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Neogótico

Neogótico ou revivalismo gótico é um estilo de arquitetura revivalista originado em meados do século XVIII na Inglaterra. No século XIX, estilos neogóticos progressivamente mais sérios e instruídos procuraram reavivar as formas góticas medievais, em contraste com os estilos clássicos dominantes na época.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Origem

A arquitetura da Idade Média gótica, na Alemanha e na França , continuou a ter influência até o início do século XVII; a partir desse momento, no continente europeu, praticamente desapareceu. Somente na Inglaterra continuou a exercer a sua influência. Na segunda parte do século XVI e ao longo do século XVII, o clima político favoreceu numerosas tentativas de criação de novas ordens nacionais baseadas em modelos antigos. No século XVIII, todo o movimento de procura de novas ordens «passou para o campo da arquitectura não clássica; assim, até mesmo encomendas góticas e chinesas foram colocadas em circulação". Os puristas, por outro lado, voltaram à natureza e não apenas de forma ideal. Assim, em 1776, Charles Ribart de Chamoust apresentou seu L'Ordre François trouvé dans la Nature ao rei Luís XVI da França. Em seu ensaio, Ribart propôs uma forma primitiva de construção, certamente influenciada pelas teorias de Rousseau e Laugier. Segundo a sua história, a ordem quase não é da sua invenção, na verdade ele ter-se-ia deparado com algo que está implícito na natureza . Mas a ordem também é nacional. Esta última palavra era relativamente nova e, com a intensificação da cultura eclética na segunda metade do século XVIII, o conceito de nacional assumiu gradualmente o significado de não clássico. Ao mesmo tempo, a arquitetura nacional passou a ser caracterizada como arquitetura indígena, espontânea, natural, em oposição à arquitetura estrangeira, importada e bizarra. A teoria da origem natural do gótico também foi posteriormente adotada pelo geólogo escocês Sir James Hall, que afirmou que "certas formas rústicas, que diferem muito do original grego, podem ter sugerido formas góticas".

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Continuidade e ressurgimento

A afirmação do sentimento como antítese da razão e a exaltação, pelo movimento alemão Sturm und Drang, da liberdade do génio, levou os românticos a rejeitar regras e modelos clássicos. O neogótico desenvolveu-se inicialmente na literatura, depois consolidou-se também no campo arquitetónico. Considera-se geralmente que a arquitetura gótica nasceu com a Basílica de Saint-Denis, em Paris, em 1140, e terminou sua carreira como estilo dominante no início do século XVI. Contudo, a arquitetura gótica não morreu completamente, perdurando em diversos outros projetos de catedrais e na construção de templos rurais em distritos isolados da França, Inglaterra, Espanha, Alemanha e na Polônia. Em Bolonha, o arquiteto barroco Carlo Rainaldi construiu em 1646 abóbadas góticas (completadas em 1658) para a Basílica de San Petronio, que estava em construção desde 1390; ali o contexto gótico da estrutura suplantou considerações a respeito de estilos mais contemporâneos. Da mesma forma, arquitetura gótica sobreviveu em ambientes urbanos durante o fim do século XVII, como é evidente em Oxford e Cambridge, onde reformas e acréscimos neogóticos aos edifícios foram considerados mais adequados ao estilo das estruturas originais do que poderia ser o barroco vigente na época. A Torre Tom de Sir Christopher Wren, no Christ Church College da Universidade de Oxford, e mais tarde as torres ocidentais da Abadia de Westminster, de Nicholas Hawksmoor, confundem as fronteiras entre o gótico remanescente e o neogótico recém-criado.

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Romantismo e Nacionalismo

O neogótico francês nasceu como um aspecto menor da anglomania, começando por volta de 1780. Quando Alexandre de Laborde, erudito francês, disse que "a arquitetura gótica tem uma beleza própria", a ideia era nova para a maioria dos leitores franceses. Em 1828 Alexandre Brogniart, diretor da Manufatura de Sèvres, realizou diversos esmaltes de grandes proporções para a capela real de Luis Felipe. Arcisse de Caumont lançou sólidas bases para o ressurgimento gótico na França, fundando a Societé des Antiquaires de Normandy, e publicando um grande trabalho sobre arquitetura normanda em 1830. No ano seguinte apareceu a novela de Victor Hugo, Notre Dame de Paris, onde a grande catedral francesa era de uma só vez cenário e protagonista desta obra de ficção que ganhou enorme popularidade. No mesmo ano a monarquia francesa criou o posto de Inspetor-Geral de Monumentos Antigos, ocupado em 1833 por Prosper Merimée, que se tornaria o secretário de uma nova comissão que incumbiria Eugène Viollet-le-Duc de relatar as condições da Abadia de Vézelay, em 1840. A seguir Viollet-le-Duc começaria então a restaurar os edifícios mais simbólicos da França, incluindo a Catedral de Notre Dame, Vézelay, a Cidadela de Carcassone, o Castelo Roquetaillade, a Abadia do Monte Saint-Michel e o Palácio Papal de Avinhão.

