Pesquisa · Mapa mental

Dança de São Gonçalo

A Dança de São Gonçalo, também chamada de Baile de São Gonçalo ou Roda de São Gonçalo, é uma tradição do folclore brasileiro, que consiste numa festa com música e dança em homenagem a São Gonçalo de Amarante, para pagar promessas e agradecer por graças alcançadas. Tem origem latino americana, podendo ser encontrada em diversos estados do Brasil, com características próprias em cada região, como na região Sudeste e Nordeste.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
01

História

Origens

A manifestação é genuinamente católica e tem origens no interior das igrejas de São Gonçalo onde antigamente se celebrava as festas. Festejado no dia 10 de janeiro, data de sua morte em 1259. Realizada em Portugal desde o Século XIII, chegou ao Brasil em princípios do Século XVIII, com os fiéis de São Gonçalo de Amarante. Na cidade do Porto, em Portugal, o ato de se dançar nas ocasiões de comemoração a São Gonçalo era chamado de Festa das Regateiras. Ocasião em que participavam as mulheres que queriam se casar. A dança era realizada dentro da igreja, remetendo à Idade Média e Moderna em Portugal.

Gonçalo de Amarante

São Gonçalo é um santo português com culto permitido pelo papa Júlio III em 24 de abril de 1551. Nascido em Tagilde no ano de 1187, estudou rudimentos com um devoto sacerdote. No regresso, São Gonçalo passou por um período de busca interior e encontrou na experiência popular a maneira de converter pecadores. Conta-se que São Gonçalo dançava, cantava e tocava sua viola a noite toda em meio às mulheres da noite, assim esperava que elas ficassem cansadas e não mais pecassem, pelo menos naquela noite. Ele entendia que as mulheres que se participassem dessas danças aos sábados não cairiam em tentação também no domingo. Acreditava ainda, que com o tempo se converteriam e se casariam. Durante a dança, para não cair em tentação, São Gonçalo usava pregos em suas botas. Dizem os antigos que a maneira de dançar São Gonçalo, meio cambaleante, é uma lembrança do modo que dançava próprio São Gonçalo ao sentir as dores dos pregos em seus pés.

Lendas

Diz uma lenda, que a mulher que tocar com alguma parte do corpo o túmulo do santo, em Portugal, terá casamento garantido dentro de, no máximo, um ano. A dança inventada por Gonçalo de Amarante continuou sendo realizada por diversos grupos que além de festejar o santo, pagam promessas feitas a ele.

Dança

A dança pode constituir em uma prática ritual associada ao cumprimento de promessas feitas em busca de graças alcançadas. Entre comunidades quilombolas do Sul do Brasil, por exemplo, embora a motivação da promessa geralmente esteja vinculada a um benefício individual, sua realização assume caráter coletivo, sendo o pagamento efetuado com a participação de toda a comunidade. Normalmente, os dançarinos são separados em duas fileiras, uma de homens e outra de mulheres, sendo a dança é dividida em rodeadas, que são sequências de coreografias, comandadas pelos violeiros. Cada rodeada pode durar mais de uma hora, dependendo sempre do número de participantes e o número de sequências de coreografias que vão sendo criadas pelos violeiros, sempre aumentando a dificuldade, e aqueles que estão atrás da fila tem que seguir os que estão na frente. Enquanto os violeiros cantam louvores a São Gonçalo, os dançarinos se dirigem ao altar, beijam a imagem, ajoelham-se e voltam para o fim de suas fileiras. Assim que termina um ciclo de coreografias se completa a rodeada. Em algumas localidades, no fim de cada volta, os dançarinos param e comem os pratos oferecidos pelo fiel que está pagando a promessa ao santo.

Mariposa

Este grupo é constituído de: "Patrão", o chefe, que tira os cantos e comanda a dança por meio de gestos e toques convencionais que executa na caixa. "Mariposa", mulher que carrega o santo à frente do cortejo e eventualmente tira os cantos. "Tocadores" em número de quatro, têm função de executar as músicas. Dançarinos, em número de oito, são liderados por dois "Guias" que encabeçam as fileiras. Os dançadores homens se vestem com saias, turbante na cabeça, fitas coloridas e colares, pois estão representando as prostitutas que São Gonçalo recuperou através da dança. As indumentárias do grupo também possuem significados culturais negros. Os colares coloridos não seriam simples adornos, mas sim contas africanas de culto aos orixás, introduzidas pelos escravos. Essa hipótese é reforçada pelo fato de que em ocasiões de simples ensaios, os figuras dançam sem as vestes, mas sempre com as contas no pescoço. Outras peças, como o turbante seriam heranças dos africanos colonizados na África primeiramente por mouros, e posteriormente trazidos para o Brasil.

