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Arthur do Val

Arthur Moledo do Val é um youtuber, empresário, escritor, músico e político brasileiro. É ativista do Movimento Brasil Livre e ex-deputado estadual de São Paulo, tendo sido eleito pelo Democratas (DEM) e exercido o cargo de 2019 a 2022, quando teve seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar, tornando-se inelegível por oito anos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Biografia

Imagem: Michel Jesus/Câmara dos Deputados · BY · Openverse

Arthur é o mais velho de três filhos homens do casal Manoel Costa do Val Filho e Elza Moledo de Souza, divorciados desde 2003. Seu pai tem uma empresa de sucata de aço em Guarulhos aberta na época em que Arthur nasceu, e onde trabalhou antes de se tornar youtuber. Frequentou a faculdade de Engenharia Química no Instituto Mauá de Tecnologia mas não se formou. No final do ano de 2015, Arthur criou um canal no YouTube chamado "Mamaefalei" para expor suas ideias e vídeos que fazia na rua. O canal alcançou notoriedade rapidamente. Segundo Arthur, o YouTube reúne usuários dispostos a gastar tempo assistindo a vídeos longos — os dele costumam ter até dez minutos —, o que, em tese, favorece a construção de narrativas mais elaboradas sobre a atualidade política. Segundo diz, o seu estilo polêmico o ajudou a projetá-lo, mas hoje o atrapalha, pois prejudica a imagem de seriedade que quer criar, além de comprometer a receita que poderia fazer com seu conteúdo no YouTube. Os seus primeiros vídeos traziam considerações de inspiração liberal sobre impostos, multas e direitos trabalhistas.

Candidato a prefeito de São Paulo

A candidatura à prefeitura da cidade de São Paulo de Arthur foi oficializada em 7 de setembro de 2020. Participou de protestos e focou em suas redes sociais. No dia 15 de novembro, data da votação do 1° turno, Arthur terminou na quinta colocação entre os candidatos, com 522 210 votos. O resultado, entretanto, não fez com que conseguisse ir ao segundo turno, encerrando assim sua campanha.

Pré-candidatura ao governo de SP

Em janeiro de 2022, Arthur do Val se filiou ao Podemos, que pretendia lançar sua candidatura ao governo de São Paulo. Contudo, após o vazamento de seus áudios sexistas sobre ucranianas, retirou a candidatura no dia 5 de março de 2022. Pediu a desfiliação do Podemos no dia 8 de março de 2022.

Advertências

Em outubro de 2019, integrantes do Conselho de Ética votaram por cinco votos a dois pela aplicação de advertência a Arthur do Val, a denúncia apresentada foi em função de uma fala dele em plenário utilizando uma palavra de baixo calão para se referir aos deputados presentes a uma sessão em plenário. Em fevereiro de 2022, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) decidiu advertir Arthur do Val por quebra de decoro parlamentar no processo em que um assessor parlamentar dele assinou o ponto sem trabalhar. O relator do caso – deputado Wellington Moura (Republicanos) – afirmou que o então chefe de gabinete Marcelo Aguiar de Castro estava no Chile no período de 11 a 14 de julho de 2019 para resolver problemas pessoais e, mesmo assim, assinou o ponto de trabalho como se tivesse prestado serviço à Alesp.

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Viagem à fronteira da Ucrânia

No final de fevereiro de 2022, Arthur do Val e Renan Santos, coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), gravaram um vídeo ainda no aeroporto de Frankfurt anunciando sua ida à fronteira da Eslováquia com a Ucrânia, com o objetivo de acompanhar de perto a invasão russa ao país. Eles afirmaram ter custeado a viagem com recursos próprios e criticaram a posição de neutralidade defendida por Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva diante do conflito.https://revistaforum.com.br/politica/video-arthur-do-val-gera-revolta-ao-insinuar-eliminacao-de-homem-negro/ A dupla foi criticada na internet, incluindo pelo Senador da República, Flávio Bolsonaro.

Campanha de Doação

Durante a estadia, o grupo lançou uma campanha de arrecadação de fundos, reunindo 2.653 doações entre 1º e 4 de março e totalizando R$ 275.366,20. A proposta inicial era adquirir suprimentos diretamente na região e repassá-los a organizações humanitárias atuantes no leste europeu. Entre os materiais comprados, segundo notas fiscais divulgadas pelo movimento, estavam bandagens, curativos, antissépticos, kits de primeiros socorros, lanternas, roupas térmicas, além de gastos com combustível para veículos que transportavam refugiados da Ucrânia para a Eslováquia. Em 8 de março, publicou um documento de 25 páginas intitulado “Missão Ucrânia – prestação de contas”, no qual informou que, do total arrecadado, cerca de R$ 40 mil foram destinados às compras realizadas na região de fronteira. Após a divulgação dos áudios de Arthur do Val, o MBL revisou sua decisão inicial de reter os valores arrecadados para futura transferência a organizações humanitárias na Ucrânia e decidiu encerrar a “Missão Ucrânia”. Com isso, a maior parte dos recursos — R$ 211.829,58 — foi destinada imediatamente à Representação Central Ucraniano-Brasileira, entidade indicada pela embaixada da Ucrânia para receber contribuições.

