Atentados de Christchurch
O Atentado de Christchurch foi um ataque terrorista que consistiu em dois tiroteios em massa consecutivos que ocorreram em Christchurch, na Nova Zelândia, em 15 de março de 2019. Eles foram cometidos por um único autor durante a oração de sexta-feira, primeiro na Mesquita Al Noor em Riccarton, com vista para o Hagley Park, às 13h40, e o segundo, após dirigir rapidamente pela cidade, no Centro Islâmico Linwood às 13h52.
Mesquita Al Noor
Às 13h32, Tarrant iniciou sua transmissão ao vivo que duraria 17 minutos no Facebook Live, começando com a viagem até a mesquita Al Noor e terminando enquanto ele se afastava dirigindo. Pouco antes do tiroteio, ele tocou várias músicas, incluindo "Sérvia Forte", uma música nacionalista sérvia e anti-islâmica, e "The British Grenadiers", uma tradicional canção de marcha militar britânica. Às 13h39, Tarrant estacionou seu veículo na entrada ao lado da Mesquita Al Noor. Ele então se armou com a espingarda Mossberg 930 e o rifle AR-15 da Windham Weaponry antes de caminhar em direção à mesquita. Às 13h40, o terrorista se aproximou da mesquita e um fiel o cumprimentou com "Olá, irmão". Tarrant disparou sua espingarda nove vezes em direção à entrada principal, matando quatro fiéis. Em seguida, ele largou a espingarda e abriu fogo contra as pessoas dentro da mesquita com o rifle estilo AR-15, matando outros dois homens em um corredor próximo à entrada e dezenas de outros dentro de uma sala de orações; uma luz estroboscópica presa a uma de suas armas desorientou as vítimas. Outro fiel atacou Tarrant e o derrubou, deslocando um carregador de sua vestimenta no processo, mas ele foi então baleado várias vezes e fatalmente ferido. Este fiel, Naeem Rashid, foi postumamente condecorado com a medalha Nishan-e-Shujaat e a Cruz da Nova Zelândia, as maiores honrarias de bravura no Paquistão e na Nova Zelândia, respectivamente.
Centro Islâmico Linwood
Às 13h52, Tarrant chegou ao Centro Islâmico Linwood, a 5 quilômetros a leste da Mesquita Al Noor, onde cerca de 100 pessoas estavam dentro. Ele estacionou seu veículo na entrada da mesquita, impedindo que outros carros entrassem ou saíssem. Segundo uma testemunha, Tarrant inicialmente não conseguiu encontrar a porta principal da mesquita, disparando em pessoas do lado de fora e através de uma janela, matando quatro e alertando aqueles que estavam dentro. Um fiel chamado Abdul Aziz Wahabzada correu para fora. Enquanto Tarrant pegava outra arma de seu carro, Aziz jogou uma máquina de cartão nele. Tarrant atirou de volta em Aziz, que pegou uma espingarda vazia que Tarrant havia deixado cair. Ele se abrigou entre carros próximos e tentou chamar a atenção de Tarrant gritando: "Estou aqui!". Mesmo assim, Tarrant entrou na mesquita, onde atirou e matou três pessoas. Quando Tarrant voltou para o carro, Aziz o confrontou novamente. Tarrant retirou uma baioneta de sua vestimenta, mas então recuou para dentro de seu carro em vez de atacar Aziz. Tarrant foi embora às 13h55, com Aziz jogando a espingarda em seu carro. Aziz foi condecorado com a Cruz da Nova Zelândia, a mais alta honraria por bravura da Nova Zelândia. Em maio de 2023, ele representou os condecorados com a Cruz na coroação de Carlos III e Camilla. Após um longo período de abandono, o edifício foi demolido em novembro de 2023.
A prisão de Tarrant
Um Subaru Outback prata de 2005 que correspondia à descrição do veículo de Tarrant foi visto por uma unidade policial, e uma perseguição foi iniciada às 13h57. Dois policiais jogaram seu carro contra a estrada com seu veículo, e Tarrant foi preso sem resistência na Rua Brougham em Sydenham às 13h59, 18 minutos após a primeira chamada de emergência. Tarrant posteriormente admitiu que, quando foi preso, estava a caminho de atacar uma mesquita em Ashburton, 90 km ao sudoeste de Christchurch. Ele também disse à polícia que havia "nove atiradores a mais", e que havia pessoas de "mentalidade semelhante" em Dunedin, Invercargill e Ashburton, mas, em entrevista posterior, ele confirmou que havia agido sozinho.
