Assassinato de George Floyd
O assassinato de George Floyd aconteceu em 25 de maio de 2020, depois que Derek Chauvin, então policial da cidade de Minneapolis, ajoelhou-se no pescoço dele durante oito minutos e quarenta e seis segundos, enquanto estava deitado de bruços na estrada. Os policiais Thomas Lane e J. Alexander Kueng também ajudaram a conter Floyd, enquanto o policial Tou Thao estava perto e observava. O assassinato ocorreu durante a prisão de Floyd em Powderhorn, Minneapolis, Minnesota, e foi gravado em vídeo nos celulares por vários espectadores. As gravações em vídeo, mostrando Floyd dizendo repetidamente: "I Can’t Breathe!" foram amplamente divulgadas nas plataformas de redes sociais e transmitidas pelos meios de comunicação do mundo inteiro. Os quatro policiais envolvidos foram demitidos no dia seguinte.
George Floyd
George Floyd foi um homem afro-americano de 46 anos, pai, natural de Houston, Texas, onde frequentou a Yates High School como atleta poliesportivo e se formou em 1993. Era amigo íntimo do jogador de basquete Stephen Jackson, que conhecera quando era adulto no Texas. Floyd era cristão, e seus amigos e conhecidos o descreviam como uma "pessoa de paz". Ele morava em St. Louis Park, Minnesota, e trabalhou em Minneapolis como segurança de um restaurante por cinco anos. Pouco tempo antes de sua morte, havia perdido o emprego devido à ordem de permanência em casa durante a pandemia de COVID-19 no país.
Policiais
Derek Chauvin, 44 anos, policial franco-americano, veterano de 19 anos do Departamento de Polícia de Minneapolis, e foi identificado como o oficial que prendeu Floyd no chão e ajoelhou-se em seu pescoço. Chauvin já havia participado de algumas ações em que houve confronto e uso das armas pelos policiais, nos quais pelo menos uma resultou na morte do detido. Em 2006, Wayne Reyes, suspeito de esfaquear a namorada e um amigo, teria apontado uma espingarda para os policiais. O relatório apontou que "seis policiais [entre os quais estava Chauvin] atiraram nele e o mataram". Em 2011, Chauvin era um dos cinco policiais que atenderam a um relato de tiroteio. Com a chegada dos policiais, Leroy Martinez fugiu do local e o policial Terry Nutter atirou nele. A alegação foi que Martinez apontava uma pistola enquanto fugia, versão contestada por uma testemunha.
Declarações iniciais da polícia e dos paramédicos
Pouco depois das 20h00, em 25 de maio (Memorial Day), policiais do Departamento de Polícia de Minneapolis responderam a uma "falsificação em andamento" na Chicago Avenue South, no bairro de Powderhorn Park, em Minneapolis. Segundo a WCCO, a implicação é que Floyd "tentou usar documentos falsificados em uma lanchonete próxima". Segundo um co-proprietário da Cup Foods, Floyd tentou usar uma nota de 20 dólares que um funcionário identificou como falsificada. Segundo a polícia, Floyd estava em um carro próximo e "parecia estar sob a influência". Um porta-voz do departamento de polícia disse que os policiais ordenaram que ele saísse do veículo, momento em que ele "resistiu fisicamente".
Vídeo da prisão filmado pelo espectador
Parte da prisão foi filmada por um espectador e transmitida por streaming para o Facebook Live. Este vídeo foi viral. Quando o vídeo começa, Floyd já está preso de bruços no chão e o policial Chauvin está ajoelhado em seu pescoço. Floyd diz repetidamente a Chauvin: "Por favor" e "Não consigo respirar", enquanto também gemia e soluçava. Um espectador diz à polícia: "Você o derrubou. Deixe-o respirar". Depois que Floyd diz: "Estou prestes a morrer", Chauvin diz a Floyd para relaxar. A polícia pergunta a Floyd: "O que você quer?" Floyd repete: "Não consigo respirar". Floyd continua: "Por favor, o joelho no meu pescoço, não consigo respirar". Os policiais insultam Floyd para "se levantar e entrar no carro", ao qual Floyd responde: "Eu vou ... não posso me mexer". Floyd também grita: "Mamãe!" Floyd protesta: "Meu estômago dói, meu pescoço dói, tudo dói" e pediu água. A polícia não responde audivelmente a Floyd. Floyd implora: "Não me mate."
