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Protestos contra reforma judicial em Israel

Os protestos contra a reforma judicial em Israel tiveram início após a divulgação dos detalhes da proposta de reforma do sistema judiciário em 2023. A medida foi classificada pelos opositores como uma “revolução jurídica” e, por muitos manifestantes, até mesmo como um “golpe de regime”. Os principais focos de mobilização foram a Praça HaBima [es] e a Rua Kaplan [en], em Tel Aviv; a Residência Oficial do Presidente e a Knesset, em Jerusalém; e a Praça Horev [he], em Haifa. A partir de fevereiro de 2023, protestos passaram a ocorrer em dezenas de outras localidades, reunindo centenas de milhares de participantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Antecedentes

Desde 2018, Israel vivia sucessivas crises políticas, com repetidas eleições antecipadas após fracassos na formação de coalizões. A eleição de 2021 conseguiu formar um governo, mas este ruiu em junho de 2022, quando perdeu a maioria mínima. Nas eleições de novembro do mesmo ano, a coalizão liderada por Yair Lapid foi derrotada pela aliança de direita encabeçada por Benjamin Netanyahu, que reassumiu como primeiro-ministro em 29 de dezembro de 2022. Em 4 de janeiro de 2023, o recém-empossado ministro da Justiça, Yariv Levin, apresentou um plano de reforma que limitava os poderes da Suprema Corte, reduzia a autonomia dos assessores jurídicos do governo e conferia à coalizão da Knesset maioria no comitê de nomeação de juízes. Logo após o anúncio, movimentos como o *Omdim Beyachad* convocaram manifestações para o dia 7 de janeiro em Tel Aviv. Quando Benjamin Netanyahu anunciou em 27 de março de 2023 uma suspensão temporária da tramitação da reforma, grupos favoráveis às mudanças também passaram a organizar protestos, reunindo dezenas de milhares de pessoas em apoio ao governo.

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Protestos

Cerco a Sara Netanyahu

Em 1.º de março de 2023, foi realizado um “Dia Nacional da Disrupção”, com protestos organizados em todo o país. À noite, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Hamedina [en], em Tel Aviv, em frente a uma barbearia onde estava a primeira-dama, Sara Netanyahu. O protesto durou cerca de três horas. A polícia enviou reforços da tropa de fronteira para conter os ânimos e proteger o local. Relatos indicam que havia uma saída pelos fundos da barbearia, mas Netanyahu optou por não utilizá-la. Após o episódio, ela declarou à imprensa que poderia ter sido vítima de um atentado. Ao final, deixou o local escoltada por policiais a cavalo. O primeiro-ministro afirmou que "linhas vermelhas" haviam sido cruzadas, enquanto Yair Netanyahu chegou a dizer que não sabia se sua mãe saíra viva da situação.

Protesto de pilotos da reserva

Em 5 de março de 2023, 37 dos 40 pilotos reservas do Esquadrão 69 da Força Aérea [en] anunciaram que não compareceriam a treinamentos em protesto contra a reforma, embora mantivessem sua disponibilidade para operações militares. A decisão levou o comandante da Força Aérea, Tomer Bar, e o chefe do Estado-Maior [en], Herzi Halevi, a alertarem Netanyahu e o ministro da Defesa, Yoav Gallant, sobre riscos à prontidão do exército. Ex-comandantes militares enviaram cartas públicas ao governo expressando preocupação com os rumos do país. O episódio gerou forte reação política. A ministra [en] Galit Distel-Atbaryan [en] chamou os pilotos de “covardes”, enquanto o ministro das Comunicações [en], Shlomo Karhi [en], disse: “Nós vamos lidar sem vocês. Vão para o inferno”. Reservistas responderam protestando em frente à residência de Karhi, que posteriormente afirmou respeitar os “patriotas” que continuavam servindo. A declaração provocou críticas, inclusive da viúva de Ron Arad [en], herói nacional desaparecido em combate [es]. O ministro da Defesa, Gallant, também condenou os ataques verbais a integrantes das Forças de Defesa de Israel. Posteriormente, os pilotos retornaram aos treinamentos.

Liquidação de conflito de interesses

Netanyahu responde a quatro processos judiciais (Casos 1000, 2000, 3000 e 4000), que motivaram a apresentação de uma petição ao Supremo Tribunal contra sua permanência no cargo de primeiro-ministro. Em julgamento perante 11 ministros, estabeleceu-se um acordo de conflito de interesses, segundo o qual Netanyahu não poderia atuar em assuntos relacionados ao sistema judiciário nem interferir em nomeações na área. Yuval Diskin [en], ex-diretor do Shabak, propôs um plano para resolver a crise que envolvia a renúncia de Netanyahu de todas as atividades políticas em troca de anistia, a suspensão da legislação para reformar o sistema judiciário, a formação de um governo de unidade nacional sem Netanyahu e a elaboração de uma constituição para Israel.

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Yoav Gallant

Em 5 de março de 2023, o ministro da Defesa recusou-se a atender ligações do ministro da Segurança Nacional [en], Itamar Ben-Gvir, alegando vazamento [es] indevido de informações. Pouco depois, quarenta ex-altos oficiais da polícia exigiram a demissão de Ben-Gvir, argumentando que ele não compreendia sua função institucional. Em 25 de março de 2023, Gallant pediu a suspensão da tramitação da reforma, acompanhado por outros parlamentares do Likud. Em reação, Ben-Gvir disse que Netanyahu deveria demitir Gallant. No dia seguinte, Netanyahu anunciou a demissão de Gallant, alegando que o ministro da Defesa não impediu a recusa dos reservistas em servir nas FDI. Milhares de manifestantes tomaram as ruas em resposta, bloqueando rodovias em Tel Aviv até a madrugada do dia seguinte. No fim de março, as tensões se intensificaram. Em 27 de março de 2023, o presidente da central sindical Histadrut, Arnon Bar-David [en], convocou uma greve geral. No mesmo dia, após pronunciamento de Netanyahu e intensas pressões internas e externas, a reforma foi suspensa. Benny Gantz e Yair Lapid concordaram em debater alternativas na residência do presidente. A Casa Branca declarou apoio à decisão. No dia seguinte, o presidente Joe Biden afirmou que “Israel não pode continuar nesse caminho” e indicou que não convidaria Netanyahu a Washington em breve.

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Manifestações contra

Yitzhak Amit [en], presidente da Suprema Corte, disse em 28 de janeiro de 2026, em uma cerimônia de admissão de advogados no Binyanei HaUma em Jerusalém, que se a lei não é igual para todos, a lei não vale nada. Ele disse que se alguém em uma posição de poder ou influência se permite ignorar uma decisão judicial que não lhe agrada, por que um cidadão comum deveria respeitá-la? Por que prisioneiros se apresentariam para cumprir pena quando figuras públicas ignoram sentenças judiciais? Em resposta, o ministro Shlomo Karhi acusou o Supremo Tribunal de Justiça de ignorar as leis do Knesset e de anular Leis Básicas, e afirmou que a crítica ao tribunal é o coração da democracia, e não uma ameaça a ela. No mesmo dia, Mordechai David, um criminoso condenado, bloqueou o carro do ex-presidente da Suprema Corte de Israel, Aharon Barak [es], depois que ele discursou contra a Lei da Evasão do Serviço Militar (lei que isenta os judeus ultraortodoxos do serviço militar nas Forças de Defesa de Israel) no "Primeiro Congresso Liberal do Movimento pela Qualidade do Governo, no Expo Tel Aviv", e o chamou de Khamenei. A ministra do Meio Ambiente, Idit Silman, elogiou David e afirmou que é preciso fortalecê-lo com todas as forças. Ben Caspit [en] disse: "O que anda como uma máfia, faz barulhos de máfia e se comporta como uma máfia – é uma máfia".

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