Porta-aviões
Um porta-aviões é um navio de guerra cujo papel principal é servir de base aérea móvel. Permite, portanto, que uma força naval possa projetar o seu poderio aéreo a grandes distâncias, sem a necessidade de depender de aeroportos (fixos) para os seus aviões.
Origens
Eugene Ely foi o primeiro piloto a decolar de um navio estacionado em 14 de novembro de 1910. O navio era o cruzador USS Birmingham, estacionado em Hampton Roads na Virginia, e a aterragem deu-se em Willoughby Spit após um voo de 5 minutos. A 18 de Janeiro de 1911 tornou-se o primeiro piloto a aterrar num navio estacionado. Decolou da pista de corridas de Tanforan e aterrou no USS Pennsylvania ancorado em São Francisco (Califórnia). O comandante Charles Samson, RN, tornou-se o primeiro piloto a decolar de um navio em movimento a 2 de maio de 1912. Decolou do couraçado HMS Hibernia num Shorts S27, com o navio a uma velocidade de 10,5 nós (19 km/h) durante a Inspecção da Frota Real, em Weymouth.
O primeiro porta-aviões de deque plano
O Tratado Naval de Washington de 1922 impôs limites rígidos acerca dos pesos e carga dos navios de guerra e cruzeiros de guerra para a maioria das potências navais a seguir à Primeira Guerra Mundial. Consequentemente, muitos navios em construção (ou em serviço) foram convertidos em porta-aviões. O primeiro deles a ter um deque plano completo foi o HMS Argus, cuja conversão foi completada em setembro de 1918. O primeiro navio concebido especificamente como um porta-aviões foi o Hōshō japonês, que entrou ao serviço em dezembro de 1922, seguido do HMS Hermes que entrou ao serviço em julho de 1923. De facto, a construção do Hermes iniciou-se anteriormente, mas a entrega foi atrasada devido a numerosos testes e experiências.
Segunda Guerra Mundial
Os porta-aviões tiveram um papel importante durante a Segunda Guerra Mundial. O Japão começou a guerra com 10 (dez) porta-aviões - a maior e mais moderna frota de porta-aviões do mundo, naquela altura. No início da guerra só existiam 6 porta-aviões estadunidenses, com apenas 3 a operar no Pacífico, e 3 porta-aviões britânicos, dos quais apenas um operava no oceano Índico. As principais batalhas no Pacífico envolveram porta-aviões. A mais notável, e que provocou a entrada dos EUA na guerra, foi o ataque japonês a Pearl Harbor. A batalha de Midway - onde quatro porta-aviões japoneses foram afundados num ataque surpresa por aviões de três porta-aviões estadunidenses - costuma ser considerada como o ponto de viragem da guerra no Pacífico. A partir deste momento, o porta-aviões substituiu o navio de guerra como a embarcação naval dominante no Pacífico.
Pós-guerra
Durante a Segunda Guerra Mundial, os aviões podiam aterrar no deque paralelo ao eixo longo do navio. Uma vez aterrado, o avião seria estacionado no deque, na extremidade anterior do navio. Uma barreira de choque era erguida atrás para evitar que algum avião que falhasse a zona de aterragem, em caso de insucesso no engatilhamento do gancho de travagem, o que provocaria sérios prejuízos (físicos e materiais). Se a barreira não fosse forte o suficiente poderia ocorrer também a destruição dos aviões estacionados. Uma importante inovação na década de 1940, pelo Reino Unido, foi o deque inclinado, em que a pista ficava inclinada num ângulo de poucos graus ao longo do navio.
Porta-aviões modernos
Utilizações mais recentes de porta-aviões incluem a Guerra das ilhas Falkand, em que o Reino Unido conseguiu vencer um conflito a 13 mil km de distância, grande parte devido à utilização dos navios HMS Hermes e HMS Invincible. Esta guerra viria a demonstrar o valor de um avião V/STOL — o Hawker Harrier. Os Estados Unidos também fizeram uso de porta-aviões na Guerra do Golfo, no Afeganistão e para proteger os seus interesses no Oceano Pacífico. Mais recentemente, a invasão do Iraque em 2003 colocou em evidência os porta-aviões norte-americanos como base primária para o poderio aéreo dos Estados Unidos. Mesmo sem a capacidade de transferir números consideráveis de aviões para bases no Médio Oriente, os Estados Unidos foram capazes de conduzir vários ataques com esquadrões apoiados por porta-aviões.
Os porta-aviões têm duas configurações base. A mais comum é a de deque superior plano que serve uma pista de decolagem e aterragem. Uma catapulta acelera o avião, com os motores ligados no máximo, de 0 a 265 km/h (165 mph) em 2 segundos para ajudar o avião a atingir a velocidade mínima necessária para decolar. Na aterragem, o avião, movendo-se a cerca de 240 km/h (150 mph), deve estar equipado com ganchos de retenção que encaixam num dos quatro cabos estirados ao longo do deque, o que permite travar completamente o avião numa distância de 100 m (320 ft) após o engate no cabo (ver: CATOBAR - método de decolagem e pouso em porta-aviões). A segunda e mais recente configuração, chamada de STOBAR, desenvolvida pela Marinha Real Britânica, tem uma rampa numa das extremidades do deque plano, que ajuda a decolagem do avião. Esta medida foi desenhada para uso de aviões VTOL ou STOVL capazes de decolar ou aterrar com pouco ou nenhum movimento horizontal. Estes aviões não necessitam da catapulta nem dos cabos de travagem do modelo anterior.
Porta-aviões são geralmente os maiores navios operados pela Marinha de um país. Um porta-aviões da classe Nimitz, alimentado por dois reatores nucleares e quatro turbinas a vapor possui 333 metros de comprimento e custa cerca de US$ 4,5 bilhões. A Marinha dos Estados Unidos tem a maior frota de porta-aviões do planeta, com onze em serviço e um em construção (todos eles super-porta-aviões). É também a única Marinha que possui super-porta-aviões em operação. A Marinha dos Estados Unidos é um dos principais fatores da capacidade de projeção de poder estadunidense. Além de seus porta-aviões, os Estados Unidos também possuem nove navios de assalto anfíbio de grande porte. O Reino Unido tem dois porta-aviões de STOVL de 65 000 toneladas no seu inventário. A China possui dois porta-aviões modificados em serviço. As marinhas da França, Índia e Rússia operam, cada um, porta aviões de tamanho médio. Espanha e Itália possuem porta-aviões leves capazes de carregarem helicópteros e aviões.
Existem vários tipos de porta-aviões, alguns dos quais são obsoletos: Os porta-aviões são geralmente acompanhados de um determinado número de outros navios, para disporem de protecção contra a sua vulnerabilidade, transporte de mantimentos, e poder ofensivo adicional. A designação para este grupo de navios é geralmente grupo naval ou grupo de porta-aviões. Muitos dos Cruzadores e navios principais do período entreguerras dispunham de hidroaviões lançados por catapulta para reconhecimento. Estes seriam lançados com a catapulta e recuperados com um bote após amerissagem. Os hidroaviões seriam removidos quase na totalidade durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos navios de guerra dispõem de pista de aterragem para helicópteros e os navios de assalto com helicóptero representam uma novo modelo de porta-aviões.


