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Bacia Sanfranciscana

A Bacia Sanfranciscana é uma bacia sedimentar brasileira intracratônica localizada na porção centro-leste do Brasil, com uma área de 150.000 km2 e abrangendo os estados de Tocantins, Bahia, Goiás e Minas Gerais. Corresponde ao registro Fanerozóico da Bacia do São Francisco, com rochas de idade entre 300m.a e 70m.a, ou seja, do período Permo-carbonífero até o Cenozoico inferior, representando o último megaciclo geodinâmico da Bacia São Francisco.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/06/2026
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Estudos pioneiros

Os estudos pioneiros do Cráton São Francisco, na qual está inserida a Bacia Sanfranciscana iniciaram ainda no século XIX, com o Barão de Eschwege, Gorceix e Derby . A denominação Bacia Sanfranciscana, foi introduzida por Sgarbi, em 1991, para denominar a cobertura fanerozóica que recobre o Cráton São Francisco. Outros nomes também foram dados, como Bacia do São Francisco (Sad et al, 1971) e Bacia do Alto São Francisco (Hasui & Haralyi, 1991). O primeiro termo não é indicado devido à frequente confusão com a denominação “Bacia do São Francisco” Campos & Dardenne (1997a). Já o segundo termo perde seu sentido quando é associado aos limites da bacia hidrográfica do alto Rio São Francisco. Os trabalhos que objetivam a compreensão da evolução tectônica da Bacia Sanfranciscana só se iniciaram com os artigos de Hasui & Haralyi (1991) e Sawasato (1995). A unidade estratigráfica do Grupo Santa Fé foi proposto pelos trabalhos de Dardenne et al (1991), Campos (1992) e Campos & Dardenne (1994), com esse trabalhos apresentando uma série de registros da glaciação neopaleozóica.

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Origem e evolução da bacia

A evolução tectônica da Bacia Sanfranciscana é constituída por cinco ciclos tectossedimentares, de acordo com Sgarbi et al. (2001). O primeiro ciclo relaciona-se ao início do preenchimento da bacia, com as glaciações no final do Paleozóico, isto é, no Permo-Carbonífero, que deram origem ao sistema glacial do Grupo Santa Fé. Durante o Cretáceo Inferior ocorreu um novo ciclo tectossedimentar. Esse novo ciclo relaciona-se à formação do Atlântico Sul, ou seja, na separação das Placa Sul-Americana e Africana. Esse evento acarretou na formação da Depressão do Abaeté (Hasui et al. 1975, Hasui & Haralyi 1991) ou Sub-Bacia Abaeté (Campos & Dardenne 1997b) no qual recebeu a sedimentação Cretácea da Bacia Sanfranciscana. A sedimentação eocretácea de um sistema desértico instalado na região deu origem ao Grupo Areado. No Cretáceo Superior houve um ciclo tectossedimentar relacionado à reativação tectônica, que através de descontinuidades pré-cambriana, que serviram de condutos, levou ao magmatismo alcalino kamafugítico. Esse magmatismo deu origem ao Grupo Mata da Corda, que assenta-se sobre o Grupo Areado como uma discordância erosiva.

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Estratigrafia e sedimentação

Grupo Santa Fé

O Grupo Santa Fé representa o primeiro ciclo de preenchimento da Bacia Sanfranciscana. O grupo é o representante do sistema glacial instalado nas médias e altas latitudes do Gonduana durante o Permo-Carbonífero. Constitui-se de depósitos de zona pró-glacial, com fácies relacionadas à base de geleiras, fluvio-glaciais, glacio-lacustres e fácies pró-glaciais eólicas. As evidências do sistema deposicional glacial que originou esse grupo, consistem, principalmente, no pavimento estriado sobre a Formação Três Marias (Grupo Bambuí), na presença de clastos pingados, além de clastos estriados em diamictitos. O Grupo Santa Fé é dividido em duas formações: Formação Floresta (basal) e Formação Tabuleiro (topo). Tais formações apresentam passagem gradual entre si.

Grupo Areado

O Grupo Areado representa o segundo ciclo de preenchimento da bacia, tendo sua sedimentação ocorrida no Cretáceo Inferior. O grupo é constituído por três formações, sendo elas: Formação Abaeté, Formação Quiricó e Formação Três Barras. Membro Carmo constitui depósitos de paraconglomerados e arenitos de sistema de leque aluvial. Os conglomerados exibem predominância de seixos e calhaus angulosos e arredondados de metassiltitos, além de quartzo, calcário, quartzito, granitóides e jaspilito. A matriz é constituída de areia, metassiltito, quartzo e microclina. Os arenitos ocorrem normalmente sobre o substrato pré-cambriano, ou a jusante dos conglomerados. São arenitos de areia grossa a média, bem arredondados, constituídos de metapelitos, quartzo e microclina. Apresentam estratificação cruzada tabular de pequeno porte, além de estratificação planar-paralela.

Grupo Mata da Corda

O Grupo Mata da Corda exibe rochas máfica-ultramáficas que registram a atividade vulcânica no Neocretáceo. Nesse grupo também são encontradas rochas epiclásticas. Como é observada uma forte interdigitação entre os litotipos vulcânicos e sedimentares interpreta-se que o magmatismo ocorreu como pulsos. O grupo é dividido nas Formações Patos e Capacete.

Grupo Urucuia

O Grupo Urucuia se desenvolveu no Cretáceo Superior. Sua deposição se deu após a amplificação da subsidência flexural causada pela abertura do Atlântico, que gerou uma calha rasa no qual foi preenchida por sedimentos que deu origem ao Grupo, representando, dessa forma, o quarto ciclo tectonossedimentar da Bacia. O Grupo constitui a unidade de mais amplo espalhamento geográfico da Bacia Sanfranciscana. É formado da base para o topo pela: Formação Posse e Formação Serra das Araras.

Formação Chapadão

A Formação Chapadão corresponde ao último ciclo tectossedimentar da Bacia Sanfranciscana, que ocorreu no Cenozóico. A unidade é descontínua, apresentando pequenas espessuras e refere-se aos sedimentos arenosos que encobrem os planaltos e chapadas da bacia. Podem ser classificados como coberturas cenozóicas inconsolidadas aluvionares, coluvionares e eluvionares.

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Recursos naturais

Imagem: Sgarbi · BY-SA · Openverse

Águas subterrâneas

O Sistema Aqüífero Urucuia (SAU) corresponde a uma das mais importantes reservas de água subterrânea brasileira e representa uma associação de aqüíferos que ocorrem em arenitos flúvio-eólicos do Grupo Urucuia (Gaspar & Campos, 2007). O aquífero possui uma área de ocorrência de cerca de 76.000 km², abrangendo os estados de Minas Gerais, Goiás, Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão. Enquadra-se na província hidrogeológica São Francisco e é do tipo intergranular.

Recursos minerais

A Bacia Sanfranciscana destacou-se como uma grande produtora de diamantes no país, com ocorrências nos terraços aluvionares e em aluviões recentes da bacia, além de ocorrências locais nos conglomerados basais do Grupo Areado. Os sedimentos vulcanoclásticos da Formação Capacete do Grupo Mata da Corda também apresentam potencial para depósitos de diamantes. E ainda na bacia, foram noticiadas, no final da década de 90, ocorrências de kimberlitos economicamente viáveis. A bacia apresenta também relevância econômica para o setor da construção civil, correspondente aos depósitos rudíticos da Formação Abaeté, que representam materiais de alta qualidade visual e elevada resistência mecânica.

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