Áustria
A Áustria ), oficialmente República da Áustria, é um país de cerca de 9 milhões de habitantes, localizado na Europa Central. É limitada pela Alemanha e Chéquia (Tchéquia) a norte, Eslováquia e Hungria a leste, Eslovênia e Itália a sul, e Suíça e Liechtenstein a oeste. O seu território abrange 83 872 quilômetros quadrados e é influenciado por um clima temperado e alpino. O terreno é muito montanhoso, devido à presença dos Alpes; apenas 32% do país é inferior a 500 metros de altitude e seu ponto culminante chega aos 3 797 metros. A maioria da população fala alemão, que também é língua oficial do país. Outros idiomas regionais reconhecidos são croata, húngaro e esloveno.
O nome alemão para Áustria, Österreich, significava "reino oriental" em Alto-alemão antigo, e é da família do termo Ostarrîchi, que surge pela primeira vez no "Documento Ostarrîchi" de 996. Esta palavra é, provavelmente, uma tradução do latim medieval Marchia Orientalis para um dialecto local (bávaro). A Áustria era uma marca da Baviera criada em 976. O termo "Austria" é uma latinização do nome germânico e foi registado pela primeira vez no século XII. Nessa altura, a bacia danubiana da Áustria (Alta e Baixa Áustria) era o extremo leste da Baviera e, de facto, de todos os alemães, pois, na época, o território da antiga Alemanha Oriental estava povoado com eslavos sorábios e eslavos polábios. Friedrich Heer, um historiador austríaco do século XX, refere no seu livro Der Kampf um die österreichische Identität (A Luta Sobre a Identidade Austríaca), que a forma germânica Ostarrîchi não era uma tradução do termo latino, mas que ambos eram o resultado de um termo mais antigo com origem nas línguas celtas da antiga Áustria: há mais de 2 500 anos, a maior parte do actual território era chamado de Norig pela população celta (Cultura de Hallstatt); segundo Heer, no- ou nor- significava "oriente" ou "orientais", ao passo que -rig está relacionado com o moderno Reich alemão, com o significado de "reino". Assim, Norig significaria o mesmo que Ostarrîchi e Österreich, e portanto Austria. O nome celta acabou por ser latinizado para Noricum depois de os romanos terem conquistado a região que inclui grande parte da actual Áustria, por volta de 15 a.C. Noricum tornar-se-ia uma província romana em meados do século I d.C.
Pré-história e Antiguidade
No período da pré-história, a região da Europa Central atualmente correspondente à Áustria foi ocupada antes da romanização por diversas tribos celtas. Foi habitada inicialmente por ilírios, aos quais posteriormente se juntariam os celtas provenientes do norte. O reino celta de Noricum foi anexado pelo Império Romano como província. Com o declínio do Império Romano (século IV), povos bárbaros incluindo hunos, godos, lombardos e vândalos cruzaram a fronteira em diversas ocasiões. Depois da queda do império, a região foi invadida por bávaros, eslavos e ávaros.
Idade Média
Durante o período das grandes migrações, os eslavos se transferiram para os Alpes quando teve início a expansão dos ávaros no século VII, misturando-se com a população celto-românica, e estabeleceram o reino da Caríntia, que incluía grande parte do atual território austríaco oriental e central. Enquanto isso, a tribo germânica dos bávaros ocupara o oeste da região durante os séculos V e VI, assim como na Baviera. Estes grupos se misturaram com a população retorromana. Sob a pressão dos bávaros, a Caríntia perdeu sua independência para a Baviera em 745 e se tornou uma marca. Durante os séculos seguintes, os assentamentos bávaros cruzaram a região que vai desde o Danúbio até a região dos Alpes, processo pelo qual a Áustria se tornou um país de fala alemã até os dias atuais. Os bávaros passaram a estar sob o controle dos carolíngios e, consequentemente, formaram um ducado do Sacro Império Romano-Germânico. O duque Tassilão III da Baviera, que quisera manter a independência bávara, foi derrotado e o poder passou para Carlos Magno em 788 d.C.. Carlos Magno conquistou a região em 788 e introduziu o cristianismo. Como a parte oriental da França, as principais regiões que agora incluem a Áustria foram legadas à casa de Babemberga. A região era conhecida como Marca Oriental e foi entregue a Leopoldo I, Marquês da Áustria no ano de 976.
