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Martin Luther King Jr.

Martin Luther King Jr. foi um pastor batista e ativista político estadunidense que se tornou a figura mais proeminente e líder do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos de 1955 até seu assassinato em 1968. King é amplamente conhecido pela aplicação do princípio da desobediência civil e da não violência à luta por direitos políticos, inspirado por suas crenças cristãs e pelo ativismo não violento de Mahatma Gandhi.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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Primeiros anos e educação

Nascimento e mudança de nome

King nasceu com o nome de Michael King Jr. em 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia, sendo o segundo de três filhos do Reverendo Martin Luther King (pai) e da Alberta King. A mãe de King o nomeou Michael, o qual está certificado na certidão de nascimento do médico responsável, embora o Senhor King depois declararia que "Michael" foi um erro do próprio médico. A irmã mais velha de King é Christine King Farris e seu irmão mais novo foi A.D King. O avô materno de King foi Adam Daniel Williams, que era pastor na área rural da Geórgia e se mudou para Atlanta em 1893 tornado-se pastor da Igreja Batista Ebenézer no ano seguinte. Williams era descendentes de afro-irlandeses. Ele casou-se com Jannie Celeste Parks, e conceberam a mãe de King, Alberta. Os pais de King Sr. eram parceiros-proprietários: James Albert e Dalia King de Stockbridge. Michael King Sr. e Alberta começaram a namorar em 1918, e se casaram em 25 de novembro de 1926. Até a morte de Jennie em 1941, eles viveram juntos no segundo andar da casa Vitoriana dos pais de King Sr, onde tiveram e criaram seus filhos.

Infância

Na sua casa de infância, King e seus irmãos conseguiam ler a Bíblia em voz alta como instruído por seus pais. Após os jantares, a avó de King Jennie, a qual ele carinhosamente chamava de "Mama", adorava contar histórias bíblicas para seus netos. O pai de King regularmente usava chicotadas para disciplinar seus filhos. Quando isso acontecia, King Sr. também mandava as crianças chicotearem umas as outras. O pai de King depois lembraria: "[King] era a criança mais peculiar para se chicotear independente quando isso acontecia. Ele ficava ali parado, as lágrimas escorriam, mas ele nunca chorava". Uma vez quando King testemunhou seu irmão A.D irritado com sua irmã Christine, ele pegou um telefone e nocauteou A.D com o objeto. Quando ele e seu irmão estavam brincando na casa deles, A.D deslizou de um balaústre e atingiu sua avó Jennie, fazendo-a cair sem resposta. King acreditou que ela estava morta, culpou a si mesmo e tentou suicídio pulando do segundo andar. Sabendo que sua avó estava viva, King levantou e deixou o chão onde tinha caído.

Adolescência

Em seus anos de adolescente, ele inicialmente teve ressentimento contra brancos por causa da "humilhação racial" que ele, sua família e seus vizinhos frequentemente tinham que sofrer no segregado sul. Em 1942, quando King tinha treze anos de idade, ele se tornou o mais jovem gerente assistente de uma estação de entregas do Atlanta Journal. Naquele ano, King pulou o nono grau e entrou na Booker T. Washington High School, a única instituição de ensino médio na cidade para estudantes afro-americanos. Ela foi formada depois que líderes locais negros, incluindo o avô de King (Williams), urgiram para o governo de Atlanta criá-la. King ficou conhecido por suas habilidades em falar em público e fazia parte do clube de debate.

Morehouse College

Durante o ano de calouro na faculdade de King, a Morehouse College, uma faculdade negra historicamente respeitada, anunciou que aceitaria qualquer estudante calouro que passasse em seu exame. Naquele período, muitos estudantes tinham abandonado os estudos para se alistar na Segunda Guerra Mundial. Por causa disso, a Morehouse estava ansiosa para encher suas salas de aula. Com quinze anos, King passou no exame e entrou na Morehouse. No verão antes do seu último ano nessa instituição, em 1947, um King de dezoito anos decidiu entrar para o ministério. Ele concluiu que a igreja oferecia a maneira mais segura de responder a "um desejo interior de servir a humanidade". Esse "desejo interior" de King começou a se florescer, e ele fez as pazes com a igreja batista, e acreditou que seria um pastor "racional" com sermões de grande força respeitosa, mesmo que fossem para protesto social. Em 1948, King se graduou com 19 anos na Morehouse com um B.A em sociologia.

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Educação e ministério

Crozer Theological Seminary

King ingressou no Crozer Theological Seminary em Chester, Pensilvânia. O pai de King deu suporte a sua decisão em continuar sua educação e fez arranjos para King trabalhar com J. Pius Barbour, um amigo da família que era pastor na Calvary Baptist Church em Chester. King se tornou conhecido como um dos "Filhos do Calvário", uma honra compartilhada com William Augustus Jones Jr. e Samuel D. Proctor, os quais ambos se tornaram pregadores bem conhecidos nessa igreja. Enquanto estudava em Crozer, King juntou-se a Walter McCall, um ex-colega da Morehouse. Em Crozer, King foi eleito presidente do corpo de estudantes. Os estudantes afro-americanos de Crozer conduziam a maior parte de suas ações sociais na Edwards Street. King gostava de ficar na rua porque um colega de classe tinha uma tia que preparava couves para eles enquanto estavam lá, que ambos apreciavam.

Universidade de Boston

King começou seu doutorado em teologia sistemática na Universidade de Boston. Com 25 anos de idade em 1954, King foi consignado como pastor da Dexter Avenue Baptist Church em Montgomery, Alabama. King recebeu seu PhD em 5 de junho de 1955, com uma dissertação (inicialmente supervisionada por Edgar S. Brightman e, com a morte deste último, por Lotan Harold DeWolf) intitulada: "Uma Comparação dos Conceitos de Deus nos pensamentos de Paul Tillich e Henry Nelson Wieman". Um inquérito acadêmico de outubro de 1991 concluiu que partes do doutorado de King foram plagiados e ele agiu de maneira impropriada a respeito. Entretanto, "apesar desse achado, o comitê da universidade disse que 'ninguém pensa em revogar o doutorado do Dr. King', uma decisão que o painel diz não ter nenhum propósito". O veredito do comitê é de que a dissertação ainda é "inteligente e contribui para a academia". Uma carta está agora anexada a cópia da dissertação de King na biblioteca da universidade, citando várias passagens que foram feitas sem a citação apropriada e apontando as fontes. Há ainda debates significativos interpretando o plágio de King.

Ministério

De 1954 a 1959, ele foi pastor da Igreja Batista Avenida Dexter em Montgomery, Alabama. De 1960 a 1968, ele foi pastor assistente da Igreja Batista Ebenézer em Atlanta com seu pai. Em 1961, ele deixou a Convenção Batista Nacional, EUA, para formar a Convenção Batista Nacional Progressista com outros pastores.

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Boicote aos ônibus de Montgomery

Em março de 1955, Claudette Colvin — uma garota e estudante negra de quinze anos de Montgomery — recusou em ceder seu lugar no ônibus a um homem branco, violando as leis Jim Crow e leis locais do sul dos Estados Unidos que reforçavam a segregação racial. King estava no comitê da comunidade afro-americana de Birmingham que analisou o caso; outros membros como E. D. Nixon e Clifford Durr decidiram esperar por um caso melhor para entrar com qualquer movimento porque o incidente envolvia uma menor. Nove meses depois em 1 de dezembro de 1955, um caso similar ocorreu quando Rosa Parks foi presa por recusar a dar seu lugar no ônibus. Os dois incidentes levaram ao boicote aos ônibus de Montgomery, que foi planejado por Nixon e liderado por King. O boicote durou 385 dias, e a situação ficou tão tensa que a casa de King foi alvo de bombas. King foi preso durante o boicote, que terminou com o caso jurídico distrital de Browder v. Gayle, o qual encerrou com toda a segregação racial nos ônibus de Montgomery. O papel de King no boicote o transformou em uma figura nacionalmente reconhecida e o mais conhecido porta-voz dos direitos civis.

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Conferência da Liderança Cristã do Sul

Em 1957, King, Ralph Abernathy, Fred Shuttlesworth, Joseph Lowery e outros líderes e ativistas civis fundaram a Conferência da Liderança Cristã do Sul (SCLC, em inglês). O grupo foi criado para defender a autoridade moral e organizar o poder das igrejas negras a fim de conduzir protestos não-violentos a serviço da reforma dos direitos civis. O grupo foi inspirado pelas cruzadas do evangelista Billy Graham, que teve amizade com King, como também pelo grupo "In Friendship", fundado por King allies Stanley e Ella Baker. King liderou a SCLC até sua morte. A Peregrinação da Oração pela Liberdade organizada pela SCLC em 1957 foi a primeira vez que King se dirigiu para uma audiência nacional. Em 20 de setembro de 1958, King estava autografando cópias do seu livro Stride Toward Freedom em um estabelecimento comercial em Harlem quando ele escapou da morte por pouco. Izola Curry, uma mulher negra mentalmente doente a qual pensou que King estava conspirando contra ela juntamente com os comunistas, esfaqueou-o com um abridor de cartas. King necessitou de cirurgia emergencial liderado por três doutores: Aubre de Lambert Maynard, Emil Naclerio e John W. V. Cordice; ele ficou hospitalizado por várias semanas. Curry foi mais tarde considerada mentalmente instável para ser julgada. Em 1959, King publicou um livro curto chamado The Measure of A Man, o qual contém seus sermões "What is Man? e "The Dimensions of a Complete Life". Os sermões argumentam da necessidade do homem por Deus e crítica as injustiças sociais da Civilização Ocidental.

Movimento de Albany (1961)

O Movimento de Albany foi uma coalizão formada em Albany, Geórgia, em novembro de 1961. Em dezembro, King e a SCLC ficaram envolvidos. O movimento mobilizou milhares de cidadãos em uma frente ampla de não violência contra qualquer aspecto da segregação na cidade e atraiu atenção nacional. Quando King visitou o lugar pela primeira vez em 15 de dezembro de 1961, ele "planejou ficar um dia ou mais e retornar para casa depois de conselhos aos envolvidos". No dia seguinte ele foi arrastado em um protesto de massa pacífico, e ele recusou deixar o lugar até que a cidade fizesse concessões. Segundo King: "o acordo foi desonrado e violado pelo lugar" após ele ter deixado Albany.

Campanha de Birmingham (1963)

Em abril de 1963, a SCLC começou uma campanha contra a segregação racial e injustiça econômica em Birmingham, Alabama. A campanha usou a não violência mas também intencionalmente confrontos táticos, desenvolvidos em parte pelo Reverendo Wyatt Tee Walker. Pessoas negras em Birmingham, organizados pela SCLC, ocuparam espaços públicos com marchas e protestos sentados, violando leis que eles consideravam injustas. King tinha a intenção de provocar detenções em massa e "criar uma situação tão crítica que inevitavelmente abriria as portas para uma negociação". Os primeiros voluntários da campanha não conseguiram criar tumulto na cidade, ou chamar a atenção da mídia sobre as ações policiais. Sob preocupações e incertezas de um King sem muita orientação, o estrategista da SCLC James Bavel mudou o curso da campanha recrutando crianças e jovens adultos nas demonstrações. Newsweek chamou essa estratégia de "Cruzada das Crianças".

Selma, Alabama (1964)

Em dezembro de 1964, King e a SCLC finalmente juntaram suas forças com o Student Nonviolent Coordinating Committee em Selma, Alabama, onde a SNCC estava trabalhando na registração de votos por alguns meses. Um juiz local decretou uma injunção que barrou a reunião de três ou mais membros afiliados a SNCC, SCLC, DCVL ou qualquer um dos quarenta e um líderes dos direitos civis. Essa injunção deteve a atividade da luta pelos direitos civis até que King desafiou o juiz ao discursar em Brown Chapel em 2 de janeiro de 1965.

Nova Iorque (1964)

Em 6 de fevereiro de 1964, King apresentou seu discurso inaugural sobre uma série de palestras começando na The New School chamado "A Crise Racial Americana". Nenhuma gravação de seu discurso foi achado, mas em agosto de 2013, quase 50 anos depois, a escola descobriu uma fita de áudio com 15 minutos de perguntas e respostas que se seguiram a fala de King. Nesse áudio, King se referiu a uma conversa que ele teve com Jawaharlal Nehru a qual ele compara a situação de muitos afro-americanos aos intocáveis da Índia.

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Marcha sobre Washington (1963)

King, representando a SCLC, estava entre os líderes do grupo chamado "The Big Six", sendo essas as organizações de luta civil que instrumentaram a organização da Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade, a qual ocorreu em 28 de agosto de 1963. Os outros líderes do "The Big Six" eram Roy Wilkins da National Association for the Advancement of Colored People; Whitney Young, National Urban League; A. Philip Randolph, Brotherhood of Sleeping Car Porters; John Lewis, SNCC; e James L. Farmer Jr. da Congress of Racial Equality. Bayard Rustin era um dos organizadores do ato. Após a criação da SCLC, Rustin e King organizaram uma marcha pelos direitos civis perto da Convenção Nacional Democrática de 1960, em Los Angeles. Este facto não agradou ao deputado Adam Clayton Powell Jr., que ameaçou divulgar na imprensa os rumores de um falso caso entre Rustin e King. King cancelou a marcha e Rustin demitiu-se da SCLC.

Eu Tenho um Sonho

King discursou por dezessete minutos, uma exibição que mais tarde seria conhecida como "Eu Tenho um Sonho" (em inglês: I Have a Dream). Na passagem mais famosa do discurso — a qual ele dispensou o texto pré-preparado, possivelmente por solicitação de Mahalia Jackson, que gritou atrás dele: "conte a eles sobre o sonho!" — King disse: Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos dos ex-escravos e os filhos dos ex-donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo o estado do Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças viverão um dia em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia, lá no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador tendo os seus lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia, bem ali no Alabama, meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

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Selma e o "Domingo Sangrento" (1965)

Depois de uma chamada de James Bevel por uma marcha de Selma até Montgomery, King, Bavel e a SCLC, com uma participação parcial da SNCC, tentaram organizar a marcha para a capital do estado. A primeira tentativa em 3 de março de 1965 foi abortada por causa da violência policial contra os participantes. Esse dia ficou conhecido como Domingo Sangrento e foi um ponto de virada nos esforços em ganhar suporte da opinião pública nos movimentos dos direitos civis. Foi o mais claro ato na época em mostrar o dramático potencial da estratégia da não violência de King. Porém o mesmo não estava presente na ocasião. Em 5 de Março, King reuniu-se com funcionários da administração de Lyndon B. Johnson para solicitar um processo cautelar contra qualquer ação aos manifestantes. Ele não foi para a marcha por causa de deveres na igreja, mas depois escreveu: "se eu tivesse ideia que as tropas estatais usariam tal tipo de brutalidade que eles acabariam por fazer, eu teria me sentido compelido em desistir de todos os meus deveres na igreja para liderar as linhas". Imagens da brutalidade da polícia contra os manifestantes foram transmitidas extensivamente e causaram injúria nacional.

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Chicago Freedom Movement (1966)

Em 1966, após vários sucessos no sul, King, Bavel e outros da organização dos direitos civis levaram o movimento para o norte, com Chicago sendo o primeiro destino. King e Ralph Abernathy, ambos da classe média, mudaram-se para uma moradia na S. Hamlin Avenue, no subúrbio de North Lawndale no lado oeste de Chicago, como uma experiência educacional e demonstrar um apoio e empatia pelos pobres. A SCLC formou uma coalizão com a CCCO, Coordinating Council of Community Organizations, uma organização fundada por Albert Raby, e a junção desses dois grupos foi promovida sob a proteção do Chicago Freedom Movement. Durante aquela primavera, vários casais de brancos e negros foram segregados de maneira velada por corretores imobiliários, os quais aconselhavam os clientes a comprar casas em bairros específicos com base na etnia. Casos assim se multiplicaram, e várias marchas foram planejadas e executadas.

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Posicionamento contra a Guerra do Vietnã

O governo dos EUA é o maior perpetuador de violência no Mundo hoje. Nós devemos reconhecer que não podemos resolver nossos problemas agora até ocorrer uma redistribuição radical do poder político e econômico... isto significa uma revolução de valores e outras coisas. Nós devemos ver agora que as maldades do racismo, a exploração econômica e o militarismo estão todos conectados... você realmente não pode se livrar de um sem se livrar dos outros... toda a estrutura da vida dos estadunidenses deve ser mudada. O nosso país é uma nação hipócrita e [nós] devemos botar [nossa] própria casa em ordem. King já era contra o envolvimento dos EUA na Guerra do Vietnã, mas em um primeiro momento evitou o assunto em falas públicas para não gerar conflitos nos objetivos dos direitos civis que poderiam ser criticados pelo presidente Johnson. Entretanto com a posição pacifista do antigo membro da SCLC e agora líder do National Mobilization Committee to End the War in Vietnam, James Bavel, e inspirado pela franqueza de Muhammad Ali no movimento para acabar com a guerra, King eventualmente concordou em publicamente ir de contra o conflito à medida que a oposição contra ela estava crescendo entre a população estadunidense.

Correspondência com Thích Nhất Hạnh

Thích Nhất Hạnh foi um influente budista vietnamita que ensinou na Universidade de Princeton e na Universidade Columbia. Ele escreveu uma carta para Martin Luther King jr. intitulada: "Em Busca do Inimigo do Homem". Foi durante sua estadia nos EUA em 1966 que Thích Nhất Hạnh conheceu King e urgiu que ele denunciasse publicamente a Guerra do Vietnã. Em 1967, King deu seu famoso discurso na Igreja de Riverside em Nova Iorque, sua primeira fala questionando o envolvimento dos EUA na guerra. Posteriormente naquele ano, King nomeou Nhất Hạnh para o Nobel da Paz de 1967. Em sua nomeação King disse: "Eu não conheço pessoalmente mais ninguém mais digno do [prêmio] do que esse gentil monge do Vietnã. Suas ideias de paz, caso aplicadas, poderiam construir um monumento para o ecumenismo, para a irmandade mundial e para a humanidade.

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Campanha dos Pobres (1968)

Em 1968, King e a SCLC organizaram a "Campanha dos Pobres" para lidar com as questões da injustiça econômica. King viajou pelo país unir "um exército multirracial dos pobres" que marcharia em Washington par atuar em uma desobediência civil não violenta no Capitólio até que o Congresso criasse uma "declaração de direitos econômicos" para os estadunidenses pobres. A campanha foi antecedida pelo livro final de King, Where Do We Go from Here: Chaos or Community?, que sustenta suas visões de como resolver as questões sociais de pobreza. King fez citações ao livro de Henry George, Progress and Poverty, com o objetivo particular de dar suporte a garantia de renda básica. King e a SCLC exigiram que o governo investisse na reconstrução das cidades estadunidenses. Ele sentiu que o Congresso tinha mostrado "hostilidade aos pobres" ao gastar "fundos militares com entusiasmo e generosidade". King contrastou esse panorama com a situação enfrentada pelos cidadãos dos EUA pobres, reivindicando que o Congresso tinha apenas providenciado "fundos contra a pobreza com avareza". Sua visão pela mudança era mais revolucionária que apenas querer a mera reforma: ele citou os erros sistemáticos do "racismo, pobreza, militarismo e materialismo", e argumentou que "a reconstrução da sociedade em si é a verdadeira questão a ser enfrentada".

