As Capitais Provinciais do Irã
As Capitais Provinciais do Irão (português europeu) ou Irã (português brasileiro) é um texto sobrevivente em persa médio sobre geografia, que foi concluído no final do século VIII ou começo do IX. O texto dá um numerosa lista de cidade do Irã e sua história e importância para a história persa. O texto em si também tem indícios que teria sido redigido no tempo do xá Cosroes II (r. 590–628) no século VII, pois cita vários locais na África e Golfo Pérsico conquistados pelo Império Sassânida.
Os termos persas Eranshahr () e Eran estiveram em uso no Irã sassânida. No período sassânida precoce (elaborações de Artaxer I e Sapor I) Eranshahr, que significa "Império dos Iranianos", foi usado para referir-se ao país persa e serviu como nome oficial do Estado. Artaxer I (r. 224–242), o primeiro rei do Império Sassânida, usou o termo mais antigo ērān (em parta: aryān) como parte de seu títulos e segundo sua etimologia. Em Naqsh-i Rustam, na província de Fars, e em moedas emitidas pelo período, Artaxer chamou-se "rei dos reis dos arianos" (em persa médio: Ardašīr šāhānšāh ērān; em parta: šāhānšāh aryān). Seu filho Sapor I (r. 240–270) referiu-se a si mesmo como "rei dos reis dos arianos e não-arianos" (šāhānšāh ērān e anērān) em persa médio e šāhānšāh aryān e anaryān em parto. Reis posteriores, de Narses (r. 293–302) a Sapor III (r. 383–388) a usaram frases idênticas ou similares e elas passaram a compor as designações padrão dos soberanos sassânidas.
Segundo o livro e uma antiga tradição iraniana, o Império Sassânida era dividido em quatro regiões ou margens "mitologicamente e mentalmente" definidas chamadas custes (kust). Essas regiões do Estado durante e após o reinado de Cosroes I (r. 531–579) eram: (1) "Nordeste" (Coração), (2) "Sudoeste" (Cuararão), (3) "Sudeste" (Ninruz) e (4) "Noroeste" (Azerbaijão). Os distritos eram nomeados diagonalmente começando do nordeste para sudoeste, e do sudeste para nordeste - um estilo provavelmente seguindo a tradição persa antiga de nomear satrapias. O termo comum persa médio abāxtar (emprestada do parta abāxtar, abarag; em língua avéstica: apāxtara) usado à direção nordeste na tradição iraniana antiga teria sido evitado nesta designação e substituído pelo nome provincial Azerbaijão. Acredita-se que isso se deve à "associação zoroastrista do norte com a morada do mal" que "seria evocada pelo uso de abāxtar".