Domínio Habsburgo
Nos séculos XIV e XV, os Habsburgos começaram a acumular outras províncias nas proximidades do Ducado da Áustria, como o Tirol, a Caríntia, a Estíria e a Gorizia. Em 1438, o duque Alberto V foi escolhido como sucessor de seu sogro, o imperador Sigismundo. Ainda que o próprio Alberto tenha reinado somente por um ano, a partir de então todos os imperadores do Sacro Império Romano-Germânico pertenceram à dinastia dos Habsburgo, com apenas uma exceção. Ainda assim, os Habsburgos começaram a acumular territórios longe de suas terras hereditárias. Em 1477, o arquiduque Maximiliano I, filho único do imperador Frederico III, casou-se com a herdeira do Ducado da Borgonha e, portanto, adquiriu a maior parte dos Países Baixos para a família. Seu filho Felipe, o Formoso, casado com a herdeira da coroa de Castela e de Aragão, ampliou as possessões territoriais dos Habsburgo, sobretudo dos espanhóis. Em 1526, com a Batalha de Mohács, os governantes da Áustria ampliaram seus territórios, de forma que as partes da Boêmia e da Hungria que não eram ocupadas pelos otomanos ficaram sob seu domínio. A expansão otomana na Hungria deu lugar a frequentes conflitos entre os dois poderes, particularmente evidente na chamada Guerra Longa de 1593 até 1606.
Século XIX
As Guerras Napoleônicas foram uma dura prova para a sobrevivência da monarquia. O imperador Francisco I da Áustria foi obrigado a abdicar da coroa do Sacro Império Romano-Germânico e viu seus domínios serem "divididos" pelos aliados de Napoleão Bonaparte; o Tirol foi ocupado pelo Reino da Baviera e pelo Reino da Itália, ocasionando na guerra de resistência tirolesa comandada por Andreas Hofer, considerado o maior herói tirolês. Também o Principado Episcopal de Trento, assim como o de Bressanone teve seu fim com a invasão francesa. Com a queda de Napoleão na Rússia, a vitória das potências reforçou o poder dos Habsburgo, que com seu chanceler Metternich se tornaram os pilares para a restauração (1815-1848). O surgimento do nacionalismo e as derrotas externas entre 1848 e 1866 (perda do Reino Lombardo-Vêneto) levaram à reorganização da monarquia, nascendo o Império Austro-Húngaro, tendo no imperador Francisco José I e em sua esposa Isabel, conhecida como Sissi, seus maiores expoentes.
Século XX
Em 1918, depois da derrota na Primeira Guerra Mundial e desmembramento do Império Austro-Húngaro, foi criada a República da Áustria Alemã, depois modificada pelos vencedores do conflito. A Áustria tornou-se uma república parlamentarista, que foi caracterizada por permanente crise econômica, política e social. Depois da guerra, a inflação começou a desvalorizar a coroa, que ainda era a moeda da Áustria. No outono de 1922, o país recebeu um empréstimo internacional supervisionado pela Liga das Nações. O propósito do empréstimo era evitar a falência, estabilizar a moeda e melhorar a condição econômica em geral. Esse empréstimo significou na prática que o país deixava de ser um Estado independente para se tornar um controlado pela Liga das Nações. Em 1925, o xelim foi introduzido, substituindo a coroa numa proporção de 10 000:1. Mais tarde, ela recebeu o apelido de "dólar alpino" por causa de sua estabilidade. De 1925 até 1929, a economia experimentou uma ligeira melhora até praticamente quebrar após a "Terça-Feira Negra".
Período pós-guerra
Depois da derrota dos nazistas, as forças aliadas ocuparam a Áustria no fim da Segunda Guerra Mundial até 1955, ano em que o país voltou a ser plenamente independente, com a condição de permanecer neutro. Os anos entre 1950 e 1960 marcam uma disputa territorial entre Áustria e Itália pelo território do Tirol Meridional, ocupado e anexado pela Itália em 1918. Grupos separatistas como o Südtiroler Freiheitskämpfer e o MST (Movimento Separatista Trentino) chamaram a atenção internacional e a questão tirolesa foi parar nas Nações Unidas. Após negociações entre Viena e Roma, surge o Acordo Degasperi-Gruber sobre o pacote de autonomia regional concedido à região sul-tirolesa, a Itália (tendo a Áustria como tutora e observadora). O acordo garante até os dias atuais autonomia administrativa e fiscal à Província de Bolzano e à Província de Trento.
