parecer um cogumelo, é conhecido em inglês como 'mushrooming'.
As primeiras balas eram tipicamente esferas de chumbo quase puro, um metal macio que tendia a achatar no impacto, causando ferimentos maiores que seu diâmetro original. Com a introdução do estriamento nos canos, balas mais longas e pesadas foram desenvolvidas, mas ainda eram feitas de chumbo macio e frequentemente dobravam de diâmetro ao atingir o alvo. Nessas situações, a expansão era um efeito colateral do material, não um design intencional. As primeiras balas projetadas especificamente para expandir no impacto surgiram com os rifles express em meados do século XIX. Esses rifles usavam cargas de pólvora maiores e balas mais leves para atingir altas velocidades com cartuchos de pólvora negra. Uma forma de reduzir o peso das balas era criar uma cavidade profunda na ponta, dando origem às primeiras balas de ponta oca. Além de atingirem velocidades mais altas, elas se expandiam significativamente no impacto. Embora eficazes em animais de pele fina, tendiam a se desintegrar em animais maiores, resultando em penetração insuficiente. Uma solução foi a 'bala expansiva cruciforme', um projétil sólido com uma incisão em forma de cruz na ponta, que se expandia apenas até a profundidade da incisão, representando uma forma inicial de projétil de expansão controlada.
A Declaração III da Convenção da Haia de 1899 proíbe o uso de balas expansivas em guerras internacionais. Frequentemente confundida com as Convenções de Genebra, essa proibição é anterior e é uma continuação da Declaração de São Petersburgo de 1868, que já proibia projéteis explosivos com menos de 400 gramas. A declaração de 1899 estabelece que é vinculativa apenas para as Potências Contratantes em caso de guerra entre elas. Até recentemente, a proibição se aplicava apenas a conflitos armados internacionais entre os países signatários. No entanto, um estudo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha sobre o direito internacional consuetudinário sugere que agora a proibição se estende a todos os conflitos armados. Os Estados Unidos contestam essa visão, argumentando que o uso de balas expansivas pode ser legal em caso de clara necessidade militar. Uma emenda ao artigo 8 do Estatuto de Roma, adotada na Conferência de Revisão em Kampala, classifica o uso de balas expansivas em conflitos armados não internacionais como crime de guerra. Um exemplo histórico é o assassinato de prisioneiros soviéticos pelos alemães em Jitomir, em agosto de 1941, que envolveu experimentos humanos com material capturado do Exército Vermelho usando balas expansivas.


