Argos (Grécia)
Argos (Άργος), localizada na Argólida, Península do Peloponeso, é uma das cidades mais antigas continuamente habitadas da Grécia. Segundo Heródoto, foi a primeira grande cidade grega a se destacar no comércio com o Mediterrâneo Oriental, especialmente com a Fenícia, marcando sua importância histórica e econômica desde tempos remotos.
Pontos-chave
- Argos é uma das cidades gregas mais antigas com ocupação contínua.
- Foi pioneira no comércio com o Mediterrâneo Oriental, destacando-se na Fenícia.
- Seu nome e o da acrópole, Larissa, são de origem pré-grega ('Pelasgo').
- Teve grande importância na era micênica e na mitologia grega, com uma linhagem de reis.
- Atualmente, é a maior cidade da prefeitura da Argólida, com economia baseada na agricultura e turismo.
A região de Argos é conhecida como Argólida, e seus habitantes são chamados de argivos (Argīvī em latim). O nome 'Argos' é de origem pré-grega ('Pelasgo'), assim como o nome de sua acrópole, Larissa. A etimologia popular o associa a um fundador mitológico, Argos, filho de Zeus e Níobe, ou a Dânao.
A história de Argos abrange desde assentamentos neolíticos e sua proeminência na era micênica até seu papel na mitologia, seu declínio na era clássica e sua evolução através dos períodos medieval e moderno, culminando em sua configuração atual como um centro agrícola e turístico.
Argos Antiga: Berço de Civilizações
Uma aldeia neolítica existia perto do santuário central da Argólida, dedicado à 'Hera Argiva', a cerca de 45 estádios de Micenas. O principal festival do templo era a Hecatombe, associado por Walter Burkert ao mito do assassinato de Argos Panoptes por Hermes. A especulação sobre o epíteto de Hermes, Argeifonte, sugere uma conexão com o adjetivo 'argós' ('brilhante' ou 'rápido'). Argos foi um dos maiores centros da era micênica, ocupada desde cedo por sua posição estratégica nas férteis planícies da Argólida, junto com Micenas e Tirinto.
Argos Mitológica: Reis e Lendas
Segundo Eusébio de Cesareia, baseado em Castor de Rodes, o primeiro rei de Argos foi Ínaco, que reinou por cinquenta anos, seguido por Foroneu, com sessenta anos de reinado. Jerônimo de Estridão calcula o início do reinado de Ínaco em c. 1857 a.C., enquanto Newton o situa em 1080 a.C. com Foroneu. Na era homérica, Argos pertencia a um súdito de Agamenon e deu nome à Argólida. Entre os reis mitológicos de Argos estão Ínaco, Foroneu, Argos, Agenor, Tríopa, Iaso, Crotopo, Estenelo, Pelasgo, Dânao, Linceu, Abas, Acrísio, Proteu, Megapentes, Perseu, Argeu e Anaxágoras.
Argos Clássica: Neutralidade e Isolamento
A importância de Argos foi ofuscada por Esparta após o século VI a.C. Devido à sua recusa em participar das Guerras Médicas, a cidade foi isolada pela maioria das outras cidades-Estado. Durante as guerras do século V a.C. entre Atenas e Esparta, Argos manteve-se neutra ou foi uma aliada de pouca importância para Atenas.
Argos Medieval: Conquistas e Reconquistas
No século XII, o Kastro Larissa, um castelo, foi construído no monte Larissa, local da antiga acrópole. Argos foi sucessivamente conquistada pelos Cruzados, Venezianos e Otomanos em 1463. Morosini a reconquistou para Veneza em 1686, mas os Otomanos a retomaram em 1716. No início da Guerra da Independência Grega, o 'Consulado de Argos' foi proclamado em 26 de maio de 1821, sob o senado do Peloponeso, com Stamatellos Antonopoulos como cônsul. Posteriormente, Argos aceitou a autoridade do governo provisório na Primeira Assembleia Nacional em Epidauro, tornando-se parte do Reino da Grécia.
Argos Moderna: Economia e Cultura Atuais
Atualmente, Argos é a capital da província homônima, uma das três subdivisões da prefeitura da Argólida. Com uma população de 27.550 pessoas (censo de 2001), é a maior cidade da prefeitura. Muitas ruínas da cidade antiga persistem e são uma atração turística. A agricultura é a principal atividade econômica, com destaque para frutas cítricas e azeitonas. A cidade possui uma estação ferroviária (Calamata - Trípoli - Corinto) e um time de futebol júnior. O Museu Arqueológico de Argos exibe artefatos descobertos nos sítios arqueológicos da cidade, incluindo o teatro e a ágora, e também da vizinha Lerna.