A Áustria é um país sem acesso ao mar, localizado no centro da Europa, fazendo fronteira com a República Checa ao norte, Eslováquia a nordeste, Hungria a leste, Eslovênia ao sul, Itália ao sudoeste, Suíça e Liechtenstein a oeste e Alemanha a noroeste. Cobre uma área total de 83 878 quilômetros quadrados e estende-se por 530 quilômetros de leste a oeste.
Características físicas
Os alpes formam a espinha dorsal física do país, sendo subdivididos em uma parte norte e sul composta de calcário e uma central composta de rochas cristalinas. O terreno alpino promove um padrão geológico e topográfico complexo, com a maior elevação sendo o Grosslockner (3 798m). Entre a área do norte dos alpes e o rio Danúbio, encompassando a parte norte do estado da Áustria Superior, há uma área sub-alpina. Ao norte do Danúbio, encontra-se uma área densamente florestada que inclui uma parte do maciço da Bohemia. As terras baixas ao leste de Viena, junto com o norte do estado de Burgenland, podem ser considerados partes da pequena planície húngara.
Clima
As terras baixas no norte e leste têm climas mais continentais, com invernos frios, verões mais quentes e precipitação moderada ao longo do ano. As áreas do sudeste têm verões mais longos e quentes, quase como os do mediterrâneo. A parte oeste do país tem maior influência do oceano atlântico, consequentemente há uma maior quantidade de precipitação e temperaturas com menos variação ao longo do ano. As condições geográficas do país deram formação à zona climática alpina (a cada 300m de elevação há uma mudança de 5 °C de temperatura). O mês mais frio no país é geralmente janeiro. A neve ocorre do fim de dezembro a março nos vales, de novembro a maio em áreas com elevações acima de 1 800 metros, e em muitos anos é permanente acima de 2 500 metros de altitude. O verão pode ser quente, com temperaturas chegando a 30 °C em ocasiões, sendo a temperatura máxima próxima a 35 °C. A precipitação é distribuída igualmente ao longo do ano, no entanto os meses de maio, setembro e a primeira parte de outubro tendem a ser mais secos e abril e novembro os com mais precipitação. Áreas de grande altitude nos alpes podem ter até 2 000 mm de precipitação, enquanto algumas regiões nas planícies atingem apenas 600 mm.
Natureza e meio ambiente
Dois terços da área total da Áustria é coberta por florestas e prados. Florestas ocupam dois quintos do país, o que o torna um dos mais densamente florestados da centro europeu. Abeto domina as florestas, com lariço, faia e carvalho também espécies de importância significativa. Nas áreas alpinas e sopés de vales as árvores coníferas dominam a paisagem, enquanto árvores de folha larga decíduas são mais comuns nas áreas mais quentes. Há uma fauna predominantemente centro-europeia, com espécies como veados, coelhos, faisões, raposas, texugos, martas e perdizes. Nativas das regiões alpinas são a camurça, a marmota, a águia e a gralha de montanha. Uma característica da fauna do leste da Áustria é a vasta população de aves no lago de Neusiedler, como garças, colhereiros, gansos selvagens, entre outros. Nos últimos anos uma pequena população de ursos voltou a habitar o país, encontrando-se principalmente nas áreas densamente florestadas do sul e centro.
A população estimada da Áustria em outubro de 2022 era de mais de 9 milhões de pessoas. A população da capital, Viena, é superior a 2 milhões (somando-se com a região metropolitana, 2,9 milhões) e representa cerca de um quarto da população do país, sendo internacionalmente conhecida por sua ampla oferta cultural e elevado nível de vida. Viena também é a única cidade com mais de um milhão de habitantes. As outras cidades mais populosas são Graz (250 099), Linz (188 968), Salzburgo (150 000) e Innsbruck (117 346). Todas as demais cidades têm menos de 100 mil habitantes. A Áustria tem a décima-quarta população mais velha do mundo.
