Pesquisa · Mapa mental

Aristolochiaceae

.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
01

Descrição

Os membros da família Aristolochiaceae são na sua maioria plantas perenes, herbáceas, com porte arbustivo ou lianas. As folhas são simples, membranosas e cordadas são largas, crescendo alternadamente ao longo do caule em pecíolos foliares. As margens das folhas são geralmente inteiras. Não há estípulas presentes. As flores são de tamanho grande a médio, crescendo nas axilas das folhas, com uma estrutura incomum semelhante a um cachimbo. São bilaterais ou radialmente simétricas. As espécies da família Aristolochiaceae estão distribuídas pelas regiões temperadas tropicais e subtropicais. Ocorrem predominantemente em áreas abertas com vegetação rasteira, como savanas ou em florestas decíduas temperadas. Algumas espécies possuem ácidos aristolóquicos, óleo etéreo, óleo resinoso e substâncias aromáticas voláteis, motivo pelo qual essas plantas são utilizadas na medicina tradicional de diversos povos. Os princípios ativos são empregados mais comumente como antissépticos, diuréticos e estimulantes, e promovem melhor funcionamento dos órgãos de secreção interna.

Morfologia

Os exemplares desta família são encontrados na forma de ervas, lianas ou, eventualmente, arbustos. Podem exibir estruturas subterrâneas de reserva. Os agentes polinizadores das flores da família Aristolochiceae são, usualmente, moscas. As flores desenvolveram, durante o curso evolutivo, mecanismos especializados para a captura do inseto e fixação do pólen neste culminando em otimização da polinização. Nesta família, as flores liberam fragrâncias para a atração dos polinizadores (podendo estas serem adocicadas como a de uma fruta ou fétidas como uma carcaça em putrefação), além de produzir néctar pelas glândulas no tubo do cálice, funcionando como recompensa açucarada para o díptero. Uma vez atraído até a flor, o cálice floral, altamente modificado, atua como uma armadilha, prendendo o inseto. Durante a primeira fase da vida da flor, o pólen é depositado no estigma o qual circunscreve o gineceu, projetando-se além das anteras. Depois da polinização, o estigma murcha e se torna ereto, expondo as anteras deiscentes. As moscas ficam cobertas por pólen e saem da armadilha, podendo, portanto, pousar em outra flor e fecundá-la.

Fitoquímica

Muitos membros do género Aristolochia e alguns do género Asarum contêm a toxina ácido aristolóquico (ou aristoloquina), que desencoraja os herbívoros e é conhecida por ser carcinogénica em ratos. As espécies de Aristolochia são considerdas cancerígenas para os humanos. A subfamília Asaroideae é rica em lignoides em contraste com a Aristolochioideae, rica em alcaloides baseados em benzilisoquinolina, por exemplo aristoloquina (ácido aristolóquico). A inulina foi detetada em Aristolochia.

Distribuição e ecologia

Aristolochiaceae tem ocorrência catalogada em inúmeras regiões de todo o mundo. Divide-se este grupo, habitualmente, em duas subfamílias distintas: Asaroideae e Aristolochioideae, às quais acresce duas pequenas subfamílias, Lactoridoideae, com uma única espécie nas ilhas Juan Fernández, e Hydnoroideae, um grupo de plantas parasíticas. A primeira conta com 85 espécies distribuídas, em sua maioria, ao Norte da Ásia, em regiões de clima, predominantemente, temperado. Já a segunda subfamília, Aristolochioideae, é amplamente difundida em regiões tropicais e subtropicais do mundo. As borboletas da espécie Battus philenor põem os seus ovos sobre espécies do género Aristolochia e as suas larvas alimentam-se da planta, mas não são afectadas pela toxina, cuja concentração nos seus tecidos oferece à borboleta adulta proteção contra predadores.

Usos

Devido às substâncias farmacologicamente activas que contêm, as espécies desta família desempenharam e continuam a desempenhar um papel importante em diferentes farmacopeias, principalmente as pertencentes ao género Asarum devido aos óleos essenciais dos seus rizomas, ricos em sesquiterpenos e fenilpropanoides, e aos membros da subfamília Aristolochioideae devido ao ácido aristolóquico, derivado de alcaloides do tipo aporfinas. O ácido aristolóquico é nefrotóxico e carcinogénico. A sua ingestão tem sido associada a um quadro clínico caracterizado por uma fibrose intersticial renal rapidamente progressiva (nefropatia da erva chinesa) que conduz rapidamente a uma insuficiência renal crónica, juntamente com o desenvolvimento de tumores uroteliais do trato urinário superior.