02

No Brasil

No Brasil, atualmente não há dia determinado; aliás não fazem mais festas, romarias para o santo (outrora 10 de janeiro) somente oferecem-lhe uma dança e reza, cerimônia que ocorre sempre que alguém lhe tenha feito promessa e alcançado uma graça. Em algumas locais o Santo (Imagem) é representado da forma Católica, ou seja com a ausência da viola, no entanto as imagens do Santo destinadas para o culto popular através da Dança de São Gonçalo é representada, na grande maioria das vezes de duas maneiras: Esta manifestação pode ser encontrada em quase todo o Brasil, com variações coreográficas bastantes diversificadas, tomando diferentes formas de execução. Para os pesquisadores Beatriz Caiuby Labate e Gustavo Pacheco, o Baile de São Gonçalo serviu de inspiração para a criação dos rituais do Santo Daime.

Nordeste

Em Sergipe a tradição tem a referência do padre português que introduziu a dança como pretexto para atrair os infiéis à igreja, catequizando-os e incutindo-lhes a prática do casamento. O grupo é conduzido por um "mestre" tocador de viola, um "contra-mestre" que toca a "meia-cuia" e dois guias. A dança é executada em nove rodas, divididas em treze partes apresentando coreografias diferenciadas. A indumentária é livre. No município de Laranjeiras em Sergipe, no povoado de Mussuca, essa dança é executada somente por homens (negros em sua maioria). A única mulher presente não tem papel ativo (carrega o santo). Em Pernambuco as moças vestem-se com saias azuis e blusas brancas, enquanto na Bahia a indumentária é livre. O primeiro registro de uma festa de São Gonçalo na Bahia foi feito em 1718, na cidade de Salvador, pelo viajante francês Gentil de La Barbinais. A festa aconteceu na antiga igreja de São Gonçalo, no atual bairro da Federação, e reuniu o então Vice-Rei Marquês de Angeja, padres, fidalgos, mulheres e escravos que dançavam com tamanha intensidade que "faziam vibrar a nave da igreja". Aos gritos de "Viva São Gonçalo do Amarante", os bailarinos pegaram a imagem do santo e "começaram a jogá-la para o alto, de um para o outro...", escreveu o escandalizado viajante.

Sudeste

No estado de São Paulo a tradição ocorre no litoral, principalmente em comunidades caiçaras, como no Vale do Ribeira e litoral, como nos municípios de Cananéia e Ubatuba. No estado do Rio de Janeiro ocorre no município de São Gonçalo. Em Minas Gerais é considerada dança de votos de solteironas que desejam se casar. A dança é desenvolvida por dez ou doze pares de moças, todas vestidas de branco, cada uma delas levando um grande arco de arame recoberto de papel de seda branco franjado. O movimento das rodas é ordenado pelo “marcante”, única figura masculina presente. Acompanhada pela música executa em viola, sanfona e caixa, a coreografia consta de evoluções com os arcos. Em Várzea da Palma, na comunidade de Barra do Guaicuí, a celebração é realizada em 20 de julho.

Sul

No Paraná, as “voltas” recebem nomes especiais, como “despontam”, “marca-passo”, “parafuso”, “confissão” e “casamento”. Neste estado ainda é bem comum a tradição principalmente em comunidades tradicionais, como quilombolas, caiçaras e faxinalenses, como, por exemplo, nos municípios de Adrianópolis, Inácio Martins, Tibagi, Arapoti, Curiúva e Ventania. Na comunidade de Tatupeva, em Adrianópolis a dança aparece na festa de São Gonçalo, que é como o evento mais importante da localidade. No município de Rio Azul encontra-se nos faxinais de Marumbi dos Elias e de Taquari. Em outros municípios, como Paranaguá e Tijucas do Sul, a dança era conhecida como Fandango de São Gonçalo, sendo a dança parte do folguedo. Em outros municípios, deixou-se de registrar a tradição com o passar dos anos, é o caso dos municípios de Castro e Piraí do Sul.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando