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Assassinato de Marcelo Arruda

O assassinato de Marcelo Arruda ocorreu no dia 9 de julho de 2022 quando o guarda municipal e tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) foi assassinado por Jorge José da Rocha Guaranho, agente penitenciário federal e apoiador de Jair Bolsonaro, em Foz do Iguaçu, Paraná. O fato gerou repercussão internacional por representar o clima de polarização e violência política no ciclo das eleições gerais no Brasil em 2022.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/10/2026
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Antecedentes

Marcelo Aloizio de Arruda (Foz do Iguaçu, 9 de julho de 1972 – Foz do Iguaçu, 9 de julho de 2022) foi criado na favela dos Bancários, e começou a trabalhar como engraxate. Em 2003, se formou em biologia pela UniAmérica Centro Universitário. Foi candidato a vice-prefeito de Foz do Iguaçu em 2020 pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em relato do advogado e professor de Direito Fábio Aristimunho Vargas para a BBC News, no dia 14 de maio ele e Marcelo palestraram na Oficina da Juventude Contra a Violência, onde Arruda defendeu que "policiais de esquerda como ele é que seriam as primeiras vítimas numa eventual escalada autoritária no país, (...) para evitar que repassassem conhecimento estratégico a uma resistência democrática". À época de sua morte, Marcelo era tesoureiro do partido, guarda municipal há 28 anos, e diretor do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz (Sismufi). Ele era casado e tinha quatro filhos, incluindo um bebê de um mês de idade. No dia 9 de julho de 2022, Marcelo comemorava seu aniversário de 50 anos numa festa com o tema do PT e do ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva. A comemoração era realizada na sede da Associação Esportiva Segurança Física Itaipu, na Vila A. O evento se iniciou às 18h.

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Assassinato

A festa de aniversário de Marcelo Arruda ocorria nas dependências da Aresf, clube formado por agentes de segurança pública e privada, que recentemente havia instalado câmeras de monitoramento por todo o local. Próximo das 21h, Márcio Jacob Muller Murback, um dos diretores do clube, acessou as imagens do circuito de câmeras pelo celular e viu a comemoração de Marcelo. Márcio estava acompanhado do agente federal de execução penal, Jorge Guaranho, a cerca de 700 metros de distância, em outra associação, a Assemib. Em seu depoimento, Márcio Murback disse que Jorge Guaranho inicialmente não apresentou reação após ver as imagens através de seu celular, e que ficou por mais cerca de 3 horas no churrasco da Assemib. Depois disso Guaranho saiu da Assemib e dirigiu-se até a festa de aniversário de Marcelo Arruda, na Aresf. A filmagem da câmera de segurança mostra um carro branco manobrando em frente à entrada da festa de aniversário de Marcelo Arruda às 23h40. O motorista é Jorge José da Rocha Guaranho, apoiador de Jair Bolsonaro e agente penitenciário federal desde 2010. Guaranho não era conhecido por ninguém da festa e não fora convidado. Uma mulher (esposa de Guaranho) e uma criança pequena (seu filho) também estavam no carro. Segundo a antiga delegada do caso, Iane Cardoso, Guaranho estaria tocando uma música relacionada a Bolsonaro no carro, com o refrão "O mito chegou e o Brasil acordou". Marcelo Arruda se dirige até o motorista tentando falar com ele, que aparenta gritar com Marcelo; segundo testemunhas, Guaranho expressou seu apoio ao presidente Bolsonaro. Marcelo então apanha um punhado de terra de um canteiro próximo e atira na direção do motorista, que por sua vez saca uma arma e aponta na direção de Marcelo. Neste momento, a esposa de Marcelo se dirige até o veículo, tentando conversar com os envolvidos. A esposa de Guaranho, dentro do veículo, abre a porta traseira, pede que seu marido pare e implora para eles irem embora. Conforme outros convidados se aproximam, Guaranho deixa o local acelerando seu veículo bruscamente.

Versão de Francielle Sales da Silva

A esposa de Jorge Guaranho, Francielle Sales da Silva, negou o caráter político do crime, e afirmou que o encontro entre Marcelo Arruda e Guaranho foi mera coincidência. Segundo ela, seu marido estaria fazendo rondas na Aresf quando o crime aconteceu, e que Guaranho teria sido provocado por Arruda primeiro, por estar escutando a música Bolsonarista "O mito chegou". Francielle sustentou que seu marido não esperava ser recebido de forma agressiva, pois lhe contaram que havia muitos policiais na festa de Marcelo Arruda. Ela testemunhou que seu marido teria mostrado a arma apenas quando Arruda jogou terra no carro, e que ele ficou muito aborrecido pois pessoas de dentro da festa teriam jogado terra e pedras no carro, o que fez com que ele fosse embora com sua família, mas também fez com que decidisse voltar até o local para "tirar satisfação". Ela alegou que seu marido não era um extremista de direita, e que o fanático seria na verdade a vítima, Marcelo Arruda.

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Investigação

O secretário de Segurança Pública de Foz do Iguaçu, Marcos Antonio Jahnke, lamentou a morte e afirmou que a Polícia Civil investigaria as motivações do crime: "Pelo que a gente percebeu foi uma intolerância política". Uma Comissão Parlamentar Especial foi criada para acompanhar o caso. Inicialmente, a Polícia Civil do Paraná havia informado que Guaranho havia morrido. No entanto, na tarde do dia 10 de julho, retificou a informação, dizendo que ele estava internado em estado grave, e em 12 de julho, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná divulgou que ele estava sedado na UTI do hospital Ministro Cavalcanti em Foz do Iguaçu, sem previsão de alta. A delegada que investigava o caso era Iane Cardoso. Ela recebeu críticas pois, em sua primeira entrevista, chamou Guaranho de "vítima". Além disso, foram localizadas em suas redes sociais manifestações contra o PT. Na manhã do dia 11 de julho, foi anunciado que o governo do estado a substituiu pela delegada divisional de homicídios, Camila Cecconello. O motivo oficial da substituição, segundo a assessoria da secretaria de Segurança Pública do estado, é porque "a divisional de homicídios tem mais recursos e experiência para essa situação".

Laudos

O laudo balístico emitido pelo Instituto de Criminalística do Paraná aponta que Guaranho deu três tiros, enquanto Marcelo disparou treze vezes. Ambas armas usadas eram pistolas semiautomáticas em perfeito estado, sendo a .40 de Guaranho e .380 de Arruda. Já o laudo da Polícia Científica refuta a versão da esposa do réu, de que seu carro teria sido apedrejado. O laudo das câmeras de segurança mostra que dois dias após o crime, alguém apagou os registros de acesso remotamente, porém a filmagem está preservada e inalterada.

Investigações paralelas

A Polícia Civil do Paraná abriu inquérito para investigar se houve crime na conduta de três indivíduos que desferiram chutes na cabeça e nas costelas do assassino Jorge Guaranho enquanto ele estava caído no chão, logo após ser baleado por sua vítima, o aniversariante Marcelo Arruda. Em depoimento, o vigilante José Augusto Fabri afirma que não é comum que pessoas não autorizadas tenham acesso à câmera, e o responsável pela liberação do acesso era Claudinei Coco Esquarcini, diretor da Aresf. Claudinei e Guaranho eram conhecidos e é possível que as imagens tenham sido repassadas por ele. No dia 17 de julho, Claudinei foi encontrado morto na cidade de Medianeira. A Polícia Civil do Paraná afirma se tratar de suicídio. Havia a hipótese de que Claudinei também havia sido vítima do crime, porém uma câmera flagrou o momento em que ele morreu. Claudinei se jogou de cima do viaduto na BR-277. Porém, a Polícia Civil do Paraná ainda investiga a ligação da morte com o caso. No dia 20, o MP pediu a investigação do celular de Claudinei.

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Julgamento e cumprimento da sentença

Em 13 de fevereiro de 2025, Jorge Guaranho foi condenado pelo Tribunal do Júri de Curitiba a 20 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e perigo comum, pelo assassinato de Marcelo Arruda. A presidente do júri, juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler, determinou a prisão imediata em regime fechado do réu condenado, que antes estava em prisão domiciliar. Stadler destacou que Guaranho cometeu o crime utilizando uma arma pertencente à União, a intolerância política que o motivou, e que a data do homicídio, 9 de julho, foi promulgada no Paraná como o Dia Estadual de Luta contra a Intolerância Política e de Promoção da Tolerância Democrática, algo que não haveria necessidade de se alertar antes deste crime. A defesa do réu declarou que recorreria da decisão. Um dia após a condenação, sob a alegação de problemas de saúde e falta de estrutura no sistema penal, Guaranho obteve uma decisão liminar permitindo que cumprisse sua pena em prisão domiciliar. A liminar foi revogada pelo TJPR em 14 de março de 2025, após uma reavaliação médica, e o réu passou a cumprir sua pena no Complexo Médico Penal. Um ano depois, em 17 de março de 2026, atendendo a pedido da defesa, Guaranho obteve nova liminar permitindo o cumprimento da pena em prisão domiciliar, e retornou a Foz do Iguaçu no dia seguinte. Em resposta, os advogados da família de Arruda afirmaram que adotariam as medidas cabíveis para garantir a correta aplicação da lei e a efetividade da decisão do júri.

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Repercussão

A Lei Municipal 5.134/2022, que regula a promoção de guardas municipais, leva o nome de Arruda. No dia 19 de março de 2024, o ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Lula, Ricardo Lewandowski, demitiu o policial penal Jorge Guaranho.

Imprensa

A imprensa no geral focou na polarização política durante as eleições de 2022. Bolsonaro, porém, acusou a imprensa de colocar a culpa do assassinato nele. Os órgãos de imprensa estatais Empresa Brasil de Comunicação e TV Brasil omitiram as posições políticas dos envolvidos. A EBC publicou que “Polícia do Paraná investiga morte de guarda municipal em Foz do Iguaçu”, e a TV Brasil que “Guarda municipal é morto após troca de tiros”.

Imprensa internacional

A imprensa internacional também repercutiu o caso, incluindo os jornais franceses Le Parisien e Le Figaro, o argentino Infobae, o espanhol El País e a agência britânica Reuters. Outros veículos que noticiaram o fato estão os americanos CNN e The Washington Post e a emissora estatal PBS.

Manifestações

No dia 14 de agosto, dia dos pais, família e amigos de Marcelo Arruda fizeram manifestação na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, com cartazes com dizeres como "1º Dia dos Pais sem nosso pai". Antes da primeira audiência, familiares do petista protestaram em frente ao fórum, com cartaz onde se lia "Marcelo Arruda presente". Durante a audiência, a mãe de Guaranho, Dalvalice Rocha, declarou que seu filho foi provocado pelo petista.

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Impacto nas eleições

Presidenciáveis

Jair Bolsonaro ia mal nas intenções de voto para a eleição presidencial de 2022, por isso seus aliados insistiam que o presidente deixasse de lado o discurso de ódio. Intermediada pelo deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), Bolsonaro realizou uma vídeo-chamada com José e Luiz Arruda, dois irmãos da vítima Marcelo Arruda, que são seus apoiadores. Durante essa vídeo-chamada, o presidente lamentou o ocorrido, atacou a esquerda e queixou-se da forma como a mídia vêm enquadrando a questão, por ele entender que o caso repercute negativamente na campanha pela sua reeleição em 2022. Por fim, o presidente convidou-os para uma coletiva de imprensa. Os irmãos Arruda não disseram se aceitariam o convite, mas afirmaram a Bolsonaro que não desejavam que a morte de seu irmão fosse explorada politicamente. Ainda, Bolsonaro chegou a dizer que as pessoas que chutaram Jorge após o assassinato eram petistas, porém voltou a se encontrar com o irmão de Marcelo e pediu desculpas por ter divulgado uma notícia falsa. Otoni de Paula diz que ele foi o responsável por passar acidentalmente a informação errada ao presidente.

Partidos

No dia 12 de julho, a coligação de pré-campanha do ex-presidente Lula entregou pedido ao Procurador-Geral da República (PGR), peticionando para que o caso do assassinato de Marcelo Arruda fosse remetido à Justiça Federal. No mesmo dia, o Procurador Geral recebeu outro pedido, desta vez por parte dos congressistas dos partidos de oposição, pedindo que o presidente Jair Bolsonaro fosse investigado pelo crime de incitação ao ódio e à violência. Preocupados com a escalada da violência política durante as votações, os partidos Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Verde (PV), Rede Sustentabilidade (REDE), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e Solidariedade assinaram um requerimento para análise de um projeto de lei que propõe a suspensão do porte de armas na semana anterior ao pleito e nos 7 dias seguintes. Os deputados Alencar Santana (PT), Reginaldo Lopes (PT), Afonso Florence (PT), Renildo Calheiros (PC do B), André Figueiredo (PDT), Joenia Wapichana (REDE), Wolney Queiroz Maciel (PDT), Bira do Pindaré (PSB) e João Carlos Bacelar Batista (PV) enviaram uma consulta no dia 13 de Julho de 2022, para o ministro Alexandre de Moraes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sondando a possibilidade desta corte proibir a circulação de pessoas armadas em locais de votação e sessões eleitorais, estabelecendo que o porte de armas nestes locais seja restrito ao pessoal das forças de segurança do país.

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