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Carmen Miranda

Maria do Carmo Miranda da Cunha GOIH • OMC, mais conhecida como Carmen Miranda, foi uma cantora, dançarina, e atriz luso-brasileira. Sua carreira artística transcorreu no Brasil e nos Estados Unidos entre as décadas de 1930 e 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Foi considerada pela revista Rolling Stone como a 15ª maior voz da música brasileira, sendo um ícone e símbolo internacional do Brasil no exterior. Apelidada de "Brazilian Bombshell", Miranda é conhecida por seus figurinos extravagantes e pelo chapéu com frutas que costumava usar em seus filmes estadunidenses, fazendo desses elementos sua marca registrada.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Biografia

Aurora Miranda, sua irmã, recebeu na mesma madrugada um telefonema do médico de Carmen avisando sobre o falecimento. Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi o primeiro a noticiar a morte da cantora em uma edição extraordinária do Repórter Esso. Todas as emissoras interromperam suas programações para transmitir, em edição extra, o triste acontecimento. Edições extras de jornais circularam no próprio dia 5, e, no sábado, a notícia foi manchete em todos os jornais do país e do mundo. Somente na manhã do dia 12 de agosto, o avião Douglas DC-4 Skymaster da Real-Aerovias Brasil, em voo especial, pousou no Aeroporto do Galeão, no Rio, trazendo o corpo de Carmen Miranda. Em um caminhão aberto do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal e envolto com a bandeira do Brasil, o ataúde de bronze foi levado para o centro da cidade, escoltado por batedores da Polícia Especial em motocicletas, com sirenes abertas. Por todo o trajeto, milhares de pessoas se despediram. Antes da saída do cortejo, o presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Salomão Filho, falou, em nome da cidade, dando o último adeus à artista. Sessenta mil pessoas compareceram ao seu velório, realizado no saguão da Câmara Municipal da então capital federal. O cortejo fúnebre até o Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas, que cantavam esporadicamente, em surdina, "Taí", um de seus maiores sucessos. Foi a maior manifestação popular já realizada no Rio de Janeiro até hoje.

Início de vida

Nasceu a 9 de fevereiro de 1909 no lugar da Obra Nova, freguesia da Aliviada (posteriormente, Várzea da Ovelha e Aliviada), no concelho de Marco de Canaveses, em Portugal. Foi batizada com o nome de Maria do Carmo[nota 1] na igreja de São Martinho da Aliviada (posteriormente, Várzea da Ovelha e Aliviada), anexa à igreja de Várzea da Ovelha, a 14 de fevereiro de 1909. Era a segunda filha do barbeiro José Maria Pinto da Cunha (Marco de Canaveses, Várzea da Ovelha e Aliviada, 17 de fevereiro de 1887 – Rio de Janeiro, 20 de junho de 1938) e de sua mulher, Maria Emília de Miranda (Marco de Canaveses, Várzea da Ovelha e Aliviada, 3 de março de 1886 – Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1971). Ganhou o apelido de Carmen no Brasil, graças ao gosto que seu tio Amaro tinha por óperas.

1928—1939: O início da carreira artística e consagração

Em 1928, o deputado baiano Aníbal Duarte apresentou Carmen Miranda a Josué de Barros. Josué trabalhava na Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto (atual Rádio MEC) e levou Miranda para atuar na emissora. Ele, então, a apresentou ao diretor da Brunswick e, em 1929, ela gravou sua primeira música, o samba "Não Vá Sim'bora", de autoria de Josué. Carmen Miranda foi, então, apresentada ao diretor da gravadora RCA Victor, onde iniciou sua carreira gravando "Dona Balbina" e "Triste Jandaia". O compositor e médico Joubert de Carvalho compôs a música "Taí" com a marcha-canção "Pra Você Gostar de Mim", gravada por Miranda em 1930. A canção foi um sucesso, e o disco vendeu 35 mil cópias no ano de lançamento, um recorde para a época. Carmen Miranda era, então, aclamada pela crítica como "a maior cantora do Brasil".