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A influência de Pugin e Ruskin

No fim da década de 1820, ainda um jovem, Augustus Pugin trabalhava para dois empregadores muito conhecidos, fornecendo desenhos góticos para objetos de luxo. Para Morel e Seddon, moveleiros reais, ele criou desenhos góticos para a redecoração de ambientes no Palácio de Windsor. Para o ourives real Rundell Bridge & Co. ele fez desenhos para pratarias a partir de 1828, usando um vocabulário formal gótico anglo-francês, o qual ele ainda seguiria em produções posteriores para o novo Palácio de Westminster. Entre 1821 e 1838 ele e seu pai publicaram uma série de volumes sobre desenho arquitetural. O título do primeiro era Specimens of Gothic Architecture, e os 3 seguintes receberam o nome de Exemples of Gothic Architecture, que seriam reimpressos e permaneceriam como padrão para revivalistas góticos por pelo menos um século. Em Contrasts Pugin manifestou sua admiração não só pela arte medieval, mas por todo o ethos medieval, dizendo que a arquitetura gótica era o produto de uma sociedade mais pura. Pugin acreditava que o gótico era uma arquitetura verdadeiramente cristã, e até mesmo afirmou que "o arco ogival era produto da fé católica". Seu edifício mais famoso é as Casas do Parlamento, em Londres, que ele desenhou em dois períodos entre 1836 e 1852, junto com seu colaborador Charles Barry. Pugin encarregou-se das decorações e Barry do arcabouço simétrico do edifício.

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Viollet-le-Duc e o gótico metálico

Mesmo não tendo a França participado do movimento desde seus inícios, ela foi capaz de produzir um ativista incomparável na pessoa de Eugène Viollet-le-Duc. Sendo ao mesmo tempo um arquiteto de primeira linha e um teórico influente e poderoso, seu talento especial residiu no terreno da restauração. Ele considerava válido restaurar edifícios a um estado de completude que não foi conhecido nem mesmo por seus criadores originais, e aplicou suas teorias em Notre Dame, em Carcassone e na Sainte-Chapelle, onde não hesitou em substituir elementos originais da cantaria medieval. Sua abordagem lógica do gótico estava em flagrante contraste com as origens românticas do movimento, e foi considerada por alguns como um prelúdio para a honestidade estrutural típica do modernismo. Ao longo de toda a sua carreira ele permaneceu num impasse a respeito da propriedade da combinação de metal e pedra na construção de um edifício. Na verdade o ferro vinha sendo usado desde o início do revivalismo, mas com Ruskin e as exigências do gótico arqueológico a respeito da verdade estrutural, o ferro, seja aparente ou não, foi considerado inadequado para uma edificação gótica. Este argumento começou a ser derrubado em meados do século XIX, à medida que foram sendo erguidas grandes estruturas pré-fabricadas como o Palácio de Cristal,[desambiguação necessária] de ferro e vidro, e o pátio envidraçado da Universidade de Oxford, e que pareceram encarnar princípios góticos através do ferro. Entre 1863 e 1872 Viollet-le-Duc publicou seus Entretiens sur l’architecture, um conjunto de ousados projetos para edifícios que combinavam ferro e pedra. Embora a maioria jamais tenha sido construído efetivamente, influenciaram diversas gerações de desenhistas e arquitetos, especialmente Gaudí na Espanha e Bucknall na Inglaterra. A flexibilidade e força proporcionadas pelas estruturas de metal possibilitaram aos projetistas neogóticos novas soluções estruturais que teriam sido impossíveis apenas com a pedra.

