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As Tesmoforiantes

As Tesmoforiantes ou As mulheres que celebram as Tesmofórias, foi uma comédia escrita por Aristófanes e encenada em 411 a.C., nas Grandes Dionisíacas, festival em honra ao deus Dioniso. Nessas festas, além dos rituais em homenagem a Dioniso, existiam dias reservados para as competições de tragédia e comédia. As peças teatrais eram apresentadas e o público votava na sua preferida.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/08/2026
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Enredo da Peça

As Tesmoforiantes gira em torno das mulheres que celebram o festival das Tesmofórias. Elas formam uma espécie de assembleia feminina, onde apresentam o “crime” de difamação cometido por Eurípides em suas tragédias e votam para julgá-lo. Ciente que seria julgado pelos mulheres em uma assembleia, Eurípides vai então à casa de Agatão (448 – 400 a.C.) com o intuito de pedi-lo para entrar travestido de mulher no Tesmofórion, templo em honra às deusas Deméter e Pérsefone, para defendê-lo diante das mulheres. Agatão, que assim como Eurípides era um poeta trágico, é apresentado por Aristófanes como efeminado, por causa de seus trejeitos e vestes. Contudo, Agatão se recusa a ajudar Eurípides alegando que elas ficariam com inveja de sua beleza e poderiam querer se vingar por causa da concorrência que ele significava para elas. Não restando outra opção, Eurípides recorre ao seu parente que, por fidelidade, aceita se transvestir de “mulher” e entrar no Tesmofórion com o intuito de defendê-lo diante das mulheres. Normalmente o parente de Eurípides é reconhecido como Mnesíloco, seu sogro, mas na peça aparece apenas como parente, possível indicativo de uma alusão mais ampla e abrangente.

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O teatro grego

A palavra teatro deriva do verbo grego theasthai, olhar, contemplar. O teatro ateniense surge em forma de rituais coletivos, dedicados aos deuses, ou seja, um evento religioso. Entretanto, a grandiosidade dessa prática não se limitava à religiosidade, invadindo também a democracia ateniense e a estrutura física e social da polis. Exemplos disso são dados pelos cortejos feitos para exaltar a grandeza de Atenas durante alguns dos festivais teatrais. O teatro servia como uma forma de expressão muito importante para representar aquilo que estava acontecendo em Atenas. Com isso, surge um novo complexo que alcança a literatura e até o comportamento humano, consistindo em dois grandes gêneros: a comédia e a tragédia. Aristófanes, sendo um dos destaques da comédia antiga, expressa em suas peças ideias e debates sobre sistemas de valores que são de suma importância para a nossa compreensão do que foi a Atenas antiga. A rica variedade da vida na Ática foi acolhida nas produções teatrais, por exemplo as oscilações políticas, os avanços marítimos e suas frotas, a mudança no mundo da arte, a peculiaridade das personalidades, a inserção de novas ideias; cada qual com sua representatividade dos acontecimentos clássicos.

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Festividades cívicas na Grécia

As festividades tinham suma importância na organização da época. Os gregos denominavam a palavra festa usando duas expressões: Heorté e Thalía. Heorté significava deleite, alegria e celebração enquanto Thalía era associada ao verbo thallo, que denota germinar. O significado dessas palavras é necessário para entendermos o conceito de festas nessa sociedade. As festividades no mundo grego eram demonstrações de identidade e hierarquias sociais, sendo rituais cheios de simbologias. Eram também rituais onde o mortal entrava em contato com o imortal. Acreditava-se que os deuses haviam se unificado aos ciclos da natureza e estavam inteiramente ligados aos processos agrícolas e a fertilidade. Para essas sociedades, as estações do ano estavam conectadas com as manifestações divinas, fazendo delas responsáveis pelas estações do ano, as fases da lua e também em relação a fertilidade da terra, tanto na agricultura como na pecuária.