1939—1940: Estreia na Broadway e carreira no cinema americano

Miranda chegou a Nova Iorque em 18 de maio. Ela e o Bando da Lua fizeram sua primeira apresentação na Broadway em 19 de junho de 1939, em The Streets of Paris, uma revista musical estrelada por Bobby Clark, os comediantes Abbott & Costello, Luella Gear e o cantor Jean Sablon, entre os principais artistas. Era uma produção de Ole Olsen e Chic Johnson, em parceria com Lee Shubert, e estreou inicialmente no Shubert Theatre de Boston em 29 de maio de 1939. Embora a parte de Miranda fosse pequena, ela recebeu boas críticas e se tornou uma sensação na mídia. De acordo com o crítico de teatro do New York Times, Brooks Atkinson, a maioria dos números musicais era "de mau gosto", se comparada às genuínas revistas parisienses. Atkinson continua: "Mas foram os sul-americanos que contribuíram com a personalidade mais magnética da revista. Carmen Miranda canta suas 'rápidas canções', acompanhada de uma banda brasileira. O calor que ela irradia vai sobrecarregar as fábricas de ar-condicionado neste verão". O colunista Walter Winchell relatou em sua coluna no New York Daily Mirror que uma nova estrela tinha nascido, que salvaria a Broadway da queda nas vendas de ingressos causada pela popularidade da Feira Mundial de Nova Iorque de 1939. O elogio de Winchell a Carmen e seu Bando da Lua foi repetido em seu programa diário na rede de rádio ABC, que atingia 55 milhões de ouvintes. A imprensa elogiou Miranda como "A garota que está salvando a Broadway da Feira Mundial".

1941—1945: Estrelato na Fox

Durante os anos de guerra, Carmen Miranda estrelou oito de seus catorze filmes. Embora os estúdios a chamassem de "Brazilian Bombshell", seus papéis no cinema tinham uma identidade latino-americana indefinida. Com o lançamento de That Night in Rio, do diretor Irving Cummings, a Variety escreveu: "[Don] Ameche convence em um papel duplo, e [Alice] Faye é atraente de se ver, mas é a tempestuosa Carmen Miranda que realmente se destaca a partir da primeira sequência". O New York Times disse: "Sempre que Don Ameche ou outro dos personagens sai do caminho e deixa que [Carmen] Miranda fique com a tela, o filme ferve em malícia". Anos mais tarde, Clive Hirschhorn escreveu que That Night in Rio "era o ápice do musical do tempo de guerra da Fox — exageradamente aparamentado, e uma totalmente irresistível cornucópia de ingredientes escapistas, cujo total profissionalismo era tão deslumbrante quanto a cor, os cenários, os trajes e a quantidade de garotas despejadas no filme".

1946—1955: Declínio e últimos filmes

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os filmes seguintes de Carmen Miranda na 20th Century Fox foram feitos em preto e branco, o que refletia o interesse cada vez menor de Hollywood nela e na representação dos latino-americanos em geral. A Carmen monocromática apresentada nesses musicais não era o que o público esperava, e isso, sem dúvida, contribuiu para reduzir o apelo de bilheteira do musical Doll Face (1945), no qual Miranda foi rebaixada para a quarta posição no elenco. Seu papel de Chita Chula era anunciado no filme como "a pequena dama do Brasil" e não passava de um personagem cômico, infinitamente alegre, confidente da personagem principal, Doll Face, interpretada por Vivian Blaine. A crítica do New York Herald Tribune dizia: "Carmen Miranda faz o que sempre fez, só que não tão bem"; de acordo com o The Sydney Morning Herald, "Carmen Miranda aparece em apenas um número musical. O resultado não é um sucesso, mas a culpa é do diretor, não de Carmen".

Morte

Carmen Miranda foi encontrada morta em um corredor de sua casa em Beverly Hills na manhã de 5 de agosto de 1955. A atriz havia terminado na noite anterior as filmagens de um episódio do The Jimmy Durante Show para a NBC. De acordo com Durante, Miranda reclamou de se sentir mal antes das filmagens; ele se ofereceu para encontrar uma substituta para ela, mas ela recusou. Depois de completar "Jackson, Miranda e Gomez", um número de música e dança com Durante, ela caiu desmaiada de joelhos. Durante disse mais tarde: "Achei que ela tivesse escorregado. Ela se levantou e disse que estava sem fôlego. Eu disse a ela que pegaria suas falas. Mas ela continuou com elas. Terminamos o trabalho por volta das 11 horas e ela parecia feliz". Após o último take, Miranda e Durante fizeram uma performance improvisada no set para o elenco e técnicos. Em seguida, alguns membros do elenco e amigos foram convidados por ela para uma pequena festa em sua casa.

