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Lo-Fi

Lo-fi é uma música ou qualidade de produção em que elementos normalmente considerados como imperfeições de uma gravação ou performance são audíveis, às vezes como uma escolha estética deliberada. Os padrões de qualidade de som (fidelidade) e produção musical evoluíram ao longo das décadas, o que significa que alguns exemplos mais antigos de lo-fi podem não ter sido originalmente reconhecidos como tal. Lo-fi começou a ser reconhecido como um estilo de música popular na década de 1990, quando passou a ser conhecido alternadamente como música DIY.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Definições e etimologia

No seu esboço mais grosseiro, lo-fi foi primitivista e realista nos anos 80, pós-moderno nos anos 90, e arcaico nos anos 2000. —Adam Harper, Lo-Fi Aesthetics in Popular Music Discourse (2014) Lo-fi é o oposto de hi-fi. Historicamente, as prescrições de "lo-fi" têm sido relativas aos avanços tecnológicos e às expectativas dos ouvintes comuns de música, fazendo com que a retórica e o discurso em torno do termo mudassem inúmeras vezes. Geralmente escrito como "lowfi" antes dos anos 1990, o termo existe pelo menos desde os anos 1950, pouco depois da aceitação da "alta-fidelidade", e a sua definição evoluiu continuamente entre os anos 1970 e 2000. Na edição de 1976 do Oxford English Dictionary, lo-fi foi adicionado sob a definição de "produção de som menos boa em qualidade do que 'hi-fi". O educador musical R. Murray Schafer, no glossário de seu livro de 1977 The Tuning of the World, definiu o termo como "relação sinal-ruído desfavorável".

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Características

A estética lo-fi é idiossincrasia associada ao processo de gravação. Mais especificamente, aqueles que são geralmente vistas no campo da engenharia de áudio como efeitos indesejáveis, tais como um sinal áudio degradado ou flutuações na velocidade da fita.A estética pode também estender-se a espetáculos musicais de qualidade inferior. Gravações consideradas não profissionais ou "amadoras" são geralmente relacionadas ao desempenho (notas desafinadas ou fora do tempo) ou mixagem (chiado audível, distorção ou acústica da sala). O musicólogo Adam Harper identifica a diferença como "imperfeições fonográficas" e "imperfeições não fonográficas". Ele define imperfeições fonográficas como "elementos de uma gravação que são percebidos (ou imaginados para serem percebidos) como prejudiciais a ela e que têm origem na operação específica do próprio meio de gravação. Hoje em dia, são normalmente as primeiras características em que as pessoas pensam quando o tema da "lo-fi" é abordado".

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História

1950–1970: Origens e obras influentes

A música DIY antecede a história documentada, mas "lo-fi", como foi entendido depois dos anos 1990, pode ser rastreado até o rock and roll dos anos 1950. O AllMusic escreve que as gravações do gênero foram feitas "de forma barata e rápida, muitas vezes em equipamentos abaixo do padrão. Nesse sentido, os primeiros discos de rock and roll, a maior parte do rock de garagem dos anos 1960 e muito do punk rock do final dos anos 1970 poderiam ser rotulados como Lo-Fi." Os álbuns dos Beach Boys Smiley Smile (1967), Wild Honey (1967) e Friends (1968) foram uma trilogia de álbuns lo-fi gravados principalmente no estúdio caseiro de Brian Wilson; os álbuns foram posteriormente referidos como componentes de suas "Bedroom Tapes". O escritor do Pitchfork Mark Richardson creditou Smiley Smile como "basicamente a invenção do tipo de lo-fi bedroom pop que mais tarde impulsionaria Sebadoh, Animal Collective e outras personalidades". Os editores da Rolling Stone creditaram Wild Honey com a origem da "ideia do pop DIY". Jamie Atkins, da Record Collector, escreveu que muitos dos atos do lo-fi também "devem muito" ao som saturado da canção "All I Wanna Do" de 1970.

1970–1980: Indie, cultura de cassetes e outsider music

Com o surgimento do punk rock e da new wave no final dos anos 1970, alguns setores da música popular começaram a adotar uma ética DIY que anunciava uma onda de gravadoras independentes, redes de distribuição, fanzines e estúdios de gravação. Muitas bandas foram formadas na premissa do romance de que alguém poderia gravar e lançar sua própria música em vez de ter que obter um contrato de gravação com uma grande gravadora. Músicos e fãs de lo-fi eram predominantemente homens brancos e de classe média e, embora a maior parte do discurso crítico interessado em lo-fi fosse baseado em Nova Iorque ou Londres, os próprios músicos eram em grande parte de áreas metropolitanas menores dos Estados Unidos.

1990: Mudança das definições de "lo-fi" e "indie"

Durante os anos 1990, o uso da palavra "indie" pelos meios de comunicação evoluiu de música "produzida longe das maiores gravadoras da indústria musical" para um estilo particular de rock ou música pop visto nos EUA como a "alternativa ao 'alternativo". Após o sucesso de Nevermind (1991) do Nirvana, o rock alternativo tornou-se um ponto de discussão cultural e, posteriormente, o conceito de um movimento lo-fi coalesceu entre 1992 e 1994. Centrado em artistas como Guided by Voices, Sebadoh, Beck e Pavement, a maior parte da escrita sobre o gênero alternativo e o lo-fi alinhou-se com a Geração X e os estereótipos "slacker" que tiveram se originaram do romance Generation X de Douglas Coupland e do filme Slacker de Richard Linklater (ambos lançados em 1991). Parte da delimitação entre grunge e lo-fi veio com relação à "autenticidade" da música. Embora o vocalista do Nirvana Kurt Cobain fosse conhecido por gostar de Daniel Johnston, K Records e The Shaggs, havia uma facção do indie rock que via o grunge como um gênero sell-out, acreditando que as imperfeições do lo-fi eram que dava à música a sua autenticidade.

2000–presente: pop hipnagógico e chillwave

O surgimento das modernas estações de trabalho de áudio digital dissolveu uma divisão tecnológica teórica entre artistas profissionais e não profissionais. Muitos dos artistas lo-fi proeminentes da década de 1990 adaptaram seu som a padrões mais profissionais e músicos de "quarto" começaram ver equipamentos vintage como uma forma de alcançar uma estética lo-fi autêntica, refletindo uma tendência semelhante na década de 1990 relativa ao renascimento do space age pop e sintetizadores analógicos dos anos 1960. R. Stevie Moore foi cada vez mais citado pelo artistas de lofi emergentes como uma influência primária. O seu maior defensor vocal, Ariel Pink, tinha lido Unknown Legends, e mais tarde gravou uma versão cover de uma das faixas incluídas em um CD que veio com o livro ("Bright Lit Blue Skies"). Na época de sua estreia na gravadora, Pink era visto como uma novidade, uma vez que não havia praticamente nenhum outro artista indie contemporâneo com um som retro lo-fi semelhante.

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Fontes consultadas

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