Composição étnica
Cerca de 72% da população da Áustria é formada por austríacos nativos étnicos. O perfil étnico histórico predominante no país é de origem alemã, intimamente ligado aos seus vizinhos germanófonos, mas também exibe uma convergência considerável com as populações não alemãs a leste e sul, um legado do Império Habsburgo e de sua posição na Europa Oriental; isso se reflete nas minorias indígenas oficialmente reconhecidas, como eslovenos, croatas, húngaros, ciganos romani e sinti. A Áustria moderna se diversificou ainda mais através da imigração, com populações significativas originárias dos países da ex-Iugoslávia — coletivamente o maior grupo de imigrantes — particularmente da Bósnia e Herzegovina, Sérvia, e também da Alemanha, Turquia, Síria, Afeganistão e Iraque.
Religiões
O cristianismo é a religião predominante na Áustria. De acordo com um estudo de opinião pública da Comissão Europeia, realizado em 2012, um total de 86% dos austríacos são cristãos sendo a Igreja Católica a que reúne mais fiéis com 77% dos entrevistados a declararem-se católicos, seguem-se os protestantes que perfazem 7% da população e os ortodoxos que são 2%. Este estudo revelou ainda que 2% dos austríacos são muçulmanos, 1% segue outras religiões, 1% são ateus e 10% são agnósticos ou não crentes. A maior comunidade religiosa não cristã da Áustria é o Islã, que é uma comunidade religiosa reconhecida desde 1912. No censo de 2001, cerca de 340 mil pessoas, ou seja, 4,3%, se comprometiam com a fé muçulmana — segundo o Fundo Austríaco para a Integração (OIF), este número aumentou para 515 914 fiéis em 2009, correspondendo a 6,2% da população total à época, aumentando para cerca de 700 000 muçulmanos no início de 2017. Este aumento considerável deu-se principalmente devido a imigrantes, nascimentos e refugiados da região árabe. De acordo com um estudo de 2017, 34,6% dos muçulmanos austríacos têm "atitudes altamente fundamentalistas.
Idiomas
O idioma oficial da Áustria é o alemão, conforme especificado no artigo 8º de sua Constituição de 1920 (Bundes-Verfassungsgesetz). A forma escrita do alemão na Áustria e na região italiana do Tirol do Sul é o alemão austríaco, ou simplesmente austríaco, uma variedade do alemão padrão; ele foi padronizado na Áustria em 1951, quando o Ministério da Educação, Ciência e Pesquisa publicou o Österreichisches Wörterbuch (Dicionário Austríaco). Essa forma padrão, no entanto, é usada principalmente na educação e em publicações, comunicados e sites governamentais; as línguas faladas de fato na Áustria não são o alemão austríaco ensinado nas escolas, mas sim os dialetos bávaro e alemânico. Esses são dois idiomas locais do alto alemão, ou conjuntos de dialetos, mutuamente inteligíveis e compreendidos, com diferentes graus de dificuldade, entre si, bem como por falantes de dialetos alemães não austríacos. Considerando o conjunto, as línguas ou dialetos alemães são falados nativamente por 88,6% da população, incluindo os 2,5% de cidadãos nascidos na Alemanha que residem na Áustria, seguidos pelo turco (2,28%), sérvio (2,21%), croata (1,63%), inglês (0,73%), húngaro (0,51%), bósnio (0,43%), polonês (0,35%), albanês (0,35%), esloveno (0,31%), tcheco (0,22%), árabe (0,22%) e romeno (0,21%).
Saúde
Mesmo a Áustria tendo um index de saúde de 0,9 e uma expectativa de vida de 72 anos, o país ainda enfrenta números problemas em relação à saúde, um exemplo sendo o fato de que 2 em 5 austríacos sofrem de uma condição crônica. Câncer é um grande problema no país, dado que 21 500 pessoas faleceram por causa dessa condição em 2019, com câncer de pulmão sendo a causa principal de mortes por câncer, provavelmente ligado à vários fatores de risco na população do país, sendo estimado que 40% das mortes na nação são causadas por álcool, riscos relacionados à dieta, fumar, atividade física baixa e poluição aérea. Um dos serviços de saúde mais caros da União Europeia está localizado na Áustria. Em 2019, seu gasto em saúde era o terceiro maior na UE, com suas despesas do próprio bolso relacionadas à saúde sendo maiores que a média na UE.
