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Geografia de Moçambique

Moçambique é um país da costa oriental da África Austral que tem como limites: a norte, a Tanzânia; a noroeste, o Malaui e a Zâmbia; a oeste, o Zimbabué, a África do Sul e o Essuatíni; a sul, a África do Sul; a leste, a secção do Oceano Índico designada por Canal de Moçambique.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
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Geografia humana

Imagem: Carlos Roma Machado de Faria e Maia · BY-SA · Openverse

Divisão administrativa

Moçambique está dividido em onze províncias, sendo uma delas uma área urbana com estatuto provincial. As províncias são as seguintes, de norte para sul e de oeste para este: Niassa (capital: Lichinga, ex-Vila Cabral); Cabo Delgado (capital: Pemba, ex-Porto Amélia); Nampula (capital: Nampula); Zambézia (capital: Quelimane); Tete (capital: Tete); Manica (capital: Chimoio, ex-Vila Pery); Sofala (capital: Beira); Inhambane (capital: Inhambane); Gaza (capital: Xai-Xai, ex-João Belo); Maputo (capital: Matola). A área urbana com estatuto provincial é a cidade do Maputo (ex-Lourenço Marques), capital do país. Geograficamente, esta área urbana situa-se em pleno território da província do Maputo.

Capital e cidades principais

Maputo é a capital e, simultaneamente, a maior cidade de Moçambique. Designada Lourenço Marques desde a sua fundação e durante todo o período da soberania portuguesa, mudou de nome em 1976, pouco depois da independência. Outras cidades importantes: Nampula, Beira, Nacala, Quelimane, Pemba, Tete. Na periferia oeste da cidade do Maputo, destaca-se a cidade-satélite da Matola. Isoladamente, a Matola seria a segunda cidade mais populosa de Moçambique, mas integra-se na mancha urbana do Maputo. Por conseguinte, excluindo a Matola da categoria de centro urbano propriamente dito, a segunda cidade de Moçambique é Nampula, que, demograficamente, ultrapassou a Beira na viragem do século XX para o século XXI.

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Património histórico

O património histórico mais notável de Moçambique concentra-se nos seguintes locais: — Ilha de Moçambique, na baía do Mossuril, ao largo da localidade do Lumbo, no litoral da província de Nampula (zona setentrional do país); — Parte antiga da cidade de Inhambane, capital da província do mesmo nome (zona meridional do país); — Baixa da cidade do Maputo (zona meridional do país); — Ilha do Ibo, outrora entreposto de escravos, no arquipélago das Quirimbas (hoje parque natural, no litoral da província de Cabo Delgado). A Ilha de Moçambique deu o nome à totalidade do território, do qual foi capital até 1898 (ano em que a sede do governo colonial passou para Lourenço Marques). Em 1991, a UNESCO inscreveu-a na lista do Património Mundial da Humanidade. De entre vários monumentos, destacam-se a Capela de Nossa Senhora do Baluarte, em estilo manuelino, e a Fortaleza de S. Sebastião, expressivos exemplares de arquitetura colonial portuguesa que datam do século XVI (poucas décadas depois da passagem de Vasco da Gama, o primeiro europeu que circum-navegou o extremo meridional da África). O Palácio de S. Paulo ou Palácio dos Capitães-Generais é igualmente notável. A chamada «cidade de pedra» conta com diversas igrejas centenárias, além de edifícios residenciais e comerciais em estilo português, com influências indostânicas.

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Comunicações

Transportes marítimos

A grande extensão do território, principalmente na direção S-N (pouco menos de dois mil quilómetros em linha reta), e a dispersão dos centros urbanos são dois fatores que, desde sempre, dificultaram as comunicações terrestres em Moçambique, levando, consequentemente, ao desenvolvimento de um número relativamente elevado de portos de mar durante a primeira metade do século XX. De norte para sul, podem citar-se os seguintes: Mocímboa da Praia, Pemba, Nacala, Ilha de Moçambique, Angoche (ex-António Enes), Moma, Pebane, Quelimane, Chinde, Beira, Inhambane e Maputo. O porto do Maputo é o maior de Moçambique e um dos mais importantes da África Oriental.