Brenton Tarrant
Brenton Harrison Tarrant (nascido em 27 de outubro de 1990) é um australiano branco de origem europeia, que tinha 28 anos na época do ataque. Ele cresceu em Grafton, no estado de Nova Gales do Sul. Os pais de Tarrant se separaram quando ele era jovem. Isso, junto com outros eventos, incluindo a perda de sua casa em um incêndio e a morte de seu avô, o levaram a ficar traumatizado e a começar a sofrer de ansiedade social. Após a separação de seus pais, Tarrant e sua irmã Lauren, viveram com sua mãe com seu novo parceiro. O relacionamento se tornou violento, com o parceiro agredindo sua mãe, ele e sua irmã. As duas crianças começaram a viver com seu pai Rodney Tarrant. Ele começou a ganhar peso dos 12 aos 15 anos, o que levou ao bullying na escola, onde ele também tinha poucos amigos. Ele era desinteressado na escola, ao mesmo tempo em que era extraordinariamente conhecedor de certos tópicos, como a Segunda Guerra Mundial. Tarrant começou a exibir sinais de racismo desde jovem, expressando preocupações sobre imigração já aos 12 anos. Ele frequentemente fazia comentários depreciativos sobre a herança aborígene do antigo parceiro de sua mãe, o que resultou na intervenção de um de seus professores do ensino médio. Este professor, também servindo como Oficial de Contato Antirracismo, interveio em duas ocasiões, abordando casos de comportamento racista, anti-aborígene e antissemita.
Outras pessoas
O comissário de polícia Mike Bush disse que três homens e uma mulher foram presos em conexão com os ataques nas duas mesquitas. Todos os quatro disseram ter opiniões extremistas. Um dos suspeitos foi identificado como não envolvido no ataque e foi libertado.
A primeira-ministra Ardern chamou o incidente de "um ato de violência extrema e sem precedentes" e disse que "este é um dos dias mais sombrios da Nova Zelândia". Ela também descreveu como um ataque terrorista bem-planejado. A prefeita de Christchurch, Lianne Dalziel, afirmou que nunca pensou que "algo assim" poderia acontecer na Nova Zelândia, dizendo que "todos estão chocados". Muitos outros políticos e líderes mundiais condenaram os ataques, com muitos atribuindo o ataque à crescente islamofobia. A rainha Elizabeth II afirmou que estava "profundamente entristecida" com o ataque. Pouco antes de executar o ataque, o atirador disse "lembrem-se rapazes, se inscrevam no PewDiePie", referindo-se à personalidade sueca do YouTube, Felix Kjellberg. Kjellberg postou no Twitter: "Eu me sinto absolutamente enojado de ter meu nome pronunciado por essa pessoa" e deu suas condolências aos afetados pelo massacre.
Leis de armas
As leis de armas na Nova Zelândia foram escrutinadas, especificamente a legalidade das armas semiautomáticas de estilo militar, conforme as da Austrália, que as proibiu após o massacre em Port Arthur em 1996. Como observou Philip Alpers, especialista em políticas de armas, "a Nova Zelândia está quase sozinha com os Estados Unidos ao não registrar 96% de suas armas de fogo — e essas são as armas mais comuns, as mais utilizadas em crimes […] Se ele fosse para a Nova Zelândia para cometer esses crimes, pode-se supor que a facilidade de obter essas armas de fogo pode ter sido um fator em sua decisão de cometer o crime em Christchurch." A primeira-ministra Ardern anunciou: "Nossas leis sobre armas mudarão, agora é a hora […] As pessoas estão buscando mudanças e eu estou comprometida com isso." O procurador-geral David Parker foi posteriormente citado dizendo que o governo iria proibir armas semiautomáticas, mas depois recuou sobre esta declaração, dizendo que o governo ainda não havia se comprometido com nada e que as regulamentações em torno de armas semiautomáticas eram "uma das questões" que o governo consideraria.
A sentença começou em 24 de agosto de 2020 perante o juiz Cameron Mander no Tribunal Superior de Christchurch. Tarrant foi sentenciado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional por cada um dos 51 assassinatos e prisão perpétua por envolvimento em ato terrorista e 40 tentativas de assassinato. A sentença é a primeira condenação por terrorismo na Nova Zelândia. Foi também a primeira vez que a prisão perpétua sem liberdade condicional, a sentença máxima disponível na Nova Zelândia, foi imposta. O juiz Mander disse que os crimes de Tarrant eram "tão perversos que mesmo se você for detido até morrer, isso não esgotará os requisitos de punição e condenação".


