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Atos de Paulo e Tecla

Atos de Paulo e Tecla é um história apócrifa - Goodspeed o chamou de "Romance religioso" - sobre a influência de Paulo sobre uma jovem virgem chamada Tecla. É um dos escritos dos Evangelhos apócrifos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Texto

Acredita-se que os Atos tenham sido escritos no século II d. C.. A descoberta de uma versão copta do texto de Atos de Paulo contendo a narrativa de Tecla (em um papiro conservado em Heidelberg) sugere que a abertura abrupta dos Atos de Paulo e Tecla se deve provavelmente por ele ser um trecho de um trabalho maior (veja Atos de Paulo). O texto é citado nos primeiros textos cristãos, pelo menos em Tertuliano, De baptismo 17:5 (c. 190), que atacou seu uso na defesa do direito das mulheres de pregar e batizar. Tertuliano afirma que estes Atos foram escritos em honra a São Paulo por um presbítero da Ásia, cuja fraude foi identificada e que foi removido de suas funções por volta de 160 dC. Muitas das versões sobreviventes dos Atos de Paulo e Tecla em grego, algumas em cóptico e as referências entre os livros dos Pais da Igreja demonstram que o texto era bastante disseminado. No Cristianismo oriental, a ampla circulação do texto em grego, siríaco e armênio é uma evidência para a veneração de Santa Tecla. Também existem versões em latim, cóptico e em etíope, algumas com grandes diferenças da grega. "Em etíope, com a omissão da reivindicação de Tecla para pregar e batizar, metade do ponto da história se perdeu".

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Conteúdo

O autor coloca a história sobre Paulo na mesma estrutura dos Atos dos Apóstolos, embora neste texto o retrato de Paulo seja ideologicamente diferente da versão do Novo Testamento. O elogio extravagante à virgindade, porém, era uma tese popular em muitas versões do Cristianismo primitivo. Aqui, Paulo é descrito viajando até Icônio, proclamando a "palavra de Deus sobre abstinência e a ressurreição". Ele é descrito em detalhes que podem refletir as tradições orais: no texto siríaco "ele era um homem de tamanho mediano, seu cabelo era esparso, suas pernas eram levemente curvadas e seus joelhos eram pronunciados, e tinha grandes olhos" (a versão armênia acrescenta "azuis"), suas sobrancelhas eram unidas e seu nariz era um pouco grande, e ele era cheio de graça e bondade; algumas vezes parecia com um homem, noutras com um anjo". Paulo dava seus sermões na casa de Onesíforo[a] sobre uma série de Bem-Aventuranças, numa das quais Tecla, uma jovem nobre virgem, ouviu o "discurso sobre a virgindade" de Paulo de sua janela na casa vizinha. Ela ouviu, fascinada, sem se mover por dias. A mãe de Tecla e seu noivo, Thamyris, ficaram preocupados que Tecla pudesse querer seguir o pedido de Paulo de que "devemos temer apenas a Deus e viver em castidade", e eles formaram uma multidão para arrastar Paulo até o governador, que o aprisionou.

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Importância

Embora provavelmente sabidamente não-histórico e certamente exagerado, o conto reflete tendências ascéticas e a experiência da perseguição durante os primeiros anos do Cristianismo. Porém, muitos já notaram que o texto é quase erótico e mesmo levemente pornográfico em alguns trechos. Uma lenda local sobre um martírio, de Tecla de Icônio, pode ter inspirado este conto, no qual ela foi conectada a Paulo de Tarso. "De outra maneira é difícil explicar a enorme popularidade do culto de Santa Tecla, que se espalhava pelo leste e oeste, e fez dela a mais famosa das virgens mártires", escreveu M.R. James.

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Retrato de Paulo

Paulo é também um figura ambígua neste trabalho. Ele é visto como um pregador do ascetismo, porém irresistível às mulheres. Seus ensinamentos causam problemas à Tecla embora ele nunca esteja por perto quando eles acontecem. Essa representação de Paulo como pregador ascético, desencorajando o casamento, parece bem diferente da que está nas Epístolas pastorais, principalmente 1 Tim 4:1–3, onde Paulo explicitamente condena quem proibir o casamento. Porém, a Primeira Epístola aos Coríntios (universalmente considerada como sendo de Paulo), parece compartilhar esta ambivalência sobre o casamento, quando diz que "No tocante às coisas sobre que me escrevestes, bom é que o homem não toque mulher" 1 Cor 7:1, ideologicamente interpretado como sendo muito próximo aos "Atos de Paulo e Tecla". De qualquer maneira, este texto indica uma possível interpretação do legado de Paulo durante o século II dC.

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Fontes consultadas

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