02

Filogenia e classificação

As Aristolochiaceae são magnoliídeas, um grupo basal de angiospérmicas que não fazem parte das grandes categorias de monocotiledóneas ou eudicotiledóneas. A partir do Sistema APG IV, de 2016), as antigas famílias Hydnoraceae e Lactoridaceae estão incluídas, pois a exclusão tornaria Aristolochiaceae, no sentido tradicional, parafilética. Apesar disso, há divergências na classificação do grupo taxonómico quanto a mono, para ou polifilia. Aristolochiacea é considerada como pertencente ao clado das Piperales, no entanto, apesar de este ser monofilético, a relação dos grupos dentro da ordem gera controvérsias devido à posição da espécie Lactoris fernandeziana, embora a família Aristolochiaceae fosse considerada parafilética sem aquele género, devido a estudos de sequenciamento de DNA que indicam o género Lactoris como pertencente ao clado. Na primeira possível representação filogenética, a família Aristolochiaceae abrangeria as subfamílias Asaroideae e Aristolochiaoideae, tendo o género Lactoris divergido da linhagem que deu origem à segunda daquelas subfamílias. Todo o clado Aristolochiaceae seria, então, grupo irmão do emparelhamento [Piperaceae + Saururaceae]. A família Piperaceae incluiria os géneros Zippelia, Manekia, Piper, Peperomia e Verhuelia.

Filogenia

Podem distinguir-se quatro agrupamentos no cladograma das Aristolochiaceaeao ao nível taxonómico do género: A relação entre os agrupamentos atrás referido pode sr reduzida ao seguinte cladograma:

Genómica

A sequência completa do genoma plastidial de uma espécie de Aristolochiaceae, Hydnora visseri, foi determinada. Em comparação com o genoma do cloroplasto dos seus parentes fotossintéticos mais próximos, o plastoma de Hydnora visseri mostra uma redução extrema tanto em tamanho (cerca de 27 quilo pares de bases) como em conteúdo genético (24 genes parecem ser funcionais). Esta espécie de Aristolochiaceae possui, portanto, um dos genomas plastidiais mais pequenos entre as plantas com flor.

Registo fóssil

Os registos fósseis mais antigos da família Aristolochiaceae são as sementes fossilizadas de †Aristospermum huberi e †Siratospermum mauldinense, do Cretáceo Inferior de Portugal e Virgínia, Estados Unidos. Os restos fósseis mais antigos de folhas são de †Aristolochites dentata, do Cretáceo Superior do Nebraska. O registo de pólen de †Aristolochiacidites viluiensis foi descrito a partir de sedimentos do Cretáceo Superior da Sibéria. A madeira fóssil é conhecida dos Deccan Traps da Índia, datada de há cerca de 66 milhões de anos. Fósseis de folhas de Aristolochia são conhecidos do início e do final do Terciário da América do Norte e do final do Terciário da Abcásia, Ucrânia e Polónia. Restos de folhas fósseis de †Aristolochia austriaca foram descritos a partir de sedimentos do Mioceno tardio do sítio de Pellendorf, na Bacia de Viena, na Áustria. A espécie †A. austriaca é mais semelhante às espécies mediterrânicas extantes Aristolochia rotunda e Aristolochia baetica.

Sistemática

As Aristolochiaceae são um grupo primitivo de angiospermas. Têm sido geralmente relacionadas com as Annonaceae por caracteres que se mostraram plesiomórficos; por outros caracteres, tais como gamotepalia, monadelfia e peculiaridades da semente, também têm sido relacionadas com as Myristicaceae. As estruturas que a relacionavam com Rafflesiaceae, como o diafragma, os processos estilares e a bainha seminal, foram descartadas como meras convergências evolutivas por análises de filogenia molecular, que mostram que a família forma um clado com as antigas famílias Lactoridaceae e Hydnoraceae. O APW (Angiosperm Phylogeny Website) considera-a como fazendo parte da ordem Piperales, sendo o grupo irmão do género Lactoris.

03

Ocorrência no Brasil

Quando referente ao território nacional, tal família é encontrada em todo o Brasil, com exceção dos Estados do Espírito Santo, cuja ocorrência é incerta, e Roraima, ausente. No Brasil, são encontradas 92 espécies, todas pertencentes ao Gênero Aristolochia e registradas nos domínios fitogeográficos: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa. As espécies catalogadas em território nacional são:

Ocorrência no Brasil

No Brasil ocorrem as seguintes espécies:

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando