Arquitetura militar medieval
A arquitetura militar pode ser considerada com um ramo da arquitetura destinada à edificações de estruturas defensivas. Dada a especificidade desta sub-área, agrupam-se assim semelhanças características neste tipo de construções, como nos castelos e fortalezas, moldados segundo as técnicas de determinadas épocas e regiões.
Durante a Idade Média, o armamento de tiro disponível limitava-se a engenhos que utilizavam como elementos propulsores a força resultante da flexão ou torção: a neurobalística. São disto exemplo o arco, a besta, a catapulta, etc. Na segunda metade do século XIV, iniciou-se a utilização da pólvora como força propulsora — a pirobalística —, o que permitiu o desenvolvimento de novos tipos de armas. Incluem-se neste caso o canhão e mais tarde o arcabuz, o mosquete e a pistola. É a passagem da neurobalística à pirobalística que vai determinar inovações na arte da guerra e obrigar a alterações na arquitectura militar. A torre progressivamente deu lugar ao baluarte e as edificações deixaram de se desenvolver em altura para se desenvolver na horizontal. O canhão, inicialmente pouco eficaz pelo seu peso, lentidão e falta de precisão de tiro, foi melhorado ao longo do século XV. Em Portugal, o rei D. João II (1481-1495) ordenou que se efectuassem no Sado, frente a Setúbal, experiências com armas de fogo em embarcações, dando início à artilharia de fogo naval. Por ordens expressas do soberano foram instalados "tiros grossos" a bordo das caravelas, e Lisboa seria defendida, antes da construção da Torre de Belém, por uma nau com canhões fundeada na barra do Tejo.
A arquitectura militar foi determinante no território portucalense. A implantação de torres e castelos régios e senhorais marcaram pontos de defesa mas também de ocupação e organização do território. Com a implantação de castelos e torres foi-se fazendo um povoamento que foi progredindo, para sul, à medida passo que a Reconquista Cristã ia avançando. Da primitiva disseminação de fortificações, defendendo terras e cividades do Norte, passamos às fortalezas em que o sentido de construção castrense era já um pouco diferente - como Soure, Pombal ou Leiria - continuando a significar um ponto de defesa mas passando a constituir tentativas concertadas de estabelecer marcas de fronteira, progressivamente mais meridionais, contribuindo para consolidar novos territórios e, portanto, empurrando o inimigo muçulmano. Uma etapa decisiva desse movimento será dada com a tomada de Santarém e Lisboa em 1147], levando a linha defensiva para o rio Tejo, multiplicando-se em castelos que se espalharão da capital à fronteira com Castela. A maior parte dessas fortificações, (algumas das quais muito interessantes, como os Tomar, Almourol, Longroiva ou Belver) é devida à acção das Ordens militares religiosas dos Templários e dos Hospitalários, sendo ainda de raiz românica mas modificadas em épocas posteriores.
Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse
Tipos e classificações de arquitetura militar medieval:


