Área Metropolitana de Lisboa
A Área Metropolitana de Lisboa ou AML é uma das duas Áreas metropolitanas de Portugal, e inclui duas das regiões estatísticas de Portugal: Grande Lisboa e Península de Setúbal. Está situada no centro-sul do país, com uma área de 3 001 km2 e 2 870 208 habitantes. A sua densidade populacional é 956,4 hab./km². A sua capital é Lisboa.
Antecedentes
A Área Metropolitana de Lisboa tem os seus antecedentes em várias estruturas administrativas, sendo a mais antiga e abrangente o alfoz, mais tarde designado termo, referente ao arrabaldes de uma cidade e da qual esta dependia defensiva e economicamente. Este tipo de organização regista-se desde a Idade Média, e as suas origens residem nas unidades administrativas romanas. As primeiras descrições referentes ao termo de Lisboa datam do século VIII, produzidas aquando do reinado de Abderramão III. Na região de Lisboa, no século XII, existiam quatro grandes divisões administrativas: Lisboa, Sintra, Almada e Palmela, com os seus respetivos termos. O termo lisboeta compreendia os territórios entre Monte Agraço, a norte e Oeiras, a ocidente. A estas unidades juntavam-se outras, mais periféricas, como Torres Vedras e Alenquer. O desenvolvimento demográfico, económico e social vindouro causou a fragmentação destas unidades em concelhos mais pequenos, com um período de exceção em 1384/1385, ano no qual os termos e lugares entre Torres Vedras e Sintra bem como desde Alenquer à capital seriam anexados temporariamente a Lisboa por ordem de D. João I, «em recompensa de serviços prestados à Nação e à Realeza», e abrangendo assim a maior parte da área atual do Distrito de Lisboa:.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Formação
É no virar do século que se impulsionam as estruturas metropolitanas em Portugal, algo marcado pela criação, em 1991, das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto. A lei n.º44/91, que as introduz, define-as como «[...] pessoas colectivas de direito público de âmbito territorial e visam a prossecução de interesses próprios das populações da área dos municípios integrantes.» Como objetivos das novas estruturas administrativas são referidas a coordenação supramunicipal em vários âmbitos, como os investimentos públicos, ordenamento do território e mobilidade, desenvolvendo desta forma o paradigma introduzido pela conceção do Plano Diretor da Região de Lisboa. É também definido o organograma destas novas estruturas, que devem estar providas dos seguintes órgãos:
Localização
A Área Metropolitana de Lisboa divide-se por duas áreas principais, a Península de Lisboa (AML Norte) e a Península de Setúbal (AML Sul), situadas no centro de Portugal Continental, na costa do centro e sul do país. Estas duas penínsulas conformam um promontório do território continental que se estende pelo Atlântico. O desenvolvimento das acessibilidades em torno da região de Lisboa levou a um progressivo crescimento da AML para Oeste (em direção a Torres Vedras), nordeste (seguindo o Vale do Tejo até Santarém), e sudeste (em direção ao Alentejo). Nestas regiões verificam-se zonas que, apesar de fora dos limites da área metropolitana, se inserem-se numa zona de periferia metropolitana cujas dinâmicas económicas, sociais e culturais são induzidas e polarizadas pela Área Metropolitana Central, embora mantendo uma forte independência desta (caso dos eixos Azambuja–Carregado–Ota, Porto Alto–Samora Correia–Benavente ou das cidades de Santarém e Torres Vedras).
Pontos extremos
O ponto mais setentrional localiza-se em 39° 03′ 52″ N, 9° 23′ 21″ O, situado a nordeste dos Casais da Azenha (Encarnação, Mafra) e entre este lugar e Soltaria (São Pedro da Cadeira, Torres Vedras); o mais meridional localiza-se em 38° 24′ 32″ N, 9° 11′ 54″ O na zona da Chã dos Navegantes, próximo de Azoia (Castelo, Sesimbra). A distância entre estes dois pontos é de cerca de 73 km. O ponto mais ocidental situa-se em 38° 46′ 51″ N, 9° 30′ 02″ O no Cabo da Roca (Colares, Sintra), e é também o extremo ocidental do continente, sendo os lugares mais próximos Azoia, Atalaia e Ulgueira; o mais oriental localiza-se 38° 45′ 41″ N, 8° 29′ 28″ O na zona do Gavião, que tem Sesmaria Nova (Cortiçadas de Lavre e Lavre, Montemor-o-Novo) e Abegoaria (Canha, Montijo) como os lugares mais próximos. A distância entre estes dois pontos é de aproximadamente 87 km. Possui um litoral com cerca de 150 km cujo início é marcado, a norte, pela foz da regueira de Barcide e daí prosseguindo até ao Forte de São Julião da Barra, onde é interrompido pela foz do Tejo, retomando na Cova do Vapor para terminar em Albarquel.
Orografia e paisagem
A Área Metropolitana de Lisboa caracteriza-se, na sua generalidade, pelas áreas planas e de baixa altitude (menor que 100 metros), correspondentes às planícies sedimentares das bacias do Tejo e do Sado. A oeste encontra-se uma área complexa e diversa a nível morfológico, correspondente à Orla Mesocenozóica Ocidental de Portugal. As duas penínsulas que compõem a Área Metropolitana de Lisboa são separadas pelo estuário do Tejo e têm como principais marcos a Serra de Sintra, na Península de Lisboa e portanto a norte; e a Serra da Arrábida, a sul. É na primeira que se atinge o ponto mais elevado da região, alçando-se a Cruz Alta em 528 m; em Setúbal segue-lhe o Formosinho, de 501 m. Estes sistemas confinam a foz do rio Tejo, que acaba por desaguar na enseada de Lisboa. O relevo é mais rugoso na Península de Lisboa, mas ambas possuem traços comuns como o nível de rugosidade (59) e a dicotomia entre as serras (de orientação semelhante, este-oeste a estenordeste-oestesudoeste) e a sua envolvente, composta de plataformas litorais e áreas de relevos baixos.
Costa
Sobretudo notório na parte norte da área metropolitana, o litoral é na sua maioria escarpado e pauteado por arribas, que na Arrábida podem chegar aos mais de 300 m de desnível. Assim, as praias sucedem-se como estreitas faixas de areia encostadas a essas arribas, ou pequenas manchas limitadas pelas desembocaduras dos cursos de água da região. Uma das exceções é a praia do Guincho, que se desenvolve numa reentrância profunda e ampla da linha de costa, portanto abrigada da ondulação dominante, que permite ao mar reter aí as areias em trânsito ao longo da costa. A outra exceção é o areal da Costa de Caparica, também abrigada da ondulação, que retém a aluvião do Tejo, transportada pelo mar. Esta aluvião originou a planície litoral da Costa de Caparica. Nela se encontra o maior areal da área metropolitana, que se estende da Trafaria à praia das Bicas. Porém, devido ao desordenamento costeiro, com destruição de dunas, escassez de areias e a subida do nível do mar, as suas praias vêem-se submetidas a constantes recortes.
Hidrografia
A Área Metropolitana de Lisboa apresenta por toda a sua extensão inúmeros recursos hídricos que contribuem para a sua diversidade ecológica e paisagística. A rede hidrográfica metropolitana é composta por águas interiores, de transição e costeiras, superficiais e subterrâneas, divididas por três bacias (Ribeiras do Oeste, Tejo e Sado). A gestão destes recursos está dividida por duas regiões hidrográficas (Tejo e Ribeiras do Oeste e Sado e Mira). Nas águas interiores, destacam-se as linhas de água que atravessam a região para além dos dois principais rios (Tejo e Sado). Na periferia encontram-se os rios Sorraia e Almansor e a ribeira da Marateca. Os principais cursos de água que se desenvolvem integralmente na área metropolitana são os rios Lisandro, Trancão, Jamor, das Parreiras, da Mula e as ribeiras de Alcântara e de Colares, a norte, e a sul os rios Judeu e Coina e a ribeira da Apostiça. Existem também duas barragens, a do rio da Mula (usada para consumo humano) e a de Venda Velha (destinada à irrigação e ao controlo de cheias).
Áreas protegidas
A nível metropolitano ocorre uma grande variedade a nível dos habitats (sistemas marinhos, estuarinos e fluviais, serras de média altitude, falésias costeiras, dunas, florestas e sistemas agrícolas e agro-florestais de baixa intensidade) e da geologia, que contribuem para a grande diversidade dos valores naturais da região, especialmente a nível florístico (com presença de espécies e comunidades vegetais raras ou mesmo únicas) e da avifauna. No entanto, por ser também uma zona de densa ocupação humana, existe uma crescente pressão sobre estes recursos naturais, seja pela expansão urbana ou pelo usufruto de zonas naturais enquanto áreas de lazer e desafogo.
A área metropolitana afigura-se enquanto a região com a maior concentração empresarial de Portugal, o que é possibilitado pela sua grande densidade populacional e pelo PIB per capita mais alto em relação ao restante país, revelando-se assim como um importante polo de consumo que permite a expansão de diversas atividades económicas. Também por isto, encontram-se aí sediadas sociedades com uma dimensão média superior à nacional, com um grande peso daquelas que integram mais de 500 pessoas. Estas encontram-se fixadas pelas freguesias metropolitanas numa lógica disforme: no caso das indústrias se prende com as acessibilidades, noutros com a importância simbólica de localizações em áreas de prestígio da cidade central que se destaca, noutros ainda, com as novas acessibilidades internas e externas (auto-estradas, corredores multimodais, aeroporto), e finalmente, pela proximidade a outras empresas e a outro tipo de entidades complementares. Em Lisboa, em termos geográficos, tal significa a distribuição de sociedades por freguesias que compõem diferentes eixos:
O espaço da Área Metropolitana de Lisboa apresenta-se atualmente de forma muito pouco estruturada e pautada pela diversidade, descontinuidade e heterogeneidade da sua paisagem e dos seus tipos de solo. A segunda metade do século XX deu início a um período determinante na sua definição, no qual as mudanças ocorridas se deveram à ineficácia dos instrumentos de planeamento e gestão do território, descoordenação entre vários níveis da administração pública e o desfase das instituições em relação às novas realidades económicas, sociais e territoriais que foram surgindo neste período.
O desenvolvimento territorial da área metropolitana
Na década de 1910, as localidades com mais de 2500 habitantes situadas ao redor de Lisboa consistiam sobretudo das sedes de concelhos e, no caso da margem esquerda do Tejo, aquelas que se haviam desenvolvido enquanto locais de vilegiatura (Amadora, Sintra e Cascais). Também o eixo de Vila Franca de Xira vira a sua indústria potenciada pelas acessibilidades simultaneamente marítimas e ferroviárias. Na Margem Sul, as populações ribeirinhas do arco do Tejo (entre Almada e Alcochete), pela sua ligação fluvial direta à capital, também viram a sua população crescer. Por último, as localidades de Benavente, Palmela, Sesimbra e Setúbal eram também importantes núcleos de população. Em todos estes casos (com a exceção da cidade de Almada) o desenvolvimento era relativamente independente da cidade de Lisboa, guiado pela instalação de indústrias e pela consequente criação de emprego.
Uso do solo
A evolução de todo o espaço metropolitano até aos dias de hoje revela uma repartição muito desigual dentre as várias classes de uso do solo, e de uma grande assimetria entre as duas margens. As áreas agrícolas e florestais são aquelas que mais caracterizam o território da área metropolitana, e representam cerca de 43% e 27% do uso do solo, respetivamente. A primeira, especialmente, foi aquela que mais caracterizou o espaço metropolitano. Seguem-se as áreas edificadas, representando cerca de 22% do território (15% em 1990), sendo a única tipologia que tem verificado um crescimento. Na margem norte, as áreas edificadas apresentam um peso relativo superior (cerca de 18%) ao registado pelo conjunto de concelhos da margem sul, bem como um maior valor percentual de áreas agrícolas (cerca de 53% em contraste com os 44% no sul). No entanto, as áreas florestais dominam a Península de Setúbal, conformando 47% da sua geografia.
Segundo o XVI Recenseamento Geral da População de Portugal (2021), a Área Metropolitana de Lisboa tinha um total de 2 870 208 habitantes, representando um crescimento de 1,7% em relação aos censos de 2011 e apresentando um ritmo superior ao do país. As variações mais importantes verificaram-se nos municípios de Mafra (+12,8%), Palmela (+9,6%), Alcochete (+9,0%), Montijo (+8,8%) e Sesimbra (+6,0%), enquanto que Oeiras (−0,2%), Barreiro (−0,5%), Lisboa (−1,4%) e Amadora (−2,0%) foram os que verificaram uma perda populacional. O ritmo de crescimento da área metropolitana na primeira década do século XXI é fruto do abrandamento que vem tendo lugar há várias décadas, e acompanhando uma estabilização de crescimento demográfico típica das grandes áreas metropolitanas europeias. Este contrasta com os valores muito elevados das décadas de 60 e 70 do século XX (+69,9% em 21 anos), devido ao êxodo rural e ao regresso da diáspora portuguesa residente nas antigas colónias. Assim, se em 1960 a população da Área Metropolitana de Lisboa representava apenas 1/6 do conjunto do país, hoje essa relação é de mais de 1/4. Este crescimento demográfico foi sustentado pelo saldo migratório positivo das últimas décadas em Portugal (que no conjunto da AML atingiu os 7,2%), enquanto que o crescimento natural se limitou aos 0,5%.
Cidades da Área Metropolitana de Lisboa
Das 17 cidades presentes no território metropolitano, dez estão situadas na margem norte e as restantes sete na margem sul. Vila Franca de Xira é o concelho que possui mais cidades dentro do seu concelho (para além da própria sede, Alverca e Póvoa de Santa Iria). Apesar disto, várias povoações possuem os requisitos para a sua classificação como cidade (como é o caso de Sintra, Cascais e Oeiras), mas por diversos motivos escolheram manter o seu estatuto atual.
Vilas da Área Metropolitana de Lisboa
A Área Metropolitana de Lisboa possuía, em 2022, um total de 58 vilas, estando a maioria delas concentradas na AML Norte. Aqui, os concelhos que as possuem em maior número são Sintra e Oeiras, com nove. Amadora é o único município que não possui qualquer vila, e Lisboa e Loures são os únicos na área metropolitana a partilhar uma, a de Moscavide.[carece de fontes?] Na AML Sul, as vilas repartem-se sobretudo pelo arco ribeirinho do Tejo. Montijo e Setúbal não possuem nenhuma vila no seu território, e Almada é o município com mais vilas dentro do seu perímetro (4). Algueirão-Mem Martins, Rio de Mouro, Baixa da Banheira, Pinhal Novo e Quinta do Conde são vilas as que ultrapassam, em população, as sedes dos concelhos nos quais se inserem.
Os municípios que compõem a atual Área Metropolitana de Lisboa são 18, que até 2013 estavam agrupados em duas sub-regiões: a Grande Lisboa e a Península de Setúbal. Até 2004, o município da Azambuja integrou também a Área Metropolitana de Lisboa, estando desde então inserido na Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo.
O domínio cultural é um dos que mais distingue a Área Metropolitana de Lisboa. Por ser a principal área metropolitana do país, a região é uma das mais dinâmicas em termos socioculturais, e concentra em si uma grande parte dos equipamentos e eventos culturais realizados no país, bem como a grande maioria das visitas a museus e entradas em espetáculos públicos. A raridade, dimensão e importância de certos equipamentos e eventos que têm lugar na área metropolitana significa que a sua relevância ultrapassa a escala local e regional, direcionando-se à população de todo o país. A sua demografia (onde mais cedo se constituiu uma classe média extensa, com níveis de qualificações escolares mais satisfatórios e de diversas origens), mas também a sua primazia geográfica afirmam-na como uma área de encontros culturais e cosmopolita, com as características necessárias para reunir uma oferta abundante e diversificada nas artes e na cultura.
Museus
A rede de museus na área metropolitana foi sofrendo um aumento e diversificação desde finais do século XX, em simultâneo com a modernização destes equipamentos e dos seus usos (que passam a incluir áreas de comércio, restauração, lojas e jardins). Isto refletiu-se em novos espaços públicos para usufruto das populações, e potenciou o hábito de frequência destes espaços. À rede de museus inicialmente composta por núcleos integrados nos palácios nacionais (Ajuda, Queluz, Sintra, Pena, Mafra) e pelos grandes museus do estado (Coches, da Marinha, de Arte Antiga, e o Museu da Fundação Calouste Gulbenkian) foram-se acrescentando diversos equipamentos resultantes de iniciativas estatais, autárquicas, privadas, de empresas e de parcerias público-privadas. Muitos dos museus existentes situam-se na capital, mas existem vários pela região que se debruçam por diversas temáticas.
Eventos
Existem numerosas festividades que ocorrem durante todo o ano na região. Os vários municípios celebram festas de grande dimensão, geralmente no verão. As mais destacadas são as Festas de Lisboa, que têm lugar durante o mês de junho e contam com arraiais espalhados por toda a capital, para além das marchas populares e dos casamentos de Santo António. Outras festas de relevo são as do Colete Encarnado de Vila Franca de Xira, as Festas do Mar de Cascais ou as Festas do Barrete Verde e das Salinas, em Alcochete. Na época do entrudo, é de destacar a celebração do Carnaval de Loures, considerado o mais importante da região de Lisboa, do Carnaval de Sesimbra, bem como o cortejo carnavalesco da Malveira da Serra e Janes.
A Área Metropolitana de Lisboa conta com um aeroporto na cidade de Lisboa, o Aeroporto Humberto Delgado. É o mais movimentado aeroporto português, e serve de base para as operações da companhia aérea de bandeira portuguesa, a TAP Air Portugal. Inaugurado em 1940, foi precedido pelo Campo Internacional de Aterragem de Alverca, e complementado desde a sua inauguração até à década de 1950 pelo Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, destinado a voos transatlânticos. A necessidade de modernização e expansão do aeroporto, dada a sua localização dentro da cidade de Lisboa, levou a várias propostas para a sua relocalização, primeiro com a construção de um novo aeroporto na Ota e mais tarde no Montijo, através da reconversão da base aérea já existente. O espaço da área metropolitana é relevante para a história da aviação portuguesa, sendo em Alverca e Amadora que se deram os primeiros contributos para o desenvolvimento desta atividade, mas também por albergar a sede e um dos polos do Museu do Ar.
Década de 2000
Na Área Metropolitana de Lisboa verifica-se, desde o início do século XXI, a expansão da rede viária em simultâneo com a dispersão urbana. Isto afetou os padrões de mobilidade das populações, e o aumento dos movimentos pendulares e das distâncias percorridas. Foram também formados novos pólos empresariais ou industriais na periferia e em detrimento da cidade, reduzindo a sua atratividade. No recenseamento geral da população de 2001, cerca de 1 milhão e 381 mil ativos empregados ou estudantes com 15 anos ou mais, utilizavam o espaço da Área Metropolitana de Lisboa (AML) nos seus movimentos entre o local de residência e o local de trabalho ou estudo. Entre 1991 e 2001 houve uma perda de importância dos movimentos intraconcelhios e um aumento dos movimentos interconcelhios e de entrada e saída na AML. Entre os movimentos interconcelhios da AML, Lisboa apresentava-se como o principal destino para a grande maioria dos municípios da AML. No conjunto de residentes na AML, mais de metade realizavam viagens intraconcelhias (54%), sendo que o peso destas viagens variava entre 36% na Amadora e 87% em Lisboa. Em 2001, os municípios limítrofes mais próximos eram os que maior dependência de Lisboa apresentavam (48% para Odivelas, 45% para a Amadora, 43% para Loures e 42% para Oeiras).
Década de 2010
Em 2017, a população móvel na área metropolitana totalizava 2,1 milhões de indivíduos (80,4% da sua população total). As deslocações pendulares quantificavam-se em 5,4 milhões, das quais 65,4% se desenvolveram dentro dos limites da AML. A maioria delas tiveram como motivo o trabalho (30,8%), seguidas das compras (19,8%), com um número médio de 2,60 deslocações/dia por pessoa móvel. Estas tardam, em média, 72,5 minutos por dia e apresentam uma distância média de 11 km. Em 2014, um estudo revelou que cerca de metade dos habitantes da Grande Lisboa opta por não utilizar o transporte público, mostrando-se insatisfeitos com os padrões de serviço e/ou tendo uma percepção negativa destes. Em 2018, o Inquérito à Mobilidade revelou que o automóvel é o principal meio de transporte na Área Metropolitana de Lisboa (58,9%), com uma taxa média de ocupação de 1,56 pessoas. Seguem-se os modos suaves (deslocações a pé ou de bicicleta), com 23,5% e, apenas em último, os transportes públicos, com 15,8%. Dentro do cômputo dos transportes públicos, 8,8% das deslocações são feitas de autocarro e 6,3% através do transporte ferroviário. Os concelhos mais dependentes do automóvel foram Mafra (77,7% das deslocações), Cascais e Sesimbra (ambos com 70,4%) e ainda Palmela (69,7%).
Ordenamento jurídico
A lei n.º 44/91, que estabeleceu as áreas metropolitanas em Portugal, define como uma das suas atribuições «assegurar a conveniente articulação de serviços de âmbito supramunicipal, nomeadamente nos sectores dos transportes coletivos, urbanos e suburbanos e das vias de comunicação de âmbito metropolitano». No entanto, seria apenas dezoito anos mais tarde que seria legislado o seu regime jurídico. A lei n.º 46/2008 alarga e concreta as suas atribuições, estando entre elas «participar em entidades públicas de âmbito metropolitano, designadamente no domínio dos transportes [...]». Para mais, no seu ponto segundo do artigo 4.º, ordena às áreas metropolitanas a articulação das atuações entre os municípios e os serviços da administração central em várias áreas, entre elas a mobilidade e os transportes.
Rodoviário
A rede rodoviária metropolitana consiste num conjunto de vias principais de grande capacidade, sobretudo em perfil de autoestrada, e por outra rede de vias secundárias que asseguram a complementaridade da rede. A rede principal estende-se em eixos radiais, permitindo uma ligação rápida à periferia e ao resto dos territórios nacionais. Partindo de Lisboa, a A1 e a A8 dirigem-se para norte, servindo o norte da área metropolitana e ligando-a a outras cidades, como Leiria, Coimbra, Aveiro e Porto. Partindo da Marateca, a A13 atravessa a zona leste da área metropolitana, nos concelhos de Palmela e Montijo, seguindo também para norte, entroncando com a A1 em Santarém. A A6 garante a principal ligação transfronteiriça com Espanha e a A2 aos distritos de Beja e Faro.
Ferroviário
O transporte ferroviário na Área Metropolitana de Lisboa é sobretudo pesado, havendo contudo a adoção do transporte ferroviário ligeiro em algumas partes da região. A ferrovia assume um papel importante na ligação da capital com as restantes zonas da área metropolitana, e estrutura-se em seis eixos explorados por duas operadoras, CP e Fertagus. Existem duas redes de metropolitano, cada uma de cada lado do Tejo: a de Lisboa, em funcionamento desde 1959; e a do Sul do Tejo, esta última de tipologia ligeira e em funcionamento desde 2007. Foi graças a este tipo de transporte que se deram várias expansões urbanas da cidade de Lisboa e por toda a AML: a primeira na primeira metade do século XX, concentrando os pólos urbanos à volta das estações, a segunda derivada das ampliações do sistema de metropolitano em Lisboa.
Fluvial
O transporte fluvial na AML é assegurado, no Estuário do Tejo, pelo Grupo Transtejo, que em Lisboa possui dois principais terminais fluviais: os de Cais de Sodré e de Terreiro do Paço. Assim, são explorados serviços que unem as duas margens, a partir de Cais do Sodré para o Montijo, Seixal e Cacilhas (Almada), a partir de Terreiro do Paço para o Barreiro e a partir de Belém para Trafaria e Porto Brandão. As ligações para Cacilhas e Barreiro são as que apresentam as frequências mais elevadas, e as de Montijo e Trafaria/Porto Brandão as que apresentam as menores frequências. No Estuário do Sado, existem 23 serviços diários operados pela Atlantic Ferries entre Setúbal e Troia, no concelho de Grândola. Estes são exclusivos de passageiros e mistos (passageiros, veículos ligeiros e pesados de mercadorias).


