Augusto Heleno
Augusto Heleno Ribeiro Pereira GCMM • OMJM • ORB é um general de exército da reserva do Exército Brasileiro. Foi ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro, de 2019 a 2023.
Ditadura Militar
Estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro entre 1959 e 1965. Em 1977, foi nomeado ajudante de ordens de Sylvio Frota, sendo adepto do "frotismo", da "linha dura" do Exército e apoiando a incitação do alto comando deste contra o Gal. Ernesto Geisel, que liderava o processo de democratização e abertura econômica do Brasil. Em 1984, foi Conselheiro Fiscal da chapa do general de três estrelas Tasso Villar de Aquino para a presidência do Clube Militar. A chapa era governista e disputava a presidência contra a chapa Soberania Nacional, feita por militares contestadores e indisciplinados. A chapa teve o apoio do Ministro do Exército Walter Pires de Carvalho e Albuquerque e do presidente João Figueiredo e ganhou.
Redemocratização
Foi chefe da seção de planejamento e ligação com a V Força Aérea na Brigada de Infantaria Paraquedista. Em 1989, foi assistente no gabinete do ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves. Nesta época, também mantinha contato com a Centro de Comunicação Social do Exército (CComSEx) e escrevia artigos para o Noticiário do Exército e a Revista Verde-Oliva. Em 1990, trabalhou no Gabinete Militar da presidência da república, durante o governo de Fernando Collor de Mello. Como coronel, comandou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, no período de 29 de janeiro de 1994 a 13 de abril de 1996. Em seguida, foi adido militar da Embaixada do Brasil em Paris, acreditado também em Bruxelas. Como oficial-general, foi comandante da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada e do Centro de Capacitação Física do Exército, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército e do Gabinete do Comandante do Exército. Também comandou o Centro de Capacitação Física do Exército e, entre 2002 e 2004, o CComSEx.
MINUSTAH
De junho de 2004 a setembro de 2005, foi o primeiro comandante militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH). De acordo com Heleno, ele estava por acaso na sala do comandante do Exército Francisco Roberto de Albuquerque quando o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, James Hill, ligou informando sobre a indicação do Brasil para comandar a missão, e ele se voluntariou na hora. A MINUSTAH constituída de um efetivo de 6 250 capacetes azuis de treze países, dos quais sete latino-americanos. Da mesma forma que o embaixador chileno Juan Gabriel Valdés, representante especial do secretário-geral da ONU e chefe da missão, e dos governos de países latinos, o general Heleno expressou sua discordância quanto à estratégia adotada pela comunidade internacional em relação ao Haiti. Ele era visto pelos haitianos como uma voz moderada no início da MINUSTAH.
Primeiro governo Lula
No período de 14 de setembro de 2007 a 6 de abril de 2009, exerceu a função de Comandante Militar da Amazônia. Como comandante militar da Amazônia, o general Heleno contestou a política indigenista do governo Lula, que qualificou de "lamentável para não dizer caótica", durante palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro, à época da demarcação da terra indígena de Raposa/Serra do Sol. Afirmou que os índios "gravitam no entorno dos nossos pelotões porque estão completamente abandonados". Um pouco antes da afirmação, a Polícia Federal (PF) preparou uma operação para retirar os não-indígenas da terra, a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, Mário Madureira, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, o Clube Militar, o Clube da Aeronáutica, políticos como José de Anchieta Júnior, governador de Roraima, Rodrigo Maia, presidente do Democratas e o deputado federal Paulo Renato Souza, e jornalistas como Arnaldo Jabor, colunista da TV Globo, e Reinaldo Azevedo, colunista da Revista Veja, defenderam a declaração de Heleno. Após a fala, Lula se reuniu com o Ministro da Defesa Nelson Jobim e o comandante do Exército Enzo Martins Peri e cobrou explicações. Heleno, então, foi retirado como a primeira opção do governo em uma eventual promoção para comandante do Exército.
Atuou como consultor de segurança e assuntos militares do Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde também colaborava com comentários na programação das emissoras. Em agosto de 2011, exerceu o cargo de diretor de comunicação e educação corporativa do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Durante sua gestão, apoiou a participação de militares em esportes de alto rendimento. Demitiu-se após a prisão preventiva do diretor do órgão, Carlos Arthur Nuzman durante a Operação Unfair Play. Heleno afirmou que o motivo seria que voltaria a morar em Brasília. Em 2019, foi questionado pelo seu salário de aproximadamente R$ 55 mil, Heleno afirmou que recebeu seu salário pelo bom trabalho que realizou na COB, e tinha vergonha dos R$ 19 mil que recebia do Exército.
