Arquitetura da Albânia
A arquitetura da Albânia é um reflexo do patrimônio histórico e cultural da Albânia. A arquitetura do país foi influenciada por sua localização na bacia do Mediterrâneo e progrediu ao longo da história, uma vez que a área foi habitada por numerosas civilizações, incluindo os ilírios, gregos antigos, romanos, bizantinos, venezianos, otomanos, bem como os austro-húngaros e italianos. Além disso, missionários, invasores, colonizadores e comerciantes trouxeram mudanças culturais que tiveram um efeito profundo nos estilos e técnicas.
A Albânia é um país mediterrâneo, situado a leste da Itália, do outro lado do Mar Adriático. O país ocupa a parte sudoeste da Península Balcânica, fazendo fronteira com Montenegro a noroeste, Kosovo [a] a nordeste, a Macedônia do Norte a leste e a Grécia ao sul e sudeste. Tem uma topografia variada e contrastante com altas montanhas, costas rochosas, zonas úmidas costeiras, praias arenosas, cânions íngremes e desfiladeiros e ilhas de várias formas e tamanhos. Em termos de topografia, o país abrange planícies costeiras no oeste para os Alpes albaneses no norte, as montanhas Sharr no nordeste, Montanhas Skanderbeg no centro, Montanhas Korab no leste, Montanhas Pindus no sudeste e Montanhas Ceraunian no sudoeste ao longo da Riviera albanesa e da costa do mar Jônico. O país experimenta principalmente clima mediterrânico com influências continentais. Isso significa que o clima é caracterizado por invernos suaves e verões quentes e secos. As áreas mais quentes do país estão ao longo do oeste, onde o clima é profundamente impactado pelo mar Mediterrâneo. As partes mais frias do país estão no norte e no leste, onde o clima de florestas nevadas é predominante.
Antiguidade
Os primórdios da arquitetura na Albânia remontam à era neolítica, com a descoberta de habitações pré-históricas em Dunavec e Maliq. Elas eram construídas em uma plataforma de madeira que ficava em estacas presas verticalmente no solo. Habitações pré-históricas na Albânia consistem em três tipos, tais como casas fechadas completamente no solo ou meio subterrâneas, ambas encontradas em Cakran perto de Fier e casas construídas acima do solo. Durante a Idade do Bronze, os ilírios e os gregos antigos começaram a se organizar no território da Albânia. Os ilírios eram um grupo étnico com cultura e arte distintas, e, enquanto se acredita que os albaneses são descendentes dos ilírios, não há evidências suficientes para se chegar a uma conclusão. Cidades dentro da Ilíria foram construídas principalmente no topo de altas montanhas cercadas por muralhas fortemente fortificadas. Além disso, a história da Albânia não foi gentil com os monumentos arquitetônicos ilírios. Poucos monumentos dessa época são preservados, com exceções em Amantia, Antigonia, Byllis, Scodra, Lissus e Selca e Poshtme.
Idade Média
As cidades medievais da Albânia são classificadas de acordo com dois critérios: Durante a Idade Média, uma variedade de estilos de arquitetura se desenvolveu na forma de estruturas de habitação, defesa, culto e engenharia. Quando o Império Romano se dividiu em leste e oeste, a Albânia permaneceu sob o Império Romano do Oriente. Devido a isso, a arquitetura foi fortemente influenciada pelos bizantinos. Muitas igrejas e mosteiros foram construídos durante esse período, principalmente no centro e sul do país. No entanto, algumas estruturas históricas herdadas foram danificadas por forças otomanas invasoras. Nos séculos XIII e XIV, a consolidação dos principados feudais albaneses deu origem à Varosha, os bairros fora das muralhas da cidade. Exemplos de tais desenvolvimentos são os principados de Arberesh, centrados em Petrele, Cruja e Gjirokastra, originários do castelo feudal. No século XV, muita atenção foi dada às estruturas de proteção, como as fortificações do castelo de Lezha, Petrela, Devoll, Butroto e Shkodra . Mais reconstruções ocorreram em pontos estratégicos, como o Castelo de Elbasan, Preza, Tepelena e Vlora, sendo este último o mais importante da costa. Nos séculos XVIII e XIX, os grandes Pashaliks do período, como a Família Bushati, Ahmet Kurt Pasha e Ali Pashe Tepelena, reconstruíram várias fortificações, como o Castelo de Shkodra, Berati e Tepelena, respectivamente. É importante notar que Ali Pashe Tepelena embarcou em uma grande campanha de construção de castelo em todo o Épiro.
Período Moderno
Durante o século XVIII, a silhueta da cidade na Albânia começou a incluir locais de culto e torres de relógio. Estes, juntamente com outras estruturas sociais, como banhos termais, fontes e madraças, enriqueceram ainda mais o centro da cidade e seus bairros. No século XIX, o bazar surge como um centro de produção e troca, enquanto a cidade se expande para além do castelo, que perde completamente a sua função e os seus habitantes. Durante este período, Escodra e Korca tornaram-se importantes centros de comércio e de artesanato. A primeira metade do século XX começa com a ocupação austro-húngara, continua com o governo de Fan Noli, o reino do rei Zog e termina com a invasão italiana. Durante esse período, as cidades medievais albanesas passaram por transformações urbanas por arquitetos austro-húngaros, dando-lhes a aparência de cidades europeias.
Berati
Berati, também conhecida como a "cidade de mil janelas", é uma pequena cidade no sul da Albânia. A arquitetura de Berati é diversificada e envolve a herança dos ilírios e dos gregos antigos, mas também de vários povos e impérios que já governaram a cidade, como os bizantinos e osotomanos. No entanto, a paisagem urbana é notável pelo estilo arquitetônico dos otomanos e possui uma riqueza de estruturas de excepcional interesse histórico e arquitetônico. Isso levou a cidade a se tornar um Patrimônio Mundial da UNESCO. A cidade é separada por três partes residenciais dentro da fortaleza, conhecidas como Kalaja, Mangalem e Gorica. Acredita-se que Kalaja tenha sido fundada na antiguidade, pois foi o assentamento da tribo Ilíria dos Desaretes. Posteriormente, ficou conhecida como Antipatrea quando os romanos conquistaram a cidade e a chamaram de Albanorum Oppidum. Ao longo dos séculos, foi conquistada e reconquistada diversas vezes pelos bizantinos e otomanos.
Korçë
A arquitetura em Korçë é caracterizada por mansões e edifícios residenciais, ruas de paralelepípedos e amplas avenidas com muitos cafés e restaurantes. Há uma mistura arquitetônica, devido à turbulenta história, dos estilos Art Nouveau, Neoclassicismo e Otomano. As influências italiana e francesa aumentaram após o início dos séculos XIX e XX. Ao modernizar sua infraestrutura ao longo dos séculos, a cidade preservou parte de sua história em suas ruas e fachadas. A cidade foi um importante centro comercial e econômico durante o século XVIII. Durante o domínio otomano, o Velho Bazar desenvolveu-se rapidamente para se tornar o principal centro de comércio da cidade. Embora os bazares fossem típicos complexos comerciais otomanos desenvolvidos nas cidades da Albânia e em outros lugares nos Bálcãs, a arquitetura otomana é predominante dentro do bazar, enquanto reconstruções recentes levaram à aplicação de elementos específicos da arquitetura moderna.
Igrejas
O cristianismo tem uma longa e contínua história na Albânia e foi introduzido já no tempo dos apóstolos. Estruturas sagradas como igrejas, basílicas e batistérios começaram a aparecer após a invasão romana da Ilíria. Um estilo de arquitetura cristã primitiva desenvolveu-se simultaneamente na Albânia entre os séculos IV e VI. Quando o Império Romano se dividiu em leste e oeste, os bizantinos mantiveram elementos arquitetônicos romanos vivos e se tornaram proeminentes por suas cúpulas ligeiramente mais planas e pelo uso mais intenso de murais e ícones ai invés de estátuas. O Batistério com a Basílica de Butroto, construída no século VI, está entre os edifícios cristãos primitivos mais importantes da Península Balcânica. É, além da Hagia Sophia em Istambul, um dos maiores batistérios do mundo mediterrâneo. A característica mais marcante é o impressionante piso de mosaicos, ilustrando a iconografia relacionada tanto ao cristianismo como à vida aristocrática.
