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Acanthaceae

Acanthaceae é uma família de plantas com flor dicotiledóneas, da ordem das Lamiales, que agrupa cerca de 4 605 espécies, repartidas por 191 géneros, 10 tribos e quatro subfamílias, na sua maioria herbáceas, arbustos ou trepadeiras, com algumas espécies epífitas. A família é claramente tropical, sendo poucas as espécies com distribuição natural nas regiões temperadas. Os quatro principais centros de diversidade são a Indonésia e a Malésia, a África Austral, o Brasil e a América Central. Representantes da família podem ser encontrados em quase todos os habitats, incluindo florestas densas ou abertas, matagais, campos e vales húmidos, zonas costeiras, pântanos e florestas de mangal. Algumas espécies têm importância económica como plantas ornamentais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Descrição

Agrupa mais de 4 500 espécies, sendo Justicia L. o género mais numeroso, com aproximadamente 700 espécies distribuídas pelas regiões tropicais e subtropicais, estando entre as 12 famílias plantas com maior número de géneros. Apesar de ocorrerem numa grande variedade de ecossistemas pelo mundo, são mais comuns nos trópicos e nas regiões mais quentes.

Morfologia

A família Acanthaceae é formada principalmente por espécies perenes, raramente herbáceas anuais; também existem alguns taxa lenhosos, arbustivos ou, raramente, pequenas árvores. A maioria das espécies é terrícola, mas também existem algumas epífitas. Crescem de forma independente, na vertical, deitadas ou como trepadeiras. Quando são plantas trepadeiras, enrolam-se em torno do suporte no sentido horário. O crescimento secundário em espessura parte de um anel de câmbio convencional. Em Avicennia existem raízes aéreas. Os caules ou ramos têm uma secção transversal arredondada ou angular, frequentemente com nós inchados. Por vezes, há espinhos que se desenvolveram a partir de folhas reduzidas ou de brácteas. Em geral apresentam tricomas simples nas folhas e nos caules jovens.

Fitoquímica

Os estudos fitoquímicos sobre a família Acanthaceae referem-se a presença de glicosídeos, flavonoides, benzenoides, compostos fenólicos, naftoquinona e triterpenoides. Frequentemente, existem cistólitos (mas não, por exemplo, em Acanthus, Blepharis, Nelsonia, Ophiorrhiziphyllon, Staurogyne e Thunbergia), que se formam pela bioacumulação de ácido silícico e carbonato de cálcio. As sementes contêm ácidos gordos, proteínas e celulose de reserva, mas geralmente não contêm amido. Os compostos mais importantes são polifenóis, óleos essenciais, heterosídeos, compostos isoprenóides não voláteis e alcalóides.

Ecologia

As espécies da família Acanthaceae desempenham um papel ecológico importante, pois a estrutura das suas flores está adaptada a muitos polinizadores diferentes. A polinização é feita por aves (ornitofilia), por exemplo, beija-flores e pássaros nectarívoros, ou por insetos (entomofilia), por exemplo, abelhas, borboletas diurnas e noturnas, ou morcegos (quiropterofilia). A sobrevivência destes animais depende da disponibilidade de néctar e pólen.

Etnobotânica

Alguns géneros da família Acanthaceae apresentam significativa importância para o paisagismo e jardinagem devido ao número de espécies cultivadas como plantas ornamentais, pelo que a importância económica da família deve-se essencialmente às espécies com alto valor ornamental. Outro uso tradicional é como plantas medicinais em medicina tradicional. Como planta útil, pode-se citar também a espécie sul-americana Trichanthera gigantea, cujas folhas secas são utilizadas como ração animal rica em proteínas. Uma espécie bem conhecida dos jardineiros das regiões temperadas é a Acanthus mollis (conhecida pelos nomes comuns de acanto-manso, branca-ursina, erva-gigante, gigante ou pé-de-urso), uma planta perene herbácea com folhas grandes e espigas de flores que podem atingir 2 m de altura. Celebrada pelos gregos e romanos, nas margens do Mediterrâneo, esta espécie e outros membros da família Acanthaceae foram usados como inspiração em capitéis, coríntios e compósitos, e em outros elementos arquitetónicos greco-romanos. O arquiteto e escultor Calimaco de Atenas usava o acanto como inspiração para decorar elementos arquitetónicos. Uma lenda citada por Vitrúvio, considerava o acanto como o símbolo das provações da vida e morte, representadas pelos espinhos.

