Arcobotante
O arcobotante é uma construção em forma de meio arco, erguida na parte exterior dos edifícios na arquitetura gótica para apoiar as paredes e repartir o peso das paredes e colunas, servindo de estribo no encontro ou pilar a que se transmitem as cargas de uma estrutura. Só assim se conseguiu aumentar as alturas das edificações, dando forma (beleza) e função (estrutura) com a técnica da época. O arcobotante liga-se ao botaréu (contraforte), e estes, ligados, auxiliam-se na sustentação do peso da abóbada. Composto por um arco que se estende desde a porção superior de uma parede até um pilar volumoso, de forma a transmitir ao solo as forças laterais que uma parede exerce para o exterior, que são forças que surgem dos tetos abobadados de pedra e da carga do vento nos telhados. Estrutura em arco com o intradorso e o extradorso plano destinado simultaneamente a absorver e transmitir as cargas abobadadas.
Como sistema de suporte lateral, o arcobotante foi desenvolvido durante a Antiguidade Tardia e mais tarde floresceu durante o período gótico (séculos XII-XVI). Exemplos antigos de arcobotante podem ser encontrados na Basílica de São Vital em Ravena e na Rotunda de Galério em Tessalônica. Os elementos arquitectónicos precursores do arcobotante medieval derivam da arquitetura bizantina e da arquitetura românica, no desenho de igrejas, como a Catedral de Durham, onde os arcos transmitem as forças laterais provocadas pela abóbada de pedra sobre os corredores; os arcos ficavam escondidos sob o teto da galeria e transmitiam as forças laterais às maciças paredes exteriores. Na década de 1160, os arquitetos da região de Ilha de França empregaram sistemas de suporte lateral semelhantes que apresentavam arcos mais longos e de desenho mais fino, que vão da superfície externa da parede do clerestório, sobre o telhado dos corredores laterais (daí estarem visíveis ao exterior) e que vão ao encontro de um contraforte vertical maciço que se eleva acima do topo da parede externa.
Dado que a maior parte da carga de peso é transmitida do teto através da parte superior das paredes, o arcobotante é um suporte composto de duas partes que apresenta um semi-arco que se estende até um maciço pilar afastado da parede, e fornece a maior parte da capacidade de carga de um contraforte tradicional, que fica engajado na parede de cima para baixo; assim, o arcobotante é uma estrutura arquitetónica mais leve e económica. Ao aliviar o excesso de peso e espessura das paredes estruturais, proporcionando uma menor área de contato, o uso de arcobotantes permite a instalação de janelas numa maior superfície de parede. Esta característica e o desejo de deixar entrar mais luz fizeram com que os arcobotantes se tornassem um dos factores definidores da arquitectura gótica medieval e uma característica amplamente utilizada no desenho de igrejas a partir de então. No desenho das igrejas góticas o arco cujo perfil constitui uma curva policêntrica, formada de arcos de círculo e que se apoia em impostas (elementos salientes ao alto do pé-direito de uma parede) de níveis diferentes, ou seja, um arco aviajado não tem os seus extremos ou pontos de nascença sobre a mesma linha horizontal. Descarregra o impulso de uma abóbada situada no interior de uma catedral para o contraforte no exterior ao qual se encontra conjugado. Os contrafortes verticais (pilares) na extremidade exterior dos arcos geralmente eram cobertos com um pináculo geralmente ornamentado com croquetes, para fornecer suporte adicional à carga vertical e resistir ao impulso lateral transmitido pelo pegão.
A necessidade de construir grandes catedrais que pudessem abrigar muitas pessoas ao longo de vários corredores serviria como estimulo para o desenvolvimento do estilo gótico. O arcobotante foi a solução para esses enormes edifícios de pedra que precisavam de suporte adicional. Embora os arcobotantes servissem originalmente para um propósito estrutural, são agora um elemento básico no estilo estético do período gótico. O arcobotante ajudou originalmente a trazer a ideia de espaço aberto e luz para as catedrais através da estabilidade e estrutura, suportando o clerestório e o peso dos telhados altos. A altura das catedrais e as amplas janelas entre o clerestório criam um espaço aberto que dá a ilusão de não haver limites claros. Também torna o espaço mais dinâmico e menos estático, separando o estilo gótico do estilo românico, mais plano e bidimensional. Após a introdução do arcobotante, este mesmo conceito também pôde ser visto no exterior das catedrais. O espaço aberto abaixo dos arcos do arcobotante tem o mesmo efeito que o clerestório dentro da igreja, permitindo ao observador ver através dos arcos. Os contrafortes também alcançam o céu, semelhantes aos pilares dentro da igreja, o que cria mais espaço ascendente, tornando o espaço exterior tão dinâmico quanto o espaço interior e criando uma sensação coerente de continuidade.


