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Arquitetura de Espanha

Arquitetura de Espanha refere-se à arquitetura existente no que atualmente é o território espanhol e à realizada por arquitetos espanhóis no mundo. Devido à amplitude temporal e geográfica que tem a história da Espanha, a arquitetura espanhola teve múltiplas fontes de influências e manifestações.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Pré-história

Arquitetura do megalítico

Durante a Idade da Pedra, o megálito mais difundido na Península Ibérica era o dólmen. Os desenhos destas câmeras funerárias costumavam ser semicirculares ou trapezoidais, formados por enormes pedras fixadas no chão e outras que as cobriam, formando um teto. Conforme ia evoluindo a tipologia, foi aparecendo uma entrada, chamada dromo, que gradualmente foi ganhando importância até se tornar tão ampla quanto a câmera. No estágio mais avançado eram comuns tetos abobadados e falsas cúpulas. O complexo de Antequera contém os dólmens maiores da Europa. O melhor conservado, a Cova da Menga, tem 25m de profundidade, quatro metros de altura e foi construído com 32 megálitos. Na atualidade, no interior, descobriu-se um poço, cuja origem se desconhece. Na Idade do Bronze os exemplos melhor conservados estão nas Ilhas Baleares, onde aparecem 3 tipos de construção: a taula, em forma de T, o talayot e a naveta. Os talayots eram torres de defesa troncocónicas ou troncopiramidais. Costumavam ter um pilar central. As navetas eram construções realizadas com grandes pedras e a sua forma era similar à dos cascos dos barcos.

Arquitetura céltica e ibérica

As construções características dos celtas eram os castros, povos amuralhados, habitualmente situados no alto de uma colina ou um monte. Expandiram-se nas áreas povoadas pelos celtas, no vale do Rio Douro e da Galiza. Exemplos incluem Cogotas, Ávila e Castro de Santa Trega, em Pontevedra. As casas nos "castros" têm cerca de 3,5m de longitude e são normalmente circulares, existindo algumas retangulares, de pedra e com tetos de palha, com uma coluna central. As suas ruas eram normalmente regulares, sugerindo algum tipo de organização central. As cidades construídas pelos Arévacos estão ligadas à cultura ibérica, cujas cidades tiveram um desenvolvimento urbano grande, como por exemplo a Numância. Outras são mais primitivas e um pouco escavadas na rocha, como Tiermes.

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Época romana

Desenvolvimento urbano

A conquista romana da Península Ibérica, iniciada em 218 a.C., trouxe uma romanização quase completa da Hispânia. A cultura romana foi assumida profundamente pela população: antigos acampamentos militares e assentamentos iberos, fenícios e gregos foram transformados em grandes cidades, como por exemplo Emerita Augusta na Lusitânia, Córduba, Itálica, Híspalis, Gades na Bética, Tarraco, César Augusta, Astúrica Augusta, Légio Séptima Gemina e Luco Augusto na Tarraconense, unidas por uma complexa rede de estradas. O desenvolvimento da construção inclui alguns monumentos de qualidade comparável aos da capital, Roma.

Construções

A engenharia civil está representada em imponentes construções como o Aqueduto de Segóvia ou o de Mérida (Aqueduto dos Milagres), em pontes como as de Alcântara, (Alcántara, Cáceres) sobre o Tejo ou a de Córdova sobre o Guadalquivir. Também foram construídos faróis como o que ainda está em uso na Corunha, a Torre de Hércules. As construções civis tiveram maior impulso sobretudo sob o império de Trajano (98 d.C - 117 d.C). A arquitetura lúdica está representada por edifícios como os teatros de Mérida, Sagunto, Termes ou Cádis, os anfiteatros de Mérida, Itálica, Tarraco e Segóbriga e os circos de Mérida, Córdova, Toledo, Sagunto e muitos outros.

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Arquitetura pré-românica

O termo pré-românico se refere à arte cristã depois da antiguidade clássica e antes da arte românica. Cobre realizações artísticas muito diversas, já que foram realizadas em séculos distintos e por culturas diferentes. O território espanhol tem uma grande variedade em arquitetura pré-românica: alguma de seus ramos, como a arquitetura asturiana, chegaram a um grande nível de refinamento para sua época e contexto cultural.

