Latim medieval
O latim medieval refere-se à forma do latim utilizada por vários séculos após a queda do Império Romano, como a única língua escrita dos antigos territórios imperiais. Era a língua litúrgica da Igreja Católica Romana e meio de interação erudita, tanto na ciência como na literatura, no direito e na administração pública, durante a Idade Média.
Influências
O latim medieval era caracterizado por um vocabulário aumentado, que emprestava livremente de outras fontes. Era grandemente influenciado pela linguagem da Vulgata, que apresentava diversas peculiaridades estranhas ao latim clássico, como consequência da tradução mais ou menos direta do grego e do hebreu. Estas peculiaridades se refletiam não apenas no vocabulário, mas também na sua gramática e sintaxe. A língua grega forneceu uma boa parte do vocabulário técnico do cristianismo. As várias línguas faladas pelas tribos germânicas, que invadiram a Europa ocidental, também foram fontes importantes de novas palavras. Líderes germânicos tornaram-se os líderes da Europa Ocidental, e palavras de suas línguas foram importadas livremente pelo vocabulário da lei. Outras palavras mais comuns foram substituídas por variações do latim vulgar ou por fontes germânicas, porque os vocábulos clássicos caíram em desuso.
Influência do latim vulgar
A influência do latim vulgar também é aparente na sintaxe de alguns escritores do latim medieval, embora o latim clássico continuasse tendo alta importância e fosse estudado como modelo para composições literárias. O ponto alto no desenvolvimento do latim medieval como uma língua literária veio com a Renascença carolíngia, um suposto ressurgimento da literatura e das artes que teria ocorrido principalmente no reinado de Carlos Magno, rei dos Francos. Alcuíno foi o principal conselheiro de Carlos Magno para assuntos eclesiásticos e de educação, além de ter sido um importante escritor. Sua influência levou a um renascimento da língua e literatura latinas, após o período menos prolífico de desintegração da autoridade romana na Europa Ocidental.
Mudanças na ortografia
As diferenças mais marcantes entre o latim clássico e o medieval podem ser encontradas na ortografia. Algumas das mais frequentes diferenças são: Estas diferenças ortográficas eram freqüentemente devidas a mudanças na pronúncia ou, como no último exemplo, na morfologia, que os autores refletiam nos seus escritos. A mudança gradual no latim não escapou à percepção dos homens daquela época. Petrarca, escrevendo no século XIV, reclamou deste declínio linguístico, que ajudou a alimentar seu descontentamento com sua própria época. No século XVI, Erasmus reclamava que falantes de países diferentes não conseguiam compreender a forma de latim que cada um falava.
A literatura latina medieval possui uma vasta gama de textos, incluindo trabalhos tão diversos quanto sermões, hinos, textos hagiográficos, relatos de viagem, romances, poesia épica, e lírica.
Período inicial
A primeira metade do século V é marcada pela atividade literária dos grandes autores cristãos Jerônimo (c. 347–420) e Agostinho de Hipona (354–430), cujos textos tiveram enorme influência no pensamento teológico da Idade Média e no discípulo de Agostinho, Próspero da Aquitânia (c. 390-455). Do final dos anos 400s e início dos 500s, Sidônio Apolinário (c. 430 – após 489) e Enódio (474–521), ambos da Gália, são bem conhecidos por seus poemas, bem como o é Venantius Fortunatus (c. 530–600). Este também foi um período de transmissão: o patrício romano Boécio (c. 480–524) traduziu parte do corpus lógico de Aristóteles, preservando-o assim para a latinidade ocidental, e escreveu o influente tratado literário e filosófico De consolatione Philosophiae; Cassiodoro (c. 485–585) fundou uma biblioteca importante no monastério de Vivarium próximo a Squillace onde vários textos da antiguidade seriam preservados. Isidoro de Sevilha (c. 560-636) organizou todo o conhecimento científico ainda disponível em seu tempo no que pode ser denominada a primeira enciclopédia, a Etymologiae.


