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Rio Nilo

O Nilo é um rio do continente africano, considerado o segundo mais extenso curso d'água do mundo. Situado no nordeste do continente africano, sua nascente está a sul da linha do Equador e sua foz ocorre no mar Mediterrâneo. Ele segue essa trajetória há 30 milhões de anos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/10/2026
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Etimologia

Os antigos egípcios chamavam-lhe itéru (trans. = jtrw) que significava "grande rio". Esta "palavra" seria transformada mais tarde em eior . Para alguns autores a palavra Nilo pode estar relacionada com a raiz semítica "nahal", que significa vale. Em língua árabe e hebraico, duas línguas semíticas, rio diz-se nahrun e nehar respectivamente. Contudo, duas outras línguas semíticas, o aramaico e a língua ge'ez usam palavras pouco semelhantes a "nahal" para se referirem a um rio (felege e wonz). A palavra Nilo (em árabe: nīl), deriva do grego Νεῖλος (Neilos), que seria uma transcrição deformada do termo egípcio Na-eiore, plural de eior designando o delta. Em árabe escreve-se النيل‎ (An-Nil).

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Bacia

Tradicionalmente considerava-se que o rio Nilo nasce no lago Vitória. Contudo, o próprio lago Vitória tem como principal tributário o rio Cagera, que é por causa disso considerado como fonte mais remota do Nilo. O rio Cagera, que deságua no lago Vitória perto da cidade tanzaniana de Bukoba, tem dois afluentes principais, o rio Ruvyironza, que nasce na província de Bururi, no Burundi e o rio Nyabarongo que nasce na Floresta Nyungwe, no Ruanda. No entanto, uma expedição recente descobriu a nascente do rio Rukarara, também afluente do Nyabarongo, ainda na Floresta Nyungwe, mas vários quilómetros a montante, o que permite atribuir ao Nilo o comprimento total de 7088 km.

O Nilo Vitória

O Nilo propriamente dito começa em Jinja (Uganda), na borda norte do lago Vitória, correndo para norte através das quedas Ripon (que deixaram de existir desde a construção da barragem de Owen Falls em 1954), passando pelo lago Kyoga e pelo lago Alberto. O ramo entre estes dois lagos é conhecido como o Nilo Vitória.

O Nilo Alberto

A partir do lago Alberto e até Númula, no Sudão, o Nilo recebe a designação de "Nilo Alberto".

O Al-Jabal

Em Númula e até se encontrar com o rio Sobate (um pouco acima de Malacal) o Nilo é conhecido como o Baral Jabal, o rio Montanhoso. Torna-se então mais sinuoso, recebendo junto ao lago No o rio Gazzal (Gazela) como afluente. Porém, antes disso, o Nilo passou por entre um pântano, o Sudd.

O Nilo Branco e o Nilo Azul

Entre Malacal e Cartum, o Nilo é conhecido como o Nilo Branco. Em Cartum o Nilo Branco recebe as águas do Nilo Azul, oriundo dos altos planaltos da Etiópia. A 322 quilómetros a norte de Cartum, o Nilo recebe o seu último grande afluente, o rio Atbara, oriundo igualmente do planalto abissínio. O rio avança então pelos penhascos da região da Núbia até chegar a Assuão no Egipto. A partir de Assuão o vale alarga até se atingir o Delta, desaguando no mar Mediterrâneo.

Delta do Nilo

O Delta do Nilo é uma região plana com uma forma triangular, apresentando 160 km de comprimento e 250 km de largura. No Delta o Nilo bifurca-se em dois canais que levam as suas águas para o Mediterrâneo: a oeste, o canal de Roseta, e, a leste, o de Damieta.

