Autogestão
Autogestão é a administração de um organismo pelos seus participantes, em regime de democracia direta. Em autogestão, não há a figura do patrão, mas todos os envolvidos participam das decisões administrativas em igualdade de condições. Em geral, os trabalhadores são os controladores da empresa autogestionada, seja por meio da propriedade coletiva, cessão de uso, arrendamento ou aluguel dos meios de produção.
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Erroneamente, muitas pessoas compreendem o anarco-comunismo como uma forma totalmente desorganizada de ser e agir, ou como "bagunça generalizada". Este preconceito estabelecido ao longo dos últimos 150 anos não compreende a extensão do modo anarquista de organização, que contrariamente ao conceituado usualmente, é um meio extremamente organizado de defesa de direitos. Neste sistema organizativo, tem-se a autogestão, uma tecnologia de trabalho, de organização de produção, resultado de esforços coletivos. O que não é autogestão: Partindo da negação, ou seja, "o que não é autogestão", será possível encontrar um conceito amplo e ao mesmo tempo aplicado ao caso em tela. Alain Guillerm e Yvon Bourdet trazem 5 conceitos para determinar o tipo de relação que um grupo de operários possuem com as fábricas: participação, co-gestão, controle operário, cooperativa e autogestão.
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Co-Gestão
Por Co-Gestão, Guilllerm e Bourdet apontam ter seu nascimento na ausência de conflitos, neste caso, os operários de uma fábrica participam dos processos "meio", ou seja, da melhoria e optimização da execução de um fim proposto pela fábrica. Trata-se de uma tentativa de integrar a criatividade e a iniciativa operária ao processo produtivo de ordem capitalista (aumento de produtividade e consequente extracção de lucros). Há um enriquecimento das actividades propostas na medida em que os operários vão adquirindo um conhecimento maior para a escolha dos meios de atingir os objectivos propostos. Os operários recebem uma dose de auto-organização para a execução de suas tarefas e na determinação dos meios para o alcance de objectivos, porém sem a definição de metas - trabalhador participa apenas no processo de produção, nos meios, não nos fins.
Controle operário
Controle operário segundo Guillerm e Bourdet têm nascedouro na existência de um conflito, onde os operários de uma fábrica ou empresa, realizam protestos contra suas condições de trabalho, melhorias salariais, etc.. Um dos meios mais usados neste tipo trazido por Bourdet e Guillerm é a greve, onde os operários paralisam suas atividades de maneira total ou parcial para alcançar a execução de suas reivindicações. No que se refere ao conceito "cooperativa", por questões meramente didáticas não serão colocadas como um tipo de gestão, uma vez que durante o presente trabalho este conceito será explorado na sua totalidade com a autonomia que o tema merece, não desmerecendo de maneira alguma os conceitos de Guillerm e Bourdet.
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Historicamente encontramos registos de auto gestão em várias situações, inclusive bíblicas, quando mencionamos os Essénios, povo antigo que vivia em comunidade e usufruía os frutos de seu trabalho, decidindo os rumos do grupo. Autogestão é um termo relativamente novo, tendo sido incluído nos dicionários franceses na década de 60. Os tradutores de Soljenitsyn, por exemplo, empregam autogestão para caracterizar a organização do rodízio para "despejar o urinol": "Na Prisão Política Central (…) já ao se levantar, o guarda fez uma importante comunicação: designou entre os detidos de nossa cela os que terão a incumbência de despejar o urinol. (Nas prisões banais, comuns, os prisioneiros têm igualdade de liberdade de palavra e direito à autogestão, que lhes permite resolver por si mesmos este problema". (Soljenistyn, Arquipélago Gulag, Guillerm e Bourdet, p. 9). Os tradutores do Arquipélago Gulag souberam traduzir de forma específica a autogestão, referindo-se em uma análise simples a um rodízio de urinol. Por outro lado ao se fazer a análise completa é possível observar o poder de decisão do grupo sobre algo que lhes diz respeito. Característica dos sistemas autogestionários coletivos. A decisão coletiva é possibilidade de um sistema democrático, onde o espaço permite este tipo de prática. Mas, voltando os dicionários franceses da década de 60, o termo autogestão, ou autogestion surge da tradução da palavra servo-croata samoupravlje, em que samo equivale ao prefixo grego "auto" e upravlje significa "gestão". Foi introduzida na França para designar a experiência político-econômico-social da Iugoslávia de Tito em ruptura ao stalinismo: o chamado titoísmo.
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Proudhon era antes de tudo, um crítico da burocracia e de todas as construções que visavam o seu estabelecimento institucional. O autor só teria que usar esse termo se por acaso a expressão "Autogestão" compreende a autonomia do problema sendo ele a proporção da "Co-gestão", isto deve ficar claro, e talvez por este motivo alguns autores não lhe deem o crédito sobre este instituto organizacional. Por outro lado, empregou seu conteúdo, não restringindo o sentido autogestionário de uma sociedade autônoma à simples administração de uma empresa pelo seu pessoal. Proudhon foi além, fornecendo a sua concepção, como um conjunto social de grupos autônomos, associados tanto nas suas funções econômicas de produção quanto nas suas funções políticas. Em uma organização autogestionária, as decisões fundamentais têm de ser tomadas pelo coletivo. Para isso é necessário que todos tenham acesso às informações, responsabilidade com o coletivo e disciplina. A Autogestão tem uma história, Carvalho, descrevem um pouco sobre isto:
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A autogestão para Nildo Viana é um processo que abrange a totalidade das relações sociais, ou seja, é autogestão social, ou sociedade autogerida, cuja base fundamental se encontra nas relações de produção, nas quais os produtores gerem todo o processo de produção e distribuição, de forma coletiva e igualitária. A autogestão social é produto de uma ampla, radical e profunda transformação social, subvertendo todas as relações sociais, abolindo o capital, o estado, o mercado, as organizações burocráticas em geral, e instituindo novas organizações e relações sociais, entre as quais os conselhos dos produtores associados que devem gerir o conjunto da produção e distribuição, os conselhos comunais e outros organizações autogeridas. A transformação das relações de produção promove uma transformação geral da sociedade, promovendo o fim da oposição entre produtores e consumidores, transformando a cultura, as relações entre os sexos, alterando radicalmente os valores e a mentalidade dos indivíduos.