Governo
A Áustria tornou-se uma república democrática federal parlamentar depois da promulgação da constituição federal de 1920. O sistema político da Segunda República, com seus nove estados baseia-se na constituição de 1920 e 1929, que foi revivida em 1 de maio de 1945. O chefe de Estado é o Presidente Federal (Bundespräsident), que é diretamente eleito pelo voto popular. O presidente do Governo Federal é o Chanceler Federal, que é nomeado pelo presidente. O governo pode ser destituído do cargo por qualquer decreto presidencial ou por voto de confiança na câmara baixa do parlamento, o Nationalrat. A votação para o Presidente da República e para o parlamento costumava ser obrigatório na Áustria, mas isto foi abolido em etapas entre 1982 e 2004.
Política externa
A política externa da Áustria se mantém como uma política de neutralidade participativa, na qual são destacados os seguintes pontos:
Forças armadas
As Forças Armadas da Áustria (Bundesheer) são formadas por oficiais graduados, voluntários e, principalmente, conscritos. Todos os homens quando atingem a idade de 18 anos e são considerados fisicamente aptos devem servir pelo menos seis meses, seguidos por oito anos de reserva. Já os voluntários, homens e mulheres acima da idade de 16 anos podem se alistar. A Bundesheer são dividias em dois principais ramos: o exército (Landstreitkräfte) e a força aérea (Luftstreitkräfte), sujeitas ao Comando Conjunto (Streitkräfteführungskommando). Também tem outros setores, como o de Missões Internacionais (Internationale Einsätze) e Forças Especiais (Spezialeinsatzkräfte), ao lado do Apoio Conjunto à Missões (Kommando Einsatzunterstützung) e o Centro de Apoio ao Comando Conjunto (Führungsunterstützungszentrum). Por não ter uma costa marítima, a Áustria não tem marinha.
Como república federal, a Áustria está subdividida em nove estados (Bundesländer em alemão). Cada um destes estados está dividido em distritos (Bezirke) e cidades (Statutarstädte). Os distritos são divididos em municípios (Gemeinden). As cidades partilham as competências dos estatutos de município e distrito. Os estados não constituem divisões meramente administrativas; dispõem de autoridade legislativa autónoma em relação ao governo federal.
A Áustria é o 12º país mais rico do mundo em termos de PIB (Produto Interno Bruto) per capita, tem uma economia social de mercado bem desenvolvida e um alto padrão de vida. Até os anos 1980, muitas das maiores empresas austríacas foram nacionalizadas; nos últimos anos, no entanto, a privatização reduziu as participações do Estado para um nível comparável ao de outras economias europeias. Movimentos trabalhistas são particularmente fortes no país e têm grande influência na política trabalhista nacional. Ao lado de uma indústria altamente desenvolvida, o turismo internacional é a parte mais importante da economia local. A Alemanha tem sido, historicamente, o principal parceiro comercial do país, o que o tornou mais vulnerável a mudanças rápidas na economia alemã. Desde que a Áustria tornou-se um Estado-membro da União Europeia (UE), os laços do com outras economias do bloco se tornaram mais estreitos, reduzindo a dependência econômica dos austríacos em relação a Alemanha. Além disso, a adesão à UE tem atraído um fluxo de investidores estrangeiros ao país atraídos pelo acesso da Áustria ao mercado único europeu e da proximidade com as economias aspirantes a aderir à União Europeia. O crescimento do PIB atingiu 3,3% em 2006.