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Canções mais famosas

Será mantida a grafia original do lançamento

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Homenagens

Carmen Miranda recebeu várias homenagens ao longo dos anos que refletem seu impacto duradouro na cultura popular. Em 1941, ela foi a primeira e única artista luso-brasileira a ter suas mãos e plataformas imortalizadas no cimento da calçada da fama do Grauman's Chinese Theatre em Los Angeles, um marco significativo em sua carreira internacional. Posteriormente, em 8 de fevereiro de 1960, recebeu uma estrela póstuma na Calçada da Fama da Hollywood Boulevard, consolidando ainda mais seu legado na indústria do entretenimento. Miranda também foi a principal atração do Copacabana Night Club, uma famosa boate nova-iorquina fundada em 1940. Até hoje, o cartaz do "The Copa" apresenta uma gravura estilizada dela, como uma forma de homenagem contínua à cantora. Sua influência transcendeu o cinema e a música, sendo caricaturada em desenhos animados populares como Tom & Jerry, Popeye e Looney Tunes. Além disso, foi imitada por grandes nomes como Lucille Ball, Bob Hope, Jerry Lewis e Mickey Rooney.

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Legado

Segundo o músico brasileiro Caetano Veloso, "Carmen Miranda foi inicialmente uma causa tanto de orgulho quanto de vergonha, e mais tarde, um símbolo que inspirou o olhar implacável que começamos a lançar sobre nós mesmos... Carmen conquistou a 'América Branca' como nenhum outro sul-americano fez ou faria, em uma época em que bastava ser 'reconhecivelmente latino e negroide' em estilo e estética para atrair atenção." Miranda foi a primeira artista brasileira a alcançar fama mundial na década de 1950 e continuou a definir a música sul-americana na América do Norte por décadas. Em 1991, Veloso escreveu que "hoje, qualquer coisa associada à música brasileira na América – e mesmo o que quer que aconteça no hemisfério norte com qualquer música do hemisfério sul – nos faz pensar em Carmen Miranda. E pensar nela é pensar na complexidade dessa relação". Embora tenha sido mais popular no exterior do que no Brasil na época de sua morte, Carmen Miranda fez contribuições significativas para a música e a cultura brasileira. Ela foi a primeira intérprete do samba a divulgar o gênero em âmbito internacional. Além disso, a fantasia de baiana que ela popularizou tornou-se uma característica central do carnaval para homens e mulheres.

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Direitos autorais

Os direitos autorais de Carmen Miranda, segundo as leis brasileiras, estiveram em posse dos seus herdeiros até 2025, quando se completaram setenta anos da sua morte. Em 2008, Carmem Guimarães e Maria Paula (sobrinhas de Carmen) se juntaram com outros dois herdeiros, Gabriel (irmão de Maria Paula) e Suely (filha adotiva de Mário, irmão de Carmen) e criaram a Carmen Miranda Administração e Licenciamento, com o objetivo de gerir a imagem da artista e aumentar a sua receita. A família alega que recebe pouco pela imagem de Carmen porque não há nenhuma sociedade de direitos que os representem no exterior, e quer criar uma, além de produtos com um selo "Carmen Miranda". Eles recebiam mais de vinte solicitações do uso da imagem de Carmen por semana, e muitos desses contratos acabavam não se concretizando. Por isso, dois anos depois, os herdeiros deram a gestão de seus interesses para a UP-RIGHTS, empresa que gere os direitos autorais de vários artistas, como Zeca Pagodinho. Desde 2015, mais de 85% da renda gerada pelos direitos autorais de Carmen são dos setores de televisão, rádio e cinema.

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Fontes consultadas

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