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As Bodas de Deus

As Bodas de Deus é um filme luso-francês satírico de 1999, escrito, realizado e protagonizado por João César Monteiro. Esta é a terceira longa-metragem da trilogia que o retrata como alter-ego na figura de João de Deus, sendo a primeira delas Recordações da Casa Amarela e a segunda A Comédia de Deus. As Bodas de Deus foi produzido por Paulo Branco com direção musical de Nicolai Lanov.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/08/2026
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Enredo

Imagem: Universo Produção · BY-NC-ND · Openverse

Mal refeito de uma divina, mas frustrante comédia (em A Comédia de Deus), tudo parece perdido para o infeliz João de Deus. Rumina ele agora os infortúnios no meio das árvores de um parque frio e solitário: no meio de tristes lembranças. Surge-lhe entretanto pela frente um Enviado do Pai Divino. O Enviado de Deus dá ao vadio (estado provisório do pobre João de Deus) uma mala cheia de dinheiro. Missão cumprida, o Enviado vai à vida. Debaixo da árvore à beira do lago, João conta as pápulas. A água silente do lago é perturbada pela queda de um corpo. Ouvido o que se passou, vai João ver o que se passa. A jovem Joana está prestes a afogar-se. João atira-se à água donde retira Joana. Ministrados os primeiros e tão prontos socorros, João transporta a inanimada para um convento de freiras. Volta ao parque para recuperar o dinheiro contido na mala. Mais tarde, regressa com a mala ao convento, para se inteirar do estado de saúde de Joana e para, graças à sua esplêndida situação financeira, melhorar a vida do convento e a vida de Joana. A jovem serve numa creche aberta pela paróquia da aldeia. Na companhia da madre Bernarda, a superiora do convento, João de Deus almoça um cozido à portuguesa, tintamente regado. Após a ingestão, conversação com Joana à beira-mar. João de Deus encontra uma romã na areia. Corta a romã irmamente e oferece a Joana uma das metades. Longo silêncio. É tudo.

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Produção

Desenvolvimento

João César Monteiro, em 1995, planeava filmar A Comédia de Deus e As Bodas de Deus como um só filme, em duas partes, que intitularia “Teologia de Deus” . A primeira decorreria em Lisboa, como viria a acontecer, e a segunda em Paris como nunca viria a acontecer. Os constrangimentos de produção em Paris entre 1996 e 1997 foram tais, que César Monteiro abandonou estes planos e considerou que “Teologia de Deus” ficaria incompleta. O realizador avançou com outro projeto, Le Bassin de J.W., filmado entre maio e junho de 1997. O péssimo acolhimento reservado a esse filme, a “desorientação” que o realizador disse ter experimentado durante e após Le Bassin, a impossibilidade de retomar em Paris as filmagens de As Bodas de Deus, levaram-no a reconsiderar o argumento para As Bodas de Deus.

Gravações

A rodagem da longa-metragem decorreu em 1998. As gravações de exteriores decorreram em cenários de Lisboa (Hospital Miguel Bombarda, Lisboa), Azeitão, Sesimbra, Serra de Sintra, Praia da Adraga, Peniche, Piódão, Serra da Estrela. O Centro Paroquial de Colares, Pousada da Santa Raínha Isabel (Estremoz), Forte de Peniche, Tribunal da Boa Hora e Teatro Nacional de S. Carlos foram locais de rodagem de interiores.

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Lançamento

Imagem: Dan Queiroz · BY · Openverse

A apresentação de As Bodas de Deus decorreu a 20 de maio de 1999 no Festival de Cannes. Em Portugal, a anteestreia foi no Cinema Monumental a 26 de outubro de 1999, em Lisboa. O filme viria a ser exibido comercialmente a partir de 5 de novembro, onde estreou nos Cinemas King e Monumental. A longa metragem foi editada em DVD e distribuída pela Lusomundo Audiovisuais em 2003.

Festivais

O filme fez parte da seleção dos seguintes Festivais internacionais de cinema:

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Receção

Imagem: Salinaa Lee · BY-NC-ND · Openverse

Elogiado pela critica nacional e internacional, As Bodas de Deus chegou a ser considerada uma obra-redenção para o realizador João César Monteiro e para a sua personagem João de Deus. Luís Miguel Oliveira (Ípsilon), caracteriza a longa metragem de "luxuriante", elogiando o modo como encerra a trilogia em serena aceitação após o julgamento de um protagonista "sátiro e asceta, benemérito e oportunista, cruel e misericordioso, obediente e anarca".

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Fontes consultadas

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