Aristeu Nogueira
Aristeu Nogueira Campos, conhecido como Aristeu Nogueira foi um político brasileiro. Advogado, membro do Comitê Central do PCB e um dos principais responsáveis pela reorganização do Partido Comunista na Bahia após o levante de 1935, assim como pela sua organização em nível nacional. Dedicou a vida à causa comunista partidária.
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Aristeu Nogueira Campos nasceu em Irará, município a 135 km de Salvador, descendente da aristocracia rural local, neto de Pedro Nogueira Portela e filho caçula de Elpídio Nogueira de Campos, primeiros administradores da cidade no século XIX. Sua mãe chamava-se Tereza de Jesus Nogueira. Ela faleceu quando Aristeu tinha apenas 8 anos. Era uma família proprietária de terras, seu pai, além de comerciante, era um político influente e tinha ligações com o poder político da capital do Estado. O casal teve quatro filhos além de Aristeu: Alberto, Amadeu, Aristarco e Alzira Nogueira Campos. Em 1929, Aristeu muda-se para Salvador para continuar os estudos, fez o curso secundário no Colégio Ipiranga e posteriormente entrou para o curso de Direito na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais (hoje Faculdade de Direito da UFBA), formando-se em 1939.
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Durante o curso de Direito, Aristeu interessa-se pela política, envolvendo-se nas discussões das questões nacionais, ingressando, em 1938, no Partido Comunista Brasileiro. Nas palavras do próprio Aristeu: Desde o ingresso de Aristeu Nogueira no Partido Comunista sua atuação foi contundente na organização partidária e liderança, chegando a ser citado em matéria do Jornal O Globo, como "um agente de Moscou na Bahia". Sendo aconselhado por correligionários a "desaparecer", voltou a sua cidade, Irará, onde assumiu o cargo de Delegado Censitário; começou também a advogar e foi Editor do jornal local. Já tinha tido uma experiência anterior com a imprensa, em Salvador, quando em fins de 1939, junto com João Falcão e Armênio Guedes abriu uma Sociedade Comercial que seria proprietária da Gráfica Modelo, com capital próprio e razão social de Nogueira & Falcão Ltda, registrada na Junta Comercial e sediada na Cidade Baixa. Esta gráfica passou a imprimir a revista Seiva, criada no ano anterior por João Falcão, Armênio Guedes e outros companheiros, com distribuição nacional e considerada a Primeira Revista do Partido Comunista Brasileiro.
Em outubro de 1941, em Irará, Aristeu casa-se com Odete de Almeida Campos, com quem teve 4 filhos: Vera Felicidade de Almeida Campos, Diógenes de Almeida Campos, Antónia Tereza de Almeida Campos (falecida com 9 meses de idade) e Mariana Campos Meira. Após a II Guerra Mundial, em 1945, volta para Salvador onde fixa residência com esposa e filhos. O Partido Comunista teve um breve período de legalidade (1945-1947) com Aristeu como integrante do Comitê Estadual e Coordenador da Comissão de Finanças do Partido em Salvador. Aristeu não se intimida com a volta do Partido a Ilegalidade (1947) e continua suas atividades, principalmente na direção do jornal O Momento jornal ligado ao Partido Comunista que ele chegou a financiar com a doação de toda a herança recebida após a morte de seu pai. Foi preso algumas vezes, tendo sua casa invadida pela polícia que apreendia suas anotações e livros, obrigando-o a continuamente refazer sua biblioteca, constituída principalmente de livros marxistas, mas também de literatura, livros técnicos etc. Por ocasião dessas prisões e invasões domiciliares, sua esposa, D. Odete, enterrava os livros mais raros para que não fossem levados pela polícia. Devido a tais "invasões", a família mudava frequentemente de residência em Salvador. Sua casa sempre esteve aberta aos companheiros de partido como um local de reuniões, discussões e hospedagem.
Aristeu Nogueira foi Deputado Estadual pelo Partido Socialista Brasileiro (1963) e em 1964 foi jogada uma bomba em sua residência em Salvador, destruindo parte da casa. Com o Golpe Militar em abril de 1964, Aristeu cai na clandestinidade, fugindo de Salvador para o Rio de Janeiro, utilizando-se de vários disfarces. No Rio, consegue a ligação com o Partido e desde então retoma a militância em completa clandestinidade, adotando o codinome de Antônio Cerqueira de Andrade. Foi um período de grande atuação sua, participando da organização do PCB em todo o pais, do Rio Grande do Sul ao Amazonas, apesar de concentrar-se nas demandas organizacionais do Rio de Janeiro e São Paulo onde atuava como responsável pela Secretaria de Organização do Comitê Regional. Nesta época, esteve também no Chile e na União Soviética. Desde que ingressou no Partido Comunista, Aristeu foi sempre "um homem típico da máquina partidária", um estudioso do marxismo-leninismo e um dos mais preparados quadros do PCB na Bahia; com disciplina férrea aceitava tarefas e responsabilidades de vários níveis, prescindindo de atividades particulares para atender aos interesses do Partido. Era considerado um militante exemplar e impecável, organizando clandestinamente o PCB em vários Estados e consequentemente, acumulando processos nas costas, coisa que nunca o impediu de agir. Foi braço direito de Giocondo Dias e Luiz Carlos Prestes, chegando a substituí-lo no posto de Secretário Geral do Partido. Viveu em Aparelhos no Rio de Janeiro, submetendo-se sem queixas a todas as restrições que isso implica como isolamento social, afastamento de familiares, mudanças de hábitos e gostos, pressões diárias, perseguições, dificuldades materiais de toda ordem, mudanças constantes de endereço etc.
Em 31 de março de 2014, através de atuação da Comissão da Verdade, a Assembléia Legislativa da Bahia realizou Sessão Especial de devolução simbólica dos mandatos dos deputados cassados em 1964 pelo golpe militar. Aristeu Nogueira foi um dos deputados cassados, homenageado nesta sessão com a devolução de seu mandato de Deputado Estadual.


