Ataulfo Alves
Ataulfo Alves de Sousa foi um cantor e compositor brasileiro de samba e música popular brasileira, com mais de 320 canções catalogadas. Na indústria fonográfica, inovou ao introduzir vocais de apoio femininos — na formação "Ataulfo Alves e Suas Pastoras" —, adaptando os coros tradicionais para os arranjos de estúdio.
Nascido na Zona da Mata Mineira, na cidade de Miraí, Ataulfo era um dos sete filhos de "Capitão" Severino, um violeiro, acordeonista e repentista local. Durante a infância, trabalhou como leiteiro, carregador de malas, engraxate e lavrador, conciliando os ofícios com os estudos primários e a escrita de seus primeiros versos. Aos dez anos, com a morte do pai, a família mudou-se para o centro urbano do município. Aos dezoito anos, fixou residência na cidade do Rio de Janeiro, trabalhando inicialmente como ajudante de farmácia. Aos dezenove anos, já tocava violão, cavaquinho e bandolim. Casou-se com Judite, com quem teve cinco filhos. Aos vinte anos, integrado às rodas de samba cariocas, tornou-se diretor de harmonia do bloco carnavalesco Fale Quem Quiser. Sua estreia na gravação de discos ocorreu em 1933, quando Almirante lançou "Sexta-feira", sua primeira composição gravada. Dias depois, Carmen Miranda gravou a faixa "Tempo Perdido".
Ataulfo faleceu no Rio de Janeiro em 20 de abril de 1969, dias antes de completar 60 anos, em decorrência do agravamento de uma úlcera após intervenção cirúrgica. Foi sepultado no Cemitério do Catumbi. A cidade de Miraí preserva sua memória em espaços institucionais. Em 2005, foi inaugurado o Memorial Ataulfo Alves, que abriga um acervo de fotografias e objetos pessoais do artista. No centenário de seu nascimento, em 2009, o município inaugurou um mausoléu no Cemitério São Francisco de Assis para abrigar seus restos mortais e os de seus familiares. Em 2017, com a criação da Academia Miraiense de Letras, recebeu a homenagem póstuma de Patrono Perpétuo da cadeira de nº 02.


