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Macho alfa e macho beta

Macho alfa e macho beta são termos para homens derivados das designações de animais alfa e beta na etologia. Também podem ser utilizados com outros gêneros, como as mulheres, ou ainda empregarem outras letras do alfabeto grego. A popularização desses termos para descrever os humanos tem sido amplamente criticada por cientistas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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História

Os termos eram usados quase exclusivamente na etologia animal antes da década de 1990, particularmente no que diz respeito aos privilégios de acasalamento com as fêmeas, à capacidade de manter território e à hierarquia no consumo de alimento dentro do grupo ou rebanho. Na etologia animal, beta refere-se a um animal subordinado aos membros de maior escalão na hierarquia social, tendo, portanto, que esperar para se alimentar e tendo oportunidades de copulação reduzidas ou insignificantes. No livro de 1982 Chimpanzee Politics: Power and Sex Among Apes, o primatologista e etólogo Frans de Waal sugeriu que suas observações de uma colônia de chimpanzé poderiam possivelmente ser aplicadas às interações humanas. Alguns comentários sobre o livro, inclusive no Chicago Tribune, discutiram seus paralelos com as hierarquias de poder humanas. No início dos anos 1990, alguns veículos de comunicação começaram a usar o termo alfa para se referir aos humanos, especificamente aos homens mais másculos que se destacavam nos negócios. O jornalista Jesse Singal, escrevendo na revista New York, atribui a popularização dos termos a um artigo da revista Time de 1999, que relatava uma opinião sustentada por Naomi Wolf, que na época era assessora do então candidato presidencial Al Gore: "Wolf argumentou internamente que Gore é um 'macho beta' que precisa enfrentar o 'macho alfa' no Salão Oval antes que o público o reconheça como o principal." Singal também atribui a Neil Strauss o mérito de, com seu livro best-seller de 2005 sobre artista da conquista, intitulado The Game, ter popularizado o macho alfa como um ideal aspiracional.

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Uso

A visão de que existe uma hierarquia de dominância entre os humanos composta por "machos alfa" e "machos beta" é, por vezes, noticiada na mídia convencional. O termo macho alfa é frequentemente aplicado a qualquer homem dominante, especialmente a valentões, apesar de o comportamento dominante raramente ser considerado uma característica positiva para um encontro ideal ou para um parceiro romântico. Afirmações de que as mulheres seriam "programadas" para desejar machos alfa são vistas por especialistas como misóginas e estereotipadas, não sendo respaldadas por pesquisas. Psicólogos evolucionistas que estudam o comportamento de acasalamento humano acreditam, por sua vez, que os humanos utilizam duas estratégias distintas – dominância e prestígio – para ascender em hierarquias sociais, sendo o prestígio determinante de forma muito mais significativa na atratividade dos homens para as mulheres do que a dominância. O cientista cognitivo Scott Barry Kaufman resume:

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Termos relacionados

Macho sigma

Macho sigma é um termo da gíria da internet usado para descrever homens solitários e masculinos. O termo ganhou destaque na Cultura da internet durante o final dos anos 2010 e início dos anos 2020, e inspirou inúmeros memes, grafites e vídeos. É empregado para denotar um homem equivalente a um macho alfa, mas que existe fora da hierarquia macho alfa–macho beta, como um "lobo solitário". Na Manosfera, é considerado o tipo de homem "mais raro". Em 2023, #sigma acumulou mais de 46 bilhões de visualizações na plataforma de mídia social TikTok. O termo apareceu pela primeira vez em um post de blog do escritor americano Vox Day. Posteriormente, o cirurgião plástico californiano John T. Alexander publicou o livro O Macho Sigma: O que as Mulheres Realmente Querem. Em 2018, o termo apareceu no YouTube e, em 2021, tornou-se viral após um tweet de Lily Simpson.

Alpha fux beta bux

Na Manosfera, o termo alpha fux beta bux pressupõe uma estratégia sexual baseada na Hipergamia ou na ideia de "casar com alguém superior" entre as mulheres, segundo a qual estas preferem e mantêm relações sexuais com machos "alfa", mas se contentam com machos "beta" menos atraentes por razões financeiras. Às vezes, expressa a crença de que as mulheres se casam com machos beta para explorá-los financeiramente, enquanto continuam a ter Sexo extraconjugal com machos alfa. Ging explica essas crenças como um esforço dos jovens homens no mundo ocidental para lidar com suas perspectivas econômicas limitadas após a Crise financeira de 2007–2008 ao recorrer a noções Essencialismo de gênero de mulheres Mulheres caçadoras de dotes populares na cultura pós-feminista.

Beta orbiter

Um beta orbiter é um macho beta que investe tempo e esforço em socializar com mulheres na esperança de, eventualmente, iniciar um relacionamento romântico ou ter relações sexuais com elas. O termo ganhou alguma repercussão na mídia em 2019 com o Assassinato de Bianca Devins. Um homem matou a jovem Devins, de 17 anos, e postou fotografias de seu corpo online, sendo que uma delas trazia a legenda: "sorry fuckers, you're going to have to find somebody else to orbit."

Beta uprising

O termo beta uprising ou incel rebellion tem sido amplamente utilizado entre os incels para se referir à vingança por parte de membros de sua comunidade que foram ignorados pelas mulheres. Também é empregado, por vezes, para descrever um movimento de derrubar o que eles consideram uma sociedade opressora e feminista. Um ataque com veículo em Toronto, Canadá, em 2018 teria sido perpetrado por um homem que, pouco antes, postara em sua página do Facebook: "the Incel Rebellion has already begun". Veículos de mídia têm empregado os termos beta uprising e incel rebellion para se referir a atos de violência cometidos por membros das comunidades da manosfera, especialmente os incels.

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Fontes consultadas

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