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Assão

Assão, Assame ou Assã é um dos estados da Índia, localizado no leste do país. Sua capital é Guwahati. Faz fronteira com o Butão a norte, com os Estados indianos de Arunachal Pradexe a nordeste, Nagalândia a leste, Manipur a sudeste, Mizorão e Tripurá a sul, com Bangladexe e o Estado de Megalaia a sudoeste e o Estado de Bengala Ocidental a oeste.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Etimologia

Assão era conhecido como Pragjyotisha no Maabárata, e Kamarupa no primeiro milênio. O nome de Assão vem do reino de Ahom (1228-1826), então conhecido como o Reino de Assão. A província britânica após 1838 e o estado indiano após 1947 passaram a ser conhecidos como Assão. Em 27 de fevereiro de 2006, o governo de Assão iniciou um processo para mudar o nome do estado para Asom, um movimento controverso que teve oposição do povo e das organizações políticas.

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História

Pré-história

Assão e as regiões adjacentes têm evidências de estabelecimentos humanos de todos os períodos da Idade da Pedra. As colinas na altura de 460 a 615 m eram habitações populares, provavelmente devido à disponibilidade basalto dolerítico, útil para a manufatura de ferramentas. Segundo o Kalika Purana (século VIII-IX), escrito em Assão, o governante mais antigo foi Mahiranga, seguido Hatak, Sambar, Ratna e Ghatak; Naraka removeu essa linhagem de governantes e estabeleceu a sua própria dinastia. A escritura menciona que o último dos governantes Naraka-Bhauma, Narak, foi morto por Críxena. O filho de Naraka, Bhagadatta, mencionado no Maabárata, lutou com os Kauravas na batalha de Kurukshetra com um exército de kiratas, chinas e habitantes da costa leste. Governantes posteriores de Kamarupa frequentemente traçavam a sua linhagem dos governantes Naraka.

Antiga e medieval

O Assão antigo, conhecido como o reino de Kamarupa, foi governado por poderosas dinastias: os Varmanas (350-650), os Salstambhas (Xalostombho, 655-900) e os Kamarupa-Palas (900-1100). No reinado do rei Varman Bhaskaravarman (600-650), o viajante chinês Xuan Zang visitou a região e registrou as suas viagens. Depois, após o enfraquecimento e desintegração (após os Kamarupa-Palas), a tradição de Kamarupa foi de certo modo estendida até 1255, pelas dinastias Lunar I (1120-1185) e Lunar II (1155-1255). Duas dinastias posteriores, os Ahoms e os Koch, deixaram impactos maiores. Os Ahoms, originalmente um grupo Tai, governaram Assão por aproximadamente 600 anos (1228-1826), e os Koch estabeleceram soberania em 1510. O reino Koch, ao oeste de Assão e na atual Bengala Setentrional, esteve no seu zênite no antigo reinado de Naranarayana (1540-1587). Em 1581, dividiu-se em dois: a parte ocidental como vassala do Império Mogol e a parte oriental como um estado satélite de Ahom. Desde o século XIII, o centro nervoso da política de Ahom era Alto Assão; o reino foi gradualmente estendido até o rio Karatoya no século XVII-XVIII. Esteve no seu zênite durante o reinado de Sukhrungpha ou Sworgodeu Rudra Simha (1696-1714). Entre outras dinastias, o reino Chutiya governou o nordeste de Assão e partes da atual Arunachal Pradexe e o reino Kachari governou do rio Dicou até Assão central e meridional. Com a expansão do reino Ahom, em 1520, as áreas chutiyas foram anexadas e desde 1536 os kacharis permaneceram somente em Cachar e em North Cachar mais como aliadas de Ahom que como competidores. Apesar de inúmeras invasões, principalmente por governantes muçulmanos, nenhuma força ocidental governou Assão até a chegada dos ingleses. O invasor mais bem-sucedido, Mir Jumla, governante de Aurangzeb, ocupou brevemente Garhgaon (1662-63), então a capital, mas achou difícil controlar o povo guerrilhando com as suas forças, forçando-o a sair. A vitória decisiva dos assameses, liderada pelo grande general Lachit Borphukan, sobre os mogóis, então sob comando de Raja Ram Singha em Saraighat (1671) quase acabou com as ambições mogóis. Os mogóis foram finalmente expulsos em 1682 de Baixo Assão.