Áudios misóginos sobre ucranianas

Em um furo jornalístico de Gustavo Zucchi, publicado no dia 4 de março pelo colunista do Metrópoles Igor Gadelha, foram vazados áudios de Arthur, nos quais ele fez diversos comentários misóginos, dizendo, por exemplo, que ucranianas "são fáceis porque são pobres", e que a fila de refugiados teria mais mulheres bonitas do que a "melhor balada do Brasil". Arthur alega ainda que Renan Santos viajava pelos países europeus "só pra pegar loira". O fato foi amplamente noticiado em diversos jornais e teve repercussão internacional. Diversos políticos pediram a cassação do mandato de Arthur e repudiaram o ocorrido. Deputados da Alesp disseram que acionariam o Conselho de Ética. No dia seguinte, Arthur do Val confirmou a autoria dos áudios, dizendo que estava errado, que aquele não era seu pensamento e que sua fala "foi um erro, em momento de empolgação". Logo depois, publicou em seu canal um pedido de desculpas, e anunciou que estaria retirando sua candidatura ao governo de São Paulo. Seu partido, o Podemos, abriu procedimento disciplinar interno para apurar as falas. Em entrevista para a Folha de S.Paulo, Arthur disse que decidiu se afastar do MBL. No dia 8 de março de 2022, desfiliou-se do Podemos e declarou, em carta dirigida à Assembleia Legislativa de São Paulo, que não se candidataria à reeleição para deputado estadual.

Violação de direito internacional

Arthur pode ter de responder por produzir armas incendiárias e interferir num conflito fora do Brasil. Os deputados Emídio de Souza e Paulo Fiorilo acionaram o MP para investigar se Arthur do Val teria violado normas de Direito Internacional ao dizer que fabricou coquetel molotov na Ucrânia. Os deputados afirmaram que há indícios de violação de convenções diplomáticas internacionais ratificadas pelo Brasil. Para o advogado Tarciso Dal Maso, consultor legislativo do Senado para Relações Internacionais e Defesa, a fabricação de coquetéis molotov por parte de um parlamentar brasileiro configura uma violação do Protocolo 3 da Convenção de 1980 sobre Armas Convencionais da qual o Brasil é signatário. O advogado Leonardo Magalhães Avelar mencionou ainda um quarto tipo de questionamento jurídico: “trata-se da situação de um parlamentar brasileiro, um representante do Estado brasileiro, portanto, tomando posição ativa numa guerra contra a posição nacional já manifestada pelo país na Organização das Nações Unidas e eventuais outras instâncias diplomáticas”.

Abertura de processo, renúncia e cassação

Em 18 de abril de 2022, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou, por unanimidade, a abertura de processo contra Arthur do Val por quebra de decoro parlamentar. Foram protocoladas vinte e uma representações pedindo a cassação de seu mandato em decorrência das frases sexistas contra refugiadas ucranianas. Dois dias depois, ele renunciou ao mandato de deputado estadual. Apesar da renúncia, o processo teve seguimento e foi decidido em 17 de maio pelo plenário da Assembleia Legislativa, que aprovou a aplicação da penalidade de perda de mandato a Arthur do Val, por unanimidade, tornando-o inelegível por oito anos. Arthur tentou posteriormente reaver seus direitos políticos, mas teve sua solicitação negada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em maio de 2024. Mesmo assim, ele declarou que continuará a recorrer da sua cassação.

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Controvérsias

Imagem: Sâmia Bomfim · BY · Openverse

Arthur é notório por abordar personalidades e fazer comentários críticos em seu canal do YouTube. Algumas dessas abordagens geraram críticas e processos.

Denúncia de atentado ao pudor

Em 2016, uma série de ocupações de escolas e universidades públicas ocorreu em todo o Brasil, motivada pela oposição de estudantes à Medida Provisória nº 746/2016 (reforma do ensino médio), à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55/2016 (que estabelecia um teto para os gastos públicos) e a projetos de lei associados ao movimento Escola Sem Partido, apelidados de "lei da mordaça". Em outubro de 2016, o então ativista Arthur do Val, do Movimento Brasil Livre (MBL), foi ao Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, para produzir conteúdo contrário aos protestos. No local, uma estudante de 17 anos o acusou de toque inadequado com conotação sexual durante uma abordagem para entrevista. Ela registrou um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher, alegando ter sido “violentada sexualmente”, e o caso foi investigado como atentado violento ao pudor.

