Língua occitana
A língua occitana, também denominada língua occitânica, occitano ou língua d'oc é uma língua românica falada no sul da França, Vales Occitanos, Mónaco, e no Vale de Aran, regiões referidas como Occitânia ou País d'Oc. Também é falado na Guarda Piemontesa. A estimativa do número atual de falantes varia consideravelmente segundo as fontes, no entanto parece haver consenso na sua designação como a língua regional mais falada na França.
O nome da língua surge de lenga d'òc (língua de òc, a palavra occitana para sim), em contraste com oïl, (o ancestral do francês moderno oui), em langue d'oïl. Apesar de o termo ter estado em uso oralmente algum tempo após o declínio do latim, tanto quanto é revelado por documentos históricos o poeta italiano Dante foi o primeiro a registar o termo lingua d'oc na sua escrita. Em De vulgari eloquentia, escreve em latim.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Outros nomes
Durante séculos, os dialetos occitanos (juntamente com os catalães) eram referidos como lemosi ou provensals, os nomes de duas regiões inseridas na região da Occitânia. Após o Movimento Felibrtige de Fréderic Mistral no século XIX, o provençal alcançou um grande reconhecimento literário e acabou por se popularizar como termo para fazer referência ao conjunto da língua. De acordo com Joseph Anglade, um filólogo e especialista em literatura medieval que ajudou a impor o termo então arcaico Occitan como a única denominação correta, a palavra Lemosin foi usada inicialmente para designar a língua occitana no início do século XII pelo trovador catalão Raimon Vidal de Besalú em Razós de trobar:
O occitano surge a partir do latim vulgar, e está entre os primeiros idiomas a substituírem o latim em textos oficiais. A adoção por parte das populações indígenas de um latim vernacularizado foi um processo complexo e que se desenvolveu por vários séculos, sobrepondo-se e assimilando as línguas autóctones. O fim do Império Romano, no século V, ao qual se juntam as posteriores invasões bárbaras, são também importantes no surgimento das novas línguas romances. A formação da língua de oc foi facilitada e condicionada por circunstâncias que explicam a sua originalidade: Os primeiros registos que atestam uma divergência do latim surgem no século VIII com litanias carolíngias, escritas e cantadas em latim, nas quais a audiência respondia em occitano antigo (Ora pro nos; Tu lo juva). É nessa altura denominada lingua romana, um termo utilizado para descrever o conjunto de línguas vulgares da Europa meridional. Dela existem outros registos escritos:
O conjunto linguístico occitano constitui, juntamente com o catalão, o diassistema occitano-romance das línguas românicas ocidentais e serve de transição entre o galo-românico e o ibero-românico. O padrão occitano e o catalão são, de um ponto de vista linguístico, próximos e possuem inteligibilidade mútua. Certos linguistas como A. Sanfeld incluem estas duas línguas na mesma denominação linguística do occitano. Pompeu Fabra, importante contribuidor para a normalização do catalão moderno, visualizou a possibilidade de uma unificação ortográfica das duas línguas caso se desse um processo de normalização no domínio de oc. O termo língua limusina foi utilizado pelos catalães para designar a sua língua, a dos trovadores, o occitano ou até o conjunto linguístico occitano-romance.
Relação entre occitano, gascão e catalão
O gascão possui características diferenciadas que o distinguem mais claramente do que o catalão no âmbito do conjunto occitano-românico, principalmente devido à forte influência do substrato aquitano e do substrato vascão. Certos linguistas consideram-no uma língua à parte. Porém, é geralmente considerado como sendo um dialeto da língua occitana. O linguista Domergue Sumien defende a inclusão do gascão no occitano e a exclusão do catalão devido à existência de dois espaços sociolinguísticos com dinâmicas diferentes. O catalão, mais próximo do linguadociano, é por vezes considerado como uma variedade ausbau do occitano. Na obra do filólogo do século XIX Friedrich Christian Diez, o catalão é considerado como parte integral do occitano (denominado "provençal"), mas assinala as suas diferenças. Em Gramàtica del català contemporani (2002), o catalão é classificado dentro das línguas românicas ocidentais como uma transição entre os diassistemas galo-romances e ibero-romances, à semelhança do grupo occitano-romance.
Jules Ronjat procurou caracterizar o occitano baseando-se em 19 critérios principais e entre os mais disseminados. Onze deles são fonéticos, cinco são morfológicos, um sintático e dois são lexicais. É possível notar a menor frequência das vogais semifechadas. É uma característica dos falantes occitanos através da qual se pode reconhecer, mesmo quando falam francês, um sotaque "meridional". Dá-se também a ausência da utilização do pronome pessoal sujeito, em oposição ao francês (como em canti/cante/chante/chanto vs. je chante ; cantas/chantas vs. tu chantes). Dentre os critérios, existem sete diferenças com o castelhano, oito com o italiano, doze com o franco-provençal e dezasseis com o francês.
Fonologia
O acento tónico pode ocorrer somente nos seguintes casos: Os principais fonemas são: /i/, /y/, /u/, /e/, /ɛ/, /ɔ/ e /a/. A nível regional, existem também os fonemas /œ/, /ə/, /ä/, /ɒ/, /ɪ/ e /ʏ/ De assinalar o fonema de alternância vocálica. Em posição átona, certas oposições vocálicas são neutralizadas: A nível regional, existem também os fonemas /ʀ/, /h/ e /ʒ/. A distinção entre /v/ e /b/ está disseminada no provençal, vivaroalpino, auvernês e limusino. Pelo contrário, em linguadociano e gascão, os fonemas /b/ e /v/ são neutralizados em /b/. Entre os caracteres diacrónicos do occitano enquanto língua românica: Do ponto de vista vocálico, o occitano é uma língua conservadora em contraste com o francês, cuja influência germânica evou à ditongação e alargamento considerável das suas vogais em posição livre.