Em 1972, o país iniciou a construção de uma estação de geração de eletricidade movida a energia nuclear em Zwentendorf, no rio Danúbio, após uma votação unânime no parlamento. No entanto, em 1978, um referendo votou contra a energia nuclear e o parlamento posteriormente aprovou por unanimidade uma lei proibindo o uso desse tipo de fonte para gerar eletricidade, embora a usina nuclear já estivesse concluída. Atualmente, a Áustria produz mais da metade de sua eletricidade por energia hidrelétrica. Juntamente com outras fontes de energia renovável, como usinas eólicas, solares e de biomassa, o suprimento de eletricidade a partir de energias renováveis representa 62,89% do uso total na Áustria, sendo o restante produzido por usinas de gás natural e petróleo. Em 2021, a Áustria tinha, em energia elétrica renovável instalada, 14 546 MW em energia hidroelétrica (17º maior do mundo), 3 524 MW em energia eólica (25º maior do mundo), 2 692 MW em energia solar (28º maior do mundo), e 1 086 MW em biomassa.
Saúde
A esperança média de vida na Áustria em 2016 era de 81,5 anos, sendo 84,3 anos para as mulheres e 78,9 anos para os homens. A esperança de vida cresceu significativamente no país. Em 1971, as mulheres dispunham de 75,7 anos de expectativa de vida, enquanto os homens viviam em média 73,3 anos. Neste período, a esperança de vida na Áustria era, portanto, um pouco mais elevada do que na Alemanha. A taxa de mortalidade infantil é de 0,36%.
Educação
A responsabilidade sobre o sistema educacional na Áustria é dividida entre os estados da Áustria e o governo federal. Educação no jardim de infância é opcional e acessível a todas as crianças com idade entre 3 e 6 anos. A escola é compulsória por nove anos, ou seja, normalmente de 6 a 15 anos. O Programme for International Student Assessment, coordenado pela OCDE, atualmente lista a educação na Áustria como a 18ª melhor do mundo, sendo significativamente melhor do que a média da OCDE. A educação primária tem duração de quatro anos. Assim como na Alemanha, a educação secundária inclui dois tipos principais de escolas baseadas na habilidade do aluno determinada pelas notas na escola primária: o ginásio para as crianças mais bem dotadas, e o Hauptschule que prepara as crianças para a educação vocacional mas também para educação posterior (HTL = instituição para educação técnica superior; HAK = academia comercial; HBLA = instituição para educação superior em negócios e economia; etc.). Os dois tipos levam a Matura, que é um requisito para o acesso às universidades.
A Áustria, como uma grande potência europeia no passado, gerou uma grande contribuição para a cultura mundial em diversas formas de arte, especialmente a música. Desde o fim do século XVIII até a Primeira Guerra Mundial, em 1914, Viena era considerada a segunda capital cultural da Europa, superada apenas por Paris. Alguns dos pintores e desenhistas mais famosos da Áustria são Ferdinand Georg Waldmüller, Gustav Klimt, Koloman Moser, Oskar Kokoschka, Egon Schiele, Alfred Kubin, Raoul Hausmann, Arnulf Rainer, Gottfried Helnwein e Franz West. A pintura atingiu um ponto de destaque na Áustria na década de 1900. Na segunda metade do século XX estabeleceu-se a escola vienense do realismo fantástico e, posteriormente, do surrealismo. A essa escola pertence Friedensreich Hundertwasser, com seus desenhos decorativos abstratos. Um movimento importante foi o Aktionismus, nos anos 1960, que juntou a pintura com o teatro. Outros artistas plásticos famosos da Áustria são a fotógrafa Inge Morath e os arquitetos Johann Fischer von Erlach, Johann Lukas von Hildebrandt e Otto Wagner.
Música
Muitos dos mais famosos compositores eruditos do mundo nasceram na Áustria, entre os quais Wolfgang Amadeus Mozart, Joseph Haydn, Franz Schubert, Anton Bruckner, Gustav Mahler, a família Strauss,[desambiguação necessária] Arnold Schönberg, Anton Webern, Alexander von Zemlinsky, Siegmund von Hausegger e Alban Berg. A cidade de Viena historicamente sempre foi um dos mais importantes centros mundiais da inovação musical. Além dos compositores nativos, muitos outros compositores de outros países foram atraídos para a Áustria devido ao patrocínio dos Habsburgo, entre os quais Ludwig van Beethoven, Carl Maria von Weber e Johannes Brahms. Outros compositores estrangeiros como Franz Liszt, Franz Lehár, Bedřich Smetana, Antonín Dvořák e Béla Bartók tiveram grande influência na música austríaca.