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O festival das Tesmofórias

O nome da peça As Tesmoforiantes vem do festival Tesmofórias, que era celebrado anualmente no outono, na segunda semana do Pyanopsion (mês lunar antigo grego de aproximadamente outubro a novembro ) em honra a Deméter e Perséfone, divindades agrícolas. Era de participação exclusiva das mulheres casadas, que tinham acesso à Pnyx e que ficavam lá por três dias, afastadas de suas vidas cotidianas e de sua família, festejando a fertilidade e cultuando as deusas Deméter e Perséfone. No primeiro dia (Anodos), as mulheres iam até o Tesmofórion e praticavam ritos que remetiam à morte e sexualidade, o que marcava a ruptura com o dia a dia feminino. No segundo dia (Nesteia), homenageavam Deméter e faziam jejum, representando a deusa no momento da perda da sua filha. No último dia (Kalligeneia, que significa Nascimento Belo), as mulheres voltavam a comer, sacrificavam um porco e a vida normal era então restaurada.

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A mulher na vida religiosa da Atenas do século V a.C.

Mesmo a atividade política sendo proibida às mulheres em Atenas, seu papel na sociedade era muito significativo mesmo que fosse, de certa forma, apagado. Podemos notar a explicação da ausência feminina na esfera política através do mito de fundação da cidade de Atenas. A deusa Atenas teria vencido Poseidon em uma competição para ver quem seria o padroeiro da cidade. Atenas acabou ganhando pelo voto da população feminina, e Poseidon, irado e vingativo, decretou que as mulheres atenienses nunca mais teriam o direito de votar. A atuação feminina no espaço cívico está associada às festividades religiosas, à vida conjugal e como donas de casa. Há diversas discussões sobre o papel das mulheres na sociedade ateniense. Alguns autores defendem a concepção de que as mulheres eram tratadas e vistas como inferiores, outros que eram respeitadas e tinham certas liberdades e há ainda os que destacam que viviam reclusas e que esta reclusão era estimada e respeitada principalmente no ambiente do familiar. De qualquer forma, percebe-se que as atenienses eram muito presentes nos assuntos religiosos da pólis, participando de cerca de quarenta cultos aos deuses, sendo, inclusive, alguns restritos apenas a elas. As principais celebrações que envolviam as mulheres eram as Tesmofórias e as Panateneias.

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Discussão

Muito se discute sobre a mensagem que Aristófanes pretendia comunicar com a escrita das Tesmoforiantes. Em 1933, Gilbert Murray mostra que a base para a peça de Aristófanes foram puramente as paródias. Seus estudos apontam a obra aristofânica como um elogio a Eurípides, pois mostra que o dramaturgo tinha obras conhecidas o suficiente para que o público pudesse rir das piadas. Murray também aponta a possível amizade entre Aristófanes e Eurípides, diferente do que se imaginava. Cedric Whitman, em 1964, também afirmou que a comédia se limita a paródia e a homossexualidade. Whitman apresenta também o aumento do suspense nas comédias contemporâneas às As Tesmoforiantes, como a Lisístrata. O autor resume então que As Tesmoforiantes não possuem o mesmo valor que a própria Lisístrata, apesar de ser cômica e inteligente. Em 1975, Jeffrey Henderson analisa o uso da linguagem de baixo calão e obscenidades nas peças de Aristófanes. Ele indica como objetivo dessa linguagem contrastar entre a feminilidade e a masculinidade e aumentar o clima homens versus mulheres, já que é por meio de palavrões que as mulheres identificam o parente de Eurípides como o homem infiltrado. O autor indica também que não há referências políticas em As Tesmoforiantes. Em 1991, Tomas K. Hubbard aponta que As Tesmoforiantes não fazem menção nenhuma aos problemas políticos, assim como afirmou Henderson em 1975. Diz também que a peça discute unicamente as ações dos homens contra o feminino, porque eles não entendiam as obras de Eurípides e sua descrição das mulheres.

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Traduções

No Brasil, existem as seguintes traduções d’As Tesmoforiantes:

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