Governo Bolsonaro
Heleno foi um grande apoiador de Bolsonaro durante a eleição presidencial de 2018. Ele precisou depor para o STF em um inquérito sobre a intervenção de Bolsonaro na PF. Em 18 de julho de 2018, circulou a notícia que seria indicado como candidato à vice-presidência da República, na chapa de Jair Bolsonaro. O general negou a candidatura, por não ser de interesse de seu partido, mas continuou a apoiar a candidatura do deputado à presidência da República, atuando como assessor de campanha de Bolsonaro. Foi chamado para ser seu ministro da Defesa, no entanto, dez dias depois confirmou que Bolsonaro o havia escolhido para o comando do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Ele também atuou como secretário-executivo do Conselho de Defesa Nacional. Quando iniciou sua gestão, afirmou que Dilma Rousseff havia "derretido" o GSI, e seu foco seria resgatar o serviço de inteligência.
Imprensa
O general Heleno se diz descrente com a imprensa. Em uma entrevista concedida por telefone ao periódico O Estado de S. Paulo no dia 31 de outubro de 2019, declarou sobre as recentes manifestações no Chile e sobre a recente controvérsia do deputado federal Eduardo Bolsonaro: O que a imprensa noticia normalmente não é a verdade. Isso a gente já se acostumou no Brasil. A imprensa não está acostumada a falar a verdade. Ela torce para o lado que ela quer. Notícia de jornal, televisão, é toda manipulada [...] Estou fora há 10 dias. Não tenho ainda informações seguras sobre o que houve no Chile. Hoje em dia não acredito em nada da imprensa.
Ditadura Militar
Durante a Ditadura Militar de 1964, foi parte da ala governista do regime. Após o fim da ditadura, se tornou um revisionista histórico. Em novembro de 2019, ele discutiu com Sâmia Bomfim (PSOL-SP) em uma audiência pública na Câmara dos Deputados. Segundo ele, a ditadura militar brasileira evitou que o país virasse uma "grande Cuba" e que a anistia "levou uma terrorista à Presidência da República (…) Há duas visões da História do Brasil. Para mim, não foi golpe, foi contrarrevolução. Se não houvesse contrarrevolução, hoje seríamos Cuba. A sua posição é a posição que a esquerda adotou. Essa radicalização política não interessa a ninguém." Em discussão com o deputado distrital Gabriel Magno (PT), reafirmou que a ditadura salvou o Brasil do comunismo e negou que o regime teria matado milhares de pessoas. Durante a CPMI do Golpe, quando perguntado se havia defendido o golpe de 64, Heleno manteve-se em silêncio.
Segurança Pública
Foi um grande apoiador da Intervenção Federal no Rio de Janeiro, e elogiou a atuação do comandante Braga Netto, afirmando que seus métodos pareciam com a atuação da MINUSTAH no Haiti. Também criticou o Judiciário por dificultar a atuação das Forças Armadas. Em 2018, apoiou a ideia do então governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, de posicionar francoatiradores na cidade para abater criminosos.
Pandemia de COVID-19
Heleno apoiou a reabertura do comércio e do "isolamento vertical", isolamento social apenas das pessoas com mais de 60 anos, durante a pandemia de COVID-19.
Floresta Amazônica
Heleno acredita que o Brasil deve integrar plenamente a Floresta Amazônica ao território nacional com a colonização para que ela não possa ser usada para interesses estrangeiros, como o uso de seus recursos naturais e do território para o narcotráfico. Ele também acredita que as Organizações Não Governamentais estrangeiras que atuam na Amazônia manipulam os povos indígenas para que sejam demarcadas terras perto de reservas minerais para impedir que o Brasil as explore. Foi crítico da política ambientalista de Lula e apoiou a militarização das reservas indígenas, citando diversos conflitos na América Latina que poderiam resultar em guerra. Heleno apoiou a política ambiental do governo Bolsonaro. Entre suas afirmações, está a de que o número de incêndios na Floresta Amazônica era exagerado e que as denúncias contra a gestão do governo tinham cunho ideológico.
Partido dos Trabalhadores (PT)
Heleno declarou publicamente ter horror ao PT e que nunca gostou de Dilma e de Lula. Ele é ressentido com Lula por não ter se tornado comandante do Exército. De acordo com ele, sua transferência para o DCT foi um castigo “por decisão do comandante supremo [Lula]. Eu me tornara o exemplo típico do homem errado no lugar errado”. Entre suas afirmações, está a de que "infelizmente" Lula não estava doente. Em outra ocasião, quando Lula questionou a facada que Bolsonaro levou durante as eleições, Heleno o chamou de canalha e pediu por sua prisão perpétua.


