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Atanásio de Alexandria

Atanásio de Alexandria, foi o vigésimo arcebispo de Alexandria, Doutor da Igreja e santo da Igreja Católica. Seu episcopado durou aproximadamente 45 anos, de c. 8 de junho de 328 a 2 de maio de 373, dos quais dezessete ele passou exilado, em cinco ocasiões diferentes e por ordem de quatro diferentes imperadores romanos. Atanásio foi um teólogo cristão, um dos "padres da Igreja", um defensor do trinitarismo contra o arianismo e um líder da comunidade de Alexandria no século IV.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Biografia

Primeiros anos

Atanásio nasceu em Alexandria ou, possivelmente, na cidade de Damanhur, perto do delta do Nilo, no Egito romano em 296. Alguns acadêmicos ocidentais consideram que seu domínio do grego, língua que Atanásio utilizou na maioria das obras sobreviventes, evidenciam que ele seria de origem grega. Porém, na literatura copta, ele é considerado como sendo o primeiro patriarca de Alexandria a fazer uso do copta juntamente com o grego em suas obras. A Enciclopédia Católica afirma que Atanásio teria nascido entre c. 296 e antes de 298. O argumento para esta última data começa com uma análise do compilador das famosas "Cartas Pascoais" logo depois de sua morte. Este autor, anônimo, afirmou que os arianos haviam afirmado Atanásio, entre outras coisas, de não ter ainda atingido a idade canônica (30 anos) e, por isso, ele não poderia ter sido ordenado patriarca de Alexandria em 328. Como ele não foi julgado novamente por essas acusações, Atanásio deve ter pelo menos parecido ter mais de 30 anos em 328 para a afirmação ser plausível. Além disso, em duas passagens distintas (Hist. Ar., lxiv e De Syn., xviii), Atanásio afirma não se lembrar de ter sido testemunha ocular do início da grande perseguição pelos tetrarcas Diocleciano e Maximiano em fevereiro de 303. Ao fazer referência a estes eventos, ele nunca menciona lembranças próprias e se volta para as tradições, o que tende a indicar juventude (menos de 10 anos de idade) em 303.

Educação

Alexandria era o mais importante centro comercial de todo o Império Romano durante a infância de Atanásio. Intelectualmente, moralmente e politicamente, a fervilhante cidade egípcia era o retrato da diversidade étnica do mundo greco-romano, mais do que Roma, Constantinopla, Antioquia ou Massilia (Marselha, na França). Sua famosa escola catequética, sem sacrificar em nada sua famosa paixão pela ortodoxia doutrinária que vinha dos tempos de Panteno, Clemente, Orígenes, Dionísio e Teognosto, já havia começado a adquirir uma característica quase secular e contava com estudiosos da cultura pagã entre os seus membros. Rufino relata a ocasião quando o bispo Alexandre convidou seus colegas para um café da manhã depois de um importante serviço religioso. Enquanto esperava pelos convidados na janela, ele assistiu alguns jovens brincando na praia. Ele logo percebeu que eles estavam imitando o elaborado ritual cristão do batismo. Ele mandou chamar os garotos e descobriu que um deles (Atanásio) era o "bispo" do grupo. Alexandre determinou que os batismos de mentira fossem considerados reais e estimulou Atanásio e seus companheiros a se prepararem para receber funções clericais.

Início da controvérsia ariana

Por volta de 319, quando Atanásio era diácono, um presbítero chamado Ário entrou em conflito direto com o bispo Alexandre de Alexandria. Ao que parece, Alexandre havia repreendido o presbítero por entender que doutrinas heréticas estariam sendo ensinadas por ele. A visão teológica de Ário (o pouco que sobrevive de sua obra são citações feitas por concorrentes) parece ter estado firmemente enraizada no cristianismo alexandrino e seus pontos de vista certamente não eram radicaisː ele defendia uma cristologia subordinacionalista (que defendia que o Filho de Deus, o Logos, era "criado" e não "gerado eternamente", "subordinado", portanto, ao "criador"), fortemente influenciada por pensadores alexandrinos como Orígenes, uma visão comum na cidade na época. O apoio de bispos como Eusébio de Cesareia e Eusébio de Nicomédia ajudam a entender como a cristologia de Ário era compartilhada por diversos outros cristãos por todo o império romano.

Patriarca

O episcopado de Atanásio começou em 9 de maio de 328 depois que o sínodo de Alexandria elegeu-o para suceder o idoso Alexandre. Este concílio também denunciou várias heresias e cismas, problemas que ocupariam Atanásio durante os 45 anos que ocuparia o trono em Alexandria. Ele passou dezessete fora de sua sé em cinco exílios diferentes ordenados por quatro imperadores romanos, sem contar aproximadamente seis outros incidentes nos quais Atanásio teve que fugir da cidade para fugir da população que pretendia matá-lo. Estes eventos deram origem à expressão "Athanasius contra mundum ("Atanásio contra o mundo"). Porém, durante seus primeiros anos como bispo, visitou as igrejas de seu território, que abrangia todo o Egito e a Líbia. Ele também estabeleceu contato com os eremitas e monges do deserto, incluindo Pacômio, o que lhe seria muito útil no futuro. Porém, logo em seguida Atanásio se envolveu nas variadas disputas contra o arianismo que tomariam o resto de sua vida.