Outros vídeos
Um segundo vídeo, tirado de dentro de um veículo, mostra Floyd sendo removido de seu veículo. O site Vice descreve que Floyd "não parece estar resistindo - apenas ao lado de seu carro". Um vídeo de seis minutos de uma câmera de segurança de um restaurante próximo foi fornecido à mídia. Mostrou dois policiais removendo um homem de um veículo. O homem é algemado e levado para uma calçada, onde se sentou. Um terceiro oficial chega. Mais tarde, um policial ajuda o homem a se levantar novamente e dois policiais o levam a um veículo da polícia, onde o homem caiu no chão. Enquanto a polícia inicialmente alegou que Floyd havia resistido à prisão, este vídeo de vigilância "mostra policiais detendo-o com calma", segundo a CBS News.
Em 26 de maio, a chefe da polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, anunciou que os policiais foram postos em licença. Mais tarde, os quatro oficiais que responderam à chamada foram demitidos. Naquele dia, o Federal Bureau of Investigation (FBI) anunciou que estava analisando o incidente. As imagens das câmeras corporais dos policiais foram entregues ao Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota. O advogado de direitos civis Benjamin Crump está representando a família de Floyd. Em 27 de maio, informações sobre Chauvin começaram a circular nas redes sociais, com reivindicações particularmente importantes de que Chauvin era o objeto de uma foto usando um chapéu "Make Whites Great Again" e que Chauvin estava no palco com Donald Trump em um comício político, porém, mais tarde, as imagens e informações mostraram-se falsas e errôneas.
Protestos e distúrbios
Diversas manifestações e protestos começaram após a morte de Floyd. Inicialmente eram pacíficos, mas depois janelas foram quebradas em uma delegacia de polícia, uma loja da AutoZone foi incendiada e diversas lojas foram saqueadas e danificadas nas áreas circundantes. As autoridades reagiram através da utilização de gás lacrimogêneo e disparando balas de borracha contra a multidão. O assassinato de George Floyd pela polícia vem na sequência de dois outros assassinatos de negros americanos nas últimas semanas, que contribuíram para o crescimento de tensões. O vídeo do assassinato de Ahmaud Arbery, 25 anos, em 23 de Fevereiro de 2020, começou a circular no início de maio. Arbery estava a fazer jogging num bairro nos arredores de Brunswick, na Geórgia, quando foi morto a tiro por dois homens brancos, um pai de 64 anos e o seu filho de 34, que o perseguiram numa carrinha.Os assassinos foram acusados de homicídio e agressão agravada e detidos em 7 de Maio, mas apenas depois de as filmagens do incidente terem ficado públicas.
O julgamento de Derek Chauvin começou em Minneapolis em 8 de março de 2021, na Corte Distrital do Condado de Hennepin. Os depoimentos iniciais aconteceram em 29 de março de 2021 e terminou em 19 de abril. Em 20 de abril de 2021, o júri formalmente declarou Chauvin culpado em todas as acusações, incluindo assassinato em segundo grau, assassinato em terceiro grau e homicídio culposo em segundo grau. Ele foi o primeiro policial branco de Minnesota a ser condenado pela morte de uma pessoa negra, sendo ainda apenas a segunda vez que um policial de Minnesota era condenado por homicídio. Após a condenação de Chauvin, o juiz Cahill revogou seu direito a fiança e Chauvin foi levado algemado com escolta polícial até o precinto, devido ao perigo da cobertura que o caso estava levando. Em 25 de junho de 2021, três meses após sua condenação pelo júri, o juiz formalmente pronunciou a sentença do policial Chauvin, com ele sendo condenado a 22 anos e meio de prisão.
Autópsia oficial
Uma autópsia oficial não encontrou qualquer indicação de que Floyd tenha morrido por estrangulamento ou asfixia traumática; no relatório preliminar, considerou que provavelmente tenha morrido devido aos efeitos combinados da imobilização, condições de saúde subjacentes, incluindo doença arterial coronária e doença cardíaca hipertensiva; intoxicação por fentanil e uso recente de metanfetaminas. Contudo o relatório final concluiu que Floyd morreu devido a asfixia.
Autópsia por Michael Baden
A família de Floyd contratou um patologista forense para realizar um exame independente neste caso. Segundo as conclusões desta nova autópsia, George Floyd morreu de facto de asfixia, essencialmente devido à pressão exercida pelo policial Derek Chauvin no pescoço e nas costas do afro-americano, causando assim a sua morte. Além disso, dois outros policiais pressionaram as costas de Floyd, contribuindo também para a asfixia. Confirma-se que Floyd já estava morto antes de ser posto na ambulância que o levou ao hospital.