Arquitetura visigoda

Do século VI cabe mencionar os restos da basílica de Cabeza de Griego, em Cuenca e a pequena igreja de São Cugat do Vallés, em Barcelona. Esta, ainda que muito deteriorada, mostra claramente uma planta de nave única que termina em uma abside. Do século seguinte são as de São Pedro da Nave, São João dos Banhos, Santa Maria de Quintanilla de las Viñas, cujo traços serão repetidos em outros templos posteriores, pertencentes ao «estilo de repovoação» (mal descritos como «moçárabes»). Além disso, nesta época se segue basicamente a tradição paleocristã na arquitetura religiosa. Como edifícios mais representativos podem se relacionar os seguintes:

Arquitetura asturiana

O Reino das Astúrias aparece em 718, quando as tribos ástures, reunidas em assembleia, decidem nomear a Don Pelayo seu chefe. Pelayo reuniu as tribos locais e os refugiados visigodos sob suas ordens com a intenção de restaurar progressivamente a ordem goda. O pré-românico asturiano é um estilo singular, que, combinando elementos de outros estilos, como o visigodo e as tradições locais, criou e desenvolveu sua própria personalidade e características, alcançando um notável nível de refinamento, não só como construção, mas também como estética. Quanto à sua evolução, o pré-românico asturiano seguiu uma «evolução estilística claramente associada à evolução política do reino, suas etapas marcadas com nitidez». Foi principalmente uma arquitetura da corte e se distinguem cinco etapas: primeiro período (737-791) desde o reino de Fávila até o de Bermudo I das Astúrias. O segundo período inclui os reinos de Afonso II das Astúrias (791-842), entrando em uma etapa de definição estilística. Esses dois períodos estão inclusos dentro do chamado pré-ramirense. A igreja mais importante é a de San Julián de los Prados, em Oviedo, com um sistema de volumes interessante e um programa de afrescos iconográficos, estreitamente relacionados com as pinturas murais romanas. As janelas em rótulas trifoliadas no abside aparecem pela primeira vez nesta etapa. A Câmara Santa da Catedral de Oviedo, San Pedro de Nora e a Santa María de Bendones também pertencem a este período.

Arquitetura moçárabe

A arquitetura moçárabe foi levada a cabo pelos moçárabes, povo cristão que vivia na Espanha muçulmana desde a invasão árabe (711) até finais do século XI, que mantiveram a sua personalidade diferenciada frente aos povos cristãos dos reinos do norte, os mesmos que foram emigrando em ondas sucessivas ou sendo incorporados pela Reconquista. Um exemplo desta arquitetura é a igreja de Bobastro, um templo rupestre que se encontra no lugar conhecido como Mesas de Villaverde, em Ardales (Província de Málaga), da qual apenas restam as ruínas. Outro edifício representante desta arquitetura é a Igreja de Santa María de Melque, situada nas proximidades de La Puebla de Montalbán (Toledo). Respeitante a este templo, não há certeza da sua filiação estilística, pois partilha traços visigodos com moçárabes, não sendo clara a sua datação. A Ermida de San Baudelio de Casillas representa uma tipologia inédita, incluindo na sua planta retangular uma tribuna sobre uma pequena sala hipostila, à maneira das mesquitas, sendo a sua cobertura sustentada por um único pilar central, em forma de palmeira. Tanto o mencionado pilar como os muros interiores estão abundantemente decorados com frescos, representando cenas de caça e animais exóticos. Pode-se estabelecer uma certa conexão tipológica como templo iniciático, já em época românica, com a Igreja de Santa María de Eunate e as outras construções templárias de planta dentralizada, como Torres del Río ou Vera Cruz de Segovia. Conforme mencionado, a identificação dos reinos cristãos no norte da Península com os moçárabes é problemática.

