Assassinato de Beatriz Angélica
O Caso Beatriz ou Caso Beatriz Angélica refere-se ao assassinato da menina Beatriz Angélica Mota Ferreira da Silva, de sete anos, em Petrolina, Pernambuco, no dia 10 de dezembro de 2015. Ela foi encontrada morta durante uma festa de formatura no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora onde estudava e onde seu pai dava aula. Desde a época do crime foi muito divulgado que a menina morreu com 42 facadas, mas em janeiro de 2022 foi confirmado que foram 10 facadas e que no laudo do corpo há 42 fotografias de lesões, sendo várias imagens repetidas.
Beatriz Angélica Mota Ferreira da Silva nasceu em 11 de fevereiro de 2008, em Juazeiro, cidade baiana vizinha a Petrolina, no Pernambuco. Beatriz era filha do professor Sandro Romilton Mota e da deputada Maria Lúcia Mota, e tinha dois irmãos mais velhos, Samira e Leandro. Toda a família morava em uma pequena chácara na zona rural do Juazeiro, e o pai da menina lecionava inglês no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, uma escola católica bem conhecida em Petrolina. No dia em que foi morta, a irmã de Beatriz estava se formando no terceiro ano do Ensino Médio.
Assassinato
No dia 10 de dezembro de 2015, Beatriz acompanhou os pais à cerimônia de formatura da irmã. Tanto ela como a irmã estudavam na instituição. Durante o evento, que contou com a presença de cerca de 2.500 pessoas, Beatriz pediu permissão a sua mãe para tomar água em um bebedouro que ficava em baixo da quadra onde o evento acontecia. Seus pais notaram sua ausência cerca de meia hora depois, e seu pai interrompeu a apresentação de uma banda para chamar por ela. "Beatriz, ô minha filha, onde é que você está? Ô Bia. Está todo mundo procurando por você", chamou seu pai do palco do evento. As buscas pela menina começaram imediatamente, tendo seu corpo sido encontrado numa sala desativada pelas 22h50min. O corpo apresentava ferimentos de faca no tórax, membros superiores e inferiores. A faca usada no crime foi encontrada próximo à criança. O laudo constou que o corpo de Beatriz apresentava 42 facadas, um ato de extrema violência
Em fevereiro de 2016, o primeiro delegado responsável pelas investigações, Marceone Ferreira, disse que não descartava a participação de mais de uma pessoa no crime. Na época também, um retrato falado de um suspeito, um homem de camisa verde que foi visto na área dos bebedouros, foi divulgado. Conforme as investigações seguiam, uma perícia apontou 3 meses depois que ao menos cinco pessoas estavam, de alguma forma, envolvidas no crime, sendo que todas eram funcionárias da escola. O promotor do Ministério Público (MP) de Petrolina, Carlan Carlo da Silva, declarou que o assassinato poderia ter motivação religiosa, para atingir o colégio católico. Ele também disse que poderiam ter ocorrido falhas da Polícia Civil nas primeiras horas da investigação do crime. Em setembro de 2016, a polícia divulgou um vídeo do suspeito andando ao redor do colégio e entrando na quadra onde acontecia a festa, 20 minutos antes de Beatriz ser vista pela última vez. Novas imagens do suspeito foram divulgadas em março de 2017. Em junho de 2017, a seção da OAB em Juazeiro-BA, cidade vizinha à Petrolina, criou uma comissão especial para acompanhar as investigações sobre a morte da menina e divulgou uma carta aberta em que cobrava da polícia a resolução do caso. Em novembro de 2017, a mãe da menina viajou até Recife para conversar com o governador e pedir acesso ao inquérito policial. Na época, a família já aguardava há três meses uma resposta ao pedido de acesso aos documentos.
