Babalaô
Babalaô, também mencionado como Babalawo é o sacerdote exclusivo de Orumilá-Ifá do Culto de Ifá na religião iorubá, das culturas jeje e nagô. Sua função principal é a iniciação de outros babalaôs, a preservação do segredo e transmissão do conhecimento do Culto de Ifá para os iniciados. Existem diferenças entre as iniciações na África, Cuba e Brasil.
Após duas iniciações ("mãos"), e sob a obediência a rígidos códigos morais, o babalaô recebe o direito de utilizar o Opelé-ifá (ou Rosário de Ifá) e os iquins (sementes de dendezeiro). O merindilogum (Jogo de búzios) é franqueado também às apetebis (mulheres iniciadas no Ifá) e aos auós facãs (aqueles que receberam a "primeira mão"). Alguns babalaôs recebem o título de oluó (Oluwó).
Na África
Babalaô ("pai do segredo") é o porta-voz de Orumilá. A iniciação de um babalaô não comporta a perda momentânea de consciência que acompanha as dos orixás. Não se trata de ressuscitar no inconsciente do babalaô o "eu perdido", correspondente à personalidade do ancestral divinizado. É uma iniciação totalmente intelectual. Ele terá de passar por um longo período de aprendizagem de conhecimentos precisos em que entra em jogo principalmente a memória. Precisa aprender, dos 3 aos 15 anos, uma quantidade enorme de histórias e lendas antigas, classificadas nos duzentos e cinquenta e seis Odus ou signos de Ifá, cujo conjunto forma uma espécie de enciclopédia oral dos conhecimentos tradicionais do povo de língua iorubá.
No Brasil
Com a vinda dos negros escravizados para o Brasil, entre eles vieram alguns babalaôs, mas não deixaram seguidores e a história de como o culto se perpetuou no país ainda não foi estudada em profundidade. No entanto, temos conhecimento de muitos nomes: Martiniano Eliseu do Bonfim (1859-1943), também conhecido como Ojé L’adê, foi o grande precursor do retorno às raízes africanas e da busca de elementos capazes de fortificar as práticas religiosas dos negros ex-escravos. Ele foi considerado o "último Babalaô do Brasil" dos que vieram inicialmente. O professor Júlio Braga analisa como esse processo de re-africanização das religiões afro-brasileiras na Bahia termina por reforçar o conceito de pureza nagô e alimentar o prestígio dos candomblés do povo iorubá de Queto. "O redescobrimento da África acontece inicialmente com Martiniano do Bonfim (como era mais conhecido) que vai em direção aos iorubás da Nigéria, com quem conviveu durante 11 anos", destaca no livro Na gamela do feitiço - repressão e resistência nos candomblés da Bahia.
Em Cuba
Na Santeria um babalaô ou "pai do segredo" é o equivalente a um Sacerdote. Ele é capaz de fazer rituais e interpretar oráculos. Além disso um babalaô é também um líder espiritual e aconselhador das pessoas que ele iniciou na religião. Originalmente, o babalaô era o ancião de sua tribo na África. Em Cuba, durante o período colonial, o seu papel mudou. Um babalaô agora não necessita ser um ancião para executar suas tarefas; muitos são jovens, iniciados muito cedo. De fato, muitos babalaôs cubanos estão em seus vinte ou trinta anos. Hoje no Brasil existem inúmeros babalaôs cubanos e também brasileiros, pois no geral, todos os sacerdotes de Ifá, assim o são chamados.


