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Ardipithecus ramidus

O Ardipithecus ramidus é uma espécie de hominídeo, provavelmente bípede e que poderá ter sido um dos antepassados da espécie humana. "Ardi" significa solo, ramid raiz, em uma língua (amhárico) do lugar onde foram encontrados os restos, (Etiópia), ainda que "pithecus" em grego signifique macaco. Os primeiros ancestrais do homem viveram na África há mais de 4 milhões de anos. O Ardipithecus ramidus, que existiu há 4,4 milhões de anos, na Etiópia, tinha uma capacidade craniana de 410 cm³, ou seja, três vezes menor que a do Homo sapiens.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Descrição

Foi descrita por Tim White e sua equipe a partir do descobrimento na África Oriental no ano 1983 por meio de alguns maxilares. Os restos de pelo menos nove indivíduos classificados como Ardipithecus ramidus, com idades entre 4,5 e 4,1 milhões de anos, foram encontrados, segundo informaram em janeiro de 2005, em As Duma, ao norte da Etiópia, a equipe da Universidade de Indiana dirigido por Sileshi Seaslug. O aspecto de um metatarso (osso correspondente ao pé) encontrado no depósito, demonstra que o animal ao qual pertence provavelmente se deslocava com seus membros inferiores, tal como um hominino. Subsequentes descobertas de fósseis por Yohannes Haile-Selassie e Giday WoldeGabriel — identificadas como A. ramidus — levariam a datação para em torno de 5.8 milhões de anos atrás. O Ardipithecus ramidus também se distingue por seus caninos superiores em forma de diamante, que são muito mais parecidos aos humanos que os caninos em "v" dos chimpanzés; além disso os machos Ardipithecus, como os humanos, tinham os dentes caninos de tamanho similar aos das fêmeas, o que para Lovejoy teve relação com mudanças decisivas nos comportamentos sociais. No entanto, a criatura provavelmente se parecia mais a um símio que a um humano.

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Descoberta

Os primeiros fósseis foram encontrados em 17 de dezembro de 1992 por Gen Suwa, membro da equipe liderada por Tim D. White, e o fóssil usado para descrever a espécie pela primeira vez (holótipo) é um conjunto de dentes encontrado por Gada Hamed em 29 de dezembro de 1993. Os dentes pertenceram a um único indivíduo que viveu a, aproximadamente, 4,4 milhões anos atrás, durante o Plioceno, na região de estudo paleoantropológica do Médio Awash, a oeste do Rio Awash e próxima do vilarejo de Aramis, Triângulo Afar, Etiópia (coordenadas 10°28.74’N 40°26.26’E). Foi inicialmente descrito como Australopithecus ramidus em um artigo publicado por White e sua equipe no periódico científico Nature, em 22 de setembro de 1994, junto com outros materiais encontrados, como dois úmeros, um rádio, uma ulna, um fragmento de mandíbula esquerda e vários outros dentes. No entanto, em 5 de novembro de 1994, Yohannes Haile-Selassie, também da equipe de White, encontrou os primeiros resquícios de um novo esqueleto, o que levou os autores a reconsiderarem a relação dos fósseis com o gênero Australopithecus e a estabelecerem um novo gênero para a espécie, renomeando-a Ardipithecus ramidus em 4 de maio de 1995.

Ardi

O novo esqueleto recebeu o código ARA-VP-6/500 e foi encontrado a 54 metros ao norte do local do conjunto original de dentes. Haile-Selassie identificou inicialmente dois fragmentos de falanges expostas no sedimento e as escavações da equipe revelaram novos ossos enterrados entre 1994 e 1995. Os ossos se encontravam bastante frágeis e poderiam se desintegrar quando tocados, o que levou a equipe a escavá-los com palitos de dente, de bambu e com espinhos de porco-espinho, além de aplicar produtos consolidantes para facilitar o transporte. O material escavado foi embalado com gesso e papel alumínio para ser transportado até a capital da Etiópia, Adis Abeba, enquanto o local da escavação foi demarcado com blocos de calcário, cimentado com concreto e recoberto com uma pilha de rochas para respeitar os costumes locais do povo Afar.