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Eclesiologia

Na Inglaterra a Igreja nacional estava experimentando um ressurgimento da ideologia e ritualismo anglo-católicos na forma do Movimento de Oxford, e se tornou desejável que se construísse muitas igrejas novas para reunir a população em crescimento, o que encontrou imediatamente muitos apoiadores nas universidades onde o movimento eclesiológico estava se formando. Seus proponentes afirmavam que o gótico era o único estilo adequado para uma igreja paroquial, e privilegiaram um momento específico na era gótica, o gótico decorado. A revista do movimento, The Ecclesiologist, era tão ácida em suas críticas a toda edificação que não se alinhasse aos seus padrões rigorosos que chegou a tomar corpo um movimento chamado gótico arqueológico, que produziu alguns dos prédios mais convincentemente medievais de toda a corrente neogótica. Mesmo com toda esta influência, o movimento revivalista não teve uma uniformidade de princípios. Alguns advogavam uma inspiração eclesiológica estrita, enquanto outros se contentavam com o aspecto puramente estético, combinando-o com outros estilos ou adotando simplificações.

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Neogótico Alemão

Até meados do século XVIII, não existia um “problema gótico” na Alemanha: os teóricos da arquitectura, ligados aos modelos italianos e a Vitrúvio, tendiam a rejeitar com desdém o que Jacques-François Blondel definia de « estilo monstruoso e inadmissível que, na época dos nossos pais, era comumente praticado sob o nome de “gótico”». Nos primórdios do neogótico, o uso de formas góticas, utilizadas de forma rigorosamente simplificada e contaminadas por elementos da arquitetura renascentista, ainda não havia sido extinto. O chamado Nachgotik (gótico póstumo) do jesuíta Christoph Wamser (1575-1649) e alguns outros goticistas pertencentes à sua mesma ordem, afirmam representar «não tanto o renascimento consciente de um estilo irremediavelmente morto, mas a adesão consciente a um estilo que ainda está vivo". Desde que a teoria artística começou a distinguir entre arquitetura antiga, medieval e moderna, o gótico foi visto não apenas como um “estilo sem regras”, mas também como um “estilo naturalista”. Devido a esta acentuação sentimental, criou-se uma afinidade íntima entre os jardins ingleses e as capelas, castelos e todos aqueles elementos góticos que começaram a povoá-los.

Primeiras manifestações

Na Alemanha, os primeiros jardins paisagísticos de modelo inglês com ruínas artificiais, ermidas e claustros, e os demais elementos típicos do jardim gótico, surgiram por volta de 1760. A primeira criação deste tipo foi o Parque Wörlitz, no Elba, onde também fica o castelo (1769- 1773| 73) está no estilo inglês. Na Alemanha, entretanto, Gótico não é apenas uma moda bizarra, mas é considerado algo único e incomparável. Em 1772, Goethe escreveu um pequeno ensaio sobre arquitetura alemã (Von deutscher Baukunst), no qual reivindicava a paternidade exclusiva do estilo de verdadeira arte para o mundo germânico, e indicava quão exemplar é a Catedral de Estrasburgo, do arquiteto Erwin von Steinbach.

Do cosmopolitismo neoclássico ao nacionalismo neogótico

Na Alemanha, o neogótico foi influenciado por impulsos nacionalistas. A renovação e reconstrução do Castelo de Marienburg (1817-1842), sede original da Ordem dos Cavaleiros Teutónicos, onde foi construída uma torre neogótica, surge como um regresso possuir raízes. O mesmo vale para a Catedral de Colônia, concluída em 1880. Esta última, um exemplo espetacular, foi construída no modelo francês da Catedral de Beauvais (tanto em Beauvais como em Colônia, as obras foram suspensas no século XVI após a construção do coro e alguns outros fragmentos). O projeto foi retomado em 1842 após a descoberta de alguns desenhos originais entre 1814 e 1816. Uma peculiaridade da Catedral de Colónia, além do forte verticalismo da estrutura, é a utilização da arquitetura em ferro em algumas estruturas portantes com o objetivo de garantir maior estabilidade ao grandioso edifício.

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Neogótico francês

As origens

Na França, onde o rococó tinha raízes mais profundas do que na Inglaterra, a reação manifestou-se de formas muito mais violentas, começando a partir da segunda metade do século XVIII, no debate iluminismo como momento de enfrentamento decisivo. A educação artística quis devolver toda inspiração a uma condição original. Assim Abade Laugier resumiu o conceito «Tenons nous au simple et au naturel»: onde simplicidade é igual a racionalidade e por natureza queremos dizer o próprio mundo da física. Ao mesmo tempo, Laugier reavaliou a arquitetura grega e a ordem dórica e a arquitetura gótica. Ange-Jacques Gabriel foi o primeiro, entre os grandes arquitetos franceses, a se voltar para uma linguagem mais clássica; a partir da década de 1760 e durante a década de 1770, no Palácio de Versalhes construiu o Castelo do Petit Trianon, uma obra-prima da arquitetura neoclássica e no Teatro de a obra real de Versalhes, onde adotou decorações sóbrias inspiradas na antiguidade. Mas a primeira obra que poderia ser definida de alguma forma como neo-gótica foi o chamado Pantheon em Paris do arquiteto Jacques-Germain Soufflot, que tinha declarado querer aliar a ordem grega à «leveza que se admira em muitos edifícios góticos».

A afirmação do neogótico na França

Em 1802 foi publicada a obra apologética Génie du Christianisme de René de Chateaubriand, que marcou um momento de forte renascimento do sentimento religioso no católico e que é considerado por muitos como o início do renascimento gótico na França. Contudo, uma verdadeira afirmação do neogótico na França se manifestará na era do Romântico (portanto depois de Napoleão), a partir da década de 1820. No entanto, a produção arquitectónica é limitada no domínio civil, relegando este estilo sobretudo à construção de numerosas igrejas. Os resultados mais importantes, porém, estão registrados no intenso trabalho de restauração dos grandes edifícios góticos na França, cujo arquiteto principal foi Viollet-le-Duc. Por exemplo, ele interveio na famosa Catedral de Notre-Dame em Paris, criando inúmeras estátuas para a fachada e erguendo a igreja; Na verdade, Viollet-le-Duc realiza as suas intervenções com o intuito de completar a obra de acordo com o pensamento dos designers originais.

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Século XX

Em torno de 1872 o revivalismo gótico estava maduro o bastante na Inglaterra para que Charles Locke Eastlake, um influente professor, produzisse uma História do Revivalismo Gótico, mas um ensaio mais extenso seria publicado apenas em 1928 por Kenneth Clark, no qual ele descreveu o neogótico como "o movimento artístico mais difundido e influente que a Inglaterra já produziu". Na virada do século XX, desenvolvimentos tecnológicos como a lâmpada elétrica, o elevador e a estrutura metálica levaram muitos arquitetos a considerar a cantaria pesada como obsoleta. Estruturas de ferro assumiram as funções de abóbadas de nervuras e arcobotantes. Alguns usaram decorações neogóticas para adornar esqueletos metálicos subjacentes, como no caso do arranha-céu Woolworth Building de Cass Gilbert, de 1913, em Nova Iorque, e a Tribune Tower de Raymond Hood, em Chicago, de 1922. Em torno da metade do século o neogótico havia sido suplantado pelo modernismo. Não obstante, o revivalismo gótico continuou a exercer influência, até porque alguns de seus projetos mais importantes ainda estavam em fase de construção na segunda metade do século, como a Catedral de Liverpool, de Giles Gilbert Scott. A reconstrução do campus da Universidade de Yale por James Gamble Rodgers, e os primeiros prédios do Boston College, de Charles Donagh Maginnis, contribuíram para estabelecer uma tradição neogótica na arquitetura de educandários americanos.

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No Brasil

O neogótico popularizou-se no Brasil perto do final do reinado de D. Pedro II, especialmente a partir da década de 1880. As três igrejas neogóticas mais antigas do Brasil são a igreja de Nossa Senhora do Amparo em Teresina, Piauí (1852), a Matriz de Nossa Senhora da Purificação, em Bom Princípio (1871), a igreja do Santuário do Caraça, em Minas Gerais, construída entre 1876 e 1883 em substituição a uma igreja colonial e a basílica do Sagrado Coração de Jesus em Diamantina-MG (1884-1889), as duas últimas projetos do padre Julio Clavelin. Outra igreja neogótica pioneira é a Catedral de Petrópolis, começada em 1884 mas só concluída cerca de 1925, que abriga os túmulos do Imperador e sua família. No Rio de Janeiro, então capital, foram construídos muitos edifícios neste estilo a partir da década de 1880, como o pitoresco Palácio da Ilha Fiscal, construído sobre uma ilha na Baía da Guanabara entre 1881 e 1889, a Igreja da Imaculada Conceição em Botafogo (1888-1892), a Igreja Metodista do Catete (1886) e outros. O neomanuelino, variante portuguesa do neogótico, aparece por primeira vez nessa época no Real Gabinete Português de Leitura, edificado entre 1880 e 1887 no centro do Rio.

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