Ataque a Pearl Harbor
O Ataque a Pearl Harbor foi uma ofensiva militar aérea surpresa da Marinha Imperial Japonesa contra a base naval dos Estados Unidos em Pearl Harbor, Honolulu, Havaí, em 7 de dezembro de 1941, um domingo, pouco antes das 08h. Este ataque decisivo marcou a entrada formal dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial no dia seguinte. Os japoneses se referiram a ele como Operação Havaí, Operação AI e Operação Z durante o planejamento.
Pontos-chave
- O ataque japonês a Pearl Harbor ocorreu em 7 de dezembro de 1941, um domingo, pouco antes das 08h.
- O objetivo principal era neutralizar a Frota do Pacífico dos EUA para facilitar a expansão japonesa no Sudeste Asiático.
- Apesar do planejamento para uma declaração de guerra, o ataque ocorreu antes que o aviso diplomático fosse entregue aos EUA.
- O ataque resultou na morte de 2.403 americanos e danos significativos a 18 navios, incluindo 5 encouraçados.
- A ofensiva levou à declaração de guerra dos EUA ao Japão e à entrada formal do país na Segunda Guerra Mundial.
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Ataque a Pearl Harbor não foi um evento isolado, mas o resultado de anos de tensões diplomáticas e planejamento militar detalhado, visando garantir a hegemonia japonesa no Pacífico.
Antecedente Diplomático: Tensão Crescente
A possibilidade de guerra entre Japão e EUA era reconhecida desde a década de 1920, apesar de serem parceiros comerciais. As tensões aumentaram significativamente após a Invasão japonesa da Manchúria em 1931 e a subsequente expansão para a China, que levou à Segunda Guerra Sino-Japonesa em 1937. O Japão buscava isolar a China e garantir recursos independentes, o que impulsionou a 'Operação Sul'.
Planejamento Militar Japonês
O planejamento preliminar para um ataque a Pearl Harbor, visando proteger a 'Área de Recursos do Sul' (Índias Orientais Neerlandesas e Sudeste Asiático), começou no início de 1941 sob a liderança do Almirante Isoroku Yamamoto. Ele enfrentou resistência do Estado-Maior da Marinha Imperial Japonesa, chegando a ameaçar renunciar para que o plano fosse aprovado. O planejamento em larga escala envolveu o Contra-Almirante Ryūnosuke Kusaka, o Capitão Minoru Genda e o Capitão Kameto Kuroshima, que estudaram o ataque aéreo britânico à Frota Italiana em Taranto em 1940.
Objetivos Estratégicos do Ataque
O ataque japonês tinha múltiplos objetivos: 1) Destruir unidades importantes da Frota Americana para impedir sua interferência na conquista japonesa das Índias Orientais Neerlandesas e Malásia. 2) Ganhar tempo para o Japão consolidar sua posição e fortalecer sua marinha antes que a Lei Vinson-Walsh de 1940 aumentasse significativamente a força naval dos EUA. 3) Minar a capacidade americana de mobilizar forças no Pacífico, focando nos navios de guerra, considerados os mais prestigiados. 4) Abater o moral americano, esperando que o governo dos EUA reduzisse suas demandas e buscasse um acordo de paz.
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A força-tarefa japonesa, composta por seis porta-aviões e centenas de aviões, partiu em 26 de novembro de 1941. O ataque foi meticulosamente planejado em duas ondas, com torpedos e bombas adaptados para as águas rasas de Pearl Harbor, visando neutralizar a frota americana.
Submarinos de Apoio
Cinco submarinos da frota (I-16, I-18, I-20, I-22 e I-24) transportaram minissubmarinos Tipo A para as águas de Oahu, lançando-os em 7 de dezembro. Um minissubmarino foi avistado pelo caça-minas USS Condor e afundado pelo contratorpedeiro USS Ward às 06h37, marcando o primeiro engajamento americano no Pacífico. Outro minissubmarino atacou o porta-hidroaviões USS Curtiss e o contratorpedeiro USS Monaghan, sendo afundado por este último.
A Declaração de Guerra Tardia do Japão
O Almirante Isoroku Yamamoto pretendia que o ataque começasse 30 minutos após a notificação diplomática aos EUA sobre o fim das negociações de paz. No entanto, a "Mensagem de 14 Partes" de 5.000 palavras, transmitida de Tóquio, demorou para ser decifrada e entregue pelo embaixador japonês em Washington, D.C., chegando mais de uma hora após o início do ataque. Embora os decifradores de códigos dos EUA já tivessem a mensagem, ela não era uma declaração formal de guerra, mas um forte indicador de que as negociações seriam encerradas. A declaração de guerra oficial japonesa foi publicada nos jornais em 8 de dezembro e entregue ao governo dos EUA somente no dia seguinte ao ataque.