Arquitetura da repovoação

Entre finais do século IX e começos do século XI, desenrola-se, nos reinos cristãos do norte, uma evolução do pré-românico que tradicionalmente se atribuiu à influência moçárabe. até que, na atualidade, através de novas discussões sobre o assunto, decidiu-se considerá-la como uma terceira fase do pré-românico, atrás do visigodo e asturiano. Historicamente, coincide com a repovoação da Meseta del Duero os princípios do Ebro. Exemplos destes templos são a igreja de San Cebrián de Mazote (Província de Valladolid), o mosteiro de San Miguel de Escalada (Província de Leão), a Igreja de Santiago, de Peñalba de Santiago (Província de Leão), a Igreja de San Vicente del Valle (Província de Burgos), a Igreja de Santa María (Lebeña) (Cantábria), a Ermida de San Baudelio de Berlanga, em Caltojar (Província de Sória), o Mosteiro de San Juan de la Peña, em Jaca (Província de Huesca), o Mosteiro de Leyre (Navarra), o Mosteiro de San Millán de Suso (La Rioja) e ainda alguns outros exemplos zamoranos ou asturianos. Algumas outras pequenas igrejas catalãs, consideradas moçárabes, como a de San Julián de Boada e a Igreja de Santa María de Matadars, podem ser incluídas também.

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Arquitetura de Al-Andalus

O Califado de Córdova

A conquista muçulmana da Hispânia, pelas tropas de Muça ibne Noçáir e Tárique e a queda da dinastia dos omíadas, de Damasco, levaram à criação, por Abderramão I, o único príncipe sobrevivente que escapou aos abássidas, de um Emirado independente com capital em Córdova. A cidade converter-se-ia na capital cultural do ocidente, entre 750 e 1009. A arquitetura construída em Alandalus sob os omíadas evoluiu a partir da de Damasco, com acréscimos estéticos locais: o arco de ferradura, distintivo da arquitetura hispano-árabe, foi copiada dos visigodos. Arquitetos, artistas e artesãos chegaram desde o oriente para construir cidades como Medina Azahara, cujo esplendor não poderia nem ser imaginado nos reinos europeus contemporâneos.

Os reinos taifas

Com o fim do Califado, o território se viu dividido em pequenos reinos chamados taifas. Sua fragilidade política foi acompanhada por um conservadorismo cultural, que, junto com o avanço dos reinos cristãos, levou a que as taifas se agarrassem ao prestígio das estruturas e formas do estilo de Córdova. A recessão se manifestou nas técnicas de construção e nos materiais empregados, ainda que não na profusão da ornamentação. Os arcos multifoliados foram multiplicados e afinados e todos os elementos califais foram exagerados. Alguns magníficos exemplos da arquitetura taifal chegaram até nossos dias, como o Palácio da Aljaferia em Saragoça ou a pequena mesquita de Babe-Mardum em Toledo, mais tarde convertida em um dos primeiros exemplos da arquitetura mudéjar como a Ermida do Cristo de la Luz.

Almorávidas e almóadas

Os almorávidas irromperam desde o norte da África até Al-Andalus em 1086 e unificaram os reinos taifas sob seu poder. Desenvolveram sua própria arquitetura, mas muito pouco sobreviveu, já que a invasão seguinte, a dos almóadas, impôs um islamismo ultra-ortodoxo e destruiu praticamente todos os edifícios almorávidas importantes, junto com Medina Azahara e outras construções califais. A arquitetura almóada é extremamente sóbria e desnuda. Empregaram o ladrilho como principal material de construção. Praticamente a única decoração empregada, a sebka, consistia em grades de losangos realizados com ladrilho. Também empregaram a palma como decoração, que não era mais que uma simplificação da mais ornamentada palma almorávida. Com o passar do tempo a arte almóada foi se tornando ligeiramente mais decorativa.

Arquitetura nacérida do Reino de Granada

Depois da dissolução do Califado Almóada, os reinos muçulmanos do sul da Península se reorganizaram e em 1237 se estabeleceu o Reino Nacérida, com capital em Granada. A arquitetura produzida pelos nacéridas viria a ser uma das mais ricas do Islão. Foi herdeira dos outros estilos muçulmanos de Alandalus, que os nacéridas combinaram, e do estreito contato com os reinos cristãos do norte. Os elementos da ornamentação e estruturais foram tomados da arquitetura cordovesa (arcos em ferradura), dos almóadas (sebka e palma), mas também de criação própria, como os capitéis prismáticos e cilíndricos e arcos de moçárabe, em uma alegre combinação de espaços interiores e exteriores, de jardins e arquitetura, pensados para agradar a todos os sentidos. Ao contrário da arquitetura omíada, que empregava materiais caros e importados para a construção, os nacéridas empregaram somente materiais mais simples: barro, gesso e madeira. Não obstante, o resultado estético está repleto de complexidade e é desconcertante para o espectador: a multiplicação da decoração, o uso sábio da luz e das sombras e a incorporação da água à arquitetura, são algumas das chaves do estilo. Também se integrou a epigrafia nas paredes das diferentes habitações, com poemas alusivos à beleza dos espaços. Os palácios de Alhambra e Generalife são as construções mais importantes do período.

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Arquitetura mudéjar

A arquitectura realizada pelos mudéjares que permaneceram em território cristão e que não se converteram é chamado de estilo mudéjar. Este estilo desenvolveu-se principalmente entre o século XII e XVI, com fortes influências do gosto e arte árabes, embora que adaptado às preferências dos senhores cristãos. Portanto, o mudéjar não é um estilo puro: combinam-se, frequentemente, técnicas e linguagem artísticas com outros estilos, dependendo do momento histórico. Assim, existe o mudéjar, mas também o mudéjar romântico, mudéjar gótico e mudéjar renascentista. O estilo mudéjar é uma simbiose de técnicas e formas de entender a arquitetura, resultado da convivência das culturas muçulmana, judia e cristã. Emergiu como estilo arquitetônico no século XII. É costume aceitar a ideia de que este estilo tem origem em Sahagún. Estendeu-se ao Reino de Leão, Toledo, um dos centros mais antigos e importantes, Ávila, Segóvia e mais tarde Andaluzia, também em especial a Sevilha e Granada. Em Toledo, são de destacar as sinagogas de Santa María la Blanca e de El Tránsito, ambas mudéjares, mas não cristãs. Em Sevilha, as casas de Alcázar, apesar de ser classificada como mudéjar, está mais relacionada com a arte nacérida, de Alhambra do que com a arte mudéjar, já que foram criados por arquitetos de Granada, com pouca influência cristã, trazidos por Pedro I de Castela. Também em Sevilha é de destacar a Casa de Pilatos.

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Arquitetura românica

O românico de desenvolveu inicialmente nos séculos X e XI, anterior à influência de Cluny, nos Pirenéus catalães e aragoneses, simultaneamente com o norte da Itália, no que se chamou «primeiro românico» ou «românico lombardo». É um estilo muito primitivo, cujas características são paredes grossas, falta de escultura e a presença de ornamentação rítmica com arcos, tipificada nas igrejas do La Vall de Boí (São Clemente de Tahull) e os mosteiros de San Pedro de Roda e Santa María de Ripoll. A arquitetura românica plena chegou com a influência de Cluny através do Caminho de Santiago, que finaliza na Catedral de Santiago de Compostela. O modelo de românico espanhol do século XII era a Catedral de Jaca, con seu plano e absides característicos da planta de peregrinação basada em São Sernim de Toulouse e o taqueado xadrez. Segundo avançavam os reinos cristãos para o sul, este modelo se estendeu pelas áreas reconquistadas com algumas variações. Os monastérios seguiram uma estrutura similar (Santo Domingo de Silos, em Burgos).

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Arquitetura gótica

O estilo gótico teve início, em Espanha, devido à crescente comunicação e influência da Europa central e do norte durante o século XII, quando o românico tardio alternava com um estilo de transição, como é a arquitetura cisterciense, e com algumas expressões de gótico puro, como a Catedral de El Salvador de Ávila; esta e a Catedral de Santa María e San Julián de Cuenca são as mais precoces do estilo. O gótico pleno chega com toda a sua força através dos Caminhos de Santiago, no século XIII, com a criação de algumas das catedrais góticas mais puras, de influência francesa: as catedrais de Burgos, Leão e Toledo. Depois do século XIII, o estilo desenvolve, com variantes locais, como o gótico levantino e o gótico isabelino. O gótico levantino, que floresce no século XIV é caracterizado pelos seus feitos estruturais e a unificação do espaço, sendo as suas obras principais a Catedral de Santa Maria de Palma de Maiorca, a Lonja de la Seda, em Valência e a Igreja de Santa Maria do Mar, em Barcelona. Guillermo Bofill realizou na Catedral de Gerona algo arriscado, ao unificar as 3 naves da cabeceira em uma só.

