Art déco
O Art Déco, também conhecido como Déco, foi um influente estilo internacional de artes visuais, arquitetura e design que surgiu na Europa em 1910, atingindo seu auge nas décadas de 1920 e 1930, antes de declinar entre 1935 e 1939. Abrangendo desde as artes decorativas e arquitetura até a moda, pintura, cinema e design de transportes, o estilo combinava modernismo com artesanato refinado e materiais luxuosos. Seu nome deriva da 'Exposition internationale des arts décoratifs et industriels modernes' de 1925 em Paris. No seu apogeu, o Art Déco simbolizou luxo, glamour, exuberância e uma forte crença no progresso social e tecnológico.
Pontos-chave
- O Art Déco surgiu em 1910 na Europa, com auge nas décadas de 1920 e 1930, declinando entre 1935 e 1939.
- O nome 'Art Déco' é uma abreviação de 'Artes Decorativas', originada da exposição de 1925 em Paris.
- O estilo combinava modernismo com artesanato de alta qualidade e materiais ricos, representando luxo e glamour.
- Afetou diversas áreas como arquitetura, design de interiores, moda, pintura, cinema e transportes.
- Representou a fé no progresso social e tecnológico durante seu período de maior popularidade.
A expressão 'Art Déco' é uma abreviação de 'Artes Decorativas' e foi formalmente estabelecida a partir da 'Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas', realizada em Paris em 1925. No entanto, os elementos estilísticos do Art Déco já estavam presentes em Paris e Bruxelas antes da Primeira Guerra Mundial. O termo 'artes decorativas' já era utilizado na França desde 1858, e em 1875, artesãos como designers de móveis e joalheiros receberam oficialmente o status de artistas pelo governo francês. Isso levou à renomeação da 'École royale gratuite de dessin' para 'Escola Nacional de Artes Decorativas', que mais tarde se tornou a ENSAD em 1927.
O Art Déco não surgiu de repente, mas foi o resultado de uma evolução de ideias e movimentos artísticos e sociais que valorizaram o design e o artesanato, buscando uma estética moderna e distinta.
Sociedade dos Artistas Decorativos (1901–1913)
O Art Déco está intrinsecamente ligado à valorização dos artistas decorativos, que antes do século XIX eram vistos apenas como artesãos. Em 1875, o termo 'arts décoratifs' conferiu-lhes status oficial. A 'Société des artistes décorateurs' (SAD), fundada em 1901, garantiu a esses artistas os mesmos direitos autorais de pintores e escultores. Esse movimento se espalhou, com exposições internacionais e revistas dedicadas às artes decorativas surgindo em Paris. O nacionalismo francês também impulsionou o ressurgimento das artes decorativas, como uma resposta às importações alemãs. Em 1911, a SAD propôs uma grande exposição internacional de artes decorativas para 1912, que só permitiria obras modernas. Adiada para 1925 devido à guerra, essa exposição acabou por dar nome ao estilo Déco.
Théâtre des Champs-Élysées (1910–1913)
O Théâtre des Champs-Élysées, projetado por Auguste Perret e concluído entre 1910 e 1913, é considerado o primeiro marco arquitetônico Art Déco em Paris. Perret foi pioneiro no uso do concreto armado em edifícios modernos na cidade. O teatro apresentava uma forma retangular limpa, decoração geométrica e linhas retas, características que se tornariam distintivas do Art Déco. Sua decoração interna, com esculturas de Antoine Bourdelle, cúpula de Maurice Denis e pinturas de Édouard Vuillard, também era revolucionária. Perret e Henri Sauvage, outro arquiteto importante, tornaram-se figuras centrais do Art Déco parisiense na década de 1920.
Salon d'Automne (1912–1913)
Nos seus primórdios, entre 1910 e 1914, o Art Déco era marcado por uma explosão de cores, com tons vibrantes e por vezes contrastantes, frequentemente aplicados em desenhos florais em estofos, tapetes, telas e papéis de parede. O Salon des artistes décorateurs de 1912 exibiu diversas obras coloridas, incluindo móveis de Maurice Dufrêne e um tapete Gobelin de Paul Follot. Designers como Alfred Karbowsky e a dupla Louis Süe e André Mare, com sua empresa Atelier Française, também apresentaram trabalhos que combinavam tecidos coloridos com materiais exóticos e caros como ébano e marfim. Após a Primeira Guerra Mundial, Süe e Mare se tornaram proeminentes no design de interiores, criando móveis para transatlânticos de luxo.