Composição da Primeira Onda de Ataque
A primeira onda, com 183 aviões (6 não decolaram), foi liderada pelo Comandante Mitsuo Fuchida e incluía bombardeiros de mergulho, bombardeiros de torpedo e caças. Os bombardeiros de torpedo Tipo 91 foram especialmente adaptados para águas rasas. A onda foi detectada pelo radar SCR-270 do Exército dos EUA na Estação Opana, mas o Tenente Kermit A. Tyler, um oficial recém-designado, confundiu-a com a chegada programada de bombardeiros B-17 da Califórnia, ignorando o alerta dos operadores sobre o tamanho da formação.
Composição da Segunda Onda de Ataque
A segunda onda consistiu em 171 aviões (4 não decolaram), comandada pelo Tenente-Comandante Shigekazu Shimazaki, e também foi dividida em três grupos: bombardeiros de mergulho, bombardeiros horizontais e caças. Um grupo atacou Kāneʻohe, enquanto os outros se concentraram em Pearl Harbor, chegando quase simultaneamente de várias direções.
Vítimas e Danos Americanos
O ataque durou 90 minutos, resultando em 2.403 americanos mortos e 1.143 feridos. Entre as vítimas, 2.008 eram marinheiros, 218 soldados e aviadores, 109 fuzileiros navais e 68 civis. Quase metade das mortes ocorreu devido à explosão do paiol do USS Arizona. 18 navios foram afundados ou encalhados, incluindo 5 encouraçados. A maioria dos mortos eram jovens militares alistados, com cerca de 17 ou 18 anos, que estavam a bordo dos navios.
Baixas Japonesas
O Japão perdeu 59 aviadores e 9 submarinistas, com um único capturado, Kazuo Sakamaki. Dos 350 aviões que participaram do ataque (de 414 disponíveis), 29 foram perdidos (9 na primeira onda e 20 na segunda), e outros 74 foram danificados pelo fogo antiaéreo terrestre.
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Dos 21 navios danificados ou perdidos em Pearl Harbor, a maioria foi reparada e retornou ao serviço, demonstrando a resiliência da Marinha dos EUA.
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Após o ataque, uma extensa operação de salvamento foi iniciada sob a liderança do Capitão Homer N. Wallin. Mergulhadores da Marinha e equipes civis trabalharam incansavelmente para recuperar e reparar os navios danificados.
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O anúncio do ataque a Pearl Harbor foi feito pelo secretário de imprensa da Casa Branca, Stephen Early, às 14h22 (horário da Costa Leste) de 7 de dezembro de 1941, chocando a nação e sendo rapidamente divulgado por rádio.
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O ataque a Pearl Harbor teve profundas consequências, levando os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra Mundial e mudando o curso do conflito global. O incidente também gerou debates sobre a inteligência americana.
O Incidente de Niihau
A ilha de Niihau foi designada como ponto de resgate para pilotos japoneses. Um piloto, Shigenori Nishikaichi, pousou lá após seu avião ser danificado. Moradores nativos, desconhecendo o ataque a Pearl Harbor, confiscaram seus documentos. Nishikaichi, com a ajuda de nipo-americanos locais, tentou recuperar os documentos, resultando em confrontos, sua morte e a prisão de colaboradores.
Implicações Estratégicas do Ataque
O Almirante Hara Tadaichi resumiu o resultado japonês afirmando: "Conseguimos uma grande vitória tática em Pearl Harbor e, assim, perdemos a guerra". Embora o ataque tenha alcançado seus objetivos imediatos, ele se mostrou desnecessário. A Marinha dos EUA já havia decidido em 1935 abandonar a estratégia de "cobrança" do Pacífico em caso de guerra (Plano de Guerra Laranja), adotando o "Plano Dog" em 1940, que priorizava manter a Marinha Imperial Japonesa fora do Pacífico Oriental e das rotas marítimas para a Austrália, enquanto os EUA se concentravam em derrotar a Alemanha Nazista.
Debate sobre a Inteligência Americana
Desde o ataque, há um debate contínuo sobre como os Estados Unidos foram pegos de surpresa e o nível de conhecimento das autoridades americanas sobre os planos japoneses. Já em 1924, o General Mason Patrick, chefe do Serviço Aéreo do Exército dos EUA, expressou preocupação com as vulnerabilidades militares no Pacífico, após um relatório do General Billy Mitchell que identificava fragilidades no Havaí, classificando-o como um "tratado teórico sobre o emprego do poder aéreo no Pacífico, que, com toda a probabilidade, sem dúvida será de extremo valor daqui a 10 ou 15 anos".


