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Arte da Índia

A arte da Índia se caracteriza, principalmente, por ser um reflexo da complexa sociedade indiana, multiétnica e multicultural. É marcada por um caráter essencialmente religioso, servindo como um meio de propagação das distintas religiões que marcaram a Índia: hinduísmo, budismo, islamismo, cristianismo, etc. Destaca-se também, como característica diferencial da arte indiana, o esforço para interagir com a natureza, como uma adaptação à ordem universal, tendo em consideração que a maioria dos recursos naturais são para os indianos símbolos sagrados.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/08/2026
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Fundamentos da arte indiana

A arte indiana tem sido principalmente um evento religioso, sendo uma forma de conectar o mundo humano com a transcendência do divino. Nesse sentido, vêm trabalhando antigos artistas (śilpin) e arquitetos (sthapati), cujos nomes não foram divulgados na maioria dos casos, deixando uma série de obras anônimas, uma vez que a assinatura do criador não era importante, mas sim, sua união com o meio ambiente e o mundo da divindade. Entre as diversas manifestações artísticas destaca-se, sem dúvida, a escultura, principal veículo indiano de representação do humano e do divino, mesmo a pintura e arquitetura indiana tendo uma plástica escultural, uma vez que o local onde a criatividade do artista desenvolveu na Índia possibilitou o surgimento das artes e estilos presentes na arte indiana em geral. Uma das principais características da arte indiana é a sua integração com a natureza: assim como o homem ocidental sempre procurou adaptar a natureza às suas necessidades, os índios procuraram integrar seu trabalho ao ambiente natural, como santuários rupestres escavados em rochas e cavernas. A natureza tem para eles um caráter sagrado, fato observado na sacralidade de rios, montanhas e árvores, ou a deificação dos elementos naturais: sol (Surya), lua (​Chandra), fogo (Agni), chuva (Indra), etc. Um dos fatores mais influentes na arte e na mentalidade indiana é o clima de monção, com sua natureza cíclica e ambivalente que tanto beneficiou e prejudicou a vida no subcontinente indiano, provocando uma certa dualidade na personalidade de seus habitantes e algumas mudanças de atitude que refletem numa ampla gama de estilos artísticos, podendo esses conviver simultaneamente com estilos aparentemente adversários, do naturalismo passando para a abstração, assim como do realismo ao idealismo.

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Artes plásticas

Pré-história

Durante o Paleolítico, foram encontrados vários utensílios de quartzito e sílex esculpidos ou polidos, assim como aqueles encontrados na Europa ao mesmo tempo. Em Bhimbetka, perto de Bhopal, acharam um conjunto de mil cavernas com pinturas rupestres datadas de 7 000 a.C., as quais apresentam várias cenas que descrevem a vida das pessoas que habitavam as grutas, incluindo cenas de dança, nascimentos, ritos religiosos e enterros. As figuras também retratam animais como bisões, elefantes, pavões, rinocerontes e tigres. Em 2003, esse conjunto foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. No Mesolítico, foram encontrados inúmeros cutelos em forma de meia lua, naturais do Oriente Médio, Europa Oriental e norte da África. No Decão, numerosos tumbas megalíticas foram constadas, enquanto em Baluchistão, norte da Índia, descobriu-se a cerâmica pintada e objetos de metal do IV milênio a.C.. Em Raigarh (Madhya Pradesh), existem pinturas rupestres semelhantes com as de El Cogul, na Espanha, representando animais como veados, bois e elefantes. Em Savandurga (Karnataka), uma escavação arqueológica revelou um cemitério com sarcófagos de pedra.

Cultura do Indo

A primeira grande civilização indiana ocorreu entre 2500 e 1500 a. C. na área do rio Indus (atual Paquistão e noroeste da Índia). Essa região, entre as montanhas de Zagros, do Indocuche e Himalaia, tem sido, desde os tempos antigos, uma importante rota comercial entre o Mediterrâneo e no Extremo Oriente, fato que beneficia os povos da área. A cultura do Indo é conhecida principalmente pelas escavações realizadas em 1920 por John Marshall, na longeva cidade Moenjodaro (agora, Paquistão) e Harapa (Punjabe paquistanês). Aparentemente, essa civilização manteve contatos com a Mesopotâmia, e desenvolveu um sistema de escrita que ainda não foi decifrado. Neste local existiram nove cidades sobrepostas, contendo um planejamento urbanístico perfeito, com um sistema de esgoto avançado, prédios públicos e ruas paralelas, organizadas em um mapeamento regular e simétrico. A construção foi feita de barro e tijolo. Também foram encontrados vestígios de abóbadas construídas em alvenaria. Fazia parte do conjunto a acrópole e terraços, onde se encontrou um aglomerado de edifícios públicos, como termas, casas de palestras ou claustros. No entanto, ainda não foram encontrados templos ou palácios.

Período védico (séculos XV-VI a.C.)

Nessa fase, com os arianos, apareceram as tradicionais religiões indianas. Eles introduziram o idioma sânscrito, produziram ferro e cultivaram animais como o cavalo, bem como criaram pequenos reinos governados pelo sistema de castas, onde os sacerdotes (brâmanes) tinham uma posição de destaque. Ademais, surgiram os grandes poemas épicos indianos: o Maabárata e o Ramáiana, e os escritos filosóficos Upanixades, donde se originou o hinduísmo, religião de caráter mitológico que combinava as práticasesotéricas com diferentes filosofias de vida. As principais divindades eram Shiva e Vixnu, mas também veneravam muitos mais conceitos abstratos, como Brâman, a alma do mundo, Atman, a alma humana, e Maya, a energia que engana as almas e as fazem viver no mundo material. O objetivo da religião hindu é a libertação do carma e a sucessão das reencarnações estabelecidas pela vida do indivíduo. Por sua vez, essas reencarnações delimitam o sistema de castas hindu: brâmanes (sacerdotes e políticos), xátrias (governantes militares), vaixás (comerciantes e agricultores), shudras (escravos) e dalits (pários, estrangeiros e intocáveis).

Arte budista

A dinastia máuria expulsou os sucessores de Alexandre Magno do norte da Índia, ocupando todo o curso médio do Rio Indo e a parte central da península do Decão. Na cultura budista, toda sua arte girava em torno da vida e os ensinamentos de Buda. Essa fase foi marcada pelos inúmeros contatos comerciais com a Pérsia, Grécia, Egito, Sri Lanka e sudeste da Ásia. A pedra substituiu o tijolo como material de construção, resultando em edificações mais duráveis do que as dos períodos anteriores. Os primeiros vestígios se encontram nos santuários rupestres de Barabar e no Palácio de Asoka em Pataliputra. São características as colunas monolíticas (stambha) de grés polido, com um capitel em forma de sino, geralmente, tendo um grupo de animais esculpidas sob alto relevo, como o Capitel dos Leões (atualmente, faz parte do escudo da Índia), em Sarnath (século III a.C.), feito em creme de arenito. Essas colunas foram erguidas pelo rei Asoka em todo seu império, com inscrições nas quais se declarava devoto de Buda e renunciava à violência. Elas costumavam ter cerca de dez metros de altura e suas figuras esculpidas - geralmente leões - recordam a escultura aquemênida.

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Fontes consultadas

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