Críticas do pai e troca de delegados
O pai de Beatriz disse em outubro de 2019 que um investigador particular contratado pela família afirmou que agentes da polícia estariam atrapalhando as investigações. "Na nossa investigação paralela, a gente descobriu coisas que nem gostaria de falar. Está tendo certo desvio de função. A gente está descobrindo que alguns agentes que participaram da investigação de Beatriz, de uma certa maneira, atrapalharam as investigações", disse para uma rádio. Já a Polícia Civil se pronunciou dizendo que continuava "empenhada na elucidação do caso". Em 2018, o advogado do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora já havia dito que imagens haviam sido apagadas por uma falha da Polícia Civil no manuseio dos HDs.
Comentários sobre a cadeia de custódia do Brasil e a palma na cena do crime
Ao comentar sobre o caso, a perita criminal de Manaus Gigi Barreto questionou em sua rede social a má qualidade do Brasil com falta de cadeia de custódia com as provas do crime que ligam aos suspeitos. Posteriormente, ela comentou no YouTube que um dos peritos do caso Beatriz respondeu que as provas deste caso em questão poderiam ser rastreadas, garantindo a fiabilidade das mesmas. Ainda na sua análise, Gigi Barreto mencionou a controvérsia com a impressão palmar encontrada na cena do crime: dois peritos disseram que a palma é de um ex-aluno, já outros dois negaram.
Desfecho
No dia 11 de Janeiro de 2022, mais de 6 anos após o assassinato, a Polícia Científica de Pernambuco identificou através de exame de DNA no cabo da arma deixada no local do crime, que Marcelo da Silva, de 40 anos foi o autor do crime. O mesmo confessou o assassinato e foi indiciado após ser ouvido por delegados. A partir da análise dos peritos foi possível comparar com o perfil do assassino, cujo DNA fazia parte do Banco Estadual de Perfis Genéticos e foi "comparado com o material genético de 125 pessoas, consideradas suspeitas". No mesmo dia, à noite, a mãe divulgou um vídeo na página oficial do Facebook (ver em ligações externas) dizendo que sequer havia sido comunicada pela polícia sobre a prisão do assassino. Ela disse também que não vai permitir que um inocente seja preso neste caso e que mais esclarecimentos eram necessários. "A polícia não fala com a gente então falaremos através de uma coletiva de imprensa amanhã", disse. No dia posterior, a mãe disse que a prova do DNA era incontestável, mas que a motivação não convencia.
Reconstituição
No dia 11 de fevereiro de 2022, foi realizada a reconstituição do crime, sem a participação do acusado. No entanto, todas as 10 testemunhas, pessoas que estavam na formatura do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora e que viram o suspeito, que participaram dos trabalhos, reconheceram Marcelo da Silva. Segundo o advogado dos pais de Beatriz, 'uma de cada vez, foram colocadas diante não apenas do suspeito, mas como manda o Código de Processo Penal, outras pessoas também. Em torno de cinco pessoas, para que essas testemunhas possam, dentro desse grupo, identificar quem elas viram realmente, o que a memória fotográfica delas pode indicar nesse momento".
Conclusão do inquérito policial
No dia 6 de julho de 2022, a Polícia Civil de Pernambuco informou que a Força-Tarefa responsável pelo inquérito encerrou as investigações. Marcelo da Silva, que está preso, foi considerado autor do assassinato a partir de teste de DNA.
Em uma live transmitida simultaneamente para o Youtube e Instagram no dia 21 de julho de 2022, Lucinha Mota disse que acredita que Marcelo da Silva realmente é o autor do crime, e peritos analisaram a confissão do criminoso para saber se ele não estava sendo coagido para confessar. Ao ser questionada sobre o motivo da rapidez na solução do caso, Lucinha Mota disse que foi devido aos seus protestos públicos, e que iria denunciar o governador caso ele não deixasse que outras instituições ajudassem na investigação. Posteriormente, o governador afastou um perito da polícia que era ligado à escola onde Beatriz foi assassinada, também informou que a escola negligenciou a segurança do local, pois na portaria não tinha segurança e qualquer pessoa podia entrar. Mais informações foram compartilhadas com a equipe de advogados e a família de Beatriz, mas elas ainda não serão divulgadas enquanto o processo estiver em andamento.


