Baal (demónio)
Baal é a primeira e principal entidade de uma lista de 72 entidades descritas pela primeira vez na Arte da Goécia, um grimório medieval conhecido como A Chave Menor de Salomão.
Baal, pl. Baalim, em hebraico antigo, é um título e pronome de tratamento equivalente ao português "senhor", ao inglês "mister", ao alemão "Herr", etc. Como substantivo e adjetivo, é equivalente aos vocábulos "senhor" no sentido de "dono", podendo também significar "marido", "patrão" e "chefe." Nos panteões e mitos das regiões semíticas na antiguidade, passou a ser título e pronome de tratamento respeitoso para se dirigir às deidades masculinas, e particularmente ao príncipe delas, cujo nome e identidade poderiam variar conforme a tribo daquelas regiões. Não raro, muitos dos lugares em que os baalins eram cultuados acabavam levando seus nomes, como Baal-Salisa. Segundo o mito semítico mais comum, o Baal mais famoso - ou infame, por ser o que costuma ser criticado e demonizado nas Escrituras judaico e cristã - é o príncipe dos deuses do panteão cananeu, filho de Él e Aserá, marido de Astarte, e senhor da fecundidade, da guerra, das chuvas, das montanhas, e cujo epíteto era "o que vai montado sobre as nuvens." Curiosamente, e provavelmente na intenção de desmerecer e menosprezar os cultos rivais, esse epíteto foi adotado pelos hebreus para se referir a Jeová, como pode ser observado em Salmos 68:4.
Baël não nasceu, originalmente, como uma entidade malévola no paganismo semítico. Como dito acima, é uma corruptela do título "Baal", presente em tratados posteriores de demonologia cristã medieval, que seguiram o costume judaico de demonizar as deidades pagãs para desencorajar seus cultos e incentivar o proselitismo. Comumente, nesses tratados, Baël era classificado como o primeiro e principal rei do inferno, que morava e mandava nas partes do oriente. Outros demonólogos atribuíam a Baël o cargo de duque na hierarquia infernal, e cria-se que ele mandava em sessenta e seis legiões de demônios. Durante o período puritano, o ocultista inglês Francis Barrett atribuiu a Baël o poder de tornar o conjurante invisível e, segundo outros demonólogos, esse demônio fica mais forte no mês de outubro, que é quando os goetas costumam evocá-lo.[carece de fontes?] Apesar de seu antecessor semítico Baal ser representado como um rei cananeu ou um taurícefalo, a tradição dos grimórios reza que quando Baël atende à evocação e se manifesta fisicamente aos goetas, ele geralmente assume a forma de um rei com semblante lúgubre, de um gato, de um sapo, ou de combinações destes três. Uma ilustração do Dictionnaire infernal (Dicionário do Inferno), de Collin de Plancy em 1818, curiosamente, colocou as cabeças das três criaturas em um jogo de pés de aranha. Reza a tradição, também, que Baël fala com uma voz rouca, ressonante e profunda. [carece de fontes?]