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Cataratas do Nilo

O Nilo possui várias cataratas, mas na antiguidade distinguiam-se seis cataratas clássicas do Nilo que estavam situadas entre Assuão e Cartum. A primeira catarata situa-se em Assuão, constituindo hoje em dia a única catarata do Nilo em território egípcio. Esta catarata era na Antiguidade a fronteira sul do Antigo Egito, pois a partir dali começava a Núbia. A segunda catarata, perto de Uadi Halfa, encontra-se hoje submersa. O faraó Sesóstris III ordenou a construção nas suas redondezas das fortalezas de Semna e Kumma.

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Barragens do Nilo

Ao longo do curso do Nilo existem algumas barragens, sendo uma das mais importantes a Grande Barragem de Assuão. Entre 1899 e 1902, construiu-se, com recurso de capitais ingleses, a primeira barragem de Assuão, que foi alargada em 1911 e 1934. Entre 1959 e 1970 construiu-se a Barragem de Assuã, a cerca de oito quilómetros da primeira barragem, graças ao apoio fornecido pela União Soviética.

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Estudo e exploração do Nilo

Julga-se que os antigos Egípcios conheciam o Nilo até ao ponto de confluência do Nilo Branco com o Nilo Azul, em Cartum. Embora não tenham explorado o Nilo Branco, acredita-se que conheceriam o Nilo Azul até à sua nascente no lago Tana. Em meados do século V a.C., o historiador grego Heródoto realizou uma viagem ao Egito, tendo percorrido o rio até Assuão, a fronteira tradicional do Antigo Egito. No século II a.C. Eratóstenes desenhou um mapa que mostrava de forma bastante precisa o percurso do Nilo até Cartum, no qual também se mostravam dois afluentes, o Atbara e o Nilo Azul. Eratóstenes foi o primeiro a postular que a nascente do Nilo estaria em lagos equatoriais. Em 25 a.C. o geógrafo Estrabão e Élio Galo (prefeito do Egito) exploraram o Egito até Assuão. Estrabão descreveu também o rio no Livro 17 da sua Geografia, aludindo às teorias de Eratóstenes. Em 66 d.C., na época do imperador Nero, o exército romano tentou encontrar a nascente do rio. Porém, e segundo Séneca, o pântano Sudd, impediu o exército de avançar. Ainda no século I um mercador grego chamado Diógenes relatou ao geógrafo Marino de Tiro que durante uma viagem pela costa oriental africana decidiu penetrar pelo continente, tendo ao fim de vinte e cinco dias chegado junto a dois grandes lagos e a uma cadeia de montanhas cobertas de neve de onde o Nilo nasceria. No século II Ptolomeu utilizou esta informação para fazer um mapa onde se mostrava o Nilo Branco a nascer desses lagos, que recebiam as suas águas das montanhas da Lua (Lunae Montes). É provável que estas montanhas sejam os montes Ruvenzori, situados entre o Uganda e o Zaire.

Maior do mundo

O Nilo é normalmente tido como o maior rio do mundo, com um comprimento de cerca de 6 852 km, e o Amazonas como o segundo maior, com um comprimento de cerca de 6 400 km. O debate sobre a verdadeira origem (nascente) dos respectivos rios e, portanto, sob o seu comprimento, intensificou-se nas últimas décadas. Segundo estudos brasileiros e peruanos efectuados em 2007 e 2008, foram acrescentados à nascente do Amazonas os canais de maré da bacia do interior sul da Amazónia e o estuário do Pará do Tocantins, concluindo-se dessa forma que o Amazonas tem um comprimento de 6 992 km sendo portanto maior que o Nilo, cujos estudos até a data apontavam para um comprimento calculado em 6 853 km, quando se suponha que a nascente do Nilo era no rio Cagera. No entanto, estudos efectuados em 2009 apontam para que a nascente do Nilo seja no rio Rukarara passando este a ter 7 088 km e voltando novamente a ser o maior rio do mundo. Todos estes estudos levam a que o comprimento de ambos os rios permaneça em aberto, continuando por isso o debate e como tal, continuando-se a considerar o Nilo como o rio mais longo.

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