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Arquitetura do Renascimento

Na Espanha, o Renascimento começou unido às formas góticas nas últimas décadas do século XV. O estilo começou a estender-se, sobretudo, nas mãos de arquitetos locais: é a razão de um estilo renascentista especificamente espanhol, que reuniu a influência da arquitetura do sul de Itália, às vezes proveniente de livros ilustrados e pinturas, com a tradição gótica e a idiossincrasia local. O novo estilo chama-se plateresco, devido às fachadas decoradas em excesso, que recordam aos intrincados trabalhos dos plateros. Ordens clássicas e motivos de castiçais (candelieri) combinam-se com liberdade em conjuntos simétricos. Neste contexto, o Palácio de Carlos V realizado por Pedro Machuca, em Granada, atingiu em grau inesperado dentro do renascimento mais avançado da época. O palácio pode ser definido como uma antecipação ao Maneirismo, devido ao seu domínio da linguagem clássica e seus êxitos estéticos rupturistas. Foi construído antes das principais obras de Miguel Angelo e Palladio. Sua influência foi muito limitada e mal entendida, as formas platerescas se impuseram no panorama geral.

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Arquitetura barroca

Quando as influências barrocas italianas chegaram à Espanha, gradualmente substituíram no gosto popular ao sóbrio gosto classicista que havia estado em moda desde o século XVI. Já em 1667, as fachadas da Catedral de Granada de Alonso Cano e a de Jaén de Eufrasio López de Rojas indicam a facilidade de sua interpretação à maneira barroca dos motivos tradicionais das catedrais espanholas. O barroco local manteve raízes em Herrera e na construção tradicional em ladrilho, desenvolvida em Madri ao longo do século XVII (Plaza Mayor e Ayuntamiento de Madrid). Em contraste ao barroco da Europa setentrional, a arte espanhola da época busca agradar aos sentidos mais que ao intelecto. A família Churriguera, que se especializou em altares e retábulos, se rebelou contra a sobriedade do classicismo herreriano e promoveu um estilo intrincado, exagerado e quase caprichoso de decoração superficial, conhecido como Churrigueresco. Em meio século, converteram Salamanca em uma cidade churrigueresca exemplar.

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Arquitetura colonial

A combinação de influências decorativas nativas do continente americano e dos árabes, com uma interpretação extremamente expressiva do churrigueresco, poderia explicar a variedade e intensidade do barroco nas colônias americanas da Espanha. Ainda mais que em seu equivalente espanhol, o barroco americano desenvolveu-se como estilo de decoração do estuque. Fachadas com torres gêmeas, em muitas catedrais nas Américas do século XVII, têm raízes medievais. O barroco pleno só aparece em 1664, quando os jesuítas construíram o seu santuário, na Praça de Armas, em Cusco. O barroco peruano é especialmente exuberante, evidência disso é o Mosteiro de São Francisco, em Lima (1673), que mostra uma fachada escura e muito intrincada entre as torres gêmeas de pedra local amarela. Ainda que o barroco rural das missões jesuíticas (estâncias) em Córdova (Argentina) seguiram o modelo de Il Gesù, estilos provinciais «mestiços» apareceram em Arequipa, Potosí e La Paz. No século XVIII os arquitetos da região se inspiraram na arte mudéjar da Espanha medieval. O estilo de fachada do barroco tardio surge pela primeira vez na Igreja de Nuestra Señora de La Merced em Lima (1697-1704). De forma similar, na Igreja de La Compañía, em Quito (1722-65), a fachada parece um retábulo ricamente esculpido com um excesso de colunas salomônicas.

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