Assão britânico

A intriga do palácio de Ahom e o turbilhão político causado pela rebelião de Moamoria auxiliou ao governante birmanês expansionista de Ava que invadisse o Assão e instalasse um estado fantoche, em 1821. Quando os birmaneses alcançaram as fronteiras da Companhia Britânica das Índias Orientais, eclodiu a Primeira Guerra Anglo-Birmanesa. A guerra terminou com o Tratado de Yandabo, em 1826, com a companhia tomando controle do Baixo Assão, e instaurando Purander Singh como rei do Alto Assão, em 1833. O acordo, durou até 1838, e a partir de então os britânicos anexaram a região inteira. Inicialmente, Assão tornou-se parte da Presidência de Bengala; em 1906 passou a fazer parte da província da Bengala Oriental e Assão, e em 1912 foi reconstituída como província do Comissariado-Chefe. Em 1913 um Conselho Legislativo, e em 1937 a Assembleia Legislativa de Assão foi formada, em Xilongue, antiga capital. Os cultivadores de chá britânicos importaram mão-de-obra da Índia central, o que diversificou ainda mais o panorama demográfico da região. Após algumas tentativas iniciais de liberação do Assão, durante a década de 1850, muitos assameses, desde o início do século XX, se juntaram e apoiaram o Congresso Nacional Indiano contra a ocupação britânica. Em 1947 Assão, juntamente com os atuais Arunachal Pradexe, Nagalândia, Mizorão e Megalaia, tornaram-se um estado na República da Índia (os Estados principescos, Manipur e Tripurá tornaram-se províncias do Grupo C) enquanto um distrito de Assão, Sylhet, escolheu juntar-se ao Paquistão.

Pós-britânico

Desde 1947, com problemas econômicos na região, grupos separatistas constituídos por grupos étnicos começaram a se formar, e exigências de autonomia e soberania cresceram, resultando na fragmentação de Assão. Desde a metade do século XX, habitantes do atual Bangladexe têm migrado a Assão. Em 1961, o Governo de Assão criou uma lei tornando compulsório o uso da língua assamesa; teve que ser posteriormente retirada, devido à pressão de faladores de bengali em Cachar. Nos anos 1980, o vale do Bramaputra viu uma Agitação Assamesa de seis anos, impulsionada pela descoberta de um aumento súbito no número de eleitores registrados. A população tentou forçar o governo a identificar e deportar estrangeiros migrando ilegalmente de Bangladexe e mudando a demografia. A agitação terminou após um acordo entre os seus líderes e o governo, que ficou mal-resolvido, causando descontentamento.

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Religião

A religião maioritária é o hinduísmo com 65%, seguindo-se o islamismo com 31%, cristianismo com 3,1%, budismo com 0,3%, e outros (siquismo, animismo e budismo, comunidades Khamti, Phake, Aito, etc.) 0,6%.

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Distritos

O estado de Assão está dividido em 27 distritos.

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História do chá

Após a descoberta da Camellia sinensis (1834), em Assão, os britânicos permitiram companhias de alugar terras desde 1839. Desde então, plantações de chá multiplicaram-se no Alto Assão, onde o solo e o clima eram mais apropriados. Problemas com a mão-de-obra importada da China e hostilidades dos assameses nativos resultaram na migração de mão-de-obra compulsória da região centro-leste da Índia. Após uma tentativa e erro iniciais de plantar as variedades híbridas chinesa e assamesa-chinesa, os plantadores aceitaram a Camellia assamica local como a mais apropriada para Assão. Por volta da década de 1850, a indústria começou a ter lucros. A indústria teve crescimento inicial quando, em 1861, foi permitido a investidores de possuírem terras em Assão, e teve processo substancial com a invenção de novas tecnologias e máquinas para processar chá durante os anos 1870. O preço do chá assamês baixou e tornou-se mais competitivo que o variante chinês.

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Demografia

A população total de Assão era de 26,66 milhões, com 4,91 milhões de casas em 2001. Maior concentração populacional foi registrada nos distritos de Kamrup, Nagaon, Sonitpur, Barpeta, Dhubri, Darang e Cachar. Estimou-se que a população de Assão era de 28,67 milhões em 2006 e seria de 30,57 milhões em 2011, 34,18 milhões em 2021 e 35,60 milhões em 2026. Em 2001, o censo registrou alfabetização em Assão de 63,3%, com alfabetização masculina de 71,3% e feminina de 54,6%. A taxa de urbanização foi registrada em 12,9%. O crescimento da população em Assão tem experienciado uma trajetória bem alta desde meados do século XX. A população cresceu estavelmente de 3,29 milhões em 1901 a 6,7 milhões em 1941, enquanto teve um crescimento sem precedentes de 14,63 milhões em 1971 a 22,41 milhões em 1991, para alcançar o nível presente. O crescimento nos distritos ocidentais e orientais foi extremamente alto, podendo ser atribuído, em sua maioria, ao rápido influxo populacional do então Paquistão Oriental ou Bangladexe.

