Assunta Marchetti
Maria Assunta Caterina Marchetti foi uma freira italiana da Igreja Católica, que exerceu suas atividades no Brasil, de 1895 até sua morte.
Nascida em uma pequena aldeia na Itália, chamada Lombrici di Camaiore, na província italiana de Lucca, terceira filha de Angelo Marchetti e Carolina Ghilarducci, recebeu o nome de Assunta por ter nascido no dia em que a Igreja Católica celebra a Assunção de Nossa Senhora. Desde jovem, Assunta sentia o desejo de tornar-se irmã de clausura. Seu ingresso na vida contemplativa, porém, foi adiado por questões familiares, até o ano de 1895.
Infância
Os primeiros nove anos da vida de Assunta foram passados em Lombrici da Camaiore, no moinho administrado por seu pai. Este ambiente, imerso na natureza e no silêncio, contribuiu para a formação de sua personalidade, incentivando a profundidade de pensamento e sentimento, a tenacidade e uma concepção positiva da vida. Sua família era vista como positiva, honesta e praticante de valores cristãos, transmitindo o amor à vida, o sentido do dever, a confiança em Deus e a solidariedade. A primeira catequista de Assunta foi sua própria mãe, Carola, que era uma pessoa piedosa. Assunta frequentou uma escola cuja diretora, a religiosa Irmã Giuliana Lenci, era sua tia, irmã de sua avó materna. Nesta escola para meninas pobres, Assunta recebeu os primeiros elementos de conhecimento humano e cristão. Apesar de ter viva inteligência, ela precisou interromper seus estudos cedo para ajudar a mãe, que tinha saúde precária, a criar os irmãos mais novos.
Colaboração com o irmão
Em 1894, o padre José Marchetti, irmão de Assunta, chegou ao Brasil, vindo de Gênova juntamente com mil e quinhentos emigrantes italianos que buscavam uma vida melhor na América. Durante a viagem, a morte de uma jovem mãe e seu pedido para que ele cuidasse de seu filho e marido selaram sua decisão de dedicar sua vida aos emigrantes e seus órfãos. Depois de deixar o menino temporariamente sob custódia no Rio de Janeiro, foi a São Paulo, destino da maioria dos emigrantes, para fundar um orfanato para órfãos italianos. Com a ajuda do conde José Vicente de Azevedo, conseguiu um terreno no Alto do Ipiranga, para o Orfanato Cristóvão Colombo, e outro em Vila Prudente, para uma seção feminina.
Imagem: Ricardo Domingues Pôssas · BY-SA · Openverse
Em 24 de novembro de 2014, Madre Assunta Marchetti foi beatificada na Catedral Metropolitana de São Paulo, depois que o Vaticano reconheceu um milagre ocorrido em Porto Alegre, em 1994. Heráclides Teixeira Filho, um engenheiro internado no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, havia sofrido algumas paradas cardíacas — uma delas se prolongando por mais de 15 minutos —, fazendo com que a equipe médica considerasse a possibilidade de sequelas, devido à falta de oxigenação no cérebro. A presidente do hospital, Madre Alice Milani, reuniu as irmãs da entidade para que, juntas, rogassem pela intercessão de Madre Assunta para a cura do paciente, o que também fizeram a esposa de Heráclides e os enfermeiros. Inexplicavelmente, o engenheiro começou a reagir e se recuperou, vivendo sem sequelas por mais 18 anos, quando veio a falecer. No dia 19 de dezembro de 2011, aconteceu a promulgação do Decreto das Virtudes Heroicas de Madre Assunta Marchetti, virtudes estas reconhecidas pelo Papa Bento XVI. Em 9 de fevereiro de 2012, o milagre atribuído à Assunta foi reconhecido pela equipe de médicos do Dicastério para as Causas dos Santos, resultando na autorização do decreto de beatificação, em 9 de outubro de 2013, pelo Papa Francisco, que, em sua carta apostólica, a definiu como "testemunha da caridade de Cristo para com os migrantes e órfãos, dos quais foi 'mãe' terna".
Imagem: Scalabrinianas · BY-SA · Openverse
Onde antes era o Orfanato Cristóvão Colombo, hoje é a Casa Madre Assunta, casa de acolhida dos migrantes e local onde é realizado o projeto com crianças, "Projeto Conviver". ==Referências==