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Obras

Obras teológicas e polêmicas

Atanásio não era um teólogo especulativo. Como ele mesmo afirmou na sua "Primeiras Cartas a Serapião", se agarrava "à tradição, ensinamentos e fé proclamadas pelos apóstolos e guardadas pelos padres". Ele defendia não apenas que o Filho de Deus era consubstancial com o Pai, mas que também o era o Espírito Santo, uma ideia que teve grande influência no desenvolvimento de doutrinas posteriores sobre a Trindade. Sua "Carta sobre os Decretos do Concílio de Niceia" (De Decretis) é um importante relato histórico e teológico sobre os procedimentos do concílio. Outra, de 367, é a mais antiga conhecida listando os livros do Novo Testamento que inclui todos os livros aceitos universalmente como parte do Novo Testamento (há listas mais antigas que variam pela omissão ou adição de um ou outro livro; veja Desenvolvimento do cânon do Novo Testamento).

Hagiográficas

Uma hagiografia de Santo Antão (ou "Antônio, o Grande"), intitulada Vita Antonii em latim é sua obra mais popular. Traduzida para diversas línguas, ela teve um importante papel na disseminação do ascetismo entre os cristãos do ocidente e do oriente. Ao representar Antão como um homem santo e analfabeto que, através de sua existência num ambiente inóspito, mantinha uma conexão absoluta com a verdade divina, a hagiografia dele lembra a de seu biógrafo, Atanásio.

Literatura copta

Na literatura copta, Santo Atanásio é o primeiro patriarca de Alexandria a fazer uso, além do grego, da língua copta em suas obras.

Obras incorretamente atribuídas a Atanásio

Há várias outras obras atribuídas a ele, mas nenhuma outra conte com a aceitação geral dos estudiosos. Entre elas está o Credo de Atanásio que se acredita hoje em dia ter se originado no século V.

Cânon do Novo Testamento

Atanásio foi também a primeira pessoa a identificar os mesmos 27 livros do Novo Testamento utilizados hoje em dia como canônicos. Até então, listas similares de obras a serem lidas nas igrejas eram utilizadas. Um marco no desenvolvimento do cânon do Novo Testamento é a sua carta pascoal escrita em 367, conhecida geralmente como "39ª Carta Pascal". O papa Dâmaso I, bispo de Roma em 382, promulgou uma lista de livros que continha os mesmos livros propostos por Atanásio. Um sínodo em Hipona, em 393, repetiu a lista de Atanásio e Dâmaso (sem a Epístola aos Hebreus) e um concílio em Cartago em 397 repetiram-na novamente. Porém, estudiosos debatem se a lista de Atanásio em 367 era ou não a base das listas posteriores. Como o cânon de Atanásio é, dentre os padres da Igreja, o que mais se parece com o cânon utilizado pelas igrejas protestantes modernas, muitos teólogos protestantes apontam Atanásio como o "Pai do cânon". Eles são idênticos, exceto que Atanásio inclui o Livro de Baruque e a Epístola de Jeremias, além de incluir o Livro de Ester entre os "sete livros que não fazem parte do cânon, mas que devem ser lidos", juntamente com a Sabedoria de Salomão, Sirácida, Judite, Tobias, a Didaquê e o Pastor de Hermas.

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Veneração

Atanásio foi originalmente sepultado em Alexandria, mas seus restos foram depois transferidos para a Igreja de São Zacarias, em Veneza, Itália. Durante a visita do papa Shenouda III a Roma entre 4 e 10 de maio de 1973, o papa Paulo VI presenteou o patriarca copta com uma relíquia de Atanásio que ele trouxe de volta ao Egito em 15 de maio, que está atualmente preservada na nova Catedral Ortodoxa Copta de São Marcos, no Cairo. Porém, a maior parte dos restos de Santo Atanásio permanece em Veneza. São Gregório de Nazianzo (330—390), ele também um Doutor da Igreja, afirmou em sua "Oração 21": "Quando elogio Atanásio, a própria virtude é meu tema: eu nomeio cada virtude com virtude com a mesma frequência com que nomeio a ele, que possuía todas as virtudes. Ele era o verdadeiro pilar da Igreja. Sua vida e conduta eram a regra dos bispos e sua doutrina, a regra da fé ortodoxa".

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Personalidade

Aliados

Muitas denominações cristãs reverenciam Atanásio como santo, professor e "pai". Elas citam sua defesa à cristologia descrita no primeiro capítulo do Evangelho de João (João 1:1–4) e a importância de suas obras teológicas como evidências de sua virtude. Elas também enfatizam a já citada relação próxima com Santo Antão, que é universalmente reverenciado. São Cirilo de Alexandria (370—444), em sua primeira epístola, diz: "Atanásio é um dos confiáveis: ele não diria nada que não estivesse de acordo com as sagradas escrituras" (Ep 1).

Críticos

Por toda vida, Atanásio teve muitos detratores. O estudioso clássico Timothy Barnes relata as acusações da época contra Atanásio: desde poluir um altar a vender os cereais que a Igreja havia destinado à alimentação dos pobres para obter ganhos pessoais, passando por atos violentos e até mesmo assassinatos para calar oponentes, nada faltou no rol das acusações. Atanásio utilizava o termo "ariano" para descrever os seguidores de Ário, mas também como um termo político depreciativo contra seguidores de ideias que ele considerava tão ruins quanto as dele. Estudiosos atualmente acreditam que o "partido ariano" não era monolítico, mas que defendia diversas visões teológicas drasticamente diferentes que abrangiam todo o espectro teológico cristão. Ele apoiava os princípios do pensamento e da teologia origenista e pouco mais em comum. Além disso, muitos dos chamados "arianos" não se consideravam seguidores de Ário.

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Fontes consultadas

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