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Atabarani

Atabarani, nome completo Abu Alcácime Solimão ibne Amade ibne Aiube Atabarani, foi um estudioso árabe de hádice, genealogia e história, conhecido sobretudo pela composição de três grandes coletâneas de tradições organizadas como muʿjams: o al-Muʿjam al-Kabīr, o al-Muʿjam al-Awsaṭ e o al-Muʿjam al-Ṣaghīr. Pertencente aos lacmitas, recebeu a nisba Atabarani em razão de seus estudos em Tiberíades. Iniciou seus estudos de hádice aos treze anos e, a partir de 887, realizou durante cerca de 25 anos extensas viagens de estudo por diferentes regiões do mundo islâmico, recebendo tradições de numerosos estudiosos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/10/2026
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Vida

Atabarani nasceu em Sáfar de 260 A.H. (dezembro de 873), em Acre. Embora natural dessa cidade, tornou-se conhecido pela nisba Atabarani por ter ido ainda jovem estudar em Tiberíades, na Síria. Era também chamado Alacmi por pertencer aos lacmitas, tribo árabe que havia migrado do Iêmem para a Síria. Incentivado pelo pai, que também se dedicava ao hádice, começou a ouvir tradições em Tiberíades aos treze anos. A partir de 274 A.H. (887), empreendeu viagens de estudo que se prolongaram por cerca de 25 anos e o levaram a numerosos centros de conhecimento do mundo islâmico. Entre os lugares que visitou estiveram Jerusalém, Ramla, Cesareia, Hómece, Alepo, Tarso, Damasco, o Egito, o Iêmem, Meca, Medina, Baguedade, Baçorá, Cufa e Ispaã. O próprio Atabarani menciona no al-Muʿjam al-Ṣaghīr cerca de cinquenta lugares aos quais viajou, circunstância pela qual autores de tabaqat o qualificaram como raḥḥāl e jawwāl, em referência à extensão de suas viagens. Dez anos depois de sua primeira passagem por Ispaã, retornou à cidade e ali permaneceu durante os últimos sessenta anos de sua vida.

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Atividade intelectual

Atabarani era conhecido por seu bom caráter, pela moderação na fala e pelo tratamento dispensado aos discípulos. Adotava a doutrina dos predecessores e permaneceu ligado ao ambiente dos ahl al-hadith, opondo-se ao longo da vida a correntes que considerava afastadas dessa orientação. Demonstrava grande respeito pelos familiares de Maomé e pelos Califas Ortodoxos. Segundo uma tradição, quando o governador de Ispaã, Abu Ali Amade ibne Maomé ibne Rustame, fez comentários desfavoráveis a Abu Becre e Omar durante uma conversa, Atabarani retirou-se e não voltou a visitá-lo. Considerado um dos principais estudiosos de sua época em hádice, genealogia e história, Atabarani foi descrito como o hāfiz de hádice de seu tempo. Ibne Uquida, ele próprio um hāfiz xiita, afirmou nunca ter visto alguém comparável a ele. Sua reputação também aparece num relato acerca de uma discussão erudita travada diante do vizir buída Ibne Alamide, na qual Atabarani teria superado Abu Becre ibne Aljiabi; impressionado, o vizir declarou que naquele momento preferiria ser Atabarani a ser vizir.

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Obras

São atribuídas a Atabarani 107 obras, das quais as mais conhecidas são seus três muʿjams. O al-Muʿjam al-Kabīr, o mais extenso exemplar do gênero, organiza os companheiros de Maomé de maneira parcialmente alfabética, começando pelos dez a quem foi prometido o Paraíso. Atabarani pretendia reunir todas as tradições transmitidas pelos companheiros dos quais se conhecia pequeno número de hádices e apenas uma ou algumas das transmitidas pelos que possuíam grande quantidade. Embora tenha incluído as tradições de Abedalá ibne Abas e Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe, não registrou as de Anas ibne Maleque, Jabir ibne Abedalá, Abuçaíde Alcudri e Aixa, enquanto reuniu as de Abu Huraira separadamente no Musnad Abī Hurayra. A afirmação de que o al-Muʿjam al-Kabīr continha 60 mil tradições é considerada incorreta; a edição de Hamdi Abdalmajide Assalafi reúne 21 700. Como não foram localizados manuscritos correspondentes aos volumes XIII–XVI e XXI, estes foram inicialmente substituídos na edição por volumes de índices, embora partes dos volumes desaparecidos tenham sido posteriormente publicadas.

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Fontes consultadas

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