Outros exemplares

Em 2005, foram escavados vários fragmentos e ossos fossilizados na região de Afar, na Etiópia, mais especificamente no depósito fossilífero de As Duma. Esses fósseis estavam na borda oeste do sítio arqueológico Gona, portanto receberam a sigla em inglês de GWM (Gona Western Margin). São fósseis de pelo menos nove indivíduos de Ar. ramidus, incluindo mandíbulas, dentes e falanges das mãos e dos pés, sendo o fóssil GWM67/P2 o mais informativo. Os fósseis foram escavados na região do Gona Palaeoanthropological Research Project (GPRP) em quatro expedições entre 1999 e 2003. Foram encontrados mais de 1500 fósseis, entre eles os de Ar. ramidus, outros primatas e mamíferos, aves, répteis, moluscos, entre outros. Foi determinado que os fósseis de Ar. ramidus de As Duma possuem entre 4,8 e 4,3 milhões de anos de idade, o que os tornaria, possivelmente, mais antigos do que os primeiros exemplares encontrados.

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Classificação

Imagem: Mike Licht, NotionsCapital.com · BY · Openverse

Ardipithecus ramidus é uma espécie extinta de primata da superfamília Hominoidea, família Hominidae, subfamília Homininae e tribo Hominini. Foi inicialmente descrito como Australopithecus ramidus, mas a descoberta do esqueleto de Ardi fez com que os autores estabelecessem o novo gênero Ardipithecus, reconhecido já em 1995 como a possível linhagem irmã de todos os outros membros da tribo Hominini, como as espécies de Australopithecus e Homo. Uma análise filogenética feita em 2004 com 198 características do crânio e dentes de 19 espécies vivas e fósseis apoiou essa hipótese. Após a publicação de novas informações sobre Ardi em 2009, o mesmo estudo foi refeito em 2019 com 20 espécies e 107 características revisadas, revelando o mesmo resultado. A árvore filogenética do estudo de 2019 se encontra abaixo: Primatas do Velho Mundo (Superfamília Cercopithecoidea)

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Anatomia

Dimorfismo sexual

O Ardipithecus ramidus possuía um pequeno dimorfismo sexual nos caninos, mas nada comparado ao que vemos nos primatas em geral. Na maioria dos casos, os machos ou as fêmeas possuem caninos maiores do que outro sexo. Eles utilizam esses dentes maiores para competir por parceiros ou por território. Inicialmente, se hipotetizava que os hominínios perderam gradualmente esse dimorfismo por conta da mudança no hábito de mastigar, ou que, pelo uso de armas e ferramentas, os caninos não seriam mais tão úteis na luta por recursos. As duas hipóteses aparentam estar erradas, pois não há sinais de modificação no hábito de mastigar nos esqueletos de Ar. ramidus nem em fósseis mais ancestrais a ele. Além disso, não há registros de uso de ferramentas até cerca de 2,5 milhões de anos atrás. Portanto, a hipótese mais plausível atualmente é de que, nos primeiros hominínios, machos e fêmeas possuíam codominância nos grupos sociais. O que implicaria em uma menor taxa de agressividade entre machos e uma maior seleção sexual para caninos menores.

Bipedalismo

O Ardipithecus ramidus era uma espécie muito incomum. Sua aparência se aproximava muito a de macacos, incluindo o hálux (dedão do pé) opositor. Estudos de morfometria e de anatomia dos ossos indicam que essa espécie era, de fato, capaz de escalar e viver nos galhos das árvores, mas também conseguia se locomover sobre os dois pés. Porém, por possuir características para ambos os estilos de vida, Ar. ramidus não era nem um exímio corredor, nem escalador. Eles possuíam adaptações para o bipedalismo, como no fêmur e nos metatarsos dos pés, mas também possuía adaptações para o hábito de vida arbóreo, como o hálux opositor nos pés e o formato da abertura pélvica. Supõe-se que estas características são resquícios de um ancestral arbóreo.

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Fontes consultadas

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