Mesquitas
No final do século XV, o Império Otomano expandiu seu território e conquistou a maior parte da Península Balcânica. Nos séculos XVI e XVII, o Islã havia se tornado a religião predominante na Albânia. Como com o cristianismo antes, a nova religião foi introduzida posteriormente a ocupação otomana da Albânia. As influências estrangeiras que acompanharam a Albânia foram absorvidas e reinterpretadas com uma extensa construção de mesquitas em todo o país. As combinações de tijolo e pedra eram muito frequentes na arquitetura otomana, enquanto o tijolo era usado principalmente para arcos, cúpulas e abóbadas. Além disso, a característica mais marcante dessas mesquitas é o domínio de uma cúpula, com um perfil plano semicircular, que cobria a parte significativa da sala de oração dentro da mesquita. A elegância de vários elementos islâmicos é misturada e adaptada em edifícios e projetos de interiores, como o uso de azulejos, desenhos geométricos, motivos florais e murais.
Tekkes
Quando o Império Otomano introduziu o Islã, a Ordem Bektashi se espalhou pelos Bálcãs e se tornou particularmente forte na Albânia. Os tekkes eram centros de misticismo islâmico e teológico forneciam uma alternativa popular ao islamismo normativo. A arquitetura dos tekkes é geralmente simples e articulada por um domo, arco, pátio, portal, tumba e um saguão central. O Halveti Teqe foi construído pelo albanês Ahmet Kurt Pasha no século 18 em Berati. É um edifício quadrático, que consiste de uma sala de oração retangular, uma sala menor para serviços religiosos especiais, um portal impressionante que precede a entrada e um türbe. As paredes dentro da estrutura são decoradas com vários afrescos e murais.
Castelos
As paisagens cênicas da Albânia estão repletas de castelos, fortes e cidadelas em todas as formas e tamanhos. Anteriormente, eles eram definidos principalmente por seu uso prático para repelir invasões e, muitas vezes, servir como residência real para famílias nobres. Essas estruturas constituem tesouros e legado do passado histórico da Albânia. Os primeiros castelos nas terras albanesas foram construídos por ilírios e romanos e, mais tarde, por venezianos e otomanos. A maioria foi renovada ao longo da história e em diferentes épocas com mudanças de poder e adaptações ao desenvolvimento de tecnologias de guerra. O Castelo de Berati tem uma longa história, que pode ser rastreada até o século IV. Depois de serem queimadas pelos romanos, as muralhas foram fortalecidas novamente no século V, sob os bizantinos e mais tarde no século XV pelos otomanos. A fortaleza foi muitas vezes danificada, particularmente durante o comunismo na Albânia, e reconstruída. Possui várias igrejas bizantinas pontilhadas com impressionantes afrescos, murais e ícones, enquanto a herança otomana é demonstrada em formas de mesquitas e casas tradicionais.
Kullas
As kulla eram casas-torre fortificadas que floresceram entre os séculos XVII e XIX, como resultado da resistência à conquista otomana, do renascimento nacional e do surgimento do capitalismo. Na maioria dos casos, assumem a forma de uma casa familiar extensa. No entanto, uma casa para dois irmãos também pode ser encontrada. De acordo com sua composição espacial e de planejamento, as casas albanesas são classificadas e separadas em quatro grupos principais: As kullas urbanas ou cívicas do sul encontram-se nas cidades e arredores de Berati, Gjirokastër, Himara e Këlcyrë. As casas-torre em Gjirokastër foram construídas no século XIII antes da conquista otomana. As kullas do norte são edifícios residenciais fortemente fortificados, construído no norte da Albânia e na região de Dukagjin, no Kosovo. Elas contêm pequenas janelas e buracos, porque seu principal objetivo era oferecer segurança contra ataques. Além disso, eles foram inicialmente construídos de madeira e pedra e, eventualmente, apenas de pedra.