Transportes aéreos

As mesmas razões (grande extensão do território e dispersão dos centros urbanos) levaram igualmente à construção de uma rede de aeroportos e aeródromos, com particular incidência na segunda metade do século XX. Quase todas as capitais de província dispõem de pistas capazes de receber as maiores aeronaves comerciais a jato (as exceções são o Xai-Xai, Inhambane e o Chimoio). Esta rede é complementada por diversos aeródromos de menores dimensões. A companhia aérea nacional, LAM-Linhas Aéreas de Moçambique (designação adotada depois da independência, em 1975), resulta da remodelação da DETA-Direção de Exploração dos Transportes Aéreos, uma empresa criada em 1936 pelo governo português que, além de carreiras internas, começou desde logo a efetuar voos para a África do Sul e para a antiga Federação da Rodésia e Niassalândia (os atuais Zimbabué, Zâmbia e Malaui).

Ferrovias

A construção de linhas de caminho-de-ferro em Moçambique obedeceu muito mais a uma lógica de abastecimento e escoamento dos territórios e países vizinhos sem acesso direto ao mar do que a uma lógica de interligação e serviço interno. Assim, o nó ferroviário sediado em Lourenço Marques tinha como principal destino o grande centro urbano e industrial de Joanesburgo, na África do Sul, via Moamba e Ressano Garcia (atual Incomáti). Um outro ramal seguia da capital para norte e noroeste, via Vila Luísa (atual Marracuene), Manhiça, Magude e Trigo de Morais (atual Chokwé ou Chókwè), até à Rodésia do Sul (Zimbabué), através do posto fronteiriço da Malvérnia (atual Chicualacuala).

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Geografia física

Em latitude, Moçambique tem por limites aproximados os paralelos 10° S e 27° S, situando-se, pois, maioritariamente, na Zona Tórrida. Apenas uma pequena porção do seu território, onde está localizada a capital, fica para sul do Trópico de Capricórnio (23° 26’ 14,440” de latitude sul), ou seja, na Zona Temperada do Sul. Em plena África Austral, frente ao oceano Índico, que aqui toma o nome de Canal de Moçambique, o país tem uma forma longilínea, mais larga a norte mas acentuadamente estreita a sul (a «cauda de Moçambique»). No que toca à longitude, os seus limites são os meridianos 30° E e 41° E. No terço setentrional, a província de Tete forma uma grande protuberância com orientação de SE para NW, intrometida entre o Malaui, a Zâmbia e o Zimbabué.

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Hidrografia

Lagos

O maior lago de Moçambique, que o país partilha com a Tanzânia e com o Malaui, é o Niassa (conhecido nos países de língua inglesa como Lake Malawi). De forma alongada na direção S-N, tem um comprimento máximo de 580 km e uma largura máxima de 75 km. Situa-se na ponta noroeste do país, no extremo meridional do Vale do Rift, a grande depressão que se inicia junto ao golfo de Áden e que, seguindo para sul, separa os planaltos da Etiópia e da Somália e, nas zonas de maior profundidade, é inundada, formando os grandes lagos da África Oriental (Turkana, Alberto, Kyoga, Vitória, Eduardo, Kivu, Tanganhica, Rukwa, Mweru e Niassa, entre outros de menores dimensões).

Rios

Quase todos os principais rios de Moçambique seguem, aproximadamente, o sentido de oeste para este (ou de noroeste para sueste), desaguando no Canal de Moçambique (a secção do Oceano Índico situada entre o continente e a ilha de Madagáscar). As duas exceções mais notáveis são o Lugenda e o Chire. Os grandes rios que desaguam no Canal de Moçambique são, de norte para sul, os seguintes: Dado o caráter simbólico do rio Maputo, que marca a fronteira sul do país e, conforme atrás se disse, é, juntamente com o Rovuma, um dos dois rios mais emblemáticos de Moçambique, as autoridades moçambicanas decidiram tornar o seu nome extensivo quer à baía onde ele desagua quer à capital (a antiga Lourenço Marques), que lhe fica próxima, e à província onde esta se situa.

