Aviso
Aviso - abreviação de barco de aviso - é um tipo de navio de guerra com diversas caraterísticas e funções, que variaram ao longo do tempo e conforme o operador.
Séculos XVIII e XIX
No século XVIII, o termo "aviso" era aplicado pela Marinha da França para designar as embarcações ligeiras empregues na transmissão de mensagens. Estes navios - muitos dos quais resultaram da transformação de anteriores embarcações mercantes - eram também utilizados na exploração em proveito das esquadras navais e na escolta à navegação mercante. O termo continuou a ser aplicado no século XIX para designar embarcações com missões semelhantes. Em meados do século XIX, a Marine nationale dispunha de diversas embarcações classificadas como "avisos". Regra geral, eram navios a vapor, de propulsão por rodas ou por hélice, armados com artilharia de pequeno calibre, com um deslocamento médio de cerca de 500 t, que eram empregues em funções diversas, onde se incluía a de patrulhamento e, cada vez mais, as de presença naval e de apoio às operações militares coloniais, sobretudo as de ocupação de território e de supressão de rebeliões indígenas contra o domínio francês. No final do século XIX, os Franceses desenvolveram avisos armados com torpedos, que foram classificados como "avisos-torpedeiros" - mais tarde, parte deles passariam a ser classificados como "contratorpedeiros".
Século XX
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Royal Navy britânica desenvolveu uma série de avisos a que chamou "sloops" (literalmente: "chalupas"). O termo "sloop" tinha sido usado pela Royal Navy, no século XVIII, como classificação genérica de todos os seus navios de guerra de um ou dois mastros, menores que as fragatas. As sloops da Primeira Guerra Mundial eram pequenos navios de guerra não concebidos para operar com a esquadra, mas sim para tarefas de escolta de comboios de navios mercantes (como as da classe Flower) e para a dragagem de minas (como as da classe Hunt). Alguns dos navios da classe Flower foram utilizados pela Marine nationale que os classificou como "avisos". Navios desta classe, também foram usados, depois da guerra, pela Marinha Portuguesa, sendo, inicialmente, classificados como "cruzadores" e, depois, como "avisos".
O primeiro navio da Marinha Portuguesa a ser classificado como "aviso" foi o NRP Cinco de Outubro em 1912. O Cinco de Outubro era o antigo iate Amélia, utilizado pelo rei D. Carlos I nas suas campanhas de investigação oceanográfica. Como aviso, continuou a desempenhar missões desse tipo. O programa naval português da década de 1930 prevê a construção de uma série de navios de guerra especialmente concebidos para a atuação no Império Colonial Português que são classificados como "avisos coloniais". Os avisos coloniais correspondem a um conceito semelhante ao das canhoneiras da transição do século XIX para o XX, mas mais avançados e com muito mais capacidades. No entanto, o plano de 1930 ainda prevê canhoneiras que seriam de deslocamento inferior ao dos avisos. Os novos avisos são lançados a partir de 1932. São construídos avisos de 1ª classe (classe Afonso de Albuquerque de 2400 t) e avisos de 2ª classe (classe Pedro Nunes de 1200 t e classe Gonçalo Velho de 1700 t). Também foram reclassificados como avisos de 2ª classe os cruzadores já em serviço da classe Carvalho Araújo (originalmente sloops britânicas da classe Flower).