Ciro Gomes

Em junho de 2018, durante a gravação de um de seus vídeos no Fórum da Liberdade, Arthur abordou o então pré-candidato à presidência Ciro Gomes, indagando-lhe sobre uma declaração em que o político teria dito que iria "receber a turma do Moro na bala" (em referência ao ex-ministro da justiça Sergio Moro). Após isso, ele foi agredido na cabeça com um tapa de Ciro; Arthur ironizou o ex-governador perguntando “Você acha que eu sou a Patrícia Pillar pra você bater?", Arthur continuou: “é um frouxo mesmo. Frouxo! Aí, o Ciro Gomes, me bateu na cabeça. Tá achando que cê tá no Nordeste ô Ciro, que cê é coronelzão lá?”. Thais Bilenky, escrevendo para o jornal Folha de S.Paulo, considerou que, no ato, Ciro teria "encostado" no pescoço do ativista, alegando não ser possível medir a intensidade do suposto tapa; Ciro comentou o acontecido à Folha dizendo "'Tu acha' que se eu tivesse batido não tinha uma marquinha não? Do jeito que eu sou? Eu falei 'deixa de ser um merda, rapaz' e saí de perto".

Comentários sobre Padre Júlio Lancellotti

Em 1º de outubro de 2020, Arthur foi condenado pela Justiça Eleitoral por ataques ao padre Júlio Lancellotti após solicitação do Ministério Público Eleitoral. Foi constatado que Arthur "passou a produzir propaganda eleitoral antecipada e vedada em que, seguidamente, calunia, difama e injuria o Padre Júlio Renato Lancellotti, objetivando tornar-se mais conhecido do eleitorado, ao criar polêmica em relação à figura publica do referido padre". Arthur respondeu dizendo que "Ele (Júlio Lancellotti) é nocivo e minha proposta é totalmente diferente em relação à dele. Eles atacam minha pessoa, tentam me desqualificar, mas, se você não pode fazer uma crítica política, aí é uma ditadura. Em nenhum momento da minha vida fiz ameaça ou incitação à violência e não incentivei outra pessoa a fazer contra o padre ou contra qualquer outra pessoa".

Repercussão de comentário racista sobre jovem

Em 2 de junho de 2025, Arthur do Val realizou uma transmissão ao vivo em que reagiu a vídeos de populares opinando sobre a prisão do cantor MC Poze do Rodo. Ao comentar sobre Andrey, um jovem que defendia o artista, Arthur ironizou: "Como eu sempre falo, um futuro neurocirurgião, você está vendo aí um pianista clássico, você está vendo um violinista lírico, você está vendo uma pessoa de altíssima capacidade cognitiva", e em seguida questionou: "O que deve ser feito com esse sujeito?". A fala repercutiu negativamente nas redes sociais. Em 3 de junho, após o vídeo viralizar, Arthur recebeu do influenciador Matheus Pedrazzi um registro mostrando o jovem trabalhando como carregador de batatas no CEASA, no Rio de Janeiro. No mesmo dia, Arthur publicou um pedido de desculpas em suas redes sociais.

Acusação de xenofobia contra o povo sergipano

Em julho de 2025, Arthur do Val, em transmissão ao vivo, criticou a aplicação de emendas parlamentares para custear a contratação do cantor Wesley Safadão no Forró Caju, festa junina de Aracaju. Em sua fala, ele questionou o uso de dinheiro público para esse fim. Ao se referir aos que celebravam a aplicação da verba, utilizou os termos "gente muito burra", "povo de chimpanzil" e "retardada". As declarações foram amplamente interpretadas como ofensivas ao povo sergipano, gerando repúdio formal. A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, e o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, emitiram notas classificando as falas como xenofóbicas. O caso também foi alvo de moções de repúdio na Assembleia Legislativa de Sergipe e na Câmara Municipal de Aracaju, além de manifestações de entidades como a Federação dos Municípios do Estado de Sergipe (FAMES).

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Posições políticas

Imagem: Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil (TSE) · BY · Openverse

Arthur se considera liberal. Apoiou durante um tempo o aborto apenas em gestações que põem em risco a vida da mãe ou são o resultado de um estupro, casos em que a legislação brasileira atual permite às mulheres interromperem a gravidez. Mas posteriormente assumiu que cometeu erros de julgamento e informação, esclarecendo em um vídeo e desde então, não voltando a se posicionar sobre o assunto. Atualmente, seus pontos de vista têm sido criticados por setores da esquerda política devido ao seu posicionamento pró-capitalismo. Ele também é a favor de privatizações e criticou o sistemas de cotas raciais, defendendo cotas sociais. Em 2015, ele assumiu abertamente ser a favor da pena de morte e da redução da maioridade penal com certas restrições.

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Fontes consultadas

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