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Litoral

O litoral de Moçambique, entre a foz do Rovuma (11 graus de latitude sul) e a praia da Ponta do Ouro (27 graus de latitude sul), caracteriza-se predominantemente por terrenos baixos e arenosos, com extensos cordões dunares paralelos à linha de costa. A zona entremarés é coberta, de Norte a Sul, de mangais e vegetação associada. A dinâmica das correntes marítimas e dos rios recortou uma série de baías e ilhas. No litoral nordeste (província de Cabo Delgado, entre os rios Rovuma e Lúrio), destaca-se a baía de Pemba (antiga baía de Porto Amélia), bem como um rosário de ilhas a pouca distância da costa, o arquipélago das Quirimbas, no qual se destaca a histórica ilha do Ibo. Continuando para sul, observam-se, no litoral da província de Nampula (entre os rios Lúrio e Ligonha, perto do porto de Moma), três grandes baías: Memba, Nacala (antiga baía de Fernão Veloso) e Mossuril. A baía de Nacala possui o melhor porto de águas profundas de Moçambique. Por sua vez, na baía do Mossuril, o elemento mais notável é a Ilha de Moçambique, hoje integrada na lista do Património Mundial da UNESCO.

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Orografia

Norte (entre o Rovuma e o Zambeze)

É nesta zona de Moçambique que se regista a maior altitude média. Entre o planalto da Angónia, na parte setentrional da província de Tete (margem esquerda do Zambeze), e as terras altas da província do Niassa, cava-se a depressão do Rift, aqui no seu extremo meridional. Este progressivo rasgar do continente, naturalmente impercetível à escala humana, está a resultar na formação de serranias relativamente elevadas na margem oriental do lago Niassa (confins ocidentais da província moçambicana do mesmo nome), atingindo 1848 metros imediatamente a sul da fronteira com a Tanzânia. Ainda na província do Niassa, é de assinalar a cordilheira Maniamba, com uma altitude máxima de 1804 m.

Centro (entre o Zambeze e o Save)

Apesar de uma altitude média bastante menor do que a da região Norte, a região Centro – que ocupa a totalidade das províncias de Sofala e Manica e a parte sul da província de Tete (margem direita do Zambeze) – detém o ponto mais alto de Moçambique: os 2436 m do monte Binga, na província de Manica, junto à fronteira com o Zimbabué. Na província de Sofala, destaca-se o maciço da Gorongosa, em cujo sopé meridional se localiza o Parque Nacional da Gorongosa, uma área de conservação rica em espécies da fauna africana. Numa estreita faixa ao longo da fronteira ocidental de Moçambique (província de Manica), estende-se a cadeia do Chimanimáni, com altitudes relativamente elevadas (picos de 2227 m e 1886 m, além do citado monte Binga), desde a povoação de Espungabera, a sul, até ao distrito do Báruè, a norte, passando pelos contrafortes do Tsetserra (junto à vila de Manica). Seguem-se, para leste, os planaltos do Sussundenga e do Chimoio e, por fim, as terras baixas e pantanosas do litoral.

Sul (Sul do Save)

Das três regiões naturais consideradas, esta – que ocupa a totalidade das províncias de Inhambane, Gaza e Maputo – é, de longe, a de menor altitude média. Compõem-na maioritariamente grandes extensões planas, drenadas pelas bacias hidrográficas do Limpopo, do Incomáti e de outros rios menores. Apenas no extremo sudoeste se destaca a cadeia dos Libombos, sensivelmente na direção N-S, ao longo da fronteira entre Moçambique, a nascente, e o Essuatíni e a África do Sul, a poente. Esta cordilheira é designada Lebombo Mountains nos vizinhos de língua oficial inglesa. Em Moçambique, o seu limite setentrional localiza-se junto à povoação fronteiriça de Incomáti (antiga Ressano Garcia). Prolongamento natural dos montes Drakensberg, que atingem uma altitude máxima de 3482 metros (pico Thabana Ntlenyana, no Lesoto), os Libombos descem para os 776 m no Essuatíni (Mount Mananga) e não excedem 600 m em Moçambique (planalto da Namaacha, onde as fronteiras dos três países se encontram).

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