Casa Cubista (1912)
O Cubismo, surgido na França entre 1907 e 1912, influenciou significativamente o desenvolvimento do Art Déco. Os cubistas, inspirados por Paul Cézanne, buscavam simplificar as formas a seus princípios geométricos (cilindro, esfera, cone). Em 1912, artistas da Seção d'Or apresentaram obras mais acessíveis ao público, tornando o vocabulário cubista atraente para designers de moda, móveis e interiores. André Vera, em seu artigo 'Le Nouveau style' (1912), rejeitou as formas assimétricas e policromáticas do Art Nouveau, defendendo a 'simplicité volontaire, symétrie manifeste, l'ordre et l'harmonie' (simplicidade voluntária, simetria manifesta, ordem e harmonia) – princípios que se tornariam centrais no Art Déco, embora o estilo eventualmente se tornasse bastante colorido e complexo.
O Art Déco não foi um estilo monolítico, mas sim uma fusão de diferentes e, por vezes, contraditórios estilos. Ele sucedeu e reagiu ao Art Nouveau, que floresceu na Europa entre 1895 e 1900, e gradualmente substituiu os estilos Beaux-Arts e neoclássico predominantes na arquitetura europeia e americana. Em 1905, Eugène Grasset publicou 'Méthode de Composition Ornementale, Éléments Rectilignes', explorando sistematicamente aspectos decorativos de elementos geométricos, em contraste com as formas ondulantes do Art Nouveau. Grasset defendia que formas geométricas simples, como triângulos e quadrados, são a base de todas as composições. Edifícios de concreto armado de Auguste Perret e Henri Sauvage, especialmente o Teatro dos Champs-Élysées, introduziram novas formas de construção e decoração que foram amplamente replicadas.
O Art Déco era sinônimo de luxo e modernidade, combinando materiais de alto custo e artesanato primoroso com formas modernistas. Nada era barato no Art Déco: móveis frequentemente incluíam incrustações de marfim e prata, enquanto joias Art Déco mesclavam diamantes com platina, jade e outras pedras preciosas. O estilo adornava os salões de primeira classe de transatlânticos, trens de luxo e arranha-céus, e foi amplamente utilizado na decoração de grandes cinemas nas décadas de 1920 e 1930. Após a Grande Depressão, o estilo evoluiu para uma estética mais sóbria. Um exemplo notável do luxo Art Déco é o boudoir da estilista Jeanne Lanvin, projetado por Armand-Albert Rateau entre 1922 e 1925, que foi reconstruído no Museu de Artes Decorativas de Paris. O ambiente apresentava paredes com lambris esculpidos, baixos-relevos em estuque, colunas de mármore, piso de mármore branco e preto, e armários com objetos decorativos sobre seda azul, além de um banheiro com mármore Sienna e acessórios de bronze.
O evento que marcou o auge do estilo Art Déco e lhe deu o nome foi a 'Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes', realizada em Paris de abril a outubro de 1925. Patrocinada pelo governo francês, a exposição ocupou 55 acres em Paris, estendendo-se do Grand Palais (margem direita) até Les Invalides (margem esquerda), ao longo do Sena. O Grand Palais abrigou exposições de artes decorativas de vinte países, incluindo Inglaterra, Itália, Espanha, Polônia, Tchecoslováquia, Bélgica, Japão e União Soviética. A Alemanha não foi convidada devido às tensões pós-guerra, e os Estados Unidos se recusaram a participar por má compreensão do objetivo. A exposição atraiu dezesseis milhões de visitantes em sete meses. As regras exigiam que todas as obras fossem modernas, sem estilos históricos. O objetivo principal era promover fabricantes franceses de produtos de luxo, como móveis, porcelana e têxteis. Grandes lojas de departamento e designers parisienses tinham seus próprios pavilhões, e a exposição também promovia produtos das colônias francesas na África e Ásia, como marfim e madeiras exóticas.
Os arranha-céus americanos representaram o ápice do estilo Art Déco, tornando-se os edifícios modernos mais altos e reconhecidos mundialmente. Eles foram projetados para exibir o prestígio de seus construtores através de sua altura, forma, cor e iluminação noturna dramática. Enquanto o Woolworth Building (1913) e o American Telephone and Telegraph Building (1924) em Nova Iorque ainda mantinham elementos neoclássicos, o American Radiator Building de Raymond Hood (1924) combinou elementos góticos e Art Déco, utilizando tijolos pretos (simbolizando carvão) para solidez e tijolos dourados (simbolizando fogo) para destaque, com uma entrada decorada em mármore e espelhos negros. O Guardian Building de Detroit (1929), projetado por Wirt C. Rowland, foi pioneiro no uso de aço inoxidável como elemento decorativo e na aplicação extensiva de designs coloridos em vez de ornamentos tradicionais, marcando uma evolução no estilo dos arranha-céus Art Déco.