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Sistemática e filogenia

A família Acanthaceae foi descrita pela primeira vez em 1789 por Antoine Laurent de Jussieu com o nome Acanthi. O género-tipo é Acanthus L.. São sinónimos taxonómicos para Acanthaceae Juss. os seguintes taxa: Avicenniaceae Miq., Justiciaceae Raf., Mendonciaceae Bremek., Meyeniaceae Sreem., Nelsoniaceae Sreem. e Thunbergiaceae Lilja. A família Acanthaceae pertence à ordem Lamiales. A etimologia do nome Acanthaceae assenta no nome genérico de Acanthus, o género tipo da família. O termo 'acanthus' tem origem no grego clássico akanthos ('espinho'), devido à presença de espinhos macios nas espécies daquele género. As espécies ocorrem nas regiões florestais das regiões holártica, paleártica, neártica, Capensis e Australis. As espécies ocorrem desde as zonas temperadas até às tropicais, sendo que a maioria das espécies é nativa dos trópicos. Os centros de biodiversidade são o sub-reino Indomalaio, a África, o Brasil e a América Central.

Filogenia

Nos últimos anos, foram realizadas muitos estudos, utilizando dados moleculares e fósseis, sobre a datação e distribuição da linhagem Acanthaceae e Lamiales, embora ainda permaneça alguma ambiguidade. Num estudo de 2004 sobre a datação filogenética molecular de plantas com flor do grupo das asterídeas, os investigadores estimaram 106 milhões de anos (MA) para a linhagem ancestral das Lamiales, 67 MA para a linhagem ancestral das Acanthaceae e 54 MA para o grupo coroa das Acanthaceae (ou seja, a idade das linhagens existentes comuns com a família). Aquelas estimativas são mais antigas do que as que foram obtidas com base em fósseis que podem ser atribuídos com segurança às Lamiales, que datam do meio do Eoceno, aproximadamente 48-37 milhões de anos atrás. Os registos fósseis que fornecem palinomorfos que comprovam definitivamente a existência das Acanthaceae são conhecidos desde o Mioceno superior, sendo os mais antigos de há cerca de 22 milhões de anos.

Subfamílias e tribos e sua distribuição

A família Acanthaceae está dividida em quatro subfamílias, com pelo menos seis tribos e 229 a 250 géneros e de 3 500 a 4 600 espécies:

Géneros

O número de géneros na família Acanthaceae tem vindo a variar ao longo do tempo em função da circunscrição taxonómica do agrupamento e da análise filogenética das espécies, cujos resultados levara am que múltiplos géneros fossem sinonimizados e alguns segregados. A base de dados taxonómicos PlantList considera existirem 242 géneros reconhecidos atualmente; a base da Germplasm Resources Information Network aceita 217 géneros; Em julho de 2025, o Plants of the World Online listava 208 géneros. A APWeb listava em novembro de 2025 um total de 4 605 espécies em 191 géneros repartidos por 10 tribos e quatro subfamílias. O seguinte género foi movidos para outra família por razões filogenéticas:

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Distribuição no Brasil

No Brasil ocorrem 41 gêneros com 432 espécies. A família ocorre nas seguintes regiões: Tem como domínios fitogeográficos a Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal. A família Acanthaceae se encontra na lista de espécies da flora brasileira ameaçada de extinção, com alto risco de desaparecimento na natureza em futuro próximo, assim reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente. Juntamente com as outras famílias listadas ameaçadas de extinção, as espécies estão sujeitas às restrições previstas na legislação em vigor e sua coleta, para quaisquer fins, será efetuada apenas mediante autorização do órgão ambiental competente.

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Fontes consultadas

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