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Aristóteles de Ananias Jr.

Aristóteles de Ananias Jr. foi uma banda brasileira de rock alternativo baseada em Porto Alegre e ativa na década de 1990. Criada em 1988 por Marcelo Birck, integrante da Graforréia Xilarmônica, primeiro como um espaço de experimentação informal e ocasional de novas ideias, em 1991 a banda assumiu um caráter permanente, mas passou por várias formações, realizando diversos shows no estado do Rio Grande do Sul, em bares e espaços institucionais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Trajetória

A banda foi criada em 1988 por Marcelo Birck (vocal, guitarra e compositor), fazendo seu primeiro show no Bar Ocidente no mesmo ano. Surgida como um projeto paralelo à Graforréia Xilarmônica (da qual faziam parte Marcelo e seu irmão Alexandre), tinha uma proposta informal de diversão ao mesmo tempo em que se aproveitavam espaços favoráveis a investigações sonoras. A princípio o projeto não possuía nenhuma intenção de continuidade, e os músicos eram convidados de acordo com as circunstâncias. Com tal proposta, foram realizadas apresentações esporádicas e com diversas formações, que incluíram Alexandre "Ograndi" Birck (bateria), Carlos Eduardo Miranda (teclado), Chico Machado (baixo e vocal), Luciano Zanatta (saxofone alto) e Ricardo Frantz (violino). O nome da banda surgiu por acaso. De acordo com Birck, ele estava lendo e assistindo TV ao mesmo tempo, quando ouviu o apresentador citar "Aristóteles" na TV, leu no jornal o nome "Ananias", e ouviu alguém gritar "Júnior" na rua.

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Obra

Contexto

A banda surgiu em um momento de grande efervescência no cenário da música popular brasileira, quando o rock se consolidava em larga escala em todo o país desde os anos 80 e nos anos 90 continuava em uma trilha ascendente, ainda que neste último período enfrentasse crescentes dificuldades de mercado: Segundo Rogério Ratner, O Rio Grande do Sul não foi exceção, com a movimentação roqueira iniciando na capital, Porto Alegre, particularmente em torno do bairro Bom Fim, uma espécie de reduto da contracultura, onde funcionam até hoje um bar que se tornou icônico, o Ocidente (onde a Aristóteles se apresentou pela primeira vez), e o Auditório Araújo Viana, da Prefeitura Municipal, que deram espaço para shows memoráveis, "congregando bandas e artistas com já larga folha de serviços prestados à música urbana e ao rock do RS com novos nomes que iam surgindo", como disse Ratner, embora a produção local só tenha ganhado notoriedade no centro do Brasil relativamente tarde. Esta expansão foi facilitada pela criação de vários selos independentes no estado, que deram uma certa autonomia aos músicos locais, e pela passagem da tecnologia analógica para a digital, que reduziu a dependência dos músicos em relação às grandes gravadoras, tendo como resultado uma explosão do mercado independente.

Estilo e repercussão

Suas apresentações se caracterizavam por um estilo performático, com cenários e figurinos inusitados criados pela banda, empregando materiais descartáveis e remetendo ao imaginário psicodélico, sempre com forte tendência ao non-sense e a referências extra-musicais. A sonoridade da banda pode ser definida como tendo uma base derivada do rock da década de 1960, sobre a qual são adicionados elementos de outras práticas musicais, como contraponto, atonalismo, ruidismo, incluindo alguns de outras matrizes pop e eventualmente regionalismos, além de empregar o acaso, descontinuidades, desconstrução, politexturas e improviso. Como relatou Marcelo Mendes em matéria escrita para o site Overmundo, esta combinação incomum de influências causou sensação, mas também desencadeou forte rejeição entre os acostumados com o rock tradicional: "O ápice dessa 'queimação de filme' foi o lançamento do disco da Aristóteles que, segundo ele (Marcelo Birck), teria sido um fim de carreira, tamanho o impacto: 'as pessoas ouviam o disco ou viam o show e tomavam aquilo como ofensa pessoal' ". Mendes pensa que para um entendimento da proposta da banda seria necessário abrir espaço "para uma nova sensibilidade, afeita não a algo 'verdadeiro' de antemão, mas às potências do falso – no que diz respeito àquilo que ainda pode vir a ser (rock ou outra coisa qualquer) 'real', ou seja, uma verdade a ser criada, uma estética a ser estabelecida, uma sensibilidade a ser desenvolvida".

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Fontes consultadas

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