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Aspectos culturais

A cultura assamesa é tradicionalmente uma cultura híbrida, desenvolvida devido à assimilação de grupos etnoculturais no passado. Os marcos principais na construção histórico-cultural assamesa são: Com ricas tradições, a cultura moderna tem grande influência dos eventos das eras britânica e pós-britânica. A língua foi padronizada pelos Missionários Batistas Americanos, como Nathan Brown, Dr. Miles Branson e pundits locais como Hemchandra Barua. Uma sanscritização renovada foi adotada em larga escala para desenvolver a língua assamesa e a sua gramática. Uma nova onda ocidental e do norte da Índia foi aparente nas artes e na literatura. Alguns dos traços culturais únicos e comuns na região são o respeito do povo pela noz de bétele e folhas de bétele, pelas roupas simbólicas (Gamosa, Arnai etc.), pelas vestes de seda tradicional e pelos ancestrais e os mais velhos. São também comuns a grande hospitalidade e a cultura de bambu.

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Simbolismo

Simbolismo é uma prática cultural antiga em Assão, e ainda é uma parte muito importante do estilo de vida assamês. Vários elementos são usados para representar crenças, sentimentos, orgulho, identidade, etc. Tamulpan, Xorai e Gamosa são três elementos simbólicos importantes na cultura assamesa. Tamulpan (nozes e folhas de bétele) ou guapan são considerados, juntamente com o Gamosa (roupa tradicional de algodão ou seda), oferendas de devoção, respeito e amizade. A tradição do Tamulpan é antiga e é seguida desde tempos imemoriais, com raízes na cultura aborígine austroasiática. Xorai é um artigo manufaturado de grande respeito e é usado como um recipiente ao realizar oferendas respeitosas. Além disso, simbolicamente, muitos grupos etno-culturais usam roupas específicas para demonstrar respeito e orgulho. Há muitos outros elementos e estilos simbólicos, mas que são atualmente encontrados somente na literatura, arte, escultura, arquitetura etc. ou em uso para propósitos somente religiosos. Os estilos típicos de leão-assamês, dragão, leão-voador, etc., eram usados para simbolizar vários propósitos e ocasiões. Sítios arqueológicos como Madan Kamdev (sécs IX-X) exibem uso em massa de leões, dragões-leões e várias outras figuras de demônios para mostrar poder e prosperidade. Os monastérios vaishnavas e muitos outros sítios arquitetônicos do período medieval tardio também mostram o uso de leões e dragões como simbolismo.

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Línguas

O assamês e o bodo são as principais línguas indígenas e e as línguas oficiais, enquanto o bengali tem status oficial nos três distritos do Vale de Baraque. Traços do assamês são encontrados em muitos poemas por Luipa, Sarahapa, etc. em Charyapada (sécs. VII-VIII). Os dialetos modernos Kamrupi, Goalpariya, etc., são o que resta dessa língua. Além do mais, o assamês, na sua forma tradicional, foi usada pelos grupos etno-culturais da região como língua-franca, e era requerida para integração econômica. O assamês moderno traça as suas origens desde a versão desenvolvida pelos Missionários Americanos, baseada na forma local falada no distrito de Sibsagar (Xiwosagor). O assamês (Oxomiya) é uma língua rica, devido à sua natureza híbrida com características únicas de pronúncia e suavidade. A literatura assamesa é uma das mais ricas. O bodo é uma língua antiga de Assão. Padrões de distribuição espacial dos grupos etno-culturais, traços culturais e o fenômeno de nomear todos os rios principais da região noroeste com palavras Bodo-Kachari (ex.: Dihing, Dibru, Dihong, Tista, Dikrai etc.) revelam que essa língua era a mais importante dos tempos antigos. O bodo é falado atualmente em Baixo Assão (área do Bodo Territorial Council). Após anos de negligência, a língua está recebendo atenção e a sua literatura está se desenvolvendo. Outras línguas nativas de origem tibeto-birmanesa e relacionadas com o Bodo-Kachari são a língua mishing, karbi, dimaca, rabha, tiwa, etc. Rajbongshi, também conhecido como kamatapuri/goalpariya também é falado pelo povo de Assão ocidental.

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Festivais

Há vários festivais tradicionais importantes em Assão. Bihu é o mais importante e comum celebrado em todo o Assão. Bihu é uma série de três festivais. É primariamente um festival não-religioso celebrado para marcar as estações e os pontos significativos da vida de um agricultor em um ciclo anual. São três Bihus: rongali ou bohag, celebrados com a chegada da primavera e o começo da época de semeadura; kongali ou kati, o Bihu estéril, quando os campos estão ricos mas os celeiros vazios; e o bhogali ou magh, quando dão graças pela colheita ter sido realizada e os celeiros estarem cheios. As canções e a dança Bihu estão associadas com o rongali. O dia anterior a cada Bihu é conhecido como uruka. O primeiro dia do rongali é conhecido como Goru Bihu (o Bihu das vacas), quando as vacas são levadas para os rios ou lagoas próximas para serem banhadas com cuidado especial. Recentemente, a forma e natureza da celebração têm mudado com o crescimento dos centros urbanos.

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Fontes consultadas

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