Após a morte de King

O plano de montar um assentamento irregular em Washington D.C. foi levado em frente mesmo após o assassinato de King em 4 de abril. Críticas ao plano de King foram amenizadas depois de sua morte, e a SCLC recebeu uma quantidade de doações sem precedente com o objetivo de realizar a campanha. Ela começou oficialmente em 2 de maio, no hotel em que King foi morto. Milhares de manifestantes se concentraram no National Mall e ficaram por seis semanas, estabelecendo um acampamento a qual eles chamaram de "Cidade da Ressurreição".

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Assassinato e consequências

Em 29 de março de 1968, King foi para Memphis, Tennessee, para dar apoio a funcionários negros de obras públicas, que eram representados pelo American Federation of State, County and Municipal Employees. Os trabalhadores estavam em greve desde o dia 12 de março por salários melhores e tratamentos justos. Em um incidente, funcionários negros receberam o pagamento de apenas duas horas quando tinham trabalhado integralmente, enquanto funcionários brancos receberam o dinheiro de trabalho de um dia inteiro. Em 3 de abril, King dirigiu um comício e disse para a multidão a fala "Estive no topo da montanha", dito no Templo Mason, a sede mundial da Igreja de Deus em Cristo. O voo de King até Memphis foi atrasado por causa de uma ameaça de bomba contra seu avião. Em um profético discurso na última fala pública de sua vida, em referência a ameaça de bomba, King disse o seguinte: E então cheguei a Memphis. E alguns começaram a falar sobre as ameaças, ou falar sobre as ameaças externas. O que aconteceria comigo diante do perigo de alguns brancos doentes mentalmente? Bem, eu não sei o que acontecerá agora. Nós tivemos alguns dias difíceis pela frente. Mas não me importo com isso agora. Porque eu estive no topo da montanha. E eu não dou a mínima. Como qualquer um, eu gostaria de viver uma vida longa. A longevidade tem seu lugar. Mas eu não estou preocupado com isto agora. Eu quero apenas fazer o desejo de Deus. E ele permitiu-me ir no topo da montanha. E eu olhei ao redor. E avistei a terra prometida. Talvez eu não fique com você lá. Mas eu quero que você saiba esta noite, que nós, como povo, chegaremos a terra prometida. Então estou feliz esta noite. Não estou preocupado por nenhuma coisa. Não temo nenhum homem. Meus olhos viram a glória da vinda do Senhor.

Consequências

O assassinato levou a uma onda de revoltas em Washington D.C., Chicago, Baltimore, Kansas City e em dezenas de outras cidades dos EUA. O candidato a presidência Robert F. Kennedy estava a caminho de Indianápolis para um comício de campanha quando foi informado da morte de King. Ele deu um curto discurso improvisado para sua multidão de apoiadores os informando sobre a tragédia e urgindo para continuar o ideal de King de não violência. No dia seguinte, ele deu um discurso preparado em Cleveland. James Farmer Jr. e outros líderes civis também pediram pela ação não violenta ao invés das agitações que estavam ocorrendo, enquanto o militante Stokely Carmichael pediu uma resposta mais dura. A cidade de Memphis rapidamente conseguiu resultados positivos para os trabalhadores em decorrência das revoltas.

Alegações de conspiração

Os advogados de Ray usaram tática de alegar que ele era um bode expiatório para ocultar os reais culpados, da mesma forma que Lee Harvey Oswald teria sido usado para encobrir os verdadeiros homicidas do assassinato de John F. Kennedy de acordo com teóricos da conspiração. Defensores dessa alegação dizem que as confissões de Ray foram feitas sob pressão e que ele foi ameaçado com a pena de morte. É admitido que Ray era um ladrão e assaltante, mas é alegado que ele não tinha histórico de crimes com arma de fogo. Entretanto, registros de prisão em diferentes cidades dos EUA mostram que ele foi encarcerado em várias ocasiões por roubos com armas de fogo. Em uma entrevista para CNN em 2008, Jerry Ray, o irmão caçula de James Earl Ray, disse que James era esperto e conseguia fugir em assaltos a mão armada. Jerry contou que ele ajudou seu irmão em tais roubos: "Eu nunca estive com alguém tão corajoso quanto ele... Ele apenas andava por aí e apontava aquela arma contra quem aparecesse, era uma coisa rotineira".

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