Em 1925, o Art Déco abrigava duas correntes distintas: os tradicionalistas e os modernistas. Os tradicionalistas, fundadores da Sociedade de Artistas Decorativos, incluíam nomes como Emile-Jacques Ruhlmann, Jean Dunard e Paul Poiret. Eles combinavam formas modernas com artesanato tradicional e materiais caros. Em contraste, os modernistas, que formaram a União Francesa de Artistas Modernos em 1929, rejeitavam o passado e buscavam um estilo baseado em novas tecnologias, simplicidade, ausência de decoração, materiais acessíveis e produção em massa. Entre seus membros estavam arquitetos como Pierre Chareau e Le Corbusier, e designers como Eileen Gray. Eles criticavam o Art Déco tradicional por ser elitista, defendendo que edifícios bem construídos deveriam ser acessíveis a todos e que a forma deveria seguir a função. Para eles, a beleza residia na adequação do objeto ou edifício à sua finalidade, e os métodos industriais permitiam a produção em massa de móveis e edifícios.
A pintura Art Déco era, por natureza, decorativa, concebida para complementar ambientes ou obras arquitetônicas, e por isso poucos pintores se dedicaram exclusivamente a este estilo. Dois artistas, no entanto, são intimamente associados ao Art Déco. Jean Dupas criou murais Art Déco para o Pavilhão de Bordeaux na Exposição de Artes Decorativas de 1925 e para a 'Maison de la Collectionneur' na mesma exposição, além de decorar o transatlântico francês SS Normandie. Seu trabalho era puramente decorativo, servindo como pano de fundo para outros elementos do design. Tamara de Lempicka, nascida na Polônia, emigrou para Paris após a Revolução Russa e estudou com Maurice Denis (Les Nabis) e o cubista André Lhote. Ela pintou quase exclusivamente retratos em um estilo Art Déco realista, dinâmico e vibrante, incorporando elementos de seus mestres.
A escultura Art Déco era predominantemente decorativa, criada para adornar edifícios de escritórios, governamentais, praças públicas e residências privadas, e não para museus. Era quase sempre representacional, geralmente retratando figuras heroicas ou alegóricas que se relacionavam com o propósito do edifício, com temas frequentemente escolhidos pelos patronos. Esculturas abstratas eram raras. Muitas vezes, as esculturas eram integradas às fachadas dos edifícios, especialmente acima das entradas. As esculturas alegóricas de dança e música de Antoine Bourdelle foram um elemento decorativo essencial no Théâtre des Champs-Élysées em 1912, um dos primeiros marcos Art Déco em Paris. Aristide Maillol reinventou o ideal clássico em sua estátua 'O Rio' (1939), hoje no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Na década de 1930, uma equipe de escultores criou obras para a 'Exposition Internationale des Arts et Techniques dans la Vie Moderne' em Chaillot, cobrindo os edifícios com baixos-relevos e estátuas. Alfred Janniot, por exemplo, fez os relevos na fachada do Palais de Tóquio, e a esplanada do Palais de Chaillot foi adornada com novas estátuas de Charles Malfray, Henry Arnold e outros.
O estilo Art Déco emergiu nas artes gráficas nos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial, manifestando-se em Paris nos cartazes e figurinos de Leon Bakst para os Ballets Russes e nos catálogos do estilista Paul Poiret. Ilustrações de Georges Barbier e Georges Lepape, e as imagens da revista de moda 'La Gazette du bon ton', capturaram a elegância e sensualidade do estilo. Na década de 1920, a estética evoluiu para modas mais casuais, esportivas e ousadas, com modelos femininas fumando cigarros. Revistas de moda americanas como Vogue, Vanity Fair e Harper's Bazaar rapidamente adotaram e popularizaram o novo estilo nos Estados Unidos, influenciando também ilustradores de livros como Rockwell Kent. Na Alemanha, Ludwig Hohlwein foi um renomado artista de cartazes, criando obras coloridas e dramáticas para festivais de música e cervejas. No Brasil, o ilustrador e designer gráfico J. Carlos foi o maior expoente da ilustração em revistas com a estética Art Déco, destacando-se por suas capas para as revistas 'Paratodos' (1926-1931) e 'O Malho'.