Ciência e filosofia
A Áustria foi o lugar de nascimento ou de origem étnica de 20 cientistas que receberam prêmios Nobel, entre os quais Ludwig Boltzmann, Ernst Mach, Victor Franz Hess e Christian Doppler, cientistas muito renomados no fim do século XIX. Durante o século XX, vieram as contribuições de Lise Meitner, Erwin Schrödinger, Wolfgang Pauli para as áreas de pesquisa nuclear e mecânica quântica. Um dos cientistas austríacos mais conhecidos do mundo atualmente é o físico quântico Anton Zeilinger, apontado como o primeiro cientista a demonstrar a teleportação quântica. Além dos físicos, a Áustria foi o lugar de nascimento de Ludwig Wittgenstein e Karl Popper, dois dos mais renomados filósofos do século XX, assim como dos biólogos Gregor Mendel e Konrad Lorenz, do matemático Kurt Gödel e dos engenheiros Ferdinand Porsche e Siegfried Marcus. Os ramos mais fortes da ciência austríaca sempre foram a medicina e a psicologia, a partir da Idade Média com Paracelso. Grandes médicos como Theodore Billroth, Clemens von Pirquet e Anton von Eiselsberg construíram ao longo do século XIX a Escola de Medicina de Viena. A Áustria também foi o lugar de nascimento do médico e neurologista Sigmund Freud, dos psicólogos Alfred Adler, Paul Watzlawick e Hans Asperger e do psiquiatra Viktor Frankl. Grande destaque merece ser dado a Karl Landsteiner, médico austríaco laureado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1930 pela classificação dos grupos sanguíneos no sistema ABO e pela descoberta do fator Rh.
Literatura
Apesar de sua fama como terra de artistas e cientistas, a Áustria sempre foi também uma terra de poetas, escritores e romancistas. É o local de nascimento dos romancistas Arthur Schnitzler, Stefan Zweig, Bertha von Suttner (primeiro Nobel da Paz), Marie Ebner von Eschenbach, Oswald von Wolkenstein, Elfriede Jelinek (Prêmio Nobel de Literatura, 2004), Thomas Bernhard, Franz Kafka, Robert Musil e dos poetas Georg Trakl, Franz Werfel, Franz Grillparzer, Rainer Maria Rilke, Adalbert Stifter e Karl Kraus. Uma menção à parte é dada a Hugo von Hoffmansthal, poeta e romancista, símbolo da Viena fin-de-siècle. Nos dias atuais, alguns dos romancistas e dramaturgos mais famosos são Elfriede Jelinek (Nobel de Literatura) e o escritor Peter Handke.
Culinária
A culinária austríaca é uma das mais multiculturais da Europa, tendo recebido influências da Hungria, Chéquia, Itália e Alemanha (Baviera) e é muito conhecida internacionalmente por seus doces e massas folhadas. Alguns dos mais famosos pratos são o schnitzel vienense, o spätzle, um tipo de macarrão, o apfelstrudel — um tipo de torta de maçã com massa folhada e a sachertorte, um tipo de torta de chocolate. Pode ainda acrescentar-se a Linzertorte, uma tarte típica do Natal.
Esportes
O esporte de equipe mais popular na Áustria é o futebol, apesar de o melhor resultado da Seleção Austríaca numa Copa do Mundo ter sido um terceiro lugar em 1954. O Campeonato Austríaco é disputado em duas divisões, com 10 times cada um. Os clubes mais populares são o Rapid Viena, Red Bull Salzburg, onde jogou o brasileiro Fabiano Lima, e o Áustria Viena. Outros esportes que merecem destaque são o basquete e o hóquei no gelo. Entretanto, os melhores resultados da Áustria estão nos esportes individuais, especialmente modalidades de inverno como o snowboard e o esqui alpino, que é considerado o esporte nacional. Alguns dos mais famosos praticantes desse esporte são Toni Sailer, Hermann Maier, Annemarie Moser-Pröll e Anita Wachter. A cidade de Innsbruck, capital do Tirol, sediou as Olimpíadas de Inverno por duas vezes, em 1964 e 1976.