Verbos
Tem quatro tempos no Indicatiu (Indicativo): Imperfach (Pretérito imperfeito), Preterit (Pretérito perfeito), Futur (Futuro do presente) e Present (Presente); dois no Subjonctiu (Subjuntivo): Imperfach (Pretérito imperfeito) e Futur (Futuro do presente); somente o Present (Presente) dentre o Condicional (Condicional) e três pessoas em só um tempo no Imperatiu (Imperativo): 2º do singular e 1º e 2º do plural. Todos tempos, fora o imperativo, se encontram com as seis pessoas normais, totalizando 45 conjugações em 8 tempos em 4 modos.
Normas
Na época dos trovadores (séculos XI–XIII) surge uma norma literária unificada (koiné). Desde então, todas as grafias occitanas (clássica, mistraliana, bonaudiana e da Escòla dau Pò) foram criadas de raiz tendo em conta os diferentes dialetos, sem fixar um padrão para a língua. Existem duas normas principais: A partir da norma mistraliana surgem, no final do século XIX, três normas literárias regionais — o provençal geral, o niçardo e o gascão bearnês. A norma clássica, a partir do século XX, perseguiu o desenvolvimento destas três formas literárias mas preferiu igualmente formas regionais complementares em limusino e linguadociano. Após a oficialização do occitano no Vale de Arão em 1990, e em toda a Catalunha em 2006, a norma clássica origina novamente uma variação codificada do gascão aranês.
A maioria dos académicos consideram que o Occitano constitui uma única língua. Uma minoria, composta por alguns autores, rejeitam esta opinião e também a designação "occitano", e argumenta que existe um conjunto de línguas de oc em vez de dialetos de uma mesma língua. Alguns autores provençais partilham da opinião de que o provençal é uma língua distinta do occitano. No entanto, a grande maioria de autores e associações provençais opinam que o provençal integra a língua occitana. Vários linguistas e escritores occitanos, em particular aqueles envolvidos no movimento pan-occitano organizado em volta do Institut d'Estudis Occitans, discordam desta visão. Apesar das diferenças entre dialetos, existe um alto nível de inteligibilidade mútua entre eles. A questão ao redor do gascão é semelhante. Este apresenta várias diferenças significativas do resto da língua, mas apesar delas, tanto o gascão como os outros dialetos partilham importantes características lexicais e gramaticais, pelo que autores como Pierre Bec argumentam que não é possível classificá-los separadamente como acontece, por exemplo, com o castelhano e o italiano. Para mais, a inclusão deste no occitano pode ser justificado pelo processo de elaboração comum (ausbau) entre o gascão e as restantes variantes occitanas. A grande maioria do movimento cultural gascão considera-se parte do movimento cultural occitano. O estatuto oficial no Vale de Arão refere que o aranês faz parte do gascão e do occitano. Uma gramática do aranês publicada por Aitor Carrera em 2007 partilha esta visão.
França
A UNESCO classifica o occitano como uma língua em "sério perigo" de extinção, à exceção do gascão e vivaro-alpino, classificadas apenas como estando "em perigo". Um relatório da Generalidade da Catalunha refere que 70% dos habitantes das zonas de domínio linguístico occitano vê de forma favorável a preservação e ensino da língua e nota a atitude contrária da administração francesa a tais questões. O occitano é ensinado em regime de imersão linguística nas Calandretas, uma rede de escolas associativas semelhantes às Diwan ou Ikastolas numa tentativa de revitalização da língua. A primeira escola foi aberta em 1979 em Pau, e o modelo foi desde então adaptado também ao sistema público de educação. Cuers, Maillane e Orangers são atualmente as únicas escolas públicas bilingues na região Provença-Alpes-Costa Azul. A 5 de novembro de 2014, foi declarada como língua cooficial na Eurorregião Pirenéus-Mediterrâneo.
Espanha
A língua, na sua variante aranesa, é cooficial em toda a Catalunha, e de uso preferente no Vale de Arão.
Itália
A língua é falada nos Vales Occitanos do Piemonte e Ligúria. Também existe um enclave na Guarda Piemontesa desde o século XIV. Uma lei promulgada em 1999 pelo parlamento garante a proteção da minorias linguísticas, no entanto, o italiano é a única língua oficial no país.
Outros locais
Algumas colónias occitano-falantes estabeleceram-se no século XIV em Vurtemberga (Alemanha), e também no século XX, ao sul da província de Buenos Aires (Argentina).[carece de fontes?]
Uma das mais notáveis passagens do occitano na literatura ocidental ocorre no 26º canto do Purgatório de Dante, no qual o trovador Arnaut Daniel responde ao narrador: «Tant m'abelís vòstre cortés demand, / qu'ieu no me puesc ni vòlh a vos cobrir. / Ieu sui Arnaut, que plor e vau cantant; / consirós vei la passada folor, / e vei jausent lo jòi qu'esper, denant. / Ara vos prec, per aquela valor / que vos guida al sòm de l'escalina, / sovenha